10set/113

Placar entre companheiros na classificação

 

Vettel 10 x 3 Webber
Hamilton 10 x 3 Button
Alonso 11 x 2 Massa
Schumacher 2 x 11 Rosberg
Senna 1 x 1 Petrov
Barrichello 7 x 6 Maldonado
Sutil 5 x 8 Di Resta
Kobayashi 4 x 8 Perez
Buemi 9 x 4 Alguersuari
Kovalainen 10 x 2 Trulli
Ricciardo 1 x 4 Liuzzi
Glock 10 x 3 d’Ambrosio

Diferenças hoje

Vettel x Webber: 0s697
Hamilton x Button: 0s052
Alonso x Massa: 0s347
Rosberg x Schumacher: 0s700
Petrov x Senna: *
Barrichello x Maldonado: 0s078
Di Resta x Sutil: 0s046
Perez x Kobayashi: 0s220
Buemi x Alguersuari: 0s170
Trulli x Kovalainen: 0s537
Glock x D’Ambrosio: 0s018
Ricciardo x Liuzzi: 0s177
*Senna não marcou tempo no Q3

9set/114

É com vocês

Que ninguém duvide que isso é território Ferrari

Os leitores mais assíduos podem estar sentindo falta das costumeiras análises dos treinos livres para este GP da Itália. Mas, desta vez, vou deixar nas mãos de vocês.

Aproveitei os treinos livres para andar pela pista de Monza - e em grande estilo, na companhia de Livio Oricchio - e ver como Monza não é só reta e velocidade: um carro instável pode ser um grande tormento na hora de ter a confiança para frear o mais tarde possível e a chance de retomar a aceleração antes dos demais.

Fiz um vídeo para vocês que não é lá essas coisas, mas mostra os pilotos contornando a chicane Ascari no final da segunda sessão de treinos livres. Já que Monza não é só acelerar, quem vocês acham que está mais no chão?

6set/118

E agora, Massa?

No papel, a temporada de 2011 até aqui é ainda pior que o já decepcionante ano de 2010 para Felipe Massa. Desde que chegou à Ferrari, o brasileiro não passava por uma seca tão grande de pódios – já são 13 provas em sequência sem chegar sequer entre os quatro primeiros – nunca foi superado de maneira tão contundente no que costumava ser seu ponto forte, as classificações, e chega à 13ª etapa do ano com 74 pontos. Nesta mesma fase, ano passado, tinha 91, com dois pódios (descontando a etapa do Bahrein, que não foi realizada neste ano).

O brasileiro está confirmado na Ferrari para 2012, no que será sua sétima temporada pela equipe de Maranello. Longe de ser um lugar ruim para se estar, afinal, a Fórmula 1 hoje só tem seis vagas para quem quiser vencer. O que incomoda em Felipe é justamente isso: entre os pilotos de Red Bull, McLaren e Ferrari, é o único que nunca está na briga pelas vitórias.

Além disso, perde muito na comparação com Fernando Alonso: 25 a seis nas classificações, 20 a cinco nas corridas que ambos completaram. Não parece ter bala na agulha, respaldo dentro da equipe ou mesmo força mental para acompanhar o espanhol e, ao que tudo indica, se quiser ser campeão do mundo, terá de sair da Ferrari. Mas para onde?

Há quem compare sua situação com a do próprio Alonso em 2007, quando saiu da McLaren por acreditar que a equipe favoreceria Lewis Hamilton e nunca lhe deixaria brigar de fato pelo título. Trocou uma das, na época, quatro vagas em que brigaria por vitórias para dar um passo atrás e provar seu valor esperando que um time grande o contratasse. Hoje é piloto Ferrari.

Mas a situação de Massa é diferente: o brasileiro tem quatro anos a mais que o espanhol tinha na época e não foi campeão do mundo. E virar as costas para uma vaga na Ferrari, por mais que tudo indique que o título não será possível lá, é uma aposta e tanto.

O dilema de Felipe tem mais a ver com a história de Mark Webber. Aos 30 anos, o australiano cansou das promessas da Williams e embarcou em um projeto desacreditado que nascia naquele 2007, a Red Bull. Dois anos depois, o efeito Adrian Newey apareceu e fez com que a equipe fosse uma das que melhor se adaptou a uma extensa mudança de regras. E Webber, tido por muitos como acabado, teve sua chance de lutar pelo título.

A Fórmula 1 terá outro pacote de novidades no regulamento em 2014, o que gera a oportunidade de alguma nova equipe fora do eixo Ferrari-McLaren-Red Bull se sobressair. Será que o final de 2012 não é a hora de arriscar?

5set/111

Poupar pneus na classificação é um bom negócio?

Toda classificação ouvimos as equipes justificando resultados ruins com a conversa de que pouparam pneus e sempre fica a dúvida: será que três voltas, uma tirando tudo do carro e duas mais lentas, fazem tanto estrago assim?

A resposta pode estar nestes dados, que relacionam a posição de largada com a média de chegada: o que conseguiram Webber, Kobayashi e Alguersuari – por três vezes – não foi ato de sorte ou coincidência: largar em 18º realmente é um bom negócio. Nessa posição, o piloto pode poupar os três jogos de pneus macios, ou seja, prolongar por três vezes seus stints – e rodar mais rápido, ainda que fracionalmente, com eles – e minimizar o tempo com o pneu mais lento.

É lógico que o piloto terá de ser decidido nas ultrapassagens e todo cuidado no tráfego é pouco, mas 18º é a posição que apresenta, digamos, melhor custo-benefício.

Pos. largada Média de pos. de chegada
1 1.83
2 3
3 3.25
4 4.17
5 4.67
6 7.3
7 8.33
8 11
9 10
10 8.27
11 12.56
12 11.45
13 10.8
14 11.78
15 11.89
16 10.64
17 13.3
18 12.1
19 17
20 18.11
21 16.63
22 18.64
23 16.63
24 16.33

Justamente o contrário acontece do sexto ao nono colocado e isso é fácil de entender. Vendo a classificação do campeonato, fica claro quem os são cinco pilotos que repartem a maioria dos pontos. Do sexto em diante, são conjuntos carro-piloto que ficam vulneráveis justamente àqueles que economizaram pneus por não passarem para o Q3.

A anomalia do décimo também teria a ver com os pneus: muitas equipes usaram a estratégia de não fazer voltas no Q3 para poupar um jogo. Não é de se surpreender que uma das propostas da Pirelli para o ano que vem seja, ou diminuir a alocação de pneus, ou trazer pneus específicos de classificação. Afinal, os option são tão melhores, para treino e corrida, que muito pneu duro tem voltado novinho para a fábrica.

3set/112

Experiência já não segura vaga

Em uma Fórmula 1 em que os grandes pilotos amadurecem cada vez mais cedo – em cinco anos, o recorde de campeão do mundo mais jovem da história foi batido duas vezes e, ao que tudo indica, o de bicampeão também será quebrado pela segunda vez desde 2006 nesta temporada – não é de se admirar por que há quem questione a necessidade de um Michael Schumacher e seus 42 anos, um Rubens Barrichello e seus 39 ou um Jarno Trulli e seus 37.

Os pilotos experientes geralmente têm sido chamados por equipes que precisam de um bom ritmo de desenvolvimento, porque estão muito atrás em relação aos rivais, e buscam pontuar consistentemente.

No entanto, a receita não parece estar surtindo tanto efeito. Um piloto rodado precisa render muito para ser útil, ainda mais em tempos em que os pilotos pagantes não são mais como antes. Hoje, nomes como Sergio Perez e Pastor Maldonado não chegam apenas com o bolso cheio, mas também com talento.

Quanto ao desenvolvimento, é difícil precisar o quanto o piloto ainda é importante. Ele já não tem tanto tempo de pista quanto antigamente devido às restrições nos testes privados e a maior parte da evolução é aerodinâmica, no túnel de vento. É fato que um piloto experiente será capaz de discernir rapidamente o que não está funcionando, mas sua atuação parece ser cada vez mais substituível por incontáveis dados de telemetria.

Não por acaso, Barrichello e Trulli estão com seus futuros indefinidos a três meses do final do mundial – ainda que o italiano garanta que está assinado para 2012, a Lotus não confirma – e Schumi se mantém porque é ele quem tem a opção no contrato com a Mercedes.

Uma das grandes decepções do ano foi Nick Heidfeld, outro trintão consistente e famoso desenvolvedor de carros, que chegou na Renault como substituto de Robert Kubica. Ainda que o desempenho do companheiro Vitaly Petrov tenha melhorado após a estreia em 2010, quando foi derrotado de forma contundente pelo polonês – com direito a 18 a 1 em classificação –, não é o bastante para justificar o fato do ex-“Quick Nick” ter perdido na disputa interna da Renault aos sábados e praticamente empatado em pontos nas 11 corridas que disputou junto do russo.

Foi substituído por Bruno Senna e pelo investimento brasileiro – e, mesmo sem andar para valer desde novembro de 2011, o brasileiro mostrou que Petrov não tinha virado nenhum ‘às’ do volante de uma hora para a outra.

Mais um sinal de que os “vovôs” tarimbados precisam se reinventar. O velho acertador de carros já não tem o valor de antes.

Coluna publicada no Jornal Correio Popular, em 03/set

2set/115

Carros mais rápidos fazem a festa com DRS em Spa

Em uma corrida na qual a liderança mudou de mão por cinco vezes apenas nas primeiras dez voltas, o GP da Bélgica teve um total de 77 ultrapassagens, descontando posições ganhas na largada. É um número três vezes superior que a média histórica para provas no seco no circuito, que é de 24,1. Se compararmos apenas os números dos últimos cinco anos, quando a pista voltou ao calendário, as demais provas sem chuva (2007 e 2009) haviam tido 15 e 11 manobras, respectivamente.

Nada que seja uma novidade na temporada que já tem o recorde de número de ultrapassagens mesmo com pouco mais da metade das provas disputadas. A nova marca, inclusive, é de 797, sendo que o ano com maior número de manobras até então era 1984, com 666 – os dados passaram a ser computados a partir de 1982.

Não é de se surpreender que o piloto que mais ultrapassou foi Jenson Button, com 11 manobras para chegar de 13º no grid a 3º ao final da prova. Sergio Pérez (9) e Mark Webber (8) também fizeram bonito. Os três fizeram provas de recuperação e estavam lutando contra carros mais lentos – Webber pela largada ruim e Perez por sofrer punição.

Os que foram superados mais vezes foram os pilotos que estavam fora de posição, lutando contra carros mais rápidos: Vitantonio Liuzzi (8), Jérôme d'Ambrosio (6), Vitaly Petrov (6) e Nico Rosberg (6).

Os números altos e a impossibilidade de defesa graças à DRS sendo usada em um local em que a ultrapassagem já é facilitada pelas características do circuito levantam a questão se essa busca pelas brigas na pista, mesmo se valendo de artificialidades, não facilitaria a vida de quem tem um carro melhor. É de se pensar que outra corrida em que a DRS funcionou bem “até demais”, o GP da Turquia (em que houve 126 ultrapassagens, maior número no ano até aqui) foi outra dobradinha Red Bull.

Ultrapassagem por posição ganha

Pos. Nº de ultrapassagens
1st 13
2nd 17
3rd 28
4th 31
5th 37
6th 38
7th 39
8th 37
9th 42
10th 47
11th 55
12th 52
13th 48
14th 35
15th 54
16th 41
17th 38
18th 37
19th 39
20th 30
21st 21
22nd 14
23rd 4

 

1set/116

GP da Bélgica por britânicos, brasileiros e espanhóis: “Foram os outros que falharam”

Pneus pra que te quero. As transmissões da BBC para os britânicos, da La Sexta para os espanhóis e da Globo para os brasileiros começam pautadas pelo assunto do dia: as bolhas, que afetavam especialmente os carros da Red Bull – e todos com uma pontinha de torcida para que o problema impedisse mais uma vitória de Vettel. “Essa não é uma pista em que você gostaria de ter um problema como esse. Eu estaria nervoso”, admite David Coulthard.

Na largada, Galvão Bueno vê “todos que têm esse problema com o pneu” ficando para trás, enquanto os espanhóis se revoltam com o erro na freada de Bruno Senna, que acaba com o dia de Jaime Alguersuari e quase leva Fernando Alonso. “Por favor, por favor...”, não para de repetir o narrador Antonio Lobato. “Bruno mostrou que está um pouco enferrujado”, observa Martin Brundle. “Deu uma fritadinha e escapou”, para Galvão.

Mas quem impressiona a todos é Rosberg, que pula na ponta. Não o Keke, como Galvão chegou a dizer antes da largada, mas Nico. “Ele está voando. E Webber mais uma vez largou mal”, vê Brundle.

Os espanhóis só sentem falta do australiano na volta 2. Lobato está empolgado com o início de Alonso, que tinha pulado de oitavo para quarto. “Vettel tenta passar Rosberg o mais rápido possível para se livrar do homem que vem atrás.” Suspeito que não se referia ao terceiro colocado, Felipe Massa.

O brasileiro era pressionado por Alonso. “Fernando chegou em Massa e disse: ‘ou vamos, ou sou é quem vou’”. E vai, para delírio dos compatriotas. “Assumiu o risco”, diz Marc Gené, com uma ponta de alívio. “Dia de corrida aberta na Ferrari”, ironizam os britânicos. “Ótima manobra de Fernando e isso é o máximo de agressivo que Felipe pode ser”, afirma Brundle, referindo-se à defesa do brasileiro em relação a Hamilton, que também o ultrapassa.

Galvão Bueno não está feliz com a postura de Massa em relação a Rosberg. Ao não conseguir passar o alemão, abriu a porta para a dupla Alonso-Hamilton. “Faltou ao Felipe paciência para tentar a ultrapassagem no lugar certo. Não adianta ficar mostrando o carro no miolo”, repetia a cada cinco voltas. “As Ferrari tinham acerto para seco e estavam muito animadas”, completava o narrador, ainda que, como todos sabiam que não choveria no domingo, a aposta era geral.

Na BBC, a preocupação/torcida era em relação aos pneus da Red Bull. “Eles estão com problemas!”, exclamava o repórter Ted Kravitz quando Vettel e Webber foram aos boxes nas primeiras voltas. Mas Coulthard duvidava que seria um problema tão grande. “Eles não precisam ganhar a corrida, então resolveram parar cedo para não arriscar muito. É questionável se os pneus novos terão tanto problema.”

O movimento na pista e nos boxes confunde todos. “Não sei para onde olho, mas estou gostando disso!”, diz Brundle. “Petrov foi para o reabastecimento”, afirma Galvão. “O que quero dizer é trocar de pneus. Aquele fogo no carro de Heidfeld me deixou com reabastecimento na cabeça”, justifica. Enquanto isso, Pedro de la Rosa crava que Vettel certamente vai a quatro paradas.

Na pista, Webber passa Alonso em um duelo de tirar o fôlego na Eau Rouge. “Até tirei o olho da tela”, confessa Coulthard. “Alonso salvou os dois de um grande acidente”, completa Brundle. “Parecia ímã, um querendo bater no outro”, diz Galvão. Os espanhóis estavam apressados para ir aos comerciais e perdem duas ultrapassagens do piloto da Ferrari.

Na volta, Lobato vibra: “Alonso está a 6s de Vettel e ele tem problemas de bolhas!” A alegria dura pouco, quando Hamilton bate e parece perder a consciência por alguns segundos. “Cuidado que creio que ele não está se mexendo”, o narrador muda o tom. Galvão também está preocupado: “Absurda a falta de sensibilidade do diretor de imagens”.

Os britânicos não veem nada de anormal e colocam a culpa toda em Kobayashi. “Lewis claramente não sabia que Kobayashi estava lá”, acredita Brundle. “Não tem culpa nenhuma, deixou espaço. O Kobayashi é que começou a fazer a curva onde ele estava e não se pode fazer isso. Não tinha como passar por fora dali”, defende Coulthard. Apenas Kravitz estranha a demora do inglês em sair do carro e procura a McLaren, que esclarece. “Eles acham que foi por frustração.”

Os espanhóis acreditam em acidente de corrida. “Kobayashi tem 70% de culpa, mas Hamilton também se moveu na freada.” Galvão define: “Era Hamilton e Kobayashi. Ninguém ia ceder.”

O narrador brasileiro acredita que a corrida está “caindo no colo de Dom Alonso”. Enquanto isso, os espanhóis temem que não parar durante o Safety Car era um erro e tentam imaginar maneiras do piloto da Ferrari vencer – e desanimam. “O engenheiro disse que não parar não é um desastre. Mais foi”, define Lobato.

Os britânicos consideram Vettel, terceiro atrás do Safety Car, na melhor posição. “Ele é o grande vencedor do SC e Webber será rápido no final da corrida”, define Kravitz, que vai buscar uma explicação da Ferrari. “Eles acreditam que Alonso pode fazer uma parada a menos.” Luciano Burti segue a mesma linha: “A vantagem é de Webber, porque já tirou o médio do caminho, mas Vettel poderá ir para cima com macios novos agora.”

Ainda antes da metade da prova, Coulthard prevê que Button pode ser quarto, enquanto Kravitz quer apostar que o inglês vence. “O dinheiro vai para caridade”. Coutlhard e Brundle se esquivam, com o primeiro apostando em uma briga entre o piloto da McLaren e Webber “porque os dois já usaram o médio.” Na Globo, se surpreendem em ver Jenson em cima de Massa. “Ele vem como quem não quer nada e já vai passar. Tem uma finesse impressionante”, diz Galvão.

Os espanhóis entrevistam Jaime Alguersuari, revoltado com Bruno Senna. “Foi estúpido. Era a melhor chance de pontuar bem. Quero pensar que vamos ter essa chance novamente.” Lobato escolhe as palavras. “Gostamos de Bruno, mas ele acabou com o sonho de Jaime e quase de Fernando, quase tira os dois espanhóis.” Para Burti, “não foi culpa de Bruno, foi falta de experiência. Freou um pouquinho mais tarde do que deveria. Ele está muito tempo sem correr.” “É aprendizado para ele”, completa Galvão.

Na frente, Alonso é ao menos 1s mais lento que os rivais com o pneu médio. “Não vejo como ele vai conseguir se segurar”, Coulthard chega a propor que o espanhol pare de novo e coloque macios. “Não é temperatura, é rendimento”, sentencia De la Rosa, que não se conforma com a dobradinha da Red Bull. “Não tinham domínio tão grande, foram os outros que falharam.”

Quando Button se aproxima para passar Alonso, Lobato diz que nem quer ver. “O que acontece com a Ferrari? É um desastre!” Ao ver seu piloto fora do pódio, logo lembra que “Massa está 50s atrás”, ‘esquecendo-se’ do pneu furado do brasileiro.

Nas voltas finais, a atenção é para a batalha entre Schumacher, que havia largado em último, e Rosberg pela quinta posição. No rádio, o engenheiro de Nico diz que a briga está liberada. “Michael vai pegar você, é isso que ele quis dizer”, ‘traduz’ Brundle. “Se tem uma corrida em que o Schumacher pode descontar tudo o que o Rosberg tem feito com ele é essa. Se vira, Rosberg. Você acha que alguém vai dizer para o Schumacher que é para manter posição?”, afirma Galvão.

Lobato desconfia da mensagem dada para Rosberg de que tem de economizar combustível, ainda que De la Rosa lembre que é normal ter de economizar em Spa. “Pode ser código, porque não é normal um piloto sair com nível de combustível diferente do outro, mas também Rosberg andou num ritmo mais forte no início da corrida”, raciocina Coulthard.

Hora dos balanços finais. Para os espanhóis, os cinco primeiros fizeram corridaças. “Ele soube lidar com os pneus, não sentiu a pressão, soube ultrapassar e teve uma estratégia perfeita”, De la Rosa encheu Vettel de elogios. “Quase todos os 13s que Alonso perdeu foram pelo pneu médio”, observa Gené.

Na BBC, Vettel também ganhou destaque – “o que quer que joguem nele, pneus, Safety Car, ele consegue superar” –, mas Coulthard elegeu Schumacher e Button (“com ultrapassagens brutais”) como os melhores, com direito a menção honrosa para Maldonado, “visto como um hooligan ontem, mas que na corrida foi bem”, segundo Kravitz.

Burti destaca Button e Webber, enquanto Galvão faz um balanço dos brasileiros. “Se esperava mais do Massa e tem a decepção do Bruno Senna, que depois fez uma grande corrida. Ele ficou a três posições de ganhar um pontinho, como o tio dele fez na estreia”, comenta, esquecendo-se de que, naquela época, os pontos eram dados até o sexto colocado. Do lado brasileiro, resta pensar em um desempenho melhor em Monza – da nova estrela, claro. “Tomara que o Bruno classifique e largue bem.”