Hoje paga quem pode, não só quem precisa
Com Sutil aparentemente fora da equação de acordo com as notícias de processo que chegam da Alemanha pela briga de bar com Eric Lux, um dos dirigentes da dona da Lotus na China, a disputa pela vaga na Williams parece resumida entre Bruno Senna e Rubens Barrichello.
Mais do que tomar uma decisão, a Williams está prestes a dar uma declaração de intenções. A equipe já tem confirmado um piloto que, por mais que não tenha exatamente feito feio em 2011, ainda vale mais pelo valor que aporta em dinheiro do que em habilidade.
Para a outra vaga, poderia optar pela experiência e consistência comprovadas de Barrichello. Trata-se de um piloto cujas falhas e virtudes a equipe conhece bem. Em um ano de transição após mudanças no corpo técnico e nos motores, talvez um pouco de continuísmo nos pilotos viria bem a calhar.
E há a aposta em Senna. Acredita-se que ambos tragam patrocínio, mas o ex-piloto da Renault renderia consideravelmente mais aos cofres da Williams. Como pontos fortes, tem a idade (11 a menos que Barrichello) e a tendência de melhora e rápida aprendizagem, reconhecida pelos engenheiros de sua ex-equipe, mas ainda tem muito a mostrar. É claro que um ano na Hispania e entrar no meio da temporada, mesmo em um time melhor, não é exatamente o melhor caminho para se deixar uma boa impressão, porém Bruno deu poucos sinais até aqui de que é o que os ingleses chamam de racer. E é disso que a Williams precisa no meio do pelotão.

Se há uma equipe que tem gerido bem a equação dinheiro x talento é a Force India, que não para de crescer
Saber o que esperar mais na pista do que no fechamento das contas ou o inverso? Esse tem sido o dilema das equipes, ou de pelo menos oito delas. A lógica diria que o mais indicado é ter pilotos que, por meio de seu rendimento, atraiam investidores e façam a equipe crescer dentro e fora das pistas.
Mas quem mata uma lebre por dia sabe que não é tão simples. Hoje, para complicar, há bons nomes no mercado, que apresentam vantagem técnicas e econômicas, o que banalizou um pouco aquele antigo rótulo pejorativo de piloto pagante. Agora, para quem pode, não apenas quem precisa.
Perceber onde estão os valores que as cifras não levam em conta se tornou a chave no meio do pelotão. Tirando a Renault, que trabalhou em modo de limitação de danos em 2011 após o acidente de Kubica, a melhor equipe entre as que contam com pagantes foi a Force India.
Sutil, um fiel patrocinador, experiência e boa velocidade de um lado. Di Resta, o belo desconto nos motores Mercedes e um currículo gabaritado do outro. Tiro certeiro e vários milhões a mais no bolso pela boa colocação alcançada no Mundial de Construtores.
A Williams fez um carro sofrível e não tem esses milhões. Tem os de Maldonado e pode ter os de Senna – e toda a atenção que a união do sobrenome com a equipe gerará. Hora de arriscar?
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janeiro 14th, 2012 - 13:28
“Piloto pagante” virou sinônimo de piloto sem mérito e que só está lá porque tem alguém disposto a bancá-lo. Mas me parece que houve na verdade, uma mudança no equilíbrio de forças entre equipes e patrocinadores.
Antigamente os patrocinadores pagavam diretamente às equipes e elas escolhiam os seus pilotos, e só viam um retorno condizente do investimento se a equipe fosse vencedora e mesmo assim o piloto teria que dividir sua “imagem pública” com todos os patrocinadores da equipe.
Hoje as empresas patrocinadoras, percebendo a fragilidade financeira das equipes, preferem impor um piloto que já está associado à sua marca maximizando o retorno e exposição na mídia.
Afinal, isso também não ocorre na Ferrari e o patrocínio da espanhola Santander e o espanhol Alonso? Na alemã Mercedes e os alemães Rosberg e Schumacher? Nas inglesas McLaren e Vodafone com os ingleses Hamilton e Button? Vide os vídeos promocionais que elas produzem.
Duvido que qualquer um dos ditos ‘pilotos pagantes’ tire dinheiro do próprio bolso ou arrisque o próprio pescoço sem ganhar nenhum centavo. Só mudou quem assina o contra-cheque, a equipe ou o próprio patrocinador.
janeiro 14th, 2012 - 13:56
Entendo o seu ponto, mas não estou certa de que isso mostra “fraqueza”das equipes. Na verdade, o esporte foi se profissionalizando, o bolo cresceu, e casar as imagens de equipe/piloto/patrocinador é mais uma evolução do ponto de vista do marketing. Agindo dessa maneira, há mais retorno para as empresas e para as equipes.
Não é um fenômeno exatamente novo, tendo em vista que a plataforma do Ron Dennis para fazer da McLaren uma equipe vencedora já nos anos 80 foi atrair um conjunto de empresas com determinado perfil, que combinasse com a imagem que ele queria passar da equipe. Assim, criou parcerias que duram há décadas, como a Tag Hauer e a Hugo Boss.
A questão do piloto pagante é outra, e essa também está mais complexa hoje, porque é difícil determinar os limites. Já escrevi longamente sobre isso no meu antigo blog: há um pagante em si, tipo Yamamoto, cujo principal aporte para a equipe é o financeiro, e há o agregador de valor, como os exemplos que você cita. Ninguém pode dizer que a Ferrari contratou o Alonso pelo dinheiro do Santander, mas o apoio do Santander à Ferrari tem como peças fundamentais a associação da marca Alonso com a marca Ferrari. É uma maneira mais inteligente de patrocinar esporte, pois gera identificação – hoje o Santander é a segunda marca mais reconhecida na F-1, atrás da Red Bull.