Por um fio: Massa, Webber, Grosjean e Di Resta
É curiosa a lista dos pilotos que precisarão mostrar mais trabalho do que em 2012 para manter seus empregos para a próxima temporada: de Romain Grosjean, novato que errou demais da conta, a um dos mais experientes do grid – e sempre na corda bamba, sabe-se lá se por opção própria – Mark Webber.
| Felipe Massa |
| São Paulo, Brasil, 25.04.1981 |
| 174 GPs |
| Em 2012: 7º, 122 pontos |
| O que levar para 2013: finais de semana impecáveis da segunda metade de 2012 |
| O que esquecer: espiral de queda de confiança após maus resultados |
No meio disso, Felipe Massa diz ter reencontrado na felicidade de pilotar a velocidade que só apareceu em lampejos nos últimos três anos. De fato, o salto gritante de qualidade do brasileiro a partir do GP da Bélgica não teve nenhuma razão técnica. Talvez a maior previsibilidade dos pneus Pirelli ao longo do ano tenha ajudado, pois diminui a vantagem daqueles que se adaptam mais rapidamente, mas só isso não conta toda a história. Seja como for, o normal é que, ao longo da temporada, Massa seja superado pela constância de Alonso. Porém, mais finais de semana como mostrou ser capaz de ter na segunda metade de 2012 abrem uma nova perspectiva para sua carreira. E, convenhamos: há sete meses, isso parecia impossível.
| Paul Di Resta |
| Uphall, Escócia, 16.04.1986 |
| 39 GPs |
| Em 2012: 14º, 46 pontos |
| O que levar para 2013: habilidade em se manter longe de confusão |
| O que esquecer: quedas de performance ao longo da temporada |
Paul Di Resta chegou com a pompa de ter derrotado o ex-companheiro de equipe Vettel na F-3 Euroseries e não decepcionou em seu primeiro ano, especialmente nas corridas finais de 2011. A impressão, portanto, era de que o escocês engrenaria. Porém, apesar de ficar longe de acidentes no embolado meio do pelotão, parece faltar uma pitada de sal ao escocês, que teve uma queda de rendimento acentuada após seu companheiro de 2012, Hulkenberg, começar a brilhar. Fora das pistas, um ponto de interrogação no futuro de Di Resta tem a ver com sua relação com a Mercedes: fora a Force India – que, especula-se, ensaia usar motores Ferrari em 2014 – as outras duas equipes atuais da montadora (a oficial e a McLaren) têm contratos de mais de um ano com seus pilotos.
| Romain Grosjean |
| Genebra, Suíça, 17.04.1986 |
| 26 GPs |
| Em 2012: 8º, 96 pontos |
| O que levar para 2013: velocidade em classificações |
| O que esquecer: afobação nas primeiras voltas |
Grosjean mesmo admitiu não esperar que o desafio da F-1 fosse tão grande. Se a inconsistência e os erros bobos em largadas – o mais espetacular certamente foi na Bélgica, mas o de Suzuka beirou o ridículo – o fizeram balançar ao final do ano mesmo com o dinheiro francês dando uma força, é justo dizer que sua velocidade foi importante para que ganhasse uma terceira chance. Afinal, dizem que é mais fácil um piloto rápido tornar-se consistente do que um piloto consistente tornar-se rápido, não? Mas agora acabou a fase de “bixo”: o carro deve ser bom, o companheiro não incomoda, o chefe aposta nele e Grosjean tem tudo a seu favor para brilhar em 2013.
| Mark Webber |
| Queanbeyan, Austrália, 27.08.1976 |
| 198 GPs |
| Em 2012: 6º, 179 pontos |
| O que levar para 2013: performances como em Silverstone |
| O que esquecer: apagões durante a temporada |
Quem parece que não gosta deste tipo de situação é Mark Webber. Aliás, a teoria dos ingleses para os comuns ataques vindos de Helmut Marko esbarra na necessidade que o australiano parece ter de ser tido como azarão, no melhor estilo Rocky. Psicologia à parte, o problema de Webber é semelhante ao de Massa: como seu companheiro consegue se virar em uma gama mais ampla de condições, tanto do carro, quanto externas, ele pode vencer algumas batalhas, mas dificilmente levará a guerra. E Webber mesmo já adiantou: se não for para correr na turma da frente, prefere promover suas corridas de aventura na Tasmânia.
Quero ser grande: Rosberg, Hulkenberg, Vergne e Ricciardo
Há sempre aquele grupo de pilotos que está perto, mas não exatamente onde gostaria. Às vezes, nunca teve o carro para aparecer; teve companheiros cujo desempenho gerava dúvidas ou ainda a falta de vagas nas equipes maiores criou a ideia de estagnação da carreira.
| Nico Rosberg |
| Wiesbaden, Alemanha, 27.06.1985 |
| 128 GPs |
| Em 2012: 9º, 93 pontos |
| O que levar para 2013: consistência nas corridas |
| O que esquecer: apagões em classificações |
Um pouco de cada ingrediente faz com que 2013 seja uma temporada de provação para quatro pilotos no grid. Nico Rosberg chegou em 2006, badalado por títulos em todas as categorias de base, mas nunca fez o bastante em uma Williams em má fase para justificar o interesse de equipes grandes. Teve sua chance de mostrar serviço andando ao lado de Michael Schumacher, mas há quem acertadamente questione o tamanho do desafio frente a um quarentão que não conseguiu recuperar a forma dos sete títulos após três anos parado.
Mesmo assim, Nico superou, mas não trucidou Michael, indicativo de está mais para um Button do que um Vettel, por exemplo. Agora, terá de mostrar frente a Hamilton, de quem costumeiramente perdia quando eram companheiros no kart, se tem valor – e agressividade, algo que parece lhe faltar em momentos decisivos – suficiente para escalar entre os grandes.
| Nico Hulkenberg |
| Emmerich am Rhein, Alemanha, 19.08.1987 |
| 39 GPs |
| Em 2012: 11º, 63 pontos |
| O que levar para 2013: habilidade de se manter livre de confusões |
| O que esquecer: início do ano em marcha lenta |
Se Rosberg vem numa fase de estagnação, o outro Nico chega à Sauber credenciado pelas boas performances da segunda metade do ano passado e com ares de líder da equipe. Aos 25 anos, o piloto teve um caminho tortuoso até agora na F-1, muito em função de não contar com patrocinadores do porte de rivais diretos, como Perez e Maldonado. Por isso, foi preterido na Williams e ficou um ano parado, o que lhe atrapalhou no início de 2012. Porém, as desculpas devem ficar para trás em 2013, ano da afirmação do alemão, que demonstrou ser competente em classificação e, mais importante, parece saber dosar agressividade e cuidado durante as corridas e raramente se mete em confusão.
| Jean-Eric Vergne |
| Pontoise, França, 25.04.1990 |
| 20 GPs |
| Em 2012: 17º, 16 pontos |
| O que levar para 2013: cuidado com os pneus |
| O que esquecer: péssimas classificações |
| Daniel Ricciardo |
| Perth, Austrália, 1º.07.1989 |
| 31 GPs |
| Em 2012: 18º, 10 pontos |
| O que levar para 2013: boas classificações |
| O que esquecer: falta de consistência em corridas |
Após seu primeiro ano na F-1, Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne parecem ser pilotos complementares: o australiano classifica bem e o francês, ganha vantagem nas corridas. Em outras palavras, nenhum dos dois dá pinta de estar suficientemente preparado para ocupar o eventual lugar de Mark Webber. Mas há de se notar que os pilotos do programa de desenvolvimento da Red Bull vêm direto da World Series e acabam chegando com pouca experiência. Se até mesmo um piloto especial como Vettel teve a oportunidade de testar bastante antes de correr na F-1, é de se imaginar que ambos merecem mais tempo. Mas a empresa já mostrou com Buemi e Alguersuari, que tinham características semelhantes, que a paciência não é seu forte.
Mais que dinheiro: Maldonado, Perez e Pic
“Dinheiro não compra resultados”, twittou Sergio Perez recentemente. De fato, desclassificar um piloto apenas pelo apoio financeiro que ele traz não faz muito sentido em um mundo em que cifras e habilidade cada vez mais caminham juntos. Ou será que Alonso chegaria à F-1 sem o apoio da Telefonica? Ou Vettel sem a Red Bull? Ou Hamilton sem a McLaren?
É esse caminho que especialmente Pastor Maldonado e Sergio Perez e, em menor escala, Chales Pic, esperam trilhar nesta temporada.
| Pastor Maldonado |
| Maracay, Venezuela, 10.03.1985 |
| 39 GPs |
| Em 2012: 15º, 45 pontos |
| O que levar para 2013: performances em classificação |
| O que esquecer: falta de consistência nas corridas |
Vencedor de GP e habitué do Q3 com a boa Williams em 2012, Maldonado precisa encontrar a consistência que lhe faltou nas corridas e pensar duas vezes antes de jogar seu carro na disputa de qualquer posição para se efetivar como líder da equipe. Acredita-se que seu contrato vá até o final de 2015, mas não se sabe como a saúde frágil de Chavez e as incertezas que rondam seu regime na Venezuela podem afetar o cumprimento do acordo.
| Sergio Perez |
| Guadalajara, México, 26.01.1990 |
| 39 GPs |
| Em 2012: 10º, 66 pontos |
| O que levar para 2013: estratégias ousadas e cuidado com os pneus |
| O que esquecer: inconsistência nas classificações |
Pelo menos até que a Vodafone confirme sua esperada saída e abra espaço para outra gigante das comunicações, a Telmex, Sergio Perez pode dizer que sua ida à McLaren é resultado direto do desempenho mostrado na Sauber. É fato que o mexicano impressionou desde sua estreia, na Austrália em 2011, quando foi o único a fazer uma parada quando muitos precisaram de três, mas a consistência necessária para ser piloto de equipe top ainda não apareceu, principalmente em classificações. Além disso, não era segredo na Sauber que seu temperamento não é dos mais fáceis e que faltava espírito de equipe. Nada que o amadurecimento do piloto de 23 anos não possa corrigir. Resta saber se a engessada McLaren é o lugar ideal para isso.
| Charles Pic |
| Montélimar, França, 15.02.1990 |
| 20 GPs |
| Em 2012: 21º, sem pontos |
| O que levar para 2013: boas performances em classificações |
| O que esquecer: inconsistência nas corridas |
Os próprios jornalistas franceses reconhecem ver em Charles Pic um riquinho excêntrico que busca se distanciar da fama de milionário. Não que o piloto tenha mostrado muitos resultados para tanto antes de chegar à F-1, mas é bem verdade que Pic foi o piloto que mais deu trabalho a Glock nos três anos de Marussia. Se isso tem mais a ver com o crescimento da equipe como um todo, igualando as condições entre os pilotos, o francês terá chance de mostrar agora na Caterham. Mas vale lembrar que não seria nada mal para o piloto que seu novo time, que o contratou em grande parte buscando vantagens com a Renault, preferisse alguém com mais experiência como seu companheiro.
Confira mais sobre o Quem é Quem da temporada 2013 da F-1.
Os estreantes de 2013: Razia, Gutierrez, Bottas, Van der Garde e Chilton
Muito se fala na influência do dinheiro na revelação de jovens talentos para a Fórmula 1 nos últimos anos, resposta direta à crise e ao retorno das equipes independentes, esmagadas pelas montadoras na primeira década de 2000. No entanto, faz sentido pensar que o dinheiro vai para os mais capazes e é isso que os estreantes na categoria em 2013 querem provar.
| Luiz Razia |
| 4 de abril de 1989, Barreiras, Brasil |
| Estreia em 2013 |
| Por que Razia: pelo comprometimento e crescimento mostrado ano passado |
| Credenciais: vice-campeão da GP2 em 2012, mostrou grande inteligência no cuidado com os pneus |
Razia é o primeiro a admitir que cometeu alguns erros na carreira, indo para a GP2 imaturo demais e correndo o risco de cair em descrédito por não estar pronto para dar o próximo passo. A temporada de 2012, no entanto, foi decisiva para o baiano de 23 anos, que mostrou grande profissionalismo e aproveitou bem a oportunidade que teve de viver em Milton Keynes e trabalhar dentro da fábrica da Red Bull. Na pista, tornou-se um especialista em economizar pneus e, um a um, ir superando os rivais nas voltas finais para lutar pelo título da GP2. Com esse crescimento e apoio financeiro, tornou-se um pacote interessante.
Talvez não tanto quanto o próprio Razia esperava, é verdade. Mesmo não condenando as vagas nas nanicas, o piloto sonhava com um cockpit mais competitivo. Porém, se a Marussia não é o melhor lugar do mundo para começar na F-1, também é fato que Razia não poderia esperar mais um ano para dar esse passo e, ao lado de outro estreante, tem plenas condições de bater o companheiro e deixar uma boa impressão, se não para o público em geral, que sempre o verá se classificando lá para o final do pelotão, para quem importa, no paddock.
| Esteban Gutierrez |
| 5 de agosto de 1991, Monterrey, México |
| Estreia em 2013 |
| Por que Gutierrez: chega como promessa após ser eleito o piloto que cuidou melhor dos Pirelli em 2012 |
| Credenciais: campeão da GP3 em 2010 e terceiro na GP2 em 2012 |
Esteban Gutierrez tem, por enquanto, uma carreira com altos e baixos. Ganhou tudo no kart no México, tornou-se o mais jovem piloto do país a vencer um campeonato internacional, aos 17 anos, quando dominou de maneira impressionante a Fórmula BMW Europeia. Correndo pela tradicional ART Grand Prix dali em diante, não foi bem na F-3 Euroseries, mas sagrou-se campeão no ano de estreia na GP3. Demorou para engrenar na GP2, sendo terceiro colocado em sua segunda temporada, atrás de Luiz Razia e Davide Valsecchi, ambos no quarto ano na categoria. Foi eleito pela Pirelli o piloto que cuidou melhor dos pneus em 2012.
Aos 21 anos, o mexicano garantiu uma ótima porta de entrada na F-1, beneficiado pelo investimento forte da Telmex. Na Sauber, tem um time com tradição em lapidar jovens talentos e que mostrou a maior evolução no último ano e chegou a ser copiado pelas grandes.
| Valtteri Bottas |
| 28 de agosto de 1989, Nastola, Finlândia |
| Estreia em 2013 |
| Por que Bottas: nunca terminou um campeonato abaixo do terceiro lugar na base e tem experiência efetiva de 3 anos como pilotos de testes na F-1 |
| Credenciais: campeão da GP3 em 2011 |
Depois de Nico Hulkenberg e Pastor Maldonado, a Williams faz sua terceira aposta em um piloto sem experiência na F-1 em quatro anos ao promover Valtteri Bottas. O finlandês foi campeão da F-Renault 2.0 no segundo ano, foi por duas temporadas terceiro colocado na F-3 Euroseries correndo pela mesma ART de Gutierrez – quando foram companheiros marcou mais que o dobro de pontos que o mexicano, com ambos em seu ano de estreia – e conquistou o título da GP3.
O ponto positivo de Bottas é a experiência com F-1, superior à maioria dos estreantes dos últimos anos – entre aqueles que queimaram a etapa da GP2, é o mais bem preparado desde Vettel em termos de quilometragem. Por outro lado, o finlandês pode estar ‘enferrujado’ por ter ficado um ano sem correr e demorar alguns GPs para engrenar, como aconteceu com Hulkenberg ano passado. De qualquer maneira, estreia por uma equipe que já conhece e que vem em evolução.
| Max Chilton |
| 21 de abril de 1991, Reigate, Inglaterra |
| Estreia em 2013 |
| Por que Chilton: por enquanto, mais pelo dinheiro do que por resultados |
| Credenciais: mostrou evolução na terceira temporada de GP2, em que foi quarto colocado. |
O terceiro estreante é Max Chilton, que luta contra o estigma de pagante. O britânico é filho de um empresário milionário do setor de gerenciamento de riscos e dono da equipe Carlin, que fechou parceria com a Marussia na GP2 em 2012. Em seu terceiro ano na categoria de acesso à F-1, Chilton foi quarto no campeonato e venceu duas provas. No entanto, sua carreira até aqui indica que está alguns passos abaixo de seus colegas estreantes de 2013.
| Guiedo van der Garde |
| 25 de abril de 1985, Rhenen, Holanda |
| Estreia em 2013 |
| Por que Van der Garde: apesar de estreante, é rodado na F-1 |
| Credenciais: campeão da World Series de 2008 e top 10 na GP2 de 2009 para cá |
Parecia que Van der Garde seria a eterna promessa que nunca chegaria ao posto de titular na F-1. Afinal, desde 2007 figurava como piloto de testes aqui e ali, mas seus resultados na GP2, onde estava desde 2009, não convenciam o suficiente. Pilotando pela Caterham também na categoria de acesso, o holandês participou de seis sessões de treinos livres na F-1 em 2012. Patrocinado pela marca de roupas McGregor, trata-se de um piloto consideravelmente rodado para um estreante, que o time conhece e lhe é rentável.
Com Van der Garde e Pic, a Caterham, a exemplo da Marussia, desistiu do modelo de ter um pagante e um assalariado mais experiente, o que ceifou as vagas de Kovalainen e Glock. De fato, pode-se dizer que a estratégia não rendeu frutos muitos visíveis após três anos e nenhum ponto para ambos os times. Veremos o que o novo paradigma vai trazer.
De onde vieram e onde podem chegar os estreantes de 2011
Há 10 anos, integravam o time de estreantes ninguém menos que Kimi Raikkonen, Juan Pablo Montoya e Fernando Alonso – numa turma que incluía ainda o brasileiro Enrique Bernoldi. Apenas o último continua na categoria, mas os três certamente deixaram sua marca, seja pelo arrojo, pelas grandes vitórias, pelos títulos, pelas polêmicas, ou por um certo desprezo pelo circo, que acabou levando os dois primeiros para outros caminhos.
Neste final de semana, estream outros 4 pilotos: Pastor Maldonado, Sergio Perez, Paul Di Resta e Jerome D’Ambrosio. Será que algum destes um dia chegará ao título?
É impressionante como os tempos são outros. Raikkonen, principalmente, e Alonso são exemplos de uma geração que sofreu com a decadência das F-3 na época e andou muito pouco com monopostos antes de chegar na Fórmula 1. Contudo, quando chegaram, podiam testar muito mais – o espanhol estreou aos 19 anos, 2 depois de sair dos karts, sem fazer uma curva sequer num F1, mas, em 2002, fez um ano inteiro como piloto de testes, enquanto o finlandês só tinha 20 corridas no currículo antes do GP da Austrália de 2001, e de F-Renault!
Entre os estreantes de hoje, o menos experimentado é Paul Di Resta. Mesmo assim, o escocês já soma seis anos longe dos karts. Em contrapartida, a quilometragem dos novatos com carros de F1 é bem menor.
E, para quem diz que ser piloto de testes hoje não vale mais nada, é interessante observar que apenas Perez fez sua estreia durante os ensaios destinados a jovens pilotos, em Abu Dhabi, no final do ano passado. Maldonado andou pela primeira vez de F1 em 2004, pela Minardi, enquanto Di Resta e D’Ambrosio eram test drivers e participaram de algumas sessões de treinos livres ano passado.
Embora essas questões sejam complexas (como já discutimos aqui aqui e aqui), apenas Di Resta se afasta da imagem de piloto pagante. O mexicano Perez e o venezuelano Maldonado são bancados por gigantes de seus países de origem (a Telmex, do ramo de comunicações, e a petrolífera PDVSA, respectivamente). O belga D’Ambrosio é um dos pilotos da agência Gravity – um dos braços da Genni, proprietária da Renault – e pagou pouco mais de R$ 10 milhões pela vaga.
Em relação aos currículos, Di Resta e Perez são os que melhor fizeram a lição de casa até aqui. O escocês tinha como companheiro ninguém menos que Sebastian Vettel quando foi campeão da F3 Euroseries, em 2006; nos anos seguintes, correndo na equilibradíssima DTM, teve uma ascensão meteórica (5º no primeiro ano, com um carro defasado, depois 2º, 3º e 1º). Chega à F1 numa equipe que vinha em franca ascensão até o ano passado, quando sofreu com a saída de algumas peças-chave na engenharia; tem um companheiro que leva dinheiro à equipe e pode esperar muita pressão: a Force India precisa aproveitar qualquer chance que tiver de pontuar.

Di Resta correu contra Vettel e Hamilton na F3 Euroseries, entre 2005 e 2006. Lewis ganhou o 1º round e o escocês, o 2º
Já Perez dominou completamente o campeonato da F3 Inglesa e levou o título em seu ano de estreia, em 2007, além, é claro, do vice na GP2 ano passado. Ao lado de Kobayashi, chega numa Sauber bem mais sadia financeiramente em relação a 2010.
Maldonado teve uma dura e longa fase de aprendizado na GP2 antes de tornar-se campeão, em 2010 (antes, foi 11º, 5º e 6º), ao passo que D’Ambrosio nunca brilhou (foi 11º em seu ano de estreia, 9º em 2009 e 12º no ano passado) na categoria que é o último passo antes da F1 e que já teve como campeões Rosberg, Hamilton e Hulkenberg.
O venezuelano provavelmente terá o melhor carro dos 4, um Williams, e um belo professor como companheiro de equipe. Rubens Barrichello, inclusive, falou bem do novato em entrevista ao TotalRace. Por sua vez, o belga estreia numa equipe que faz seu segundo ano, a Virgin, e tem em Timo Glock um companheiro experiente e consistente.
Saiba mais sobre os estreantes nos previews da temporada:
Pastor Maldonado
Sergio Perez
Paul Di Resta
Jerome d’Ambrosio
Turma de 2011: Hispania
| Em 2010 |
| Colocação/pontos: 11º, 0 pontos |
| Melhor resultado: 14º (3 vezes, duas com Chandhok e 1 com Senna) |
| O que levar para 2011: instinto de sobrevivência |
| O que esquecer: absolutamente todo o resto |
Narain Karthikeyan
Chennai, Índia, 14.01.1977
19 GPs
Por que Karthikeyan: nada explica a escolha, além do dinheiro indiano
Em 2010: correu 9 das 25 etapas da Nascar Truck Series e foi eleito o piloto mais popular
Karun Chandhok não tinha dado uma volta sequer em seu Hispania quando entrou na pista para a primeira classificação de 2010, no Bahrein. Isso já explica a situação do time, que começou como um bom projeto, nas mãos do ex-piloto Adrian Campos, e hoje segue por caminhos desconhecidos, comandada pelo empresário José Ramón Carabante e o engenheiro mal encarado Colin Kolles. O carro, que no ano passado não contou com nenhuma evolução no ano todo – nem a asa dianteira foi modificada, de Mônaco a Monza – não deve sofrer exatamente uma revolução em 2011.
Tudo bem que o projeto antigo era da Dallara e o novo foi desenvolvido por engenheiro ex-Honda e Red Bull Geoff Willis, além de contar com transmissão e câmbio da Williams. No entanto, diante da prometida evolução dos Virgin e Lotus e do péssimo exemplo de gerência que Kolles deu em 2010, mesclando seus 4 pilotos a esmo, é difícil imaginar que o time saia da última fila do grid.
As imagens em computador divulgadas até agora apontam para algo que parece mais um carro de F1 que o do ano passado, com mais detalhamento aerodinâmico. O bico é mais baixo, a exemplo do Virgin, e a carenagem do motor é mais longa, como o Red Bull. Mas o que mais chamou a atenção foram as mensagens chamando patrocínios. Frases como "Your logo here", "This is a cool spot" estavam espalhadas pelo carro. Pelo menos o departamento de marketing vem tendo ideias novas.
Curiosamente, a equipe decidiu não ir a Jerez e fazer uma filmagem promocional para a Pirelli em Monza e só volta à pista com os demais em Barcelona - tudo com o modelo do ano passado, é claro. O carro deste ano só vai para a pista na última bateria de testes, no Bahrein, a partir de 3 de março.
Não é nenhum carro virtual ou cores mais chamativas que vão tirar a impressão de que é muito provável que eles não larguem em muitos GPs, tendo em vista que a regra dos 107% volta em 2011. Como ano passado a Hispania teve pelo menos um de seus carros com marcas acima de 7% mais lentas que o dono do melhor tempo no Q1 em 9 dos 19 GPs, é improvável que o cenário mude drasticamente. E não largar seria, comercialmente, um desastre para a equipe.
A contratação de Narain Karthikeyan não ajuda muito nesse sentido. O indiano de 34 anos teve uma passagem na F1, em 2005, pela Jordan, e fez 5 pontos em 19 corridas. Não deixou saudade. Mas, com o apoio da montadora Tata, está de volta. Seu companheiro ainda não foi anunciado. O projeto é tão falho que falta até quem queira pagar para correr nele.
Turma de 2011: Force India
| Em 2010 |
| Colocação/pontos: 7º, 68 pontos |
| Melhor resultado: 5º (2 vezes, com Sutil) |
| O que levar para 2011: o rendimento da 1ª metade do campeonato |
| O que esquecer: perda de peças importantes do corpo técnico |
Adrian Sutil
Stamberg, Alemanha, 11.01.1983
71 GPs
Por que Sutil: precisa mostrar serviço depois de um final de 2010 difícil
Em 2010: 11º, 47 pontos
O que levar para 2011: a evolução que mostrou de 2007 a 2009
O que esquecer: tentativas desastradas de guiar mais que o carro
Paul di Resta
Livingston, Inglaterra, 16.04.1986
Estreia em 2011
Por que Di Resta: bateu Vettel quando foram companheiros na F3 Euroseries e é considerado um piloto de ótimo feedback pelos engenheiros
Em 2010: campeão da DTM
A Force India tem que decidir de que lado está. Se continuará o linha ascendente que teve em seus primeiros 3 anos e meio de vida, saindo do fundão do grid para o pódio solitário com Fisichella na Bélgica em 2009. Ou se entra na briga com a Toro Rosso por uma vaga no Q1. A ex-Jordan e Spyker trilhava um bom caminho, tendo à disposição o motor Mercedes e a colaboração técnica da McLaren, mas perdeu muito com a debandada de engenheiros no meio da temporada passada. Com a saída, especialmente de James Key, que acabou arrumando a casa da Sauber, o desenvolvimento do carro ficou comprometido e a equipe acabou perdendo, por 1 ponto, o 6º lugar entre os construtores para a Williams.
É de se imaginar que o projeto deste ano também tenha sido comprometido, feito em meio a profundas mudanças estruturais. Mas o ótimo motor e a parceria com a McLaren continuam de pé, além do time contar com uma competente dupla de pilotos.
Adrian Sutil mostrou em suas 4 temporadas na F1 que tem a competência para aproveitar oportunidades de levar pontos importantes para casa. É claro que fez suas trapalhadas e tem o péssimo hábito de tentar guiar mais que o carro, mas é um bom parâmetro para seu novo companheiro, Paul di Resta. O escocês de 24 anos chega gabaritado pelo bom retorno que deu aos engenheiros da Force India quando testou o carro às sextas-feiras em 2010, pela vitória no mano a mano com Vettel na F3 Euroseries e o recente título da concorrida DTM. Porém, são justamente os 4 anos que passou disputando apenas o campeonato de turismo que podem atrapalhar um pouco seu “ritmo de jogo” em monopostos no início. Se um dos dois ficarem aquém do esperado, Nico Hulkenberg estará mais que pronto para assumir o cockpit. É certamente a line-up mais forte do meio do grid.
Até por isso, a equipe fala em lutar pelo 5º lugar no grid neste ano, ou seja, se embolar com Renault e Mercedes. Pelo menos à primeira vista, o carro lançado hoje não parece correr muitos riscos. O único detalhe que chama a atenção é a entrada de ar acima da cabeça do piloto dividida ao meio, solução trazida pela Mercedes em 2010 - e abandonada neste ano. Nos testes de Jerez, veremos se o novo Force India é confiável; em Barcelona e no Bahrein, se almejar o 5º lugar é sonhar alto demais.
Turma de 2011: Virgin
| Em 2010 |
| Colocação/pontos: 12º, 0 pontos |
| Melhor resultado: 14º (2 vezes, com Glock e Di Grassi) |
| O que levar para 2011: continuar melhora da parte final do ano |
| O que esquecer: confiabilidade e erros de projeto |
Timo Glock
Lindenfels, Alemanha, 18.03.1982
55 GPs
Por que Glock: rápido e consistente, parece ter tirado tudo do carro ano passado
Em 2010: 24º, 0 pontos
O que levar para 2011: ótimas classificações
O que esquecer: perdeu algumas oportunidades de terminar mais à frente em corridas
Jéróme D’Ambrosio
Etterbeek, Bélgica, 27.12.1985
Estreia em 2011
Por que D’Ambrosio: pagando bem...
Em 2010: 11º na GP2
O primeiro carro de F1 inteiramente desenhado no computador, com o apoio da Fluidodinâmica Computacional, ou CFD, passou vergonha em seu primeiro ano. Os engenheiros da Wirth Research, empresa do diretor técnico da Virgin, Nick Wirth, erraram nada menos que o tamanho do tanque de combustível. Contudo, o carro evoluiu durante o ano, mesmo que num ritmo inferior em relação a seu concorrente direto, a Lotus. O último lugar no campeonato de construtores se deve mais à falta de sorte que qualquer outro fator: o Virgin dos competentes Timo Glock e Lucas Di Grassi (particularmente prejudicado pelo fato da equipe não ter recursos para dar equipamentos iguais aos pilotos) era bem mais rápido que o Hispania.
Mas a equipe tem dois bons motivos para acreditar num 2011 melhor. A Wirth Research aumentou sua capacidade técnica e hoje se proclama como o maior centro de CFD do mundo, enquanto a montadora russa Marussia se tornou title sponsor do time e promete mais investimento. Como dinheiro nunca é bastante, a Virgin ainda foi atrás do belga Jéróme D’Ambrosio para fechar um orçamento melhor em 2011.
Como mesmo contar com um piloto pagante tem seu preço e D’Ambrosio pouco deve aportar – o piloto foi 11º na última temporada da GP2, sua 3ª numa categoria em que nunca brilhou – resta se apoiar na capacidade de Glock, que se mostrou bem nas classificações e consistente nas corridas em 2010. O time não ousou muito em seu carro. O detalhe que salta aos olhos é o bico mais baixo, indo na contramão dos demais projetos lançados até o momento. Pelo menos a parte traseira parece compacta, outra forte tendência desse ano. A novidade do carro é a saída de seus escapamentos, unidos até o difusor. A Virgin chegou a testar a saída da Renault no simulador, mas acredita que sua solução é melhor.
Seu objetivo é um tanto humilde: um 12º, talvez 1 ponto, qualquer migalha serve para definir a batalha pela 10ª colocação – a última das que garantem dinheiro – no mundial de construtores.




















