13dez/1217

Até breve

Tinha uma série de posts planejados para discutirmos sobre as lutas entre companheiros de equipe em 2012, entre outros. Porém, aproveitando os últimos dias em que vale, pelo regulamento deste ano, o termo "força maior", me recorro a ele para justificar a ausência no blog por alguns dias.

Deixo vocês com uma poesia sobre nosso tema favorito.

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9jan/1215

Desvendando os estilos de pilotagem

Há quem diga que, entre os 24 pilotos do grid, há 24 estilos de pilotagem diferentes. Mas é possível encontrar alguns mais proeminentes, seja pela limpeza ou pela agressividade. Neste vídeo de 2006 Martin Brundle explica, na prática, o que diferencia a pilotagem de Button, Alonso, Schumacher e Raikkonen.

O ex-piloto reconhece que a tocada limpa de Button depende bastante do carro, chama o estilo "quadradão" de Alonso de "feio, mas eficaz" e considera a pilotagem traseira de Schumacher e Raikkonen "arriscada".

E quem diria que veríamos estes quatro pilotos juntos na pista novamente? A última vez foi justamente na temporada 2006, última antes da primeira aposentadoria de Schumacher, que voltou em 2010, quando Kimi foi para o WRC. E pensar que outros dois que viriam a ser campeões, um mais extremo que a dupla Schumacher/Raikkonen, e outro em algum lugar entre Alonso e Button, não passavam de promessas...

É interessante ver como o regulamento mudou várias vezes - estes carros tinham até controle de tração -, os pneus são completamente diferentes, mas os estilos continuam na mesma linha de mais de cinco anos atrás.

4jan/121

Overdose de Alonso marca a TV espanhola

Depois do jeito britânico de ver a F-1, agora é a vez dos espanhóis. O cuidado com a edição não é o mesmo, nem a trilha sonora, mas o tempo que a categoria ocupa na tela da La Sexta é ainda maior, com programas pré-corrida que chegam a passar de 2h em provas-chave, como os GPs caseiros ou – como aconteceu ano passado, com 2h30 de prévio de Abu Dhabi – se Alonso está disputando o título.

O asturiano, claro, é o dono da festa. Tive de garimpar para encontrar uma matéria – não exatamente a mais interessante do mundo, é verdade – com Jaime Alguersuari.

Tenho de dizer que o terceiro espanhol, Pedro de la Rosa, é bem mais popular que seu colega catalão e deve ganhar bastante espaço em 2012, quando volta à titularidade.

Neste ano, claro, De la Rosa já apareceu bastante nas transmissões como o comentarista que roubou a cena e fez o que pôde para “salvar” seu povo das patriotadas do narrador Antonio Lobato, que também comanda o programa pré-GP. Pode-se dizer que Lobato é uma espécie de Galvão Bueno espanhol, bastante criticado por sua postura nas narrações. Quando Alonso anunciou seu divórcio, inclusive, a piada que mais se repetia na Espanha era de que o narrador havia sido visto na Cibeles, monumento que se tornou palco tradicional de comemorações esportivas em Madri.

Sim, voltamos a Alonso. É bem verdade que o bicampeão, sempre bastante didático com sua imprensa local, ao menos rende boas entrevistas, mesmo que usado à exaustão pela La Sexta. Dois bons exemplos são estas, uma do Canadá e outra explicando a largada em Monza.

Na TV espanhola, até Sebastian Vettel tem de dividir espaço com a “diva” local. Mas o silêncio do asturiano quando Nira Juanco lhe pede para definir o rival em uma palavra e o consequente sorriso do alemão vale boas risadas.

Para finalizar, outros dois exemplos da tocada mais leve da transmissão espanhola – vale lembrar que a La Sexta detém os direitos para mostrar a F-1 em todo o país, mas outras três emissoras (TPA, das Asturias; Canal 9, de Valência, e TV3, da Catalunha) também o fazem regionalmente – são as tradicionais “tomas falsas”, o equivalente ao nosso “falha nossa”. A pegadinha das velas no aniversário de Alonso (claro!) é impagável.

E, por fim, uma compilação de uma série de entrevistas com celebridades guiando seus próprios carros a falando sobre como são como motoristas e o quanto seguem a F-1. Novamente, nada que vá mudar o mundo, mas uma maneira, por que não, lúdica, de entreter um público que ainda não tem o faro para a categoria tão aceso quanto os britânicos.

2jan/125

Confira o que a transmissão britânica tem

Durante todo o ano de 2011, vimos como a dupla Martin Brundle e David Coulthard, apoiados pelo repórter Ted Kravitz, viu os meandros de cada uma das 19 corridas do calendário. Mas quem acompanha a cobertura da BBC na F-1 sabe que a corrida em si é apenas um detalhe nas transmissões.

Os programas começam cerca de uma hora antes do GP em si, dependendo do horário, e contam com uma série de bem produzidas matérias, tanto sobre os acontecimentos relacionados ao final de semana em si, quanto tratando de assuntos que aprimoram a compreensão geral do esporte.

Para começar 2012 com o pé direito e já matando um pouco a saudade das corridas, selecionei alguns momentos de 2011 que mostram o trabalho dos britânicos, lembrando que neste ano se inicia a concorrência direta entre BBC e a TV paga Sky, que mostrará, ao contrário da emissora pública, todas as corridas.

Começo pela bela introdução ao GP de Mônaco, com o âncora Jake Humphrey, Eddie Jordan e Coulthard mostrando o glamour do país com a tradicional supervalorização do que a F-1 significa e uma pitada de humor britânico.

As transmissões sempre contam com textos bem escritos e imagens cuidadosamente editadas, como este vídeo, narrado por Jordan.

No programa anterior à corrida, também não faltam matérias explicando questões técnicas a respeito da categoria. Neste, por exemplo, os profissionais da Williams falam sobre a complexidade de se projetar uma asa dianteira.

Há entrevistas também, e muitas. A primeira, uma longa matéria de Jordan conversando com seu ex-piloto Rubens Barrichello em pleno Interlagos. A segunda, um Fernando Alonso bem menos arredio com a imprensa britânica que em um passado recente até dá uma de mágico.


E a transmissão não acaba quando a corrida termina. Há mais uma hora de programa após o GP, com entrevistas e repercussões. Não por acaso, foi da repórter Lee McKenzie a entrevista pós-GP mais marcante – e, por que não, bizarra – do ano.

Mas tenho de dizer que minha predileta foi outra: Vitaly Petrov dizendo com a maior sinceridade e inocência do mundo que dormiria com seu troféu após o primeiro – e até agora único – pódio da carreira, em Melbourne, deixou até o trio britânico sem reação.

E para fechar a compilação de vídeos da BBC de 2011, nada melhor do que o bem trabalho gran finale, com a participação do grupo inglês Kasabian.

23dez/111

Ultrapassagens e disputas que vão marcar 2011

Em um universo de 1152 ultrapassagens, fica até difícil escolher as melhores – mais difícil ainda é recuperar as imagens das manobras, tendo em vista a antiquada cruzada da FOM de Bernie Ecclestone contra o mundo digital.

Curiosamente, Fernando Alonso parece ser a vítima predileta, tanto por se colocar em posições que “não deveria”, quanto por ser um piloto que raramente desperdiça uma corrida na briga por uma posição, paciência que faltou a alguns neste 2011.

Vettel em Alonso, Monza

Uma ultrapassagem que marca o ano: Sebastian Vettel, mesmo há virtualmente campeão do mundo, não quer saber de perder o embalo e arrisca para cima de Fernando Alonso que, para variar neste ano, está fora de posição após grande largada. Se há drible da vaca na F-1, deve ser algo parecido com o que o alemão fez. Deixou o espanhol o procurando pelo lado de dentro, enquanto o passava por fora, mesmo com a roda na grama, após ter saído melhor da Curva Grande.

Webber em Alonso, Spa

Já se passaram alguns meses desde aquele GP da Bélgica, mas é uma cena que ainda faz qualquer um pular da cadeira. Webber se aproveita dos pneus frios de Alonso, que havia acabado de sair dos boxes, e arrisca de maneira incrível na rapidíssima Eau Rouge. Veja por um ângulo diferente:

Alonso em Button, Interlagos

Outra que ganha pontos pela ignorância à regra. A sequência Ferradura-Laranjinha nunca foi um lugar de ultrapassagem. Muito menos por fora. Alonso se aproveitou da uma melhor saída da curva anterior e, quando Button, temendo os detritos do carro de Schumacher, resolveu voltar à trajetória, já era tarde.

Schumacher em Hamilton, Mônaco

Schumacher também não liga muito para regras. Pegou Hamilton cochilando na Lowes e roubou a posição logo na primeira volta. O inglês, voltas depois, tentou fazer o mesmo, com Massa, mas não teve tanta “colaboração”.

Button em Vettel, Canadá

A manobra em si não foi daquelas espetaculares, contou com um erro - e é difícil dizer se forçado ou não - de Vettel. Mas as circunstâncias da prova, com Button vindo superando um a um na parte final da corrida, dando a impressão de que era o único a decifrar o "campo minado" que havia se tornado o circuito Gilles Villeneuve depois da chuvarada, provocou um dos momentos mais catárticos da temporada.

Hamilton em Vettel, China

Havia uma diferença de pneus e de velocidade máxima de reta, e mesmo assim Hamilton quis fazer do jeito mais difícil. Economizou Kers para dispará-lo onde Vettel menos esperava, em uma curva na qual as manobras não são comuns, para vencer a primeira prova do ano. Naquela ocasião, não só a estratégia diferente, como também o modo incisivo como o inglês caçou um a um seus adversários foram fundamentais.

Button em Schumacher, Monza

Hamilton já estava encaixotado atrás de Schumacher havia algumas voltas, mas nada que intimidasse Jenson Button. O piloto da McLaren deixou para trás o companheiro e o heptacampeão sem tomar conhecimento, incluindo uma linda e arriscada manobra na Ascari.

Webber em Alonso, Cingapura

Essa teve direito até a pseudo-polêmica entre espanhóis: aproveitando-se do tráfego da Toro Rosso de Jaime Alguersuari, Webber aparece como uma flecha do lado de dentro de Alonso para fazer a ultrapassagem. Uma mistura de reflexo, confiança no adversário e habilidade para segurar o carro.

Webber e Button, Abu Dhabi

Essa tem um “e” ao invés do “em” pois foi uma série de ultrapassagens, com Webber tentando superar – e só conseguindo na segunda vez que ambos se encontraram, já com estratégias diferentes – Button. A dupla DRS muito próxima uma da outra teve efeito negativo, mas forçou o australiano a adotar um pensamento estratégico, evitando a ultrapassagem na primeira reta, para conseguir a ultrapassagem freando pra lá do Deus nos acuda.

Webber e Hamilton, Coreia

Mais um caso de “e”, dessa vez com destaque para a conduta, como diriam os ingleses, dura, porém justa de Hamilton, que bloqueou com sucesso um carro bastante superior no último setor, mas não rápido o suficiente nas retas. As várias vezes que os pilotos ficaram roda a roda, sem se tocar, foram de tirar o fôlego.

Menção honrosa: Alonso em Kobayashi, Austrália

Muita gente lembra daquela lendária ultrapassagem de Kobayashi, da pequena Sauber, em cima do poderoso Alonso e sua Ferrari em Valência, ano passado. Pois o espanhol deu o troco em grande estilo, emulando a manobra, que entrou nas melhores de 2011, de Hamilton em cima de Rosberg: por fora na chicane mais rápida do circuito de Melbourne.

9set/114

É com vocês

Que ninguém duvide que isso é território Ferrari

Os leitores mais assíduos podem estar sentindo falta das costumeiras análises dos treinos livres para este GP da Itália. Mas, desta vez, vou deixar nas mãos de vocês.

Aproveitei os treinos livres para andar pela pista de Monza - e em grande estilo, na companhia de Livio Oricchio - e ver como Monza não é só reta e velocidade: um carro instável pode ser um grande tormento na hora de ter a confiança para frear o mais tarde possível e a chance de retomar a aceleração antes dos demais.

Fiz um vídeo para vocês que não é lá essas coisas, mas mostra os pilotos contornando a chicane Ascari no final da segunda sessão de treinos livres. Já que Monza não é só acelerar, quem vocês acham que está mais no chão?

24ago/110

Para relembrar Spa: a disputa entre Hamilton e Raikkonen de 2008

O GP da Bélgica de 2008 contou com uma das disputas mais emocionantes da F-1 nos últimos tempos. Com a chuva nas voltas finais, Lewis Hamilton passou a pressionar o então líder Kimi Raikkonen. Ambos os pilotos estavam com pneus para pista seca e tiveram várias saídas de pista até que o finlandês acabou no muro, perdendo a chance de ganhar sua quinta corrida em Spa em sete participações.

Pela manobra na última chicane antes da reta, Hamilton foi penalizado com a perda de 25s no tempo total e terminou a prova em terceiro lugar. Os comissários entenderam que a forma como o inglês devolveu a posição a Raikkonen na reta dos boxes não foi a correta - ele deveria ter esperado a curva seguinte para atacar novamente. Melhor ficar com os momentos de loucura na pista.

A narração é de Antonio Lobato, figurinha fácil em nossos posts sobre as transmissões. As imagens são da TV espanhola TV5, que detinha os direitos de transmissão na época.

9ago/110

Confira o saldo de posições ganhas na largada

Os números contabilizam as posições ganhas e perdidas nestas 11 primeiras largadas do ano no mesmo sistema de saldo de gols. Veja quem ganhou mais que perdeu:

Ganhando
+ 14 Buemi
+ 10 Glock
+ 8 Liuzzi
+ 8 Schumacher
+ 6 Heidfeld
+ 6 Alguersuari
+ 6 Kobayashi
+ 5 Kovalainen
+ 4 Trulli
+ 2 Petrov
+ 2 Rosberg
+ 2 Massa
+ 1 Alonso
+ 1D’Ambrosio

Na mesma
0 Ricciardo

Perdendo
- 1 Hamilton,
- 2 Vettel, Chandhok
- 3 Di Resta
- 8 Button
- 8 Sutil
- 7 Barrichello
- 15 Webber
- 16 Maldonado
- 20 Perez

Um reflexo desta Fórmula 1 recordista de ultrapassagens é a queda da importância da largada. Temos observado os pilotos mais cautelosos, até porque é possível recuperar ou ganhar posições mesmo antes da primeira rodada de pit stops – e, ainda assim, nada garante que a posição será sua ao final da corrida.

No entanto, claro que é melhor começar com o pé direito – e sem ter de levantá-lo! Os carros da Mercedes e seu eficiente Kers costumam saltar bem nas largadas, principalmente Schumacher, que já liderou o quesito no ano passado. O heptacampeão tem um bom saldo mesmo tendo perdido oito posições na Austrália e mais quatro em Mônaco!

Outro que se safa mesmo com uma corrida para esquecer é Kobayashi, que perdeu 10 posições na largada do GP da Espanha. Nick Heidfeld também não tem cooperado com sua média nas últimas duas provas: foram 12 posições perdidas em um toque com Di Resta na Alemanha e mais duas na Hungria. Falando no escocês, ele também saiu no prejuízo e perdeu 12 posições em Nurburgring.

A largada em uma pista que parecia ensaboada na Hungria fez suas vítimas. Sutil e Perez perderam nada menos que 12 e 9 posições na primeira volta, ajudando o meio do pelotão – Di Resta, Kobayashi e as Williams – a se darem bem no início do GP. O piloto da Force India vinha com lucro de quatro posições na temporada até Budapeste, enquanto o mexicano já tinha uma desvantagem de 11.

Mas ninguém aproveitou as condições complicadas tão bem quanto Buemi. Largando em penúltimo, o suíço anulou sua punição + má classificação logo nos primeiros metros, dando um passo longo para terminar nos pontos.

É interessante que Glock e Liuzzi tenham a tradição de ganhar posições de largada, uma vez que não têm Kers – e os números positivos dos pilotos da Lotus, primeira equipe entre as que não correm com o dispositivo, também são bons.

Outro ponto curioso é o fato de termos dois pilotos estreantes na lanterna. A safra de 2011 tem se mostrado mais contida, se envolvido em menos confusão do que no ano passado. Mas talvez a cautela seja exagerada por parte de Maldonado e Perez, que já tinha um déficit de 11 antes do desastre do GP da Hungria.

Quem também não se encontra é Mark Webber. Embreagem mal programada? Falha no Kers? O fato é que Vettel tem tido muito mais sucesso que o australiano.

Depois de sair perdendo nas primeiras três corridas, Alonso vem se posicionando melhor nas primeiras curvas e reverteu essa tendência. Na Espanha, mandou ver no Kers para protagonizar uma das largadas mais marcantes do ano:

1ago/113

Vídeo mostra com clareza explosão no carro de Heidfeld

O jornalista inglês James Allen publicou em seu blog um vídeo feito por expectadores que mostra com mais clareza do que na transmissão o fogaréu e a explosão no carro de Nick Heidfeld. De acordo com a Renault, uma demora maior que o normal no pitstop causou superaquecimento.

Não é a primeira vez, nem que o carro de Heidfeld pega fogo neste ano - e, apesar da equipe despistar, parece claro que a falha tem a ver com o sistema de escapamento que apenas o time inglês usa - nem que a Renault tem problemas em pitstops em Hungaroring.

1jun/114

Quem disse que não se ultrapassa em Mônaco?

Cortesia de pneus Pirelli virando farofa: Rosberg leva de Petrov no túnel e Hamilton na freada da chicane.