25abr/1312

GP do Bahrein por britânicos, espanhóis e brasileiros: “Vai precisar de gelo para acalmar”

“Vimos pelo menos nove líderes nas três primeiras provas. Será que Rosberg conseguirá se manter? E Vettel, que terminou todas as provas até aqui na mesma posição em que largou? Atrás dele, estão as Ferrari, que sempre largam bem.” A quantidade de variáveis mostra que nem o narrador da Sky Sports britânica, David Croft, arrisca um palpite para o GP do Bahrein. Ao seu lado, Martin Brundle atesta o óbvio. “O candidato à vitória será o cara que terá a vida mais tranquila após as 10 primeiras voltas. Pode ser qualquer um do grid.”

Na Globo, a expectativa é de que Felipe Massa alargue o primeiro stint para tirar vantagem de sua estratégia diferente e Rubens Barrichello chama a atenção para o vento contra na curva 1, “que vai aumentar as ultrapassagens na zona de DRS porque os pilotos poderão frear tarde.”

Massa não entra na equação da espanhola Antena 3. O narrador Antonio Lobato diz que “Rosberg defenderá, Vettel atacará e Fernando tentará de tudo”. No final das contas, é o que acontece. “Nico pulou bem e acabou favorecido pela briga entre Alonso e Vettel”, narra Galvão Bueno. E que luta. “Essa manobra surpreendeu a velha raposa Alonso, que tinha se aproveitado da briga de Vettel e Rosberg na curva 1”, observa Brundle. “Que ultrapassagem de Vettel. É uma curva em que chega em sexta e sai em quinta. Se o Fernando não lhe desse espaço...”, Pedro de la Rosa nem completa a frase.

Desde as primeiras curvas, já ficava claro que a palavra agressividade seria usada de torto a direito. Agora Vettel vai para cima do pole. “Rosberg defendendo de forma muito agressiva mesmo com um carro mais lento. Lembre que ele colocou dois para fora nesse mesmo circuito ano passado”, diz Brundle. Para De la Rosa, quem está arriscando demais é o outro alemão. “É importante pensar nos pneus. Vettel está fazendo uma corrida fora de suas características, forçando muito e os pneus podem mostrar sua conta depois.” Para Reginaldo Leme, a briga “só está favorecendo o Alonso.”

Brundle e De la Rosa percebem a ajuda que o vento contra citado por Barrichello está dando a Vettel. “Não é comum ver uma Red Bull lutando por posição assim porque a velocidade de reta deles é muito ruim, mas o vento na cara de Rosberg é tão forte que ajuda o vácuo de Vettel”, aponta o inglês. “Fernando precisa se livrar rápido de Rosberg senão o Vettel vai sumir”, Lobato começa a se preocupar.

As primeiras voltas de Massa, em quinto, animam os brasileiros. “É importante que ele esteja na balada”, destaca Galvão. “Isso está funcionando muito bem para Massa, porque ele conseguirá ficar na pista umas cinco voltas a mais que os outros e só perdeu uma posição”, completa Brundle.

A sua frente, Alonso passa por Rosberg. Porém, mesmo com ar limpo, o espanhol não anda no ritmo de Vettel. Para Lobato, é porque o alemão “sabe que sua única opção é fugir agora”, devido à força da Ferrari. Porém, todos demoram a perceber que o DRS do F138 travou aberto na ultrapassagem em cima do alemão.

Só na volta sete, quatro depois da ultrapassagem, Jacobo vê que “Fernando tem um problema com o DRS, porque ele continua aberto”. Lobato destaca a “perda de aderência muito grande nas freadas”, que De la Rosa calcula ser da ordem de 1s5. “É incrível que ele esteja pilotando assim.”

Galvão vê vantagem e diz que o espanhol vai para os boxes para resolver o problema “por lisura esportiva”. O narrador chega a informar que as regras não permitem que o carro continue na pista com DRS aberto, o que não é o caso. Barrichello o socorre. “Com a asa aberta é praticamente impossível andar.” Galvão se diverte com a solução ferrarista “no tapão”.

“Não acho que ele vai poder usar o DRS de novo”, diz Vega momentos antes em que Alonso volta a ativá-la e a falha persiste, obrigando o espanhol a uma nova parada e tirando-o da corrida. “Ai, Dios mío, que lástima”, berra Lobato. “A primeira parada era recuperável, porque estava perto da janela. A segunda o fez perder muito”, lamenta De la Rosa.

Reginaldo destaca que, “com o problema de Alonso, a corrida cai no colo de Vettel”, enquanto Galvão não entende porque Massa caiu tanto, desconsidera o undercut e chega à conclusão de que “deve ter perdido tempo no box”. Croft questiona se a parada prematura do brasileiro não tem a ver “com o maior desgaste de pneus devido à asa dianteira danificada.”

As atenções se voltam para Di Resta e Raikkonen, que tentam a tática de duas paradas. “Eles precisam chegar até a volta 20. É corajoso”, acredita o repórter Ted Kravitz. “Enquanto os carros ficam brigando, ajudam os que estão em duas paradas”, completa Croft.

Lobato questiona se Raikkonen pode superar Vettel com sua tática, mas De la Rosa não acredita. “Ele é o líder real, virtual, o que seja. Está com um grande ritmo e ainda tem mais dois jogos de pneus novos, o que era uma vantagem adicional em relação a Alonso.”

Os espanhóis já se apressam a culpar a Ferrari por não ter trocado a asa de Massa quando o brasileiro aparece lento na pista. Acham que ela se foi de vez. Brundle vê na hora que o problema é o pneu e, assim como os espanhóis, lembra do furo de Hamilton no treino livre. “Vamos ficar de olho. Ele só tinha sete voltas no pneu. Na Pirelli, explicaram que era por detrito [no caso de Lewis]. Há tantos detritos assim?”, questiona Lobato. “Se houver, que chamem o Charlie Whiting para colocar um SC, o que seria maravilhoso para nós”, emenda De la Rosa.

Todos se surpreendem com a agressividade – de novo! – da briga entre os companheiros de McLaren. “Sergio Perez parece um piloto da McLaren hoje”, se anima Brundle, até ouvir a reclamação de Button e ver o toque do bico do mexicano na traseira do inglês. “Jenson está querendo manter sua posição psicologicamente, mas isso poderia ter colocado ambos os carros no pitlane.”

Para Galvão, “muita gente está adorando, mas isso não é inteligente”, e Barrichello sugere que um vá passando o outro para que ambos avancem. Mas não nas curvas. “Esse circuito tem tanta reta, eles poderiam esperar para tentar a manobra nelas e não perderiam tanto tempo.”

Lobato se diverte. “As McLaren estão muito perto, está perigoso. Não sei se o rádio de Whitmarsh já está funcionando.” Enquanto isso, De la Rosa imagina “o quão bom seria para nós se eles se pegassem. Com um toque menor que esse, a asa do Fernando caiu na Malásia.” Ingleses e espanhóis veem culpa de Button nas brigas mais quentes com Perez e o piloto de testes da Ferrari elogia a ex-equipe. “Que bonito que eles deixem os dois brigarem. Para quem está vendo é bom, para eles não. E também pediram que Sergio fosse mais agressivo. O que queriam que ele fizesse?”, pergunta De la Rosa. Quando Button faz seu pit, algo que Barrichello vê como uma tentativa “de separar a briga”, Lobato brinca. “A McLaren vai colocar gelo no cockpit quando eles pararem para acalmar os ânimos.”

Kravitz lembra que a falta de interferência da equipe pode ter motivos menos esportivos. “Essa é uma corrida importante para Perez, que tem investidores importantes aqui – e eles podem ser patrocinadores da Mclaren, pois a Vodafone sai no final do ano.”

Novamente, Massa sofre um furo no pneu, mas britânicos e espanhóis veem diferenças em relação à primeira. “Foi uma falha diferente, em outro lugar no pneu. A Pirelli terá questões a responder, ainda que a equipe também possa ter influência por questões de cambagem. Então não dá para culpar a Pirelli em 100%”, avalia Kravitz. Barrichello segue a mesma linha. “Às vezes pode ser detrito, mas como já é a segunda vez que acontece, pode ser acerto. Se der uma mexidinha na roda, já altera o comportamento.”

Na Sky, em duas oportunidades, a transmissão se conecta com o rádio de Eric Boullier, que dá uma entrevista ao vivo. Explica o que deu errado com a estratégia de Grosjean no começo, confirma que Kimi está na luta pelo segundo lugar e, curiosamente, diz, na volta 42, que Grosjean luta pelo quinto lugar com Webber, mostrando que nem a equipe tinha a dimensão do que poderia acontecer. “Não é impressionante termos uma corrida em que alguns fazem duas paradas tranquilamente e outros são obrigados a fazer quatro?”, questiona Croft. “Geometria de suspensão, acerto do carro, estilo de pilotagem, ter uma corrida no tráfego. São vários os fatores que contam”, enumera Brundle. Para De la Rosa, “essa corrida mostra a diferença de degradação entre carros, mas também entre pilotos. Raikkonen e Grosjean estão indo ao pódio, mas um com duas paradas e outro com três. O mesmo ocorre com Vettel e Webber, que está com muitas dificuldades.”

Um dos exemplos é Hamilton. “Lewis reclamou muito no início da corrida de falta de aderência com o pneu médio. E não dá para entender porque o deixaram com o mesmo composto no segundo stint. Depois que colocou os duros, seu ritmo cresceu muito”, observa Kravitz.

Na Globo, Reginaldo tinha outra explicação. “É um piloto brilhante, mas estava reclamando muito no rádio no começo. Ele precisou da força do engenheiro para acreditar que o ritmo estava bom.”

Os espanhóis passam boa parte da prova lamentando por Alonso que, para Barrichello, seria o único que poderia ameaçar Vettel. “Ele é o único que repete os tempos do líder e, como ele está em primeiro e também sem DRS, é uma boa comparação.” Para Lobato, “Fernando está na briga com um braço engessado”, pelo problema com o DRS que, segundo De la Rosa, custa “cerca de seis décimos em relação a quem pode ativar nas duas zonas”. O narrador lembra que “lamentavelmente, em uma corrida em que tinham de acontecer coisas, só Vergne abandonou. Vamos ver se Fernando consegue fazer mais alguma mágica.”

Desde a volta 26. O comentarista calculava que o espanhol “lutaria pela sétima ou oitava posições”. Por um momento, vendo Hamilton “forçando demais” os pneus e Webber sendo superado pelo inglês, acreditou que um quinto lugar seria possível. Ainda mais depois que Alonso fez “uma coisa incrível” ao ultrapassar Perez. “Sei que costumamos valorizar quando os pilotos ganham corridas, mas acabe onde acabe, esta corrida de Fernando tem um mérito enorme”, disse Lobato.

Porém, o asturiano não ficaria muito tempo à frente do endiabrado mexicano. “Abusou um pouco, mas é legal quando um piloto combativo consegue uma posição dessa”, elogia Galvão. Depois de ver o chega pra lá que Alonso levou, Vega destacou que “Perez não pode reclamar do que Button fez com ele. Fez exatamente o mesmo com Alonso.”

De la Rosa ainda se diverte com o fato de Perez ter um resultado tão bom mesmo com o bico quebrado, assim como Raikkonen na China. “É uma lenda urbana esse negócio de que a aerodinâmica é tudo na F-1.”

O mexicano ainda faria outra vítima, Webber, pouco antes do companheiro do australiano, soberano, cruzar a linha de chegada. “O que será que teria acontecido sem os problemas de Alonso e Massa?”, questiona Croft. “Acho que ele não estaria ao alcance. Nem para Raikkonen com uma classificação normal.” De la Rosa é obrigado a concordar. “Fazendo os cálculos, sem o pit stop a mais, Fernando seria o terceiro. Claro que a quebra do DRS trouxe problemas adicionais, mas só para vermos como seu ritmo foi bom. E, mesmo assim, o ritmo de Vettel foi algo surpreendente. Sua volta mais rápida foi um sinal de que poderia ter sido mais rápido. Do resto, sabíamos que Raikkonen faria duas paradas e se recuperaria.”

Reginaldo destaca o finlandês, “pela 22º vez seguida nos pontos”, ainda que seja a 21ª. “Perez, combativo, deu show, e Vettel superou as 27 vitórias de Jackie Stewart, recorde que parecia imbatível há alguns anos.” Barrichello destaca como Vettel “venceu sem a disputa direta com a Ferrari e a Lotus mostrou que precisa melhorar a classificação.”

Mas a última palavra é de Croft: “A mensagem que a Red Bull mandou foi que, mesmo estando apertado, eles ainda têm a vantagem”.

24abr/138

Show de erros marca estratégias do GP do Bahrein

Alguns pararam quatro, outros duas vezes

Como explicar que, enquanto uns fecharam o GP do Bahrein com duas paradas e pneu sobrando, outros precisaram de cinco jogos para terminar a prova? São inúmeros fatores, do acerto à pilotagem, passando pelas características de cada carro. Correr livre de tráfego também ajuda consideravelmente, além de contar com decisões precisas do pitwall. E, no último final de semana, só um piloto conseguiu juntar tudo isso.

Muito da vantagem de Vettel foi resultado de seu ritmo incrível no segundo stint: os tempos de volta subiram nove décimos nas nove primeiras voltas e seis nas últimas oito (!). O alemão facilitou sua vida nas primeiras voltas, usando bem a vantagem que tinha pelo vento mascarar sua falta de velocidade de reta para fugir do tráfego. Porém, isso não explica tudo: na mesma fase da prova e com o mesmo carro, Webber também correu livre por um tempo, e viu seu ritmo despencar em 2s em apenas 11 voltas.

Rivais foram ficando pelo caminho

Entrevistado pelo TotalRace, o engenheiro de motores Ricardo Penteado atestou que Raikkonen terminou a prova com pneus sobrando – e o fato do finlandês ter feito sua melhor volta no último giro comprova isso. Claro que uma classificação melhor – e, desta vez, foi Kimi que não conseguiu melhorar do Q2 para o Q3 – não seria nada mal, mas as táticas da Lotus há algum tempo são muito mais ajudadas por seus carros do que por seus estrategistas: Raikkonen esperou demais para fazer sua primeira parada, na volta 16, e acabou não tirando tudo dos jogos de duros – assim como ele mesmo questionou durante a prova. Não tivesse perdido tanto tempo tentando prolongar a vida dos pneus médios, perdendo 2s/volta em relação a quem faria 3 paradas, poderia pelo menos ter forçado Vettel a demonstrar seu verdadeiro ritmo – e forçar seus pneus.

Quem também pisou na bola foi a Ferrari. Porém, ao invés do excesso de zelo da Lotus, sua falha foi arriscar uma nova ativação do DRS depois que a asa havia apresentado o problema. Os 21s4 que Alonso perdeu em seu segundo pit lhe custaram um pódio. Isso, só fazendo uma matemática simples, sem contar o tráfego adicional que o espanhol teria evitado. Afinal, mesmo que a primeira parada, na volta 7, não tenha sido o ideal em termos de estratégia, não demorou muito para que os McLaren, Mercedes e Grosjean fizessem o mesmo, então Alonso teria provavelmente se mantido por toda a prova à frente desta turma, evitando o desgaste acentuado de pneus que teve nas últimas voltas. Assim, teria a chance de se segurar à frente de Grosjean, ainda que não dê para cravar isso.

Já Hamilton teve uma primeira parte de prova apagada após a Mercedes insistir no pneu médio para o segundo stint. Assim que colocou os duros, na volta 22, começou a crescer e, após uma queda nas temperaturas de pista, passou a voar e recuperou boa parte do terreno perdido. Na base de ritmo, pulou de 8º a 5º.

Com tantos erros, o grande desempenho tático do dia foi de Grosjean, que fez algo semelhante ao programado para Massa. Funcionou, mesmo com alguns percalços. Largou com duros, mas antecipou a parada, na volta 8, para limpar detritos no radiador. Seu pulo do gato foi o segundo stint: remou de 8º a 3º, mostrando um grande ritmo ao mesmo tempo em que conservava os pneus por 18 voltas. Depois, voltou com médios, o que lhe ajudou com o tráfego, mas a conservação aliada ao bom ritmo fizeram com que os dois stints de 15 voltas lhe dessem o pódio.

23abr/1325

Red Bull no top 5 da história e Rosberg é pior pole desde Hamilton #BahrainFacts

Vettel, Raikkonen e Grosjean, no Bahrein: um pódio exatamente com os mesmos personagens e no mesmo cenário do ano passado. Em um universo de mais de 850 GPs, esta foi apenas a quinta vez que isso aconteceu. As coincidências não param por aí: a Lotus colocou ambos os carros no pódio largando das mesmas posições que ano passado, 7º e 11º. Isso, em uma pista que nunca coroou um vencedor que largou abaixo da segunda fila.

Em 1998 e 1999, Mika Hakkinen, David Coulthard e Michael Schumacher, um dos trios com maior número de pódios na história, repetiram a dose no GP da Espanha. Em 1988 e 1990, em Jerez, foram os mesmos Alain Prost, Nigel Mansell e Alessandro Nannini que estouraram a champanhe, e, em 1997 e 2001, em Mônaco, Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Eddie Irvine foram protagonistas de outro repeteco. Os GPs da Grã-Bretanha de 1964 e 65 também tiveram um mesmo trio: Jim Clark, Graham Hill e John Surtees, em um pódio todo britânico em casa.

Com  28 triunfos, Vettel passou Jackie Stewart e está a três de Mansell e Fernando Alonso. Famoso por converter suas poles em vitória, Vettel venceu cinco das oito últimas provas em que largou em segundo. Porém, continua sem ter conquistado uma corrida após terminar a primeira volta atrás da segunda posição. O tricampeão empatou com Rubens Barrichello em número de voltas mais rápidas, 17, tendo menos da metade dos GPs do brasileiro.

Vettel também é o único a ter liderado todas as provas até aqui. Isso, em um ano marcado por várias trocas de liderança: 11 pilotos diferentes estiveram em primeiro em algum momento das quatro primeiras etapas. Durante todo o ano de 2012, foram 13. Nos dois anteriores, apenas oito.

A conquista coloca a Red Bull em quinto lugar entre os construtores mais vencedores da história. Com 36 primeiros lugares somados apenas nas últimas quatro temporadas, a Red Bull tem 24% de aproveitamento e, ainda assim, está atrás de Ferrari (25.7%) e McLaren (25%). O próximo construtor na lista está longe: é a Lotus, com 81 vitórias.

A consistência de Kimi e o recorde negativo de Rosberg

Kimi Raikkonen está a três provas de igualar o recorde de maior número de GPs seguidos nos pontos, que pertence a Michael Schumacher. Fechando entre os 10 na Espanha, o finlandês iguala Alonso, segundo na lista. Mesmo se não pontuar, o piloto da Lotus pode chegar, em Barcelona, na marca de Nick Heidfeld de 32 corridas completadas em sequência.

Kimi conquistou seu sexto pódio no Bahrein sem nunca ter vencido a prova. Quem tem o recorde nesse quesito é Alonso, com sete pódios no GP do Brasil.

Nico Rosberg conquistou a segunda pole da carreira, mas terminou apenas em nono. Esse é o pior resultado de um pole, excluindo abandonos, desde o GP do Japão de 2008, quando Lewis Hamilton terminou em 12º após uma péssima largada, uma punição e uma rodada após choque com Massa.

Para quem gosta de dados das nanicas, a Caterham vive uma sequência de 15 corridas vendo a bandeirada com ambos os carros e, pela primeira vez desde sua criação, ela e a Marussia não tiveram um abandono sequer nas quatro primeiras etapas. Falando em sequências, os alemães chegaram a 89 GPs nos pontos, passando o recorde britânico dos anos 60.

Por outro lado, Nico Hulkenberg ficou fora do top 10 pela primeira vez desde o GP de Cingapura de 2012 e a McLaren tem o pior início em termos de resultados desde 2004. Falando em começo ruim, os cinco estreantes zeraram nas quatro primeiras provas, o que não ocorria também desde 2004.

Por fim, a Red Bull levou ao pódio a chefe das operações de pista da área eletrônica, Gill Jones. Porém, a engenheira não foi a primeira mulher a receber um troféu pelo construtor vencedor da prova: recentemente falecida, a esposa de Frank Williams, Virginia, representou a equipe no GP da Grã-Bretanha de 1986, na primeira aparição pública do marido após seu acidente automobilístico.

21abr/1323

Ganhadores e perdedores do Bahrein e a classificação do mundial em gráficos

Em uma corrida marcada por acirradas disputas por posição, quem conseguiu se livrar do tráfego se deu bem no GP do Bahrein. Foi uma prova com um equilíbrio interessante entre possibilidades estratégicas e brigas ferrenhas na pista, resultado direto de dois fatores: durabilidade maior que nas provas anteriores, permitindo que quem optou por parar três vezes se preocupasse menos com economia e uma dupla zona de DRS no ponto, sem facilitar demasiadamente as ultrapassagens.

Algo interessante nas frases dos pilotos após a prova foi a repetição de “the track came towards the car”, expressão sobre a qual falamos no texto de ontem. Os três pilotos do pódio e Lewis Hamilton explicaram que o rendimento melhorou muito ao longo da prova, resultado de uma boa previsão da evolução da pista. São sinais de que as equipes estão se entendendo melhor com esses pneus. No caso da Mercedes, contudo, o mesmo não pôde ser dito sobre Nico Rosberg.

Bastante agressivo nas primeiras voltas, usando muito bem o KERS a seu favor e decidido nas ultrapassagens, Vettel facilitou sua vida, da mesma forma que Kimi Raikkonen, que usou a grande qualidade de sua Lotus, a economia de pneus, para evitar o confronto direto.

Romain Grosjean fez estratégia semelhante à pensada para Felipe Massa e foi terceiro, com o mérito de não desgastar muito os pneus enquanto esteve no tráfego. É impressionante que a estratégia tenha dado certo mesmo que a primeira parada tenha sido na volta 8. Um excelente stint de 19 voltas com duros e dois de 15 com médios equilibraram a conta do francês.

Talvez o desempenho da Lotus só não tenha sido mais impressionante do que o da Force India, que equilibrou uma boa classificação, ritmo de prova e conservação dos pneus. Novamente, o time saiu com menos pontos do que mereceu, após o toque de Sutil na primeira volta.

Quem não saiu muito feliz foi Jenson Button, que chegou a pedir para a equipe frear Sergio Perez e acabou ficando por baixo: destroçou os pneus, parou quatro vezes e percebeu que não é tão primeiro piloto quanto esperava após a saída de Hamilton. Foi interessante, inclusive, a postura de Whitmarsh, admitindo que fora pressionado dentro da equipe para interferir e não o fez “porque é melhor a longo prazo”. Parece que o inglês espera ver Perez superando Button com mais frequência do que o campeão de 2009 gostaria.

Por outro lado, Perez, que já fora o centro da conversa no pódio da China depois de endurecer para cima dos três primeiros em Xangai, voltou a ser criticado por seus pares. Pressionado a mostrar serviço, suas manobras estão no limite entre o que quem está no sofá adora e quem está no cockpit teme.

O grande prejuízo do dia ficou com a Ferrari, que tem duas lições de casa pela frente: o que pode ser mudado no acerto do carro de Massa para evitar novos problemas com os pneus médios – sem contar nas explicações da Pirelli sobre os furos – e o que travou a asa de Alonso. Vendo o ritmo do espanhol na prova, deu para perceber que só não tivemos uma briga – também – pela vitória hoje pelo problema da Ferrari e pela má classificação da Lotus.

20abr/1317

A estratégia de Massa faz sentido?

O dono da pole position não fala em vitória e até o sétimo colocado no grid é apontado como favorito. O GP do Bahrein mais uma vez promete ser decidido pela performance relativa de cada conjunto carro/piloto com os pneus.

Mas não é só isso. Trata-se, também, de um desafio de engenharia para ver quem fez a melhor leitura da evolução da pista. Este tem sido um fator preponderante e explica por que um carro que parece dominante na sexta vai perdendo terreno, como a queda "misteriosa" de Raikkonen em Sakhir. Os ingleses costumam dizer que a pista precisa “to come towards you”, algo como “vir na sua direção”. Na verdade, é um casamento entre o direcionamento do acerto e as condições de pista, resultado da junção de fatores como emborrachamento, temperatura, vento, etc.

E, quanto mais sensíveis os pneus, única parte que une carro e pista, mais complicada é esta compreensão. Por isso, fica até difícil determinar o resultado da aposta de Felipe Massa no Bahrein. Afinal, qual será o ritmo do pneu duro em relação ao médio em situação de corrida? Será que ele vai realmente durar muito mais?

Primeiro, que fique claro que a opção de Massa é fruto do desempenho ruim do brasileiro com médios, e já havíamos alertado sobre isso. Sabendo que teria dificuldades em tirar tempo do composto e vendo a oportunidade de não largar tão atrás com as punições de Hamilton e Webber, Massa fez certo em apostar.

A princípio, a opção de largar com duros é um risco grande para a primeira volta pela maior dificuldade de aquecimento e pode não fazer muita diferença ao longo da prova pela similaridade dos compostos. É diferente, por exemplo, da tática de Vettel na China, que visava aproveitar a aderência muito superior do macio quando todos estariam economizando os médios no final da prova. Ali, a diferença entre os compostos estava na casa de 1s5. Aqui, não passa de 0s3.

A estratégia dá ao brasileiro a possibilidade de usar os médios quando a pista estiver em sua melhor condição, para minimizar suas dificuldades com o composto, principalmente a degradação dos pneus traseiros. Ou seja, a tentativa é que a pista “venha em sua direção”. Porém, isso não o coloca, necessariamente, em vantagem em relação aos rivais.

20abr/130

Confira o placar entre companheiros e as diferenças na classificação do GP do Bahrein

As diferenças são calculadas nas sessões em que o companheiro com classificação pior é eliminado e os placares contabilizam o resultado do treino, e não a posição de largada, que pode ser alterada devido a punições.

27abr/120

Semana da F-1 via twitter: “folga” e futebol

Alguma desculpa?

Precisando de uma trilha sonora para ler o post? A @redbullracing divide a playlist que toca sempre em alto e bom som em sua garagem enquanto os mecânicos trabalham nos carros. Fora dele, @AussieGrit dividiu uma bela imagem de um ciclista paraolímpico. “Outro herói desconhecido. Apenas lidando com as coisas”. O australiano esteve em uma sessão de fotos nessa semana para a Playboy britânica, assim como a dupla da @TheFifthDriver, para o Santander. @LewisHamilton, aliás, reapareceu no twitter pela primeira vez desde o GP da China, só para dizer que está “ansioso para Barcelona”. Depois de sofrer com tantos erros nos pits, é melhor não abrir muito a boca mesmo.

Foi @JensonButton quem tratou de nos dar as notícias: trabalho no simulador, evento para patrocinadores em meio a banheiros (?), expectativa para um triathlon em Cannes. E um pedido: #believeinmclaren. “Eu acredito!”

Mas o destaque da semana vai para a incrivelmente bem produzida matéria da BBC sobre o procedimento de largada, com @BSenna, que o piloto divulgou em seu twitter nesta semana. Vale muito a pena conferir!

Na @insideferrari, a semana foi para negar boatos. O último, de que James Key, ex-Sauber, estaria nos planos da equipe. O chefe de comunicação @lcolajanni, no entanto, deixou a pergunta no ar ao ser questionado pelo jornalista espanhol @AS_MFranco se Key era a salvação ferrarista. Depois de simplesmente escrever “não” em três línguas, completou: “sua pergunta foi se ele era a salvação, não a contratação.”

O twitter ferrarista também se animou para desejar feliz aniversário a @Felipe1Massa, que completou 31 anos dia 25 de abril – assim como Jean Eric-Vergne, que fez 22. O brasileiro, contudo, andou sumido do twitter nesta semana. Quem não parou com a brincadeira foi seu companheiro. @alo_oficial mostrou seu “escritório” no circuito, a “máquina da verdade”, ou exame de bioimpedância, por que passa após treinos e provas para acompanhar as respostas físicas ao esforço e dividindo alguns dados curiosos: “temperaturas; ambiente 33ºC, pista 46ºC, corpo 39ºC, máximo dos pneus 126ºC, freios na primeira curva 870ºC”. Ainda deu tempo para torcer pelo Real Madrid e dar uma ironizada na decisão dos comissários de não punir ninguém no Bahrein. “Acho que vocês vão se divertir nas próximas corridas! Pode-se defender como quiser e ultrapassar por fora da pista. Curtam!” E dá-lhe avião, até para seu bonequinho #Tomita.

Depois de explicar a decisão dos comissários em seu vídeo blog, @nico_rosberg só apareceu uma vez, para comemorar a vitória de seu Bayern de Munique na Champions. Festa para alguns, lamento para outros. @PedrodelaRosa1 viu seu Barcelona perder duas vezes nos cinco dias que esteve no Bahrein. “Increíble”, exclamou. Seu companheiro @narainracing voltou para a Índia após a corrida, mas antes postou fotos da calmaria do fim do grid. Nada que incomode Bernie, contudo.

A @HRTF1Team justificou sua ausência dos testes em Mugello para focar-se na mudança de sua base para a Caja Magica, em Madri. Pelas fotos, parece que há mesmo algum trabalho pela frente.

@SChecoPerez apareceu apresentando seu treinador, enquanto @danielricciardo quase deu uma de vidente no sábado no Bahrein. Disse que iria “fazer chover” na classificação. Foi sexto. E choveu no deserto, mas no dia seguinte. Mesmo com a decepção na corrida, o australiano ficou feliz em voltar para casa – “e botar a máquina de lavar para funcionar”, com uma mala de sete semanas para arrumar. Já no movimento twitter da @Lotus_F1Team após o duplo pódio barenita, muitos fãs perguntando se a equipe pode manter o ritmo em Barcelona. E a resposta, bem no estilo de sua estrela: “let’s wait and see.”

26abr/121

GP do Bahrein por brasileiros, espanhóis e britânicos: “É de coçar a cabeça”

A largada do GP do Bahrein se aproxima e ninguém sabe ao certo em quem apostar. Na Globo, “a McLaren vem mostrando força e talvez o fato do Rosberg ter feito uma volta para economizar pneu tenha levado a Mercedes à terceira fila”, acredita Galvão Bueno. Na Antena 3, da Espanha, “o bom para Alonso é que, se alguém ganhar, que seja Vettel.” Na Sky, os britânicos não se arriscam e analisam como os pneus andam influindo nos resultados. “O bom desta temporada é que os pilotos têm de ser perfeitos, senão caem uma ou duas filas no grid”, teoriza Brundle.

Ninguém aposta na Ferrari. “O carro é desequilibrado, então vai ser difícil para Felipe Massa. Já Williams é mais forte em corrida e Schumacher vai dar show”, prevê Luciano Burti.

Antes dos carros partirem, os espanhóis já pedem uma punição a Bruno Senna, que se posicionou no grid bem adiante de sua marca. Nada acontece e os semáforos se apagam. Vettel pula na frente. “Boa largada de Vettel e Hamilton. Olha o Grosjean! E Button sob pressão. Largada brilhante de Fernando Alonso. Maldonado e Senna largaram bem e Ricciardo está perdendo posições”, o narrador britânico David Croft tenta seguir toda a ação. “Massa ganhou cinco posições e Bruno Senna foi na dele. Raikkonen foi outro que pulou muitíssimo bem”, observa Galvão, para quem Felipe “larga muito melhor que Alonso”. O narrador Antonio Lobato só tem olhos para seu conterrâneo de Oviedo. “Fernando larga muito bem. Cuidado, que todos estão muito perto! Cuidado com Grosjean, que é um companheiro de batalha muito complicado.”

Após a ótima largada, Massa ultrapassa Raikkonen. “Que batalhador! Que grande manobra do brasileiro”, vibra Lobato. “Não foi uma manobra das mais limpas, mas ele certamente se deu bem”, diz Brundle. “Massa está guiando como um homem possesso.” Galvão também se anima. “Massa vai fazendo uma grande prova. Já tinha passado Rosberg e agora o Raikkonen. Vai fazendo uma grande prova.”

O finlandês, no entanto, devolveria a manobra algumas voltas depois. “Não é normal ver uma ultrapassagem ali”, exclama Brundle. “Isso demonstra que os pneus da Ferrari acabaram”, completa Galvão.

Os espanhóis estão focados em Alonso, esperando que ele ataque Grosjean, e se surpreendem quando o francês passa Webber com certa facilidade. “As Lotus têm ritmo”, aponta o comentarista Marc Gené. “Parece que os pneus deles estão durando mais”, opina Lobato, algo que, para Brundle tem a ver com o pneu não usado na classificação para Kimi e com a tocada de Romain, que “está evitando o giro em falso nas saídas das curvas, usando sua experiência de GP2”. Mas Gené segue maravilhado. “Grosjean e Raikkonen são os únicos nos ritmo de Vettel, enquanto McLaren e Ferrari estão sofrendo muita degradação.” O comentarista chega a falar em quatro paradas.

Nos primeiros pits, a McLaren erra com Hamilton, que sai do pitlane brigando com Rosberg. O inglês supera o alemão, que cobre o lado direito e não dá espaço. Lewis passa por fora da pista mesmo. “Era um Hamilton irritado depois de perder 9s no pit e eles não ia levantar o pé. Incrível que ele tenha conseguido ter tração para passar. Maluco, mas efetivo”, diz Brundle, que não toma partido a respeito de alguma irregularidade. Aliás, acredita que, se houver, foi por parte do piloto da McLaren, que ultrapassou “com as quatro rodas fora, isso é certeza, mas quero ver de novo.”

Para Galvão, qualquer punição miraria Rosberg. “Hamilton mostra que está muito afim e por isso é líder do campeonato. Vai ter investigação porque Nico se moveu demais.” Já os espanhóis demoram um pouco para notar a briga, mais focados em Button e Alonso, que estão um pouco à frente, também lutando por posição. “A mudança de traçado foi criminosa”, diz Lobato, enquanto Gené se impressiona com Hamilton. “Ele não tirou o pé. Como é valente esse Hamilton.” Mas logo volta a seu foco. “O importante é Alonso passar as duas McLaren, porque elas não têm ritmo.”

Di Resta chega a liderar a corrida, por uma volta, mas não é mostrado pela televisão, em meio a tantas batalhas. Para Reginaldo Leme, uma atitude política. “É um revide de Bernie Ecclestone pela Force India não ter participado de uma das sessões de treinos livres.” E lá vai Galvão explicar os problemas internos do Bahrein como uma “disputa entre etnias, não importa dizer o nome. Mas não aconteceu nada até agora”, completa, referindo-se à presença da F-1 no país. E também logo volta a seu foco. “Não é consolo para ninguém, mas a corrida do Massa é bem melhor que a do Alonso.”

Burti chama a atenção para a estratégia de Raikkonen ser diferente de Vettel – o finlandês está com pneus macios e se aproxima rapidamente. “Raikkonen está muito mais rápido de macios que Grosjean de médios”, também observa Brundle.

Os comissários optam por decidir sobre o caso Hamilton X Rosberg depois da corrida, para a revolta de Galvão. “Essas coisas incomodam na F-1. Não tem motivo para investigar depois da prova. É político. A decisão é política porque a Mercedes é a única grande montadora a seguir na F-1, fornecer motores, é importante.”

Para os espanhóis, no entanto, a situação realmente é discutível. “Rosberg fez uma mudança de posição, o que é permitido, mas forçou Hamilton para fora”, Gené primeiramente dá a entender que vê ganho de causa para o inglês, mas, depois de ouvir reclamação do alemão de que o piloto da McLaren o ultrapassara por fora da pista, entende que a questão é mais complexa. “Rosberg não deu opção, mas acho que não puniria nenhum dos dois.”

David Croft vê Rosberg preso pela Ferrari de Massa. “A largada custou caro para ele.” E Gené imagina o quanto a má classificação prejudicou Kimi.” Surpreendente como ele se classificou mal. Se estivesse mais à frente, já teria chegado na cola de Vettel.”

Espanhóis e britânicos querem que a Lotus dê ordens para Grosjean abrir passagem para quem “realmente tem chance de ganhar”. De acordo com Croft, Kimi também pensava assim. “Se vocês estiverem ouvindo nosso canal do pit, ouviram ele dizendo: ‘vocês têm de me deixar passar’. Quanto isso custou? Ele certamente perdeu tempo.”

Um novo erro no pit de Hamilton chama a atenção de todos. “Ele vai ficar revoltado. Vai dizer que não quer parar mais”, brinca Gené. “A McLaren está a fim de jogar a corrida do Hamilton fora mesmo”, diz Reginaldo Leme. “A McLaren chegou num ponto em que eles realmente vão ter de olhar esses pits”, endossa Croft.

A disputa entre Rosberg e Hamilton quase se repete, mas agora com Alonso, que prefere recuar. “Agora não acho que foi o Rosberg que colocou o Alonso para fora”, vê Galvão. “Muito agressivo o Rosberg. Acho que ele pensa: ‘tenho o direito de ir até o canto e deixo espaço pelo lado de dentro”, diz Brundle, mas Croft acredita que isso não é certo. “As regras dizem que você tem que dar espaço de um carro.” Para os espanhóis, “isso não pode acontecer! Jogou ele para fora! O movimento de Rosberg é algo para se rever, ele já fez algo parecido com Hamilton”, Lobato fica indignado. “Ele muda de trajetória quando o outro já o fez. Por isso eles se veem obrigados a sair da pista”, concorda Gené.

Os ânimos se acalmam e é Massa quem vem se aproximando de Alonso em “de longe, sua melhor corrida do ano”, como destaca Brundle, que diz: “Fernando, Felipe is faster than you. Poderíamos ouvir algo do tipo”. E Croft emenda. “Agora é permitido.” E logo as atenções se voltam para Di Resta e a luta pela ponta. Os espanhóis também não dão muita atenção, só avisam: “não descartemos que Massa pode passar porque está com pneus macios. Esses pneus duros não estão funcionando para Alonso.”

A questão é mais séria na Globo. “Gostaria bastante de ouvir: ‘Alonso, Massa está mais rápido do que você’. Eles estão com estratégias diferentes, assim como aconteceu na China e pediram para o Felipe deixar passar. Única diferença é que na China Alonso faria 3 paradas e Massa duas. Agora eles têm pneus diferentes. Tem que vir a ordem, mas não vai. Todo mundo sabe que não tem comando.”

Para Reginaldo, “uma justificativa é que Alonso está na frente no campeonato, mas é só o começo. Se bem que na Alemanha em 2010 estava no meio.” Nada de ordem e o narrador não se conforma. “O piloto está tentando se levantar e eles fazem isso.”

Todos se agitam quando Alonso segue no vácuo de Kobayashi até o japonês ir aos boxes. E desvia repentinamente quando percebe o erro. “Estranhíssima a manobra de Fernando. Que perto do muro”, exclama Lobato. “Acho que ele pensou que Kobayashi estava tentando escapar do vácuo”, acredita Gené. Para Galvão, Alonso seguiu o japonês para sair do vácuo de Massa, enquanto Brundle classifica o espanhol de louco. “É um risco que não vale a pena, a não ser que ele não pensasse que Koba iria parar.” Croft raciocina. “Estava cedo para Alonso parar, então isso não é uma possibilidade.”

O narrador lembra que “ninguém venceu aqui largando fora dos quatro primeiros, mas um homem chegou no pódio largando em 22º: Kimi Raikkonen.” O finlandês se aproximava rapidamente em Vettel. “A Lotus teria de parar antes para ultrapassar”, avisa Gené, mesma linha de Brundle. Mas Croft acha que a ultrapassagem será na pista. “Parece uma questão de tempo.”

Na Globo, fica a decepção com suas apostas iniciais. “É de coçar a cabeça mesmo, Ross Brawn, o desempenho é da água para o vinho. Assim como a Sauber, que decepcionou hoje”, diz Reginaldo. “E a McLaren teve desempenho pálido”, completa Galvão. Brundle concorda. “Mesmo sem os problemas dos pits, Hamilton estaria em quinto, longe da vitória. Ninguém preveria que a McLaren estaria a 40s do líder.”

Croft avisa que Raikkonen precisa passar rápido. “temos visto que os pneus perdem temperatura depois que o piloto se aproxima e, se não passar logo, o pneu não se recupera”. Dos boxes, o repórter Ted Kravitz avisa que antecipar a parada não está nos planos da Lotus. “É pelo que aconteceu na China. Eles querer ter certeza de que terminam a corrida.”

Na única chance que teve, Kimi “escolheu o lado errado”, para Gené, que chega a acreditar que os primeiros a fazerem seu terceiro pit teriam de parar de novo, mas logo recua. Os espanhóis fazem as contas do campeonato e lembram que Alonso colocou o GP do Bahrein como “o último de sofrimento”. E Gené observa que “os três primeiros do campeonato estão em 7º, 8º e 9º.”

Na Antena 3, as últimas voltas são marcadas pela empolgação. Após abandono de Button – desistência esta antidesportiva, para Galvão, pois as equipes “usam a estratégia de parar nas últimas voltas para poder trocar componentes sem punição” –, problemas com o escapamento de Rosberg e o ritmo ruim de Di Resta fazem os espanhóis sonharem com um quinto lugar para Alonso. Enquanto os três primeiros cruzam a linha de chegada, Lobato não se aguenta. “Mostrem, por favor, o que está acontecendo lá atrás!” Devido à “falta de velocidade de reta da Ferrari”, Alonso chega a 0s2 da Force India. “É um bom resultado de Fernando no mundial. E se Raikkonen conseguir se classificar melhor...” Gené é interrompido pelo rádio do segundo colocado e se diverte. “Ele fala como se tivesse terminado em 10º.”

Na Globo, também se interessam pela personalidade do finlandês. “Como será que vai ser a reação do Kimi no pódio?”, pergunta Galvão. “A única vez que o vi sorrindo foi quando foi campeão”, lembra Burti, que logo é recordado pelo narrador sobre a festa daquela noite em 2007. “Aí ele sorriu bastante.”

E lá se vão contas de último pódio e vitória da Lotus. Os britânicos não se rendem à tentação de unir a história desta Lotus àquela de Colin Chapman. Ou quase. “É uma equipe diferente, claro, mas é ótimo ver esse nome no pódio”, diz Croft.

Impressionados com os carros pretos e dourados, quase se esquecem de Vettel. “Semana passada, não colocou o carro no Q3, e agora vence. A última vez que isso tinha acontecido foi no Brasil em 2009, e ele venceu logo em seguida”, lembra Croft. “É um bom garoto. Se der carro para ele, vem bem. Quase virou o Zettel, de zebra, mas voltou a ser o Vettel”, Galvão encerra os trabalhos.

25abr/123

Estratégia no GP do Bahrein e a vantagem dos pneus novos de Raikkonen e Di Resta

Tempo perdido atrás do companheiro pode ter custado a vitória a Kimi

“O grid está tão apertado que os pilotos podem fazer estratégias diferentes e acabar a quatro, cinco segundos um do outro.” O diagnóstico de Sebastian Vettel não poderia ser mais preciso. A luta pela vitória no GP do Bahrein, entre um piloto que largou na pole e outro em 11º, acabou sendo decidida em dois momentos: nos 3s que Raikkonen perdeu lutando com Massa no início da prova – tendo, inclusive, danos em sua asa dianteira – e na relutância da equipe em ordenar que Grosjean cedesse a posição ao finlandês, ao final de seu segundo stint.

O que permitiu ao finlandês que disputasse com o alemão foi sua estratégia de classificação. Os engenheiros calculam que cada jogo de pneus novos equivale a uma vantagem de 8s ao longo de um stint. A degradação é de 0s3 por volta e as três voltas dadas em classificação (sendo duas mais lentas) representam uma perda de performance de 0s7/volta em relação a um jogo novo.

Outra vantagem de se largar com pneus novos é poder estender o primeiro stint. Isso minimiza bastante a possibilidade de pegar o tráfego de quem fará uma parada a menos – Raikkonen, por exemplo, não teve de ultrapassar Kobayashi e Di Resta, pois eles pararam antes que o piloto da Lotus os alcançasse. É mais economia de tempo.

Raikkonen teve toda essa vantagem em relação a Vettel em três de seus quatro jogos de pneus. O finlandês guardou na classificação dois jogos de macios e dois de médios, fazendo a prova inteira com pneus novos. Para conquistar a pole, Vettel usou cinco de seus seis jogos, guardando apenas um médio, que seria crucial para a vitória.

No entanto, dado que aquele que guarda pneus muito provavelmente o fez em detrimento da classificação e está largando mais atrás, essa vantagem se materializar na corrida depende muito de como o piloto lida com o tráfego. E nesse quesito Raikkonen deu um show. É claro que sofrer a ultrapassagem de Massa nas primeiras voltas não estava nos planos, mais daí em diante o finlandês foi perfeito.

Ganhou quatro posições na largada, passou Alonso e Button na pista no primeiro stint; superou Hamilton devido aos péssimos pits do inglês; se livrou de Webber logo que voltou da primeira parada e foi à caça de Grosjean. Mas o tempo perdido atrás do companheiro, que estava com médios usados naquele momento, foi crucial na aproximação de Raikkonen em relação a Vettel. Ao menos três segundos foram para o lixo na briga interna, algo que fez com que o finlandês só chegasse no alemão nas 6 voltas finais de seu terceiro stint. E este seria o último no qual teria a vantagem do pneu novo, pois Vettel usou seu único jogo zerado na parte final, em decisão acertada da Red Bull.

Na verdade, a estratégia de Raikkonen teve dois outros pequenos erros: no Q2, o finlandês teria a clara possibilidade de ficar entre os 10 caso fizesse sua única tentativa no final da sessão, quando a pista melhorou consideravelmente – e Kimi ficou em 11º por 129 milésimos. E, quando lutava com Vettel, talvez parar uma volta antes do líder, na volta 38, quando estava a 1s do alemão, o colocaria na ponta. Provavelmente assombrada pela brusca queda de rendimento no final do GP da China, quando Raikkonen caiu de 2º para 14º em questão de três voltas, a Lotus decidiu não arriscar um stint longo demais no final. No final das contas, apesar da performance vigorosa de Kimi na pista, a atuação conservadora do pitwall foi decisiva.

Estratégia e sorte para Di Resta

Di Resta foi, pela primeira vez na carreira, o britânico mais bem posicionado em uma corrida

Uma das histórias mais intrigantes do final de semana foi a escalada de Di Resta, que não participou, junto de sua equipe, da segunda sessão de treinos livres, justamente a mais importante para determinar o ritmo de corrida e as estratégias, até o sexto lugar na corrida. E, de quebra, com a arriscada tática de duas paradas.

Antes da prova, havia quem previsse até quatro pits para a prova, mas as temperaturas bem mais baixas no domingo e a melhora da pista diminuíram o nível de desgaste, uma vez que a queda de performance vem ocorrendo não pelo gasto em si do pneu, mas pelo que a Pirelli chama de degradação termal.

A estratégia começou na classificação, quando Di Resta não saiu dos boxes no Q3. Com isso, ganhou a possibilidade de ter só pneus novos para a corrida – dois macios e um médio. A corrida não começou bem: ao contrário do que era de se esperar, mesmo com pneus novos Di Resta perdeu duas posições na largada. Teve de imprimir um ritmo mais forte a partir dali, o que o obrigou a antecipar sua parada em 5 voltas em relação ao que seria ideal. Esse foi um segundo agente complicador da tarde do piloto da Force India, pois antecipou todas suas paradas e fez com que seu último stint fosse longo demais, deixando-o exposto no final.

Mas o escocês lidou bem com o tráfego enquanto tentava poupar seus pneus, com os quais fez stints de 14, 19 e 24 voltas, sendo a dupla ultrapassagem sobre Maldonado e Perez seu ponto alto na prova. Mas é lógico que isso acabou lhe custando tempo, pois um piloto na tática de duas paradas, ainda que enfrente menos tráfego que aquele que opta por três, cruza com carros lentos justamente em suas primeiras voltas após a parada. Di Resta ficou por seis giros preso atrás de Maldonado e chegou a reclamar via rádio da agressividade dos movimentos de defesa do venezuelano.

O escocês teve sorte com o abandono de Button e a falta de velocidade de reta da Ferrari, pois Alonso veio 1s5/volta mais rápido nos últimos giros, mas não conseguiu se aproximar o suficiente para atacar e cruzou a linha de chegada a 0s2. Por outro lado, o tempo perdido com a Williams foi fundamental para a perda da posição com Rosberg, que tinha problemas no escapamento no final e diminuiu bastante o ritmo, superando Di Resta por apenas 2s.

De qualquer forma, Di Resta provou que é possível largar entre os 10 com pneus suficientes para não ter de recorrer a usados durante as corridas. Se ele fez isso com uma Force India, carro 0s8/volta mais lento que os ponteiros segundo cálculos da equipe, não é de se estranhar que algum grande, até pelo próprio exemplo de Kimi, faça o mesmo nas próximas provas.

24abr/121

Números de Sakhir: início de campeonato é o mais disputado desde a década de 1980

Em 2010, havia uma curiosa “maldição” com quem se tornasse líder da tabela: em momento algum o vencedor de uma prova e o primeiro no mundial eram os mesmos, até que Sebastian Vettel quebrou a escrita em Abu Dhabi – e não saiu mais da ponta. No ano seguinte, apesar das disputadas corridas, até mesmo os pódios se limitaram a cinco pilotos a partir da terceira prova.

Por isso o atual cenário tem ecos dos últimos dois anos. Nas pistas, várias disputas por posição. No campeonato, um nível de imprevisibilidade que faz até com que a aposta para a próxima corrida seja na base do chute. Prova disso são os números destas quatro primeiras provas.

A temporada teve quatro líderes diferentes, de equipes distintas. E todos eles tiveram corridas ruins após assumirem a liderança, a exemplo do que costumava acontecer em 2010 – Button não marcou pontos na Malásia, Alonso foi nono na China, Hamilton foi oitavo no Bahrein.

O ano, também, viu vencedores diferentes – Button, Alonso, Rosberg e Vettel. A última vez que quatro pilotos diferentes venceram as quatro primeiras provas foi em 2003, com David Coulthard, Kimi Raikkonen, Giancarlo Fisichella e Michael Schumacher.

Porém, Coulthard e Raikkonen eram companheiros naquela época, fazendo com que tenhamos de voltar a 1983 para relembrar a última vez em que quatro pilotos de equipes diferentes venceram as provas iniciais: Nelson Piquet na Brabham, John Watson na McLaren, Alain Prost na Renault e Patrick Tambay na Ferrari. De quebra, aquela temporada teve um quinto vencedor na corrida seguinte: Keke Rosberg, pela Williams. Quem poderia completar o quinteto de 2012 em Barcelona?

Outro quarteto de pilotos e equipes deferentes é nos donos de voltas mais rápidas, marcadas até agora por Button (Austrália), Raikkonen (Malásia), Kobayashi (China) e Vettel (Bahrein). Dado semelhante encontramos nas primeiras provas de 1987, com Nelson Piquet (Williams), Teo Fabi (Benetton), Alain Prost (McLaren) e Ayrton Senna (Lotus).

Um dado curioso é o fato das últimas três corridas terem “dobradinhas” de motores, ainda que nenhuma equipe tenha feito 1-2 até agora: Ferrari na Malásia (Alonso e Perez), Mercedes na China (Rosberg e Button) e Renault no Bahrein (Vettel e Raikkonen). Teria o motor, especialmente sua dirigibilidade, influência na maneira como os carros gastam seus pneus e, portanto, interferência no ritmo de corrida? É algo para ficarmos de olho.

Na verdade, o domínio da Renault no Bahrein foi ainda maior, fechando as quatro primeiras colocações, algo que não ocorria desde 1997, no GP de Luxemburgo, com Jacques Villeneuve (Williams-Renault), Jean Alesi (Benetton-Renault) e seus companheiros Heinz-Harald Frentzen e Gerhard Berger.

Outros sinais de equilíbrio são que oito pilotos diferentes já subiram ao pódio, um a mais que ano passado inteiro. Também é oito o número de pilotos que lideraram ao menos uma volta, mesma quantia de 2011. Di Resta e Grosjean, inclusive, estiveram na ponta pela primeira vez na carreira no GP do Bahrein.

Em um panorama como esse, toda consistência é bem-vinda. Hamilton, Webber e Alonso são os únicos a terem marcado pontos em todas as corridas até agora. Curiosamente, os dois que não venceram ainda na temporada estão na frente do espanhol.

Vettel e a volta da França

O GP do Bahrein marcou a 31ª pole e a 22ª vitória de Sebastian Vettel, em 84 GPs. Mesmo tendo como principal rival pela vitória um especialista em voltas mais rápidas, as honras ficaram com o alemão, pela décima vez na carreira. Assim, conquistou seu quarto hat-trick (depois de Grã-Bretanha 2009, Valencia 2011 e Índia 2011).

Os números também servem para somar no currículo da Red Bull, que agora tem 28 vitórias e 39 poles, sendo superada neste critério por apenas cinco times. Um deles é a Lotus (com 107 em sua história!), que conquistou, ao menos oficialmente, seu primeiro pódio duplo desde 1979 (GP da Espanha, com Carlos Reutmann e Mario Andretti). Vejo mais sentido em adiantar bastante no tempo e voltar apenas a 2006, no GP do Japão, quando Fisichella e Alonso estiveram entre os três primeiros pelo time de Enstone, então Renault.

Voltando à F-1 em 2012, Raikkonen conquistou seu primeiro pódio desde Monza, em 2009, enquanto Grosjean, uma semana após obter os primeiros pontos da carreira, levou para casa seu primeiro troféu. A última vez que ouvimos La Marseillaise pode ter sido no Japão, em 2008, graças à Renault, mas não víamos a bandeira francesa no pódio desde o GP da Bélgica de 1998, com Jean Alesi. E ainda por cima de Sauber!

Um dado curioso da temporada são os 4 quartos lugares de Webber. Esse tipo de sequência é tão rara que só aconteceu outras quatro vezes na história, com Piquet (4 x 2º em 87), Alboreto (4 x 7º em 1992), Frentzen (4 x 3º em 1997) e o próprio Webber (4 x 3º em 2011). Portanto, se o australiano quiser o recorde sozinho, terá de repetir o quarto posto na Espanha.

Mesmo não tendo uma grande corrida, a McLaren continua em sua sequência, que vem desde que Button chegou para fazer dupla com Hamilton: há 42 corridas, desde o GP da Austrália de 2010, o time marca pontos com ao menos um de seus pilotos.