GP da Coreia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Sem criar falsas expectativas”
“Há dois anos, Alonso transformou aqui um déficit de 14 pontos em uma vantagem de 11. Agora, ele está sob risco. Com as duas vitórias de Vettel, há uma tendência se apresentando”, o narrador da BBC Ben Edwards define o cenário do campeonato antes do GP da Coreia.
Com a disputa se afunilando, as questões de sempre da estratégia – todos acreditam que os ponteiros devem fazer duas paradas, mas chamam a atenção para quem vem de trás e larga com os macios, podendo fazer apenas um pit – se misturam com uma dúvida: como a Red Bull vai agir tendo seu principal piloto na luta pelo título largando atrás do companheiro. “É preciso deixar a corrida rolar até a parte final e daí ver o que é melhor para a equipe”, defende Coulthard, mesmo pensamento de Marc Gené, na Atena 3, da Espanha. “Fazer algo na primeira curva é complicado, mas na reta é mais fácil de controlar. Porém, não acredito em nada na primeira volta, porque as diferenças são muito pequenas”. Mas o narrador Antonio Lobato desconfia que não vá demorar tanto: “Não podemos garantir que Webber terá o mesmo cenário depois da largada”, diz, ainda na volta de apresentação.
De fato, o alemão toma a ponta logo na primeira curva, para desconfiança do espanhol. “Vettel já está à frente, mas vem Webber tentando voltar. Não creio, não creio, não creio. Ele só está tampando os que vêm atrás. Até agora, Grosjean se comporta bem e Vettel se vai. Como sabia que isso ia acontecer?”
Na Globo, o narrador Luis Roberto está mais empolgado com Massa. “Vamos lá, Felipe! Que primeira volta de GP!” O comentarista Reginaldo Leme contradiz Lobato. Pelo menos, em termos. “Webber não deu moleza. Tentou de todas as formas segurar a posição, mesmo que fosse trocar de posição depois.”
Para Luciano Burti, “é ótimo para Vettel passar Webber, mas é ainda melhor para Alonso ter superado Hamilton, porque ele seria muito difícil de ultrapassar. Agora pode imprimir o ritmo da Ferrari. Surpreendeu o fato de que quem largou por fora foi bem.” Mas Lobato tem sua explicação: “Na largada, Webber atrapalhou todos os que largavam do lado limpo.”
Coulthard ressalta o “contraste entre aqueles com mais e menos experiência” nas manobras dos seis primeiros e do meio do pelotão, onde Kobayashi fez strike em Button e Rosberg. O inglês chama a manobra do japonês de “idiotice” e o comentariSta considera essa “uma boa maneira de descrever o que acabou de acontecer. Ele veio do nada”. Voltas depois, quando o drive through é confirmado para o piloto da Sauber, o escocês reclama que “parece uma pena pequena quando você tirou dois carros da corrida, mas não há muito o que se possa fazer.”
Preocupados com a diferença de ritmo entre Ferrari e Red Bull, os espanhóis custam a perceber que a bandeira amarela na reta oposta anula o DRS. Mas os brasileiros logo observam. “O resgate não tem muita prática e acabou demorando demais. Várias ultrapassagens deixaram de acontecer porque os carros estavam mais próximos nas primeiras voltas”, lamenta Burti. “O maior prejudicado foi Massa, porque ele estava conseguindo se manter perto de Hamilton, mas agora está a 1s2”, diz Luis Roberto, sem ver que Raikkonen passou todo o período de bandeira amarela bem próximo do brasileiro.
Os espanhóis se resignam com o rendimento da Red Bull, pelo menos na primeira parte da prova. “Com este composto, a Red Bull tem mais rendimento que a Ferrari. A grande questão é saber se, com o pneu duro, as forças mudarão. Não sabemos se a Ferrari pode ser melhor. O que sabemos é que o equilíbrio do carro para ir bem com o supermacio ou o macio é muito diferente”, Gené mantém as esperanças.
Porém, depois de ficar por todo o primeiro stint comparando o ritmo de Alonso em relação a Vettel, Gené tem um golpe de realidade na primeira parada e começa a se preocupar com Hamilton. “A Ferrari tem pouca margem”, avisa, quando o espanhol demora para marcar a parada do inglês. Lobato fica nervoso: “Tem que voar, tem que voar”, repete durante a parada. “Muito no limite! Não estamos preparados para estas emoções.”
Os brasileiros também ‘se emocionam’ demais e lamentam a posição perdida por Massa no box para Hamilton, ainda que o inglês nunca tenha deixado de ser quarto. “A primeira rodada de paradas não funcionou como esperado para a Ferrari”, lamenta Luis Roberto. “A explicação é que o tempo de parada de Massa foi muito pior”, emenda Reginaldo. Aparentemente avisada pela produção, a dupla volta atrás. “Explicando: depois da parada, Felipe não conseguiu superar Hamilton”, diz o narrador.
A dificuldade de Perez em se manter na trajetória quando encontra Alonso e Hamilton saindo dos pits com pneus novos mostra para Burti e Coulthard que a tentativa de fazer uma parada não está dando certo mas, para Luis Roberto, o mexicano “abriu para o Hamilton passar.”
Na volta 21, Gené percebe que imaginar que Alonso possa pressionar Vettel é querer demais. “Ele tem que pensar na segunda colocação e em perder menos pontos.” Enquanto isso, a briga é entre Massa e Hamilton. “Lewis não defendeu muito, mas não tem o que fazer quando o outro é 15km/k mais rápido na reta”, diz Coulthard quando brasileiro supera o inglês, que tem graining, segundo o engenheiro da Ferrari, Rob Smedley. Já os britânicos acham que o inglês tem borracha presa na asa dianteira, prejudicando sua performance. Porém, quando Hamilton recebe a mensagem de que tem um problema mecânico que afeta o equilíbrio, Gené mata de primeira. “Pode ser com a barra estabilizadora.”
Mas a suspeita inicial de Smedley abre uma gama de possibilidades para os espanhóis, que veem graining nos pneus de Webber, pois Alonso está se aproximando. “O que o telespectador está se perguntando agora é ‘por que isso não acontece com Vettel?’”, questiona Lobato. “Pode ser acerto ou estilo”, responde Gené.
Ainda que destaquem a “grandíssima” e “surpreendente” corrida de Massa, os espanhóis dão atenção à perseguição de Alonso a Webber e ignoram os tempos do brasileiro, que ganha destaque na Globo. “O grande passo que Felipe deu foi no ritmo de corrida. Fizeram alguma coisa com o certo porque esse era o principal problema no início do ano”, diz Burti. “Dizem que ele vai anunciar que fica na Ferrari em pouco tempo, mas isso nos faz imaginar se ele não melhoraria sua performance se as conversas tivessem bem encaminhadas antes”, acredita Coulthard.
A pausa no “caso Massa” se dá pela luta de Hamilton para ficar à frente de Raikkonen, mesmo muito mais lento. “É o tipo de piloto que agrada todo mundo. Menos o chefe dele porque ele apronta as suas”, opina Reginaldo. “Lewis é um racer. Ano passado, conseguiu se defender de Webber pela segunda posição, e agora luta pela quinta”, lembra Edwards, enquanto Coulthard vê falta de agressividade em Kimi. “Ele está muito bem em seu retorno, mas é verdade que ele tem sido muito cuidadoso em suas disputas. Fico imaginando o que seria se arriscasse mais, como no Bahrein, quando poderia ter vencido.”
Hamilton tem de parar novamente e os espanhóis riem da mensagem de seu engenheiro, que lhe diz que está mais rápido que Ricciardo. “Você está lutando pelo mundial e te dizem que está mais rápido que Ricciardo. Ele deve pensar ‘mas... Ricciardo’?”, se diverte Lobato.
Na luta da ponta, o foco não sai do minucioso acompanhamento da diferença entre Alonso e Webber. “A Red Bull parou Webber para se defender de Fernando. O que ele poderia fazer é ficar mais tempo na pista para apostar que terá pneus mais novos no final. A Ferrari tem de torcer para que a Red Bull tenha errado e entrado no box cedo demais”, avalia Gené. É isso que o bicampeão faz.
Porém, ao invés de se aproximar de Webber após a segunda parada, Alonso cada vez tem Massa mais por perto. “Não apareceu na TV, mas vimos que Alonso perdeu muito tempo com a Caterham no terceiro setor”, justifica Coulthard, em volta na qual o espanhol foi 1s5 mais lento que o brasileiro. “O Massa mais rápido não é algo que vemos com frequência, mas não acho que a Ferrari vai permitir essa ultrapassagem, a não ser que Fernando tenha um problema. Eles precisam economizar pneus, é uma prova longa;”
O escocês chega a supor que talvez seja uma boa ideia para a Ferrari que Massa passe Alonso. “Ele está perguntando sobre os tempos de Webber, talvez mandando a mensagem de que poderia atacá-lo. Ele não está longe, então não seria uma tática ruim o Alonso deixá-lo passar para ver se conseguiria lutar com Webber, porque eles poderiam reverter na última volta sem problemas.”
No entanto, isso nem passa pela cabeça dos espanhóis. Quando Smedley diz a Felipe que “está um pouco perto demais de Fernando”, comentário que causa risos dos britânicos, Lobato afirma que “é uma conversa que serviu para explicar bem as coisas”. Para Gené, “pediram para ele dar espaço, primeiro porque se tentar uma ultrapassagem corre o risco de bater e segundo porque seguir um carro tão próximo causa mais degradação.”
Há certo desconforto entre os espanhóis quando Alonso está envolvido em qualquer episódio de favorecimento dentro da equipe, portanto, após uma das inúmeras paradas para publicidade, o narrador Lobato trata de explicar a situação. “Estávamos conversando durante o comercial que Massa não poderia passar Fernando, que está lutando pelo mundial. As ordens de equipe existem e é a mesma situação que ocorreu com Webber e Vettel na primeira volta. Afinal, é uma questão de sair daqui líder do mundial ou não.”
Os brasileiros tratam de evitar “falsas expectativas”, como define Luis Roberto. “O jogo de equipe faz parte. Alonso está disputando o campeonato.” Reginaldo ressalta que “está claro que Felipe chega quando quer no Alonso. Ultrapassaria se fosse permitido. É talvez sua melhor corrida dos últimos dois anos.”
Burti destaca que o próprio Alonso deve estar se surpreendendo com sua falta de ritmo. “Quando se viu em terceiro, talvez imaginasse que conseguiria passar Webber.” Os espanhóis, contudo, têm uma explicação. “Dá a sensação de que Fernando tem problemas de graining”, diz Lobato. “Dá para ver isso claramente nas imagens. E é muito. Os pneus não estão funcionando bem nesta temperatura”, atesta Gené. Nesse caso, como diz Jacobo Vega, “o bom para Fernando é que Massa está atrás.”
Quando Hamilton arranca um pedaço da grama artificial, Luis Roberto pede que as áreas de
escape sejam de asfalto, enquanto Burti pondera que “isso existe em todos os circuitos e não costuma haver problema, é só essa que não está bem presa.” Gené lembra que havia falado “com o Charlie Whiting e ele me disse que, se isso acontecesse, ia colocar o SafetyCar”. Mas, depois de alguma consideração, Lobato acha que é melhor que nada ocorra. “Acho que está difícil de qualquer jeito”, o narrador se rende.
Luis Roberto e Lobato tentam dar emoção à corrida no final, com as mensagens ameaçadoras do engenheiro de Vettel, Guillaume Rocquelin, o Rocky. Gené não se impressiona com o tom de preocupação, pois acredita que “isso está ocorrendo com todos”, mas ele e Lobato se divertem com o tom da conversa. “Ele falando que pode acontecer qualquer coisa é como se dissesse ‘cara, você não apenas vai perder o campeonato, pode acontecer um acidente horrível’”. O comentarista diz que “Vettel deve estar com medo porque nunca vi um engenheiro repetindo tantas vezes a mesma coisa."
Mas não há nada que Rocky dissesse que diminuísse o ritmo de Vettel atrás de sua terceira vitória seguida e da liderança do Mundial. “É a segunda vez que a Red Bull coloca os dois pilotos no pódio, mas Alonso continua lá. Pode ter perdido a liderança, mas a Ferrari não vai desistir deste título”, diz Edwards, que não se surpreende com a vitória dominadora do alemão em Yeongam. “Só há umas 12 voltas que não liderou em três corridas aqui. Não fosse pela quebra de 2010, teria vencido as três provas.”
Coulthard concorda, dizendo que “não há dúvidas de que este menino é especial”, mas sente por Webber, que “deve estar frustrado por, novamente, não ter convertido uma boa classificação em vitória após uma largada ruim.”
Reginaldo, em meio aos destaques para Massa, que “fez a segunda melhor volta, foi consistentemente melhor e provou que poderia fazer outro pódio”, chama a atenção para a semelhança desta final de campeonato com 2010, “mas agora Vettel tem a experiência de dois títulos”, enquanto Burti destaca Newey como o maior vencedor da Coreia. “Concordo com Alonso: será a corrida da Índia que vai definir. Se as atualizações da Ferrari não forem suficientes, será muito difícil.”
Gené segue nessa linha. “O único lado bom é que são duas semanas até a próxima corrida e veremos se vamos conseguir produzir um pequeno milagre. Essa diferença com Fernando não é real. Ele tinha margem. Tiveram mais do que três décimos hoje e esse é um circuito diferente de Suzuka. Uma pena é que o resultado do Japão não é justo, porque era para Fernando ter sido segundo”, diz o comentarista, enquanto Lobato trata de valorizar seu piloto. “Fernando deu o máximo. E quando é ele quem dá o máximo há pouco o que dizer. Vitória para a Red Bull, que fez bem o dever de casa e melhorou o carro. Fernando tem de estar preocupado porque a Ferrari não reage. Ele já não pode dar mais.”
Mesmo destacando a melhora do ritmo da Ferrari em relação à McLaren, Edwards não pode deixar de concordar com o domínio da Red Bull – e usa uma expressão um tanto estranha para definir o momento positivo de Vettel. “O assassino sorridente ataca novamente, depois de ter dado um duro golpe na liderança de Alonso em Suzuka, ele passa à frente e a possibilidade de seu terceiro título seguido é cada vez mais realista.”
GP do Japão por espanhóis, brasileiros e britânicos: “Vettel roubou o pó mágico do Alonso”
Os pilotos se tornam samurais na metáfora do narrador espanhol Antonio Lobato antes da largada. A inspiração, claro, é a adoração de Alonso pelos guerreiros japoneses, que inclusive virou tatuagem. O asturiano, lembra Reginaldo Leme na Globo, diz liderar o campeonato por milagre, que tem nome e sobrenome para o comentarista. “Para mim, o milagre chama Alonso. Porém, ainda que sempre tenha considerado a McLaren como grande rival, agora tem de temer Vettel. Parece que a Red Bull se encontrou.”
Os espanhóis sabem disso muito bem e buscam explicação para renascimento de Vettel e companhia. “Se realmente têm um DRS duplo, veremos hoje, porque a vantagem deve ser em classificação”, aponta Marc Gené. “O problema da McLaren foi a punição de Button e o acerto ruim de Hamilton”, completa Jacobo Vega.
Enquanto isso, os britânicos da Sky se preocupam com peça que caiu do carro de Webber na in lap e com a estratégia. “Os pneus macios estão com bolhas e os duros estão funcionando melhor. Há muitas equipes torcendo para ser uma corrida de duas paradas, mas não têm certeza. Verão como será o rendimento no primeiro stint”, resume Martin Brundle.
O temor de Lobato é outro. “Vou dar uma má notícia: 75% das corridas do último ano aqui foram vencidas pelo pole, mais do que Mônaco.”
Corroborando, de certa forma, com o narrador espanhol, Luciano Burti não espera uma largada complicada “porque a primeira curva é rápida. A Ferrari vai muito melhor em corrida e Alonso mesmo disse que, nessa situação, não deve para ninguém. Ele vai para cima.”
De fato, foi, até demais, ainda que apenas seu conterrâneo ovetense Lobato tenha percebido de cara. “Fernando entra em uma zona perigosa. Rodou! Fernando rodou! Cuidado que alguém pode acertá-lo! Webber está fora, Rosberg também e não sei onde está Fernando”, se desespera. Luis Roberto, na Globo, não arrisca dizer qual o “carro vermelho” que escapou e é socorrido após meia volta por Reginaldo. “E olha que disse que a largada aqui não era complicada”, ironiza Burti. “Ainda mais Alonso, que não costuma cometer erros.”
O que ninguém acerta é de onde veio o toque que furou o pneu da Ferrari. O primeiro suspeito – talvez, mesmo se largasse em 20º seria ele – é Grosjean. Na Globo, inclusive, seguem convencidos disso mesmo após o replay. Na Sky, o narrador David Croft é o único a ver que Grosjean se enrosca com Webber, mas o comentarista Martin Brundle o ignora. “Lá vai a Ferrari fora da pista! Uma péssima largada! E Webber fica também, rodando após um toque de Grosjean. Faltou espaço para a Ferrari, a Red Bull e a Mercedes de Rosberg”, berra o narrador. Após o primeiro setor, veem que é Alonso. “Pela segunda vez na temporada, ele não passa da primeira volta e sua liderança vai ser demolida por Vettel”, prevê, enquanto Brundle emenda. “Imagino se não houve contato entre Alonso e Grosjean, pois eles estavam muito próximos no grid.”
Croft repete com toda a fleuma britânica. “Imagino se Grosjean não causou rodada de Webber. Foi Raikkonen que tirou Alonso” e Brundle se rende. “Raikkonen não fez nada de errado. Foi Alonso que, reagindo à McLaren, foi para a esquerda e o apertou. É esse tipo de coisa que acontece na primeira volta de um GP. Já Grosjean estava muito ocupado vendo a Sauber e encheu a Red Bull”. Em outra confusão, acham que comissários estão investigando Raikkonen, e não Grosjean, mas logo são avisados de que é o contrário. “O erro foi meu, desculpe”, diz Croft.
Gené concorda na Antena 3. “Não foi culpa de Kimi. Ele não sabia que Kimi estava do lado. Não o tinha visto”, praticamente as mesmas palavras de Burti na Globo. Antes disso, os espanhóis também culparam Grosjean. “Não queria falar antes, mas com Kobayashi e Grosjean próximos, é complicado”, Vega opina tarde demais. “Madre mia, Grosjean novamente”, Lobato não se conforma e, mesmo que Vega lembre que “Mark é último”, diz que “isso não importa. Vettel é primeiro.”
Antes do replay, provavelmente avisado por alguém em Madri, Lobato volta atrás. “A confusão foi com Kimi, mas Grosjean se enroscou com alguém. Como se complica o Mundial, senhores”. Enquanto isso, Gené não para de repetir. “Por isso, dá ainda mais raiva da má sorte da classificação, porque complica a largada e te obriga a arriscar”. E o narrador faz uma pergunta, para a qual não ouve resposta. “Felipe Massa está em quarto. Podemos esperar algo dele?”
Luis Roberto foca no brasileiro, “ótimo de largada. A Ferrari tem de trabalhar bem, pois essa é a corrida para Massa tirar pontos de Vettel e cair de vez nas graças da equipe.”
Na relargada, Raikkonen não se intimida com a pressão de Perez e o mexicano vai para fora da pista. “Havia um momento em que Perez tinha de ceder, quando Kimi começou a virar. Uma coragem que virou estupidez”, avalia Brundle. Para Luis Roberto, o piloto da Sauber “é arrojado e está em momento que lhe favorece.”
O piloto de 22 anos segue como protagonista algumas voltas depois. “Perez faz uma grande manobra no homem que está substituindo na McLaren”, narra Croft. “Fez o truque do Kobayashi e pegou Lewis dormindo”, vê Brundle. “Whitmarsh deve estar falando no pitwall que foi uma boa troca”, completa o narrador. Para Burti, Hamilton, “sabendo que carro está mal acertado, deixou passar.”
Lobato, por sua vez, está em tom fúnebre, avisando a quem acordou atrasado (a prova começou às 8h da manhã na Espanha e a transmissão, às 6h) que Alonso está fora e não vê que Perez ultrapassou Hamilton. “Como freou dentro”, Vega chama a atenção. “Ele passou?” pergunta o narrador. “E parece que Hamilton deixou passar”, Gené concorda com os brasileiros.
Logo depois, sai a punição a Grosjean. “Aconteceu vezes demais para ser coincidência para ele. Acho que ele não tem do que reclamar. Eles poderiam dar um drive through, mas deram um stop and go. Estão punindo-o da maneira mais dura possível porque acreditam que ele não está aprendendo”, defende Brundle. “Ele cometeu alguns erros na GP2, mas tinha melhorado”, estranha Croft quando perguntado pelo comentarista se o francês sempre fora tão errático.
Raikkonen é o primeiro que para e mostra que o tráfego pode ser decisivo. Os espanhóis não falam de Kimi sem lembrar que “o homem que arruinou a classificação de Fernando também foi o que arruinou sua corrida” – não no sentido de culpá-lo, mas salientando a coincidência infeliz. De qualquer maneira, observam que o finlandês perde tempo ao voltar à pista e acreditam que quem pode lucrar é Perez – até com Button, que é o próximo a parar. “Agora quem está bem é Massa, mais rápido que Vettel. É a chance dele mostrar para a equipe que deve mantê-lo. Esse tráfego está sendo decisivo. Acho que Massa pode passar os dois”, destaca Brundle. O bom rendimento tem outro efeito em Gené. “Quando vejo o ritmo de Felipe me dá uma raiva...”
Reginaldo e Burti acham que Felipe pode passar Button se ficar mais tempo na pista, mas duvidam quanto a Kobayashi. “Vai que acontece alguma coisinha e ele volta na frente dos dois, né?”, seca Luis Roberto.
Mas não precisa: só a soma de tráfego e do ritmo do brasileiro são suficientes e Massa volta em segundo. “Fantástico o ritmo de corrida de Massa, que superou pilotos que voltavam com pneu novo”, aponta Burti. “O pit stop nem foi tão bom, passou pelo ritmo”, completa Reginaldo.
Mais uma vez as atenções se voltam a Perez, que agora erra ao tentar passar Hamilton novamente. “Ele ficou confiante demais com esse contrato com a McLaren. Tinha se perdido na curva 5 e tentou mais evitar um acidente do que ultrapassar”, vê Brundle. “Confiança é tudo mas, se exagera, é quando começam os erros”, concorda Reginaldo. “Na McLaren, não vai poder cometer esse tipo de erro”, engata Burti.
Os brasileiros se empolgam com o ritmo de Massa – “Alonso está torcendo para ele desde garotinho!”, diz Luis Roberto –, mas todos vêem que a aproximação em relação a Vettel tem data para acabar. “Massa está mais rápido, mas sabemos que Vettel está controlando”, Brundle acaba com a esperança de quem quer ver uma luta pela vitória, enquanto Lobato acredita que, caso a outra Ferrari estivesse em segundo, o cenário seria outro. “Não queria fazer comentários maldosos, mas geralmente o ritmo de Fernando é muito melhor que o de Massa. Ele estaria pressionando mais Vettel, que teria de forçar muito mais do que está fazendo agora, tanto o carro, quanto ele mesmo, para não cometer um erro”, observação semelhante à de Ted Kravitz na Sky. O narrador espanhol lembra que “não há nenhum piloto da Ferrari que tenha ficado tanto tempo sem subir ao pódio. E também há poucos que duraram por tantas corridas” e ri nervosamente quando percebe que “o carro de Vettel soa fantástico”. Parece esperar que o raio do alternador caia três vezes no mesmo lugar...
Lobato se perde quando vê a ultrapassagem de Hamilton em cima de Raikkonen, pois, em um primeiro momento, não acredita que a luta é por posição e diz que “isso vai prejudicar muito o Kimi”. “Esse é o estilo Hamilton. Raikkonen tirou para não bater”, celebra Reginaldo. “Corajoso. Ele sabia que tinha de conseguir. Este é o Lewis que esperamos ver, ele forçou Kimi a tirar o pé. Não é com muitos pilotos que você consegue dividir uma curva assim”, diz Brundle.
Ao contrário de Gené, que acredita que a melhor chance de Button passar Kobayashi e subir ao pódio é permanecendo na pista e esperando ter pneus mais novos no final, os britânicos acreditam ser possível uma inversão ainda na parada. Quando isso não acontece, a explicação do repórter Ted Kravitz é de que o inglês “não passou por dois motivos: Button parou fora da marca e a dianteira direita demorou para entrar”.
Na briga entre Button e Koba nas voltas finais, até mesmo os britânicos o abandonam. “Mesmo que eu ame o Jenson, estou torcendo por Kobayashi”, diz Brundle, que é acompanhado por Burti. Todos lembram da namorada japonesa do inglês e Brundle afirma que “seria legal se aparecesse ela torcendo para o piloto japonês agora.”
Croft observa que “Button chega perto no primeiro setor, mas não onde precisa para ultrapassar. Precisaria de mais duas ou três voltas” e brinca com a animação da torcida “A velocidade das bandeirinhas cresce 5km/h cada vez que Kobayashi passa na reta”. Luis Roberto também vai na onda do bom humor. “Será que o Button vai colocar água no saquê do Koba?”
Quem não está para brincadeira são os espanhóis, preocupados com o campeonato. “Dá para ver que a Ferrari é melhor em ritmo de corrida e consegue superar a McLaren, o que não pensávamos ser possível antes de chegar aqui. Mas, quando o Vettel aperta, é 0s8 melhor que Massa. Não é uma diferença que dá para tirar de uma corrida para a outra”, avalia Gené. “Mas o próximo GP é na Coreia, com retas longas, o que pode prejudicá-los”, Lobato busca um consolo. “Até isso conseguiram melhorar aqui, estão indo bem na reta. E eu confiava muito nesta corrida. Temos peças para a Coreia, mas é que a superioridade da Red Bull aqui foi insultante”, Gené finaliza o papo.
Os britânicos também se agitam. “Como Alonso vai parar esse cara agora? Mesmo com Massa fazendo um grande trabalho, vejo mais Webber tirando pontos de Alonso do que Massa de Vettel. Seja lá o que eles colocaram neste carro, está funcionando. E ouvi dizer que a Red Bull virá com muitas novidades para a Coreia. Se a Ferrari não se mexer, ele vai conquistar três títulos em sequência”. Croft completa: “Alonso vinha lucrando com os erros dos outros, mas, para ganhar o campeonato, é necessário ser dominante em algum momento. E Alonso não lidera uma volta sequer desde o GP da Alemanha.”
Lobato ainda tenta secar Vettel e suas tentativas de buscar a volta mais rápida. “Se acaba cometendo um erro e perde a vitória, isso se torna uma besteira”. Mas o alemão tem tudo sob controle e vence a terceira prova do ano, colocando-se a quatro pontos de Alonso. “Ele roubou o pó mágico de Alonso e jogou em cima de si”, define Croft. “Imagino o que teria acontecido sem os problemas de alternador. Teria uma grande liderança.”
Mas o segundo e terceiro colocados acabam roubando a cena. “Algumas vezes vemos pilotos no pódio que não estão contentes. Hoje, os três estão cheios de alegria”, observa Lobato. Também, pudera. Massa volta à festa do champanhe após quase dois anos e Kobayashi estreia entre os três primeiros, para delírio da torcida local. “O Brasil não vence há pouco mais de 50 corridas e já dá uma saudade danada... olha o carinho com o esporte. Parece vitória brasileira em Interlagos”, diz Luis Roberto.
O resultado também é importante para o futuro do japonês, chamado de “tufão” pelos espanhóis. “Kamui não deu apenas um pódio à Sauber, como também um grande problema. Não acho que eles esperavam”, vê Brundle.
É tanta felicidade que Massa até tropeça no champanhe. “Tá um pouquinho enferrujado, mas tá valendo. É bom para a confiança e ele vai andar mais no resto do campeonato”, sentencia Burti, enquanto Lobato espera novidades em breve. “Vamos ver se, depois disso aqui, há algum anúncio, pois creio que a Ferrari está esperando coisas como essa para fechar a renovação de Massa”. Isso, após uma atuação que lembrou seu companheiro, para Croft. “Massa largou em 10º e chegou em segundo. Fez o que é especialidade de Alonso.”
Mas o narrador espanhol não se conforma. Nada contra os alemães, só contra um deles. “Tudo bem ouvir o hino da Alemanha, mas que seja com Hulkenberg, Glock, até com Michael, como uma vitória de despedida!”
GP de Cingapura por brasileiros, espanhóis e britânicos: “E a bateria do capacete não acabou!”
“Isso é Cingapura”, não se cansa de repetir Galvão Bueno, na Globo, impressionado com o espetáculo montado na Ásia. Não é o único deslumbrado. “Depois dos astros que apareceram no grid, 24 atores que vão protagonizar duas horas de infarto”, antecipa Antonio Lobato, da Antena 3, na Espanha. “A única corrida noturna se tornou a Mônaco da Ásia e ainda por cima é um grande desafio físico para os pilotos”, destaca o narrador da BBC, Ben Edwards.
A questão do desgaste físico é salientada pelos britânicos. : “É difícil explicar como pilotar um carro pode ser fisicamente difícil, mas uma boa comparação com Cingapura seria pedalar pesado em uma sauna com roupa de ski”, David Coulthard tenta explicar.
Mas, voltando à corrida, a expectativa é de que Lewis Hamilton se firme como o grande rival de Fernando Alonso pelo campeonato. “Não há dúvidas de que Lewis Hamilton é o perseguidor mais próximo de Alonso e ele vai atrás da vitória em Cingapura para diminuir essa diferença”, diz Edwards, enquanto Luciano Burti vê uma corrida “quase impossível de perder se Hamilton mantiver a ponta na largada. Se for ultrapassado por Maldonado, fica difícil.”
A presença do venezuelano na primeira fila dá o que falar na Globo. “O risco Maldonado existe, mas acho que até o Bernie pediu para ele ter juízo nessa largada”, aposta Reginaldo Leme. De fato, o piloto da Williams pega leve até demais na largada. “Ele teve tanto cuidado que caiu de segundo para quarto. É melhor assim”, diz Galvão.
Quem arriscou foi Alonso, para desespero dos espanhóis. O asturiano saiu mal e teve de se virar para manter a quinta posição. “Como se arriscou Fernando. Ele quase perdeu quatro posições na largada e se arriscou muito nas duas primeiras curvas”, observa Marc Gené.
Coulthard vê uma “grande largada de Vettel” e quer esperar o replay para observar “se Rosberg e Grosjean ganharam vantagem ao passar reto na curva”. O escocês ainda destaca como “Senna evitou muito bem ser tirado da prova pela Toro Rosso. Ele não tinha escolha a não ser sair da pista.” Todos demoram a perceber que Massa se perdeu no meio do bolo, menos os brasileiros. “Petrov vem como um pombo sem asa e pega o Felipe e mais um”, narra Galvão. Para Gené, é positivo que o brasileiro tenha de parar nos boxes já na primeira volta porque “dá informações à equipe sobre o pneu macio.”
Após a troca, o ritmo do piloto da Ferrari impressiona Galvão, mas Burti acredita que é um misto de “comportamento melhor do carro do que na classificação e pista livre”.
A corrida entra numa fase de economia de pneus e todos começam a elucubrar a respeito das estratégias. “O caminho mais rápido é fazer duas paradas, mas o problema é a degradação termal no pneu traseiro. Poucos sabem exatamente quantas voltas o pneu vai durar. Acho que fazer três paradas é o mais seguro”, aponta o comentarista técnico Gary Anderson na BBC. “Quem vai fazer três paradas, vai parar entre as voltas 10 e 14. O problema é que vão voltar na zona de tráfego. Essa corrida é muito difícil em termos de estratégia”, reconhece Gené. “A estratégia será interessante. O que eles sabem é que sempre há SC aqui, com duração de pelo menos 4 voltas, então talvez não estejam prevendo uma prova de 62 voltas”, Coulthard acerta na mosca.
Reginaldo desconfia do ritmo lento de Alonso. “Sabendo que não tem carro e inteligente como é, já deve estar poupando pneus.” Todos estão levando o primeiro stint em banho-maria, até que Webber para. Os britânicos desconfiam. “Imagino se estão parando Webber para olhar os pneus e ter informações para a estratégia de Vettel”, Edwards chama a atenção. “Não entendo essa parada. Ele estava fazendo seus melhores tempos.”
Mas logo os demais também param. Quem continua por mais tempo na pista é Button, que impressiona pelo ritmo. “Cuidado porque Button está tirando muito”, aponta Lobato. “É um piloto historicamente muito fino com o volante”, completa Gené. Tanto, que os britânicos começam a achar que o inglês pode superar Vettel após a parada.
“Não é só uma corrida de carro contra carro. É de quem consegue lidar melhor como tráfego”, define Coulthard, enquanto os brasileiros se impressionam pela maneira como Alonso vai para cima de Perez após seu pit. “A diferença de Alonso é essa. Ele não perde tempo. Decide logo as ultrapassagens”, destaca Galvão. “Sabe o timing de ultrapassar. Não arrisca. E ainda deve ter uma calculadora na cabeça porque sua visão de corrida impressiona”, Burti segue na mesma linha, ainda que Gené veja risco demais na manobra do compatriota para cima de Perez. “Checo não deve ter gostado. Ele foi bruto, forçou passagem.”
Os britânicos observam a ordem de equipe na Force India para que Di Resta não perdesse tempo e Coulthard destaca que “Hulkenberg mostrou saber jogar em equipe.”
Na segunda fase da prova, Alonso e Maldonado voltam andando bem mais rápidos que os ponteiros. Para Burti, “Hamilton está economizando pneu para forçar na hora certa. E estou de olho em Button porque, com esse tipo de degradação, ele tende a se sobressair.” Já para Gené, “tomara que isso signifique que o pneu macio vai muito melhor para a Ferrari. O problema é que será muito difícil superar Maldonado, mas pelo menos eles estão se aproximando de Button.”
O espanhol não acredita que Hulkenberg e Perez, que pararam na volta 19, conseguirão fazer apenas duas trocas. Já os britânicos têm contas um pouco diferentes. “Acho que Button, que parou na volta 15, está numa janela para fazer duas paradas. Vettel fará três com certeza. Hamilton está no meio, acho que eles anteciparam a parada dele temendo Vettel, porque ele estava andando muito rápido”, avalia Anderson.
Os cálculos são interrompidos pela quebra de Hamilton. “Eu disse que ele estava muito lento. Alonso é um grande piloto, mas tem muita sorte. Hamilton parece que não está acreditando”, diz Galvão. “Não acredito, David”, Edwards dá a palavra ao comentarista. “Ele tinha feito tudo certo até agora no final de semana. Temos de ter pena dele. Com essa fumaça, parece puramente uma falha mecânica”, diz Coulthard. Para Lobato, trata-se de uma pane hidráulica. “Isso é básico: confiabilidade. Isso é básico. O perseguidor mais próximo de Fernando está fora! Está se cumprindo o que ele disse, que a corrida é longa e poderiam acontecer problemas.”
A mensagem que o inglês recebe via rádio após a quebra deixa uma pulga atrás da orelha de Gené e de Coulthard. “A mensagem de ‘fizemos tudo o que podíamos ontem’ diz que eles sabiam que havia um problema”, diz o escocês.
Edwards destaca o ritmo da Lotus, que “parece ganhar vida nas corridas e é isso que está acontecendo com Raikkonen”. Para Coulthard, uma explicação é de que “os finlandeses são famosos por gostar de sauna.”
Alonso e Maldonado param juntos. O espanhol opta por mais um jogo de macios e a Williams aposta nos supermacios. Porém, ambos saem no tráfego de Rosberg e Grosjean. O espanhóis acham que o piloto da Ferrari tem ritmo para chegar na ponta, mas “tem de pensar curto em Maldonado” que, para eles, o está atrapalhando porque “não tem ritmo para passar Rosberg e Grosjean” com os supermacios. Na briga, Coulthard até precisa “recuperar o fôlego porque esses caras estão muito próximos”. Lobato está tenso. “Cuidado, porque não precisamos terminar com um zero aqui. Cuidado, porque é Maldonado.”
Quando Karthikeyan causa o primeiro Safety Car, os espanhóis lamentam “porque é uma pena que Fernando não tenha conseguido passar Maldonado”, mas comemoram pois “agora Rosberg e Grosjean devem parar”. Porém, logo depois, voltam a se animar, já que o venezuelano faz nova parada, reconhecendo, como Reginaldo havia apontado, o erro na estratégia. “Voltando no tráfego, a possibilidade de usar os pneus supermacios ficou menor.”
Anderson já achava que Alonso havia feito sua última parada antes mesmo do Safety Car. “Ele está com pneus novos e, no último stint, foi muito bem fazendo 18 voltas. Terá 32 até o final, mas o carro estará mais leve e, a pista, mais emborrachada.” Mas Gené, tendo acesso aos dados da Ferrari, duvida até que Maldonado, que parou cinco voltas depois, consiga ir até o final. “Com 27 voltas, não vejo como. Mas fez um favor a Fernando.”
Depois das voltas atrás do Safety Car, Gené acredita que fazer duas paradas é “difícil, mas possível”, porém salienta que “Fernando está em uma situação mais difícil, porque seus pneus têm quatro voltas a mais.”
O comentarista e seus compatriotas, entretanto, já não precisam se preocupar com Maldonado, que abandona. “Foi bonzinho o tempo todo. Não teve culpa”, salienta Galvão.
Logo antes da relargada, Vettel freia forte, surpreende Button e assusta a todos. “Button achou que Vettel já estava acelerando e quase bateu em Vettel. Acho que não prejudicou seus pneus”, preocupa-se Coulthard. “Vettel já foi punido por não se comportar bem atrás do SC. Fernando poderia ter ganhado essa corrida com isso”, suspira Lobato.
Algumas curvas depois, Schumacher enche a traseira de Vergne, praticamente um replay do que acontecera com o alemão e Perez no ano anterior. “Schumacher atropela um carro pela segunda vez seguida. Será que tem a ver com as temperaturas de freio?”, pergunta Edwards. “Na curva 14, podemos dizer que ele já devia ter aquecido. Claramente eles frearam muito cedo e ele foi pego de surpresa.”
Não tão cedo, argumenta Gené. “Tinha tanto tráfego que ele não viu a referência de freada e demorou para perceber. Eles frearam um pouco antes, mas não tanto para explicar que ele acertado por trás desse jeito”. Galvão questiona se a perda de reflexos com a idade já não faz necessária uma nova aposentadoria por parte de Schumacher.
A teoria nem tem tempo de ser lapidada pois Massa vai para cima de Senna. “A briga mais dura foi entre os brasileiros. Amigos, amigos, negócios à parte”, diz Galvão. Ninguém acredita que a disputa não terminou com um dos dois no muro. “Muita coragem de Massa. Não acho que passou pela cabeça de Senna que ele tentaria passar ali. Se alguém duvida do comprometimento de Massa, aí está a resposta. Só precisa de um pouco mais de velocidade em relação ao companheiro e terá seu contrato renovado. Pareceu MotoGP. Ninguém ultrapassa ali. Ótimo controle”, destaca Coulthard. “Ele não precisava ter feito isso, poderia ter esperado na outra reta. A não ser que saiba que vai parar de novo”, acredita Gené. “E Bruno não virou porque Massa estava ali, mas sim porque era a trajetória.”
Ambos falam em acidente de corrida, mas o assunto dá pano pra manga na Globo. “Quero ver a conversa depois”, Galvão coloca lenha na fogueira. “Olhando aqui de fora, parece que o Bruno jogou pesado, mas às vezes dentro do carro não dá para ter noção”, argumenta Burti. Reginaldo acredita que Senna será apenas repreendido pelos comissários.
A corrida ainda teria uma batalha final, entre as Sauber, Webber e Hulkenberg. Ambos os carros do time suíço acabaram com as asas danificadas. “Peter Sauber, que tem fama de pão duro, deve estar fazendo do prejuízo que Kobayashi e Perez estão causando.” Para Gené, Webber não deveria ser punido por manobra com japonês “porque já estava do lado quando Kobayashi lhe tirou o espaço.”
Lá na frente, Vettel conquista sua segunda vitória do ano, que, para Lobato, “caiu do céu com o problema de Hamilton”. Mas os espanhóis não reclamam. “É um resultado muito bom para Fernando”, destaca Gené.
O comentarista ainda brinca com o capacete usado pelo alemão, lembrando que as baterias
que alimentavam as luzes “aguentaram até o final”. O modelo criativo também ganhou destaque entre os britânicos. “O capacete de Vettel tem luzes mostrando as constelações dos signos de sua família. Estamos em quarto crescente. Talvez esteja tudo alinhado, não sei”, Coulthard tenta uma explicação mística.
“Vettel controlou Button, mas lucrou com a quebra de Hamilton. Está de volta na luta pelo campeonato. Cingapura é a melhor corrida do campeonato, a mais emocionante”, Galvão volta a se derreter. “Alonso não tem mais em segundo o piloto que mais teme na luta pelo título. Vettel tem um carro que precisa provar seu valor em circuitos rápidos”, avalia Reginaldo.
Os britânicos destacam a recuperação do alemão para conquistar seu primeiro título. “Quando Vettel saiu de Cingapura em 2010, tinha 31 pontos de desvantagem para o líder e faltavam ainda menos corridas do que agora. Não há motivo pelo qual ele não pode repetir isso. Alonso sabe disso”, lembra Edwards, enquanto Coulthard dá seu apoio a Hamilton após o abandono. “Mesmo o piloto mais vencedor da história da F-1 perdeu mais do que ganhou em sua carreira. Não é o tipo de placar que quer ter se for um boxeador, mas nas corridas é assim.”
Os espanhóis é que levantam a questão que fica após Cingapura. “Disseram a Vettel pelo rádio que ele tinha voltado para o campeonato. Mas nunca deixou de ser um sério candidato, mesmo depois de Monza”, acredita Jacobo Vega. “Agora a questão é se Hamilton ainda está no campeonato”, fecha Gené.
Audiência no Brasil cai junto dos pilotos brasileiros
Na contramão da média mundial e mesmo tratando as transmissões com mais “carinho” nesta temporada, a Globo vem perdendo público na F-1. Nos últimos 10 anos, a audiência caiu em 55%, de acordo com dados do Ibope publicados hoje na coluna de Ricardo Feltrin, na Folha de S. Paulo.
Curiosamente, os dados apontam que, neste período, o share da emissora manteve-se estável, ou seja, o público não foi atraído para outros programas, apenas deixou de se animar para ligar a TV no domingão de manhã.
Apesar do Ibope calcular os números da Grande São Paulo, a média nacional tem níveis bem próximos, de 8,5 pontos, calculados pelo Painel Nacional de Televisão.
Audiência da F-1 na Globo
Cada ponto vale por 60 mil domicílios sintonizados
Fica bem claro nos dados que os picos estão diretamente ligados ao fato de brasileiros lutarem por vitórias e campeonatos – ainda que, na época de Barrichello na Ferrari, isso fosse mais uma propaganda do que realidade.
A audiência se mantém alta quando a Ferrari está bem no início da última década, com um pico no mais disputado dos campeonatos entre 2002 e 2004. Os números caem junto do rendimento do time italiano e só voltam a subir quando é Felipe Massa quem luta pelo título. Dali em diante, mesmo com Barrichello tentando um ataque final a Button em 2009, a audiência desce ladeira abaixo.
E pensar que a categoria se tornou muito mais atraente em termos de disputas e qualidade de pilotagem justamente nas últimas temporadas, algo que não aumentou a empatia dos brasileiros. É o preço de anos sem expandir os horizontes de um público conquistado facilmente na época das vitórias.
Será que é tarde demais para salvar o barco? Será que os anos de apelação, fazendo de Rubens e Felipe maiores do que de verdade são, farão com que qualquer um que apareça daqui em diante seja olhado com desconfiança ou seria possível massificar um esporte no Brasil sem a necessidade de construir heróis nacionais?
GP da Itália por brasileiros, britânicos e (a novidade) asturianos: “Cada vez que vejo o replay, me parece mais maldoso”
Ninguém pode dizer que ele não é um ‘secador’ nato: após gorar Alonso antes da largada do GP da Bélgica, afirmando que o espanhol estava “na zona de risco, logo à frente de Maldonado, Grosjean e Hamilton”, o narrador da Sky, David Croft, definiu o destino de Vettel na corrida da Itália logo depois que a Red Bull pediu que o alemão diminuísse a temperatura do motor na volta de apresentação: “Isso nos faz lembrar dos problemas de alternador que ele teve no calor de Valência. Também está muito quente aqui. Será que poderíamos ter uma história semelhante?”
Na Globo, o destaque é para os cinco vencedores de equipes diferentes nos últimos cinco anos. “A McLaren tem ido bem em vários circuitos diferentes, mas não vence em Monza desde 2007.” Já na RTPA (Radio Televisión del Principado de Asturias) – excepcionalmente neste GP, acompanhei a transmissão espanhola pela TV das Astúrias e confesso ter sentido saudade de Antonio Lobato e companhia (!) –, o assusto são as histórias dos primórdios de Monza, quando os pilotos colocavam “folhas de alface” na cabeça para refrescar.
Sobre a estratégia, Galvão Bueno explica que “quem pensa em vitória pensa em uma parada, mas tem de ter cuidado com o pneu médio no início”, enquanto o narrador asturiano, Íñigo Domínguez, insiste para que ninguém se perca na largada: “Alonso está na parte esquerda da tela, na quinta fila”. Enquanto Massa briga com as McLaren pela ponta, o espanhol destaca “Alonso oitavo e atacando Kobayashi”. Os comentaristas salientam que os pilotos estão “muito comportados, agindo com muito respeito.”
No Brasil, o destaque é para Massa. “Largou muito bem, mas o ataque ao Hamilton na primeira curva permitiu que Button se aproximasse. As McLaren devem ser mais rápidas na reta – e Bruno Senna largou bonito e ganhou duas posições.”
Para o britânico Martin Brundle, “Massa foi inteligente, colocando de lado e forçando Lewis a frear mais dentro da curva. Nunca passaria, mas valeu pela tentativa.” Para o comentarista, o destaque negativo da largada foi Webber. “Ele teve o maior prejuízo da primeira volta. Desde que ele assinou para o ano que vem, tem marcado poucos pontos, não está nada dando certo”, algo também observado pelo comentarista espanhol Jesús Catalán, que acha “curioso o efeito anestésico da renovação de contrato em Webber.”
Na TV asturiana, as primeiras voltas deixam os comentaristas animados. “Pela velocidade que está mostrando, Alonso não deve bater no limitador quando puder ativar a DRS”, diz Javi Villa, ex-piloto de GP2, hoje no Turismo. “E quanta estabilidade de freada tem a Ferrari”, completa Catalán. Domínguez acha que a ultrapassagem de Vettel em Schumacher favorece Alonso, pois deixa o alemão na alça de mira do espanhol e “talvez superar a Red Bull seja mais difícil”. Mas Villa logo se preocupa. “A Ferrari bateu no limitador agora e, na Mercedes, acontece o mesmo que em Spa: eles têm uma sétima mais longa.”
De fato, quando o bicampeão chega em Schumacher, os brasileiros preveem problemas. “A velocidade de reta da Mercedes é muito melhor. Vai ter problema para passar”, diz Burti.
Mas Alonso supera Schumacher, mesmo tendo ficado “mais tempo do que gostaria atrás dele”, como saliente Croft. “O mais crucial é que ele ganhou várias posições e está com o carro intacto e sem nenhuma fritada de pneu.”
As atenções se voltam para Bruno Senna, que se toca com Di Resta e perde a chicane. “Não sei não. Ele botou meio carro”, Galvão não gosta da fechada do escocês. “O certo era o Di Resta, depois de defender a posição, manter a linha, mas podem dizer que a asa dianteira do Bruno não estava do lado”, ressalta Luciano Burti, coincidindo com a interpretação dos comissários. “Paul não deixou muito espaço. A regra diz que você tem que deixar espaço. Ele fez a tomada enquanto Bruno tentava colocar de lado. Essa vai ser difícil para os comissários decidirem se Bruno deveria ter cedido ou se foi jogado para fora da pista”, Brundle fica em cima do muro.
O narrador asturiano critica o brasileiro. “Bruno Senna anda batendo com todo mundo. E isso não é jeito de voltar à pista”, diz Domíngues, interrompido pelo repórter de pista Miguel Martínez. “Di Resta o fechou. Vai sofrer um drive through com certeza”, opina. “Mas ele estava muito atrás. Só fica lado a lado quando já está na terra. Não tinha espaço”, discorda Villa.
Na volta 10, Croft chama a atenção ao ritmo de Perez, pouco antes de Burti destacar a performance do mexicano. “Ele foi o único a largar com duro entre quem está na ponta. Seu pneu é melhor agora, mas depois vai colocar os médios.”
Como os asturianos estão um pouco perdidos com a estratégia – Villa diz que, “para fazer uma parada, tem que ficar na pista até a 27” – o repórter britânico Ted Kravitz coloca os pingos nos is. “É interessante que os tempos de Perez sejam melhores que Kobayashi, mesmo com pneu duro. Veremos como isso afeta as estratégias. Quem parar entre volta 15 e 17, fará duas. A partir disso, pode ir a uma”, resume.
Espanhóis e brasileiros estão preocupados com seus pilotos. “Se Fernando para antes, pode ultrapassar Vettel, mas não pode parar tão cedo porque precisa fazer uma parada só”, calcula Martínez, que acredita que Massa teria que aguentar na pista para esperar Vettel – e atrapalhá-lo. Isso, depois do brasileiro ser superado por Button, algo “normal” para Galvão Bueno. “Tem momento em que é melhor deixar passar para não perder tempo. Mudar para o plano B [2 paradas] pode ser muito complicado.”
As Ferrari param, de fato, assim como Sebastian Vettel. Para os britânicos, todos estes farão duas paradas, enquanto a McLaren, “poderia dividir as estratégias caso tenha problemas de desgaste”, afirma Croft.
O grupo de Massa, Vettel e Alonso volta logo atrás de Daniel Ricciardo, que joga duro com o brasileiro. “Acho que Ricciardo escolheu uma briga que não deveria. Mas não podemos culpá-lo por tentar”, acredita Brundle. “Se Ricciardo fizer besteira brigando com os ponteiros, o preço é caro”, Reginaldo lembra do que aconteceu com Alguersuari após atrapalhar Vettel.
Mas a briga é entre Alonso e Vettel. Para Galvão, “quem estiver torcendo para o Felipe, torce pelo Vettel porque, pela diferença do campeonato, o jogo de equipe seria normal.”
Poucas voltas depois, Alonso tenta passar Vettel por fora na Curva Grande e vê o espaço diminuir de repente. “Desta vez, ir na grama não ajuda a passar”, resume Croft. “Queria ver de novo, mas não acho que ele foi jogado para fora. Não acho que ouviremos nada a respeito vindo dos comissários. Foi exatamente o que aconteceu ano passado, mas ele foi mais para fora”, observa Brundle.
Para Martínez, são duas manobras completamente distintas. “Ano passado, Fernando deu espaço a Vettel, e agora Vettel não deixou espaço a Fernando. O que ele fez é muito perigoso, porque é muito veloz. Não tem essa de que ‘o carro escapou’. É diferente de uma chicane onde, pela própria inércia, o carro pode escapar. Em uma curva de aceleração, se faz um movimento à esquerda, é proposital.”
Na Globo, Galvão primeiro se impressiona por Alonso não ter batido. “Ele é bom demais para sair com as quatro na terra e voltar” e ganha o aval do comentarista convidado Emerson Fittipaldi. “Nessa velocidade, o carro não virou. É um piloto completo, surpreende mais a cada prova.” Mas, afinal, acidente de corrida ou a regra é clara? “Bem questionável porque Vettel fez o movimento quando a asa do Alonso já estava de lado. Sem ver replay, acho que Vettel jogou pesado”, vê Burti.
São os replays que fazem Brundle achar “cada vez mais maldosa” a atitude de Vettel e suspeitar que cabe punição, algo justo para Emerson – “Vettel abriu meio sem querer para jogar o Fernando para fora” – mas não para Reginaldo – “não teve nada de errado. Alonso forçou inclusive de um jeito que não é normal dele.”
Os espanhóis têm tanta certeza da culpa de Vettel que, quando sai o anúncio da investigação, Martínez se adianta: “Pode calcular no tempo de Vettel os 18s (?) que vai perder pelo drive through.”
A perda é de 15s, mas o alemão de fato é punido, deixando a encrenca para Massa. “É claro que Massa vai deixar Alonso passar pelo campeonato”, Brundle acha a inversão normal, assim como brasileiros e espanhóis, mesmo que cada um tenha sua versão. “Felipe teria a condição de defender a posição na pista, mas veremos a atitude da Ferrari”, diz Galvão. “Em condições normais, mesmo se fosse de outra equipe, Alonso o passaria. Eles só têm que cuidar para que não perca tanto tempo”, acredita Martínez que, junto de seus colegas, ri com as mensagens de rádio de Rob Smedley a Massa, lembrando da degradação de pneus.
Após a ultrapassagem, os brasileiros se esforçam para explicar a situação e diferenciar a troca de posições agora de Áustria-02 ou Alemanha-2010. “Tem que favorecer o Alonso. É um esporte de equipe”, acredita Emerson. “É do esporte. Fazer o quê?”, pergunta Galvão.
Voltando às estratégias, Kravitz calcula que “provavelmente, Perez vai terminar em quinto ou sexto. Nada mal”, enquanto espanhóis duvidam que Raikkonen aguentará apenas com uma parada. As divagações são interrompidas pelo abandono de Button. “Sete dias depois da grande performance de Spa, o carro o trai”, resume Brundle. “É mais um momento no campeonato em que as coisas funcionam para Alonso”, completa Croft. “Cada vez se parece mais com a corrida de Valência”, Martínez se empolga, enquanto brasileiros se animam com um pódio de Massa, que tem a corrida destacada por Catalán, para deboche do narrador Domínguez. “O que ele fez? Largou em terceiro e continua em terceiro”. Villa defende o colega: “É que não é o habitual dele.”
E o habitual de Perez é fazer a diferença com os pneus. De candidato a boa performance, o mexicano já vira ameaça às Ferrari. “A pista emborrachou e, com menos combustível, eles acertaram na mosca com Perez e ele, como sempre, fez funcionar. Se puder se livrar rapidamente das Ferrari, tem voltas suficientes para pegar Hamilton”, destaca Brundle. “Se Lewis tem ritmo, vamos descobrir agora.”
Reginaldo resgata a história da segunda corrida do ano. “Na Malásia, Perez estava mais rápido e muita gente achou que recebeu ordem para não passar Alonso, ainda que tenha gente na Sauber que jure o contrário.”
Os espanhóis se preocupam. “Ele vai passar como se fosse um retardatário”, diz Domínguez. Mas há uma esperança de que Magic Alonso tire algum coelho da cartola. “Se fosse outro circuito, dava para se defender”, Villa é mais pessimista, “mas Schumacher conseguiu”, lembra Martínez, referindo-se à corrida do ano passado. Depois da ultrapassagem inevitável, Domínguez salienta que “é melhor não tentar resistir para não piorar a situação de seus pneus. Pensou no campeonato.”
A corrida ainda guardaria outra surpresa no final, com o abandono repentino de Vettel, sob berros do engenheiro para que “parasse o carro imediatamente” para salvar o motor. “Só posso imaginar que tem algo a ver com a hidráulica, que afetou o trabalho dos pistões. Eles não podem correr o risco de perder um motor”, imagina Brundle. “Não tenho vergonha de falar com pilotos, mas não puxaria conversa com ele agora.”
Os espanhóis se divertem.“Este carro vai se destruir em 3 segundos!”, exclama Domínguez, lembrando filmes de ação. Discutem sobre o que teria acontecido com os carros da Red Bull e acham que o mesmo motivo tirou Vettel e Webber. “Deve ser algo sério para pedirem para parar ao invés de esperar quebrar. Deve ter a ver com temperaturas ou algo da segurança do piloto”, aposta Villa. Logo depois, Catalán diz que circula a informação de que trata-se de um problema de alternador.
“Que bom desfecho para um piloto que teve uma semana tão tumultuada. Se eu fosse Whitmarsh, teria uma conversa hoje à noite com ele, com a vitória fresca na memória. Seria um bom momento para ele e a equipe chegarem a um acordo”, recomenda Croft quando Hamilton, após um verdadeiro passeio no parque, cruza a linha de chegada. “É a primeira vitória dele em Monza e é o piloto com quem Alonso tem de se preocupar”, diz Burti. Os espanhóis já estão preocupados e veem que o inglês só não tem mais pontos pela chuva na classificação na Alemanha e pelo erro na configuração de Spa. Lembram que, segundo o raciocínio de Alonso, para vencer o campeonato, é preciso conquistar duas vitórias até o final do ano. “Ele sabe que Hamilton é seu pior rival porque é muito competitivo e tem o melhor carro”, destaca Martínez. “Alonso teve dois golpes de azar seguidos, mas o importante é continuar líder quando essas coisas acontecem.”
Porém, largando em décimo, todos reconhecem que o asturiano saiu no lucro. “A verdade é que, corrida após corrida, tudo parece favorecer Alonso”, destaca Reginaldo. “Temos de reconhecer que Alonso fez uma corrida espetacular, como sempre. Tudo dá certo para ele”, completa Galvão, torcendo para que “após duas grandes corridas, pode ser que Felipe vá para Cingapura renovado. Vamos torcer.”
Ninguém esquece de Perez, surpresa do dia. “Eu errei achando que eles tinham se equivocado porque estavam perdendo muito tempo, mas o ritmo cresceu muito quando colocou o pneu médio. Terminou 40s à frente do companheiro”, salienta Brundle, que estranha a falta de comemoração do vencedor Hamilton. “Perez até parece mais feliz”, nota. Também, pudera. Nada como agradar o público certo, como lembra Domínguez: “Já que estamos na Itália, Perez aproveita para deixar o currículo em Maranello”.
GP da Bélgica por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Ele não tem noção de espaço”
Sem querer gorar, mas já gorando, o narrador da Sky David Croft avisa que “Alonso larga à frente da zona de perigo, com Maldonado, Grosjean e Hamilton.” Os espanhóis, na Antena 3, também sabem disso e acreditam que o pitwall da Ferrari deve estar alertando-o.
Mas nada de pensar em acidente na primeira curva, estão todos de olho na estratégia. Na Espanha e no Brasil, com a Globo, a informação é a vinda da Ferrari: “A tendência é a corrida ter dois trechos com pneus duro e um com o médio”, avisa Galvão Bueno. “Falei com o Felipe se ele podia arriscar o composto mais duro no começo, mas ele disse que largaria mal e não vale a pena.” Marc Gené complementa: “Para a Ferrari, o pneu duro é o melhor, então vamos fazer duro/duro e o normal é que Fernando não esteja muito rápido no primeiro stint, mas que seja melhor que os outros depois.”
Como nem só de Ferrari vive a F-1, na Sky a informação é de “a estratégia mais rápida é com uma parada, mas você tem de fazer os pneus durarem nas três ou quatro voltas antes do pit, que seriam o ponto mais delicado”, como explica Croft. “Como é um circuito muito extenso, você tem que parar na volta certa, senão terá de dar mais uma longa volta. Não dá para errar aqui”, destaca o comentarista Martin Brundle.
Para quatro pilotos, no entanto, não haveria tempo de comprovar qual seria a melhor estratégia. Romain Grosjean fecha Lewis Hamilton que, sem controle de sua McLaren, atropela Sergio Perez e Fernando Alonso, enquanto Kamui Kobayashi escapa sabe-se lá como. “A esperança de Alonso pontuar em 24 provas seguidas acabou em menos de 260m. Foi um acidente muito feio”, observa Croft. “Sorte de quem está lutando pelo campeonato, porque Alonso está fora”, destaca Galvão.
Na Antena 3, a primeira reação é de perplexidade, que logo se torna um clima de enterro. “Foi Hamilton que fez confusão”, o narrador Antonio Lobato não se conforma. “Que oportunidade para Vettel”, vê Gené. “Grosjean o fechou, ele teve de ir para a grama e perdeu o controle”, resume o comentarista, enquanto Lobato segue culpando o inglês e sua “largada precipitada” até ver o replay e voltar atrás. “Peço desculpas, pois a culpa foi 100% de Grosjean. Hamilton foi um dos passageiros involuntários do desastre”.
Para Jacobo Vega, “a queimada de Maldonado atrapalhou todos”. O detalhe foi observado rapidamente por Martin Brundle – “a largada foi boa demais, não se ultrapassa duas filas de F-1 apenas com uma boa largada” – e Luciano Burti – “queimou feio”.
Gené se impressiona mais a cada replay. “Além de tudo, deve ter levado um tranco forte nas costas. É por centímetros que não pega suas mãos ou a área do capacete.” Lobato apenas suspira e repete “Madre mia”. Na Sky, Brundle segue a mesma linha. “Grosjean veio cobrir Hamilton, que não pôde e não iria ceder. Tenho de dizer que foi culpa do Grosjean. Que acidente assustador. Fernando deve ter sofrido um impacto muito forte quando aterrissou. Nem quero ver mais vezes. Ele parece não ter noção de espaço dentro de seu carro. Acho que é o quarto acidente de largada de Grosjean. Ele não deixou o espaço suficiente para Lewis.”
Na Globo, o foco é em Grosjean. “Foi uma das maiores lambanças que eu já vi”, diz Galvão. “ele joga para cima do Hamilton, não recolhe, bate no Perez, no Alonso e volta a bater no Perez. Fala-se do Maldonado, mas esse apronta mais ainda. Quero ver o que vai acontecer porque o Grosjean é tratado como francês e com o Maldonado é diferente porque ele é da Venezuela”, o narrador, que pede a suspensão do piloto da Lotus, não se conforma. “Ele já fez várias de bater na primeira volta. Dessa vez passou a um palmo da cabeça do Alonso”, completa Burti.
Mas há muita corrida pela frente, embora os espanhóis não pareçam muito animados. Lobato, inclusive, prevê uma corrida muito complicada para Button e destaca que Alonso, mesmo com o abandono, sai líder da Bélgica. Britânicos e brasileiros, por outro lado, têm outros destaques para dar. “Bruno Senna sai de 17º para oitavo”, comemora Galvão. “Ele está segurando Webber e Vettel assim como fez na Hungria.”
Na Sky, destaque para a Force India, Senna e Kovalainen e certa má vontade com a Red Bull, que “não está funcionando muito bem”, para Brundle. “Há uma diferença de 10km/h mesmo com Webber usando a DRS. Eles estão frustrados porque querem aproveitar a oportunidade com Alonso fora, mas estão em posições intermediárias”, enxerga Croft.
Na luta pelas primeiras posições, Schumacher surpreende ao ultrapassar Raikkonen, em “uma batalha de pesos pesados de Spa, Schumacher com seis vitórias e Raikkonen com quatro”, como destaca Croft. “Grande manobra de Schumacher, espremeu o Kimi, que teve de ceder.” Os brasileiros também se impressionam, com direito a confusão de Galvão. “Schumacher, que parecia fora de qualquer possibilidade, se aproveitou e se colocou na briga. Ele e o Kimi já brigaram aqui, cada um passou de um lado”, lembra, trocando os finlandeses.
Senna, cuja performance à frente das Red Bull era importante para o narrador porque “Maldonado traz um caminhão e meio de dinheiro”, acaba cedendo à pressão, mas o discurso muda e Burti acha que o compatriota foi bem. “Às vezes é melhor deixar passar, senão você começa a perder muito tempo.”
Mas quem merece atenção de espanhóis e de britânicos é a Red Bull. Na Sky, estranham que Webber ganhe a prioridade e pare primeiro. Porém, na volta 14, começam a acreditar que Vettel pode parar apenas uma vez. Na Antena 3, com as possibilidades estratégicas voltadas na informação da Ferrari, demoram até a volta 23 para atentar a isso. Antes, Lobato acha que Vettel perde “segundos muitos importantes” permanecendo na pista e que será “impossível” agüentar até o final. Já Burti começa a acreditar que é possível parar uma vez na volta 19 de um total de 44.
As contas são atrapalhadas pela confusa entrada de box de Schumacher, que parecia disposto a defender sua posição com Vettel até o último instante. “Como Michael se arriscou aqui! Ele nunca deveria ter feito isso. Nunca! Não se tocaram por muito pouco”, exclamou Gené. “Atormentou a vida do Vettel até para entrar no box. Mas imagina se o Elizeo Salazar teria peito para pedir para o Charlie Whiting punir o Schumacher?”, questiona Galvão. “Ele sempre joga pesado. Planejou tudo só para atrapalhar o Vettel”, emenda Burti.
Os britânicos têm outra versão, ajudada pela ordem recebida por Vettel via rádio, de que fizesse 'o contrário de Michael'. Ou seja, se o alemão parasse, deveria continuar na pista. “A equipe pediu a Vettel que fizesse o contrário de Schumacher, mas parecia que ele estava defendendo a posição e não entraria”, acredita Croft.
Brundle ri da facilidade com que as Red Bull ultrapassam as Toro Rosso, ao contrário dos demais, que tinham dificuldade em superar a velocidade de reta de Ricciardo e Vergne. Enquanto isso, na Espanha, a secada em cima de Vettel continua. “Ele pisou na linha?”, pergunta Lobato quando o alemão sai do pit. Algumas voltas depois, a parada única passara de “impossível” para decisiva. “Vettel e Button são os únicos que podem ir a uma parada. É por isso que Button não pode relaxar”, observa Gené.
Gené foca na corrida de Massa e na possibilidade do brasileiro ajudar Alonso tirando pontos dos rivais. Já Brundle procura substitutos para o piloto da Ferrari. “Se eles precisarem substituir Massa, o que francamente parece bastante provável, devem estar olhando Hulkenberg e Di Resta. Até porque Perez diz que não está interessado e voltou a falar bem da Sauber.” Para Galvão. “Domenicali e Montezemolo estão esperando uma boa performance para renovar. Não é oficial, mas depende disso.”
Se a secada em Vettel não funciona, espanhóis passam a pedir que Webber seja punido por unsafe release com Massa. Quando veem que vai ser investigado depois da corrida, Vega diz que “se é assim é porque vai ser multa”, para revolta de Lobato. “É só ver o que aconteceu. Não faz nenhum sentido julgar depois.” O narrador não melhorou o tom de enterro desde a largada. “Que estranha essa corrida. Parece que faltam nomes.”
Mais uma vez o foco se muda para a briga entre Raikkonen e Schumacher, cuja velocidade de reta dificulta a vida do finlandês. “A Lotus é um dos carros com maior carga aerodinâmica e isso o ajudou na classificação, mas parece que não era o certo para a corrida”, observa o repórter inglês Ted Kravitz. Mas Kimi não se rende e ultrapassa na entrada da Eau Rouge. “Para quem dizia que isso era impossível, é o segundo ano seguido com ultrapassagem na Eau Rouge”, destaca Croft. “Não sei se Michael bateu no limitador, porque ele estava muito lento na saída da La Source”. Brundle não se impressiona muito com a manobra. “Hulkenberg vai passar também porque Michael nem está acreditando no que Kimi fez”, se diverte Lobato. “Quando ele terminar a corrida, terá de agradecer Michael por não ter entrado junto na curva. Há muitos e muitos anos, Stefan Bellof morreu em um acidente justamente desse jeito”, emenda Gené.
A manobra levantou os brasileiros. “Foi uma manobra inteligente porque ele passou depois do ponto de detecção da DRS para poder usar a asa depois de passar”, vê Burti. “É de arrepiar”, emenda Galvão.
Schumacher e Senna, dois dos pilotos que tentavam ir a uma parada, têm de desistir e Burti evita atacar diretamente a Williams. “Eles sabem o que fazem, mas pararam cedo demais para um pit”, ao contrário de Galvão, que diz que a equipe “errou na tática após grande corrida de Bruno”. No final das contas, o brasileiro parou por um furo no pneu.
Todos quase esquecem de Button lá na frente. “Ele vem fazendo um campeonato de altos e baixos, ganhou a primeira corrida, ficou pontuando baixo e agora voltou”, resumiu Reginaldo Leme. Lembrando disso, os britânicos até brincam com sua velocidade atual. “Ele usou o maiô da Jessica [sua namorada] para fazer um triathlon porque tinha esquecido o dele e, desde então, começou a andar rápido. Deve ser seu segredo”, diz Brundle. “Deve ter feito com que entrar no cockpit se tornasse mais fácil”, emenda Croft. Voltando à realidade, o comentarista aponta que foi uma performance “de quem provou que ainda não está pronto para ser segundo piloto na McLaren”, além de destacar “a surpresa do dia, Sebastian Vettel.”
No entanto, Reginaldo lembra que “o resultado é muito bom para Vettel, mas a Red Bull não dá sinais de que pode brigar”, e salienta que o desfecho é “muito bom para o campeonato e coloca o Kimi na briga.”
Para Lobato, “a verdade é que não é ruim que Button ganhe esse GP. O que é ruim é que Vettel esteja em segundo após uma grande corrida e Raikkonen seja terceiro”. O finlandês, inclusive, é destacado por Gené. “Não diria que foi o grande derrotado, mas acredito que Kimi esperava mais.”
Antecipando a próxima etapa, Burti acha que será difícil tirar o doce da McLaren. “É a casa da Ferrari, mas eles devem andar bem. O Hamilton não deve errar novamente o acerto de classificação. O campeonato está aberto.”
Desvendando as transmissões da TV: os desafios e referências do piloto-comentarista Luciano Burti
A responsabilidade é grande: falar a um público acostumado às corridas, mas pouco afeito a questões técnicas, ainda por cima dividindo espaço com dois profissionais que têm mais tempo de F-1 do que ele tem de vida. Mas atuações ponderadas como no GP da Alemanha de 2010, como ele relembra em entrevista ao blog, e muito treino para se sentir à vontade na cabine têm feito Luciano Burti ganhar espaço nas transmissões da Globo.
O ex-piloto da F-1, atualmente na Stock Car, é comentarista desde 2005 e revela quais as dificuldades, como se atualiza e quais são suas referências nesse espécie de carreira paralela.
(Na primeira parte deste especial, conversei com o comentarista da Antena 3 espanhola Jacobo Vega)
TOTALTACE: O que mudou na sua abordagem nestes sete anos em que trabalha como comentarista?
LUCIANO BURTI: Para quem assiste televisão, parece algo muito simples, que é assistir, falar o que acha, e acabou. E quando vai fazer vê o quão difícil é a comunicação, conseguir falar o que interessa de forma clara, curta e, principalmente trabalhando com o Galvão, a gente não pode tomar muito espaço. Até dificuldade em falar de forma clara eu tinha. Naturalmente, falo muito rápido, com a boca fechada.
TOTALTACE: Você fez treinamento com fonoaudióloga para resolver isso?
BURTI: Fiz muita aula com fonoaudióloga. Eu nem sabia que tinha de abrir a boca para falar. São coisas bobas, mas que fazem muita diferença. Então hoje, não que esteja perfeito, mas consigo falar de forma clara e interpretar. Minha fala é muito constante e aprendi que, na TV, também é importante dar ênfase. Por trabalhar ao lado do Galvão que, na minha opinião, faz isso melhor do que ninguém, ajuda bastante como referência.
TOTALTACE: Muitas vezes você percebe coisas na corrida que julga não serem interessantes passar, talvez até por serem muito complexas. Como é esse discernimento?
BURTI: Isso acontece muito. Primeiro é muito importante estar focado no que acontece no vídeo. Não dá para ficar comentando sobre o que passou, pelo menos não com muita frequência. É importante narrar o que está sendo apresentado e às vezes Galvão e Reginaldo estão comentando sobre outro assunto na hora e fica difícil voltar naquilo que passou. Em segundo lugar, há coisas que seriam legais de falar para um público que vê as coisas de forma mais técnica, mas não soma muito para a grande maioria do público. Então deixo de falar muita coisa. Ninguém tem a mínima obrigação de entender de parte técnica de automobilismo, que é complicada demais. A gente mesmo às vezes se perde nisso. Então tem que fazer mais o arroz com feijão, tentar fazer os comentários de forma que todo mundo entenda, traduzindo algumas coisas, mas sem complicar demais.
TOTALTACE: Isso é uma linha da Globo de focar mais no público menos familiarizado com o automobilismo?
BURTI: Nunca me disseram isso, mas foi algo acredito que tenha me ajudado no início, pois sempre tentei falar o que todo mundo entende. Quando falo para a TV, me sinto falando com meus amigos, com minha família, que não entendem a parte técnica. Acho que isso me ajudou porque as pessoas estavam entendendo o que eu estava dizendo. Se você é técnico demais, fala para poucos.
TOTALTACE: Da época em que você corria na F-1 para cá muita coisa mudou nos carros. Era, inclusive, uma fase com mais tecnologia. Como você faz para se atualizar do lado da pilotagem?
BURTI: Não mudou tanto assim se formos comparar com a época do Emerson ou do Piquet. Para eles, é difícil entender o que acontece hoje na parte eletrônica do carro, do câmbio semi-automático, o diferencial eletrônico. São coisas às quais eles não tiveram acesso. Por mais que eles tenham um conhecimento gigante da parte mecânica, eles nunca pilotaram um carro assim. Então fica difícil explicar.
No meu caso, muita coisa mudou, mas a parte mais evoluída da F-1 foi aquela em que estava pilotando na Ferrari. Você só apertava um botão para reduzir a marcha, tinha controle de tração, uma série de coisas que não existem hoje em dia – e até é bom que a F-1 tenha voltado atrás porque era demais. Então, só de conversar com o Felipe e o Bruno, eles me passam exatamente o que está acontecendo. Vai chegar um dia em que vai mudar e eu não vou ter esse conhecimento na prática, mas ainda não chegou lá.
TOTALTACE: Isso também vale em relação aos pneus?
BURTI: O pneu antigo era complicado, com sulcos. Esse é slick, então dá para entender fácil. Na minha época, pilotei com o V10, mas tive duas oportunidades em eventos promocionais de andar com o V8, o que serviu para ter um pouco de noção da potência. Não estou 100% por dentro, mas diria que 90% eu estou. Por não ser tão técnico nos comentários, acho que não acaba afetando.
TOTALTACE: Qual foi seu momento mais difícil comentando?
BURTI: Acho que foi o começo. No automobilismo, logo na primeira vez que andei de kart já fui bem. A minha primeira corrida na Europa, eu ganhei. Quando andei de F-1, fui bem logo no primeiro teste. Sempre foi uma coisa natural. Diria que a TV não é natural para mim. Não é algo que nasci para fazer. Então estou tendo de aprender a cada dia que passa.
TOTALTACE: Pergunto isso lembrando da corrida da Alemanha em 2010. Falar sobre o que estava acontecendo sendo verdadeiro ao mesmo tempo em que você quer ser correto não deve ter sido fácil.
BURTI: Quando o Alonso falou “isso é ridículo” da primeira vez, eu pensei ‘acho que não entendi direito’. E disse isso no ar, que achava que não tinha entendido. Mas escrevi num papel e mostrei para o Luis Roberto e o Reginaldo e eles falaram ‘será?’. Depois de algumas voltas, a gente acabou entendendo o que tinha acontecido. Mas aquela corrida foi muito delicada, porque não tínhamos certeza do que estava acontecendo e também pela boa relação que eu tenho com a Ferrari é complicado de descer a lenha.
Ao mesmo tempo, aprendi que não posso usar das relações pessoais que tenho, seja com piloto ou equipe, para deixar de falar de algo que está acontecendo. No final, saiu bom, porque consegui passar a informação de tudo o que aconteceu de errado ali sem pegar pesado demais, porque às vezes você pode perder um pouco a mão pela emoção do que está acontecendo e falar mais do que deve. Achar esse equilíbrio é complicado.
TOTALTACE: Você já teve a curiosidade de assistir às transmissões de outros países para ver como os demais comentaristas atuam?
BURTI: Não tenho esse costume, mas já fiz muito isso quando morava na Europa. Às vezes, às sextas-feiras, fico assistindo à TV inglesa e vejo os comentários do Johnny Herbert e do Martin Brundle, que considero excelente. O próprio Coulthard, que acho meio travadão para a TV, é um cara que tem muita noção do que diz e tem o Eddie Jordan, que faz um estilo diferente. Gosto de prestar atenção nestes caras, até por ser a TV inglesa, que fala para o público que considero o mais bem informado. Por isso, a comunicação deles com o público ocorre em um nível mais elevado. Eles são a referência.
GP da Hungria por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Lewis tinha uma resposta para tudo”
Ninguém demonstra acreditar que o GP da Hungria será mais um daqueles agitados domingos. O foco das transmissões é na estratégia, curiosamente com informações divergentes vindas de fontes dentro da Ferrari. Na Globo, com base na expectativa de Felipe Massa, a aposta é por duas paradas, enquanto o piloto de testes da equipe italiana, Marc Gené, comentando para a TV espanhola, tem outra visão. “É muito importante seguir Webber para saber quando o médio vai se degradar. Ele dará informações a todos. Para fazer duas paradas, tem que parar na volta 30, o que é muito difícil. Para parar três, até cerca de 18.”
Na largada, todos ficam um tanto perdidos com as luzes amarelas e depois vermelhas. Os espanhóis primeiro acham que o problema é com Grosjean, e depois o comentarista Jacobo Vega vê que é Schumacher. “Esqueceu das regras, porque só se tivesse sido dada bandeira vermelha poderia desligar o motor”, observa Luciano Burti, mesma linha de Martin Brundle, na Sky Sports. “Será que ele disse que desligou o motor porque tinha entendido que a largada tinha sido cancelada? Pode ser que tenha pensado que era uma bandeira vermelha.” O narrador David Croft aproveita para ironizar o alemão. “Com 300 GPs, certamente experiência ele tem”.
Na largada que vale de fato, brasileiros e espanhóis se espantam com Webber, que pula de 11º para sétimo. “Quem é esse? É Webber?”, surpreende-se o narrador da Antena 3 Antonio Lobato. “E ele não costuma largar bem. Foi a largada da sua vida.” Na Globo, o destaque é para a “largada arrojada e limpa do Bruno”, enquanto os Brundle foca em seus pares. “Grande trabalho de Button, Hamilton largou muito bem e Grosjean deixou Vettel sem espaço, de maneira perfeitamente legal.”
Logo fica claro que não há espaço suficiente para a DRS surtir efeito e a corrida será, de fato, decidida nas estratégias. E ninguém sabe qual a melhor. Os espanhóis acreditam que Webber está muito bem na corrida, por estar com pneus médios e ter ganhado quatro posições na largada. Brundle concorda. “Mark deve estar pensando ‘Alonso está logo na minha frente e estou com os melhores pneus, então isso deve estar vindo na minha direção’”.
Outro destaque no início da prova era a Lotus. “Grosjean tem um ritmo muito bom, talvez estejam economizando o pneu”, observa Burti. “Lembrem-se que a Lotus é muito melhor com os pneus que a McLaren. Sabemos que Hamilton é um piloto agressivo e isso não ajuda”, Gené dá uma secada. “A McLaren sabe que as coisas não estão tão fáceis quanto eles esperavam. Mas acho que todos sabiam que o azarão seria Grosjean. Isso está se tornando uma luta direta entre os dois. Eles são muito mais rápidos que os demais. Mas estarão gastando demais seus pneus?”, questiona Brundle.
Ninguém sabe quem está mostrando o verdadeiro ritmo. Mas Lobato se surpreende negativamente com a prova de Button. “Impressionante é a diferença entre Hamilton e Button, de sete décimos por volta. É o mesmo carro, mas ele não consegue acompanhar.”
A grande questão da tarde se torna o tráfego após as paradas. “É muito ruim para Fernando voltar atrás de Perez, que é dos pilotos que mais alarga suas paradas. Acho que ele pode perder até duas posições, porque está perdendo muito tempo com Perez”, Gené se inquieta. “Button saiu na frente de Perez, mas não funcionou para Alonso. Não sei o quanto o piloto da Sauber-Ferrari ajudará, mas ultimamente temos visto que eles correm por eles mesmos”, Brundle segue o raciocínio.
De fato, o espanhol perde tempo, mas já ficara claro que a Ferrari não tinha ritmo para lutar pelas primeiras posições. Com os pneus macios, ao contrário dos adversários diretos, Vettel e Grosjean impressionavam, mas a McLaren se mantinha tranquila, de acordo com o repórter Ted Kravitz. “Eles dizem que os rivais estão tentando ganhar a curto prazo mas perderão a longo prazo”.
Vettel fica travado por Button e pede via rádio para que equipe “faça algo”. Burti não entende de início, mas logo percebe que o alemão quer uma mudança na estratégia. “Ele não pode arriscar muito na estratégia porque corre risco de perder para Raikkonen, que está perto”, observa Gené. “E não pode parar a qualquer momento, pois há muito tráfego.” Para Brundle, a resposta do engenheiro, que diz não haver espaço suficiente para Vettel parar e voltar com pista livre, significa: “Você está focando só nessa McLaren, estamos focando no resto”.
A McLaren parece não entender o recado e para Button, que fica preso por Senna. “Acho que não calcularam isso muito bem”, diz Gené. “Button vai sonhar com Senna nesta noite”, completa Lobato.
Na volta 38, Brundle percebe que Raikkonen está ganhando terreno e critica a estratégia da Lotus, pois acredita que a equipe poderia antecipar a parada de Grosjean para superar Hamilton. Mas ninguém tem certeza de quantas voltas o último jogo de pneus pode aguentar. Gené acredita que, quem parar a partir da volta 40 pode pensar em fazer duas paradas, “mas é muito marginal”. As contas são feitas porque os espanhóis se preocupam com Webber, que tem pista livre ao passo que Alonso tem Hamilton a sua frente. “Mas Webber vai fazer uma parada a mais”, espera Vega. “Não sei, são muitas voltas, mas ele pode ir a duas.”
A McLaren também parece perdida com as contas e, a cada rádio, diz a um piloto que fará o plano A ou B. “Agora a McLaren diz para Hamilton que quer reverter para o plano A. Parece que eles não querem errar com os dois pilotos”, cutuca Croft. Na Globo, com o marasmo nas disputas, números dos pit stops, comentários sobre estatísticas de Alonso e caixas sendo desmontadas no meio da corrida entram em pauta. Até o nome da “dona do coração de Bruno Senna” vira foco de discussão.
Espanhóis e britânicos estão de olho na reação de Raikkonen. Brundle primeiramente acredita que a meta do finlandês é superar Grosjean, depois vê que ele pode chegar em Hamilton. “Raikkonen vai tentar algo que parece impossível”, emenda Lobato. Os brasileiros, por outro lado, não acreditam em Kimi. “Mesmo sendo difícil ele voltar na frente, está liderando pela segunda vez no ano”, Reginaldo Leme vê um prêmio de consolação no período em que o piloto da Lotus liderou após a parada de Hamilton.
Raikkonen começa a perder tempo: chegou a hora de parar e sair do pit disputando diretamente com Grosjean. “Olha como o Kimi saiu! Ele não quis nem olhar!”, exclama Lobato. “Ele não perdeu nada de seu jeito de correr. E Grosjean certamente sentiu isso agora. Kimi não fez nada de errado”, vê Brundle.
Burti é só elogios ao finlandês. “Em classificação, o Grosjean é constantemente mais rápido, mas talvez não seja coincidência. Talvez o Raikkonen desenvolva o acerto do carro pensando em corrida. Com pneu macio usado foi o mais rápido, então não está em segundo por acaso. Conquistou isso em ritmo de corrida. Está usando a experiência para superar Grosjean.”
A transmissão recupera a luta entre Di Resta e Maldonado, com o venezuelano tirando o escocês da pista. Todos os ex-pilotos comentaristas concordam que o piloto da Williams seja punido. “É um piloto encardido. O Kobayashi é agressivo, vai para cima se tiver espaço. O Maldonado já é um pouco mais que isso”, opina Burti. “Para os latinos, o apelido é Maldanado”, completa Reginaldo. “Ele forçou Di Resta para fora da pista. Você não pode fazer isso”, crê Brundle. Apenas Vega acredita que, “se punirem Maldonado por isso, é para rir. É incidente foi de corrida. Se Maldonado for punido por não deixar espaço, Kimi também na deixou”.
Não é o que os comissários veem. E punem o venezuelano, mais pela sequência, como aponta Burti. “Sempre o acho abusado. Em Silverstone, achei que pegaram leve com ele. Aqui, pelo que os comissários vinham fazendo, achei que não ia dar em nada. Acho justo, até considerando que ele já está sob observação depois da batida com Perez em Silverstone.”
Nas últimas voltas, começa a ficar claro que uma tarde que parecia ruim para o líder do campeonato Fernando Alonso não vai terminar tão dramática. “Se a corrida terminar assim, é como uma vitória para Fernando, pois vai acabar logo atrás de Vettel”, salienta Gené. “Quando ouvimos Montezemolo falando, depois do GP da Alemanha, que estava mais preocupado, não fazia sentido, mas ele estava certo. Agora a McLaren também está mais forte e é só Alonso que está fazendo a diferença”, complementa Brundle. “É assim que se ganha mundiais, em corridas como esta”, se empolga Gené, que é acompanhado por Lobato. “40 pontos para ir para as férias.”
Os espanhóis começam a escolher se é melhor Kimi ou Hamilton ganhar e chegam à conclusão de que tanto faz: o resultado é ótimo para Fernando. Brasileiros e britânicos acreditam que o finlandês tem menos a perder e vai para cima. “A gente sabe que o Hamilton não entrega fácil uma posição e o Raikkonen vai querer vencer”, prevê Burti que, por outro lado, não esquece que “a gente não sabe o quanto o Hamilton está poupando, como vimos o Alonso fazer na Alemanha.”
Sobra tempo para questionar a estratégia da Red Bull, que faz duas paradas com ambos os pilotos. “Não entendi muito bem a estratégia da Red Bull com Vettel e Webber. Acho pouco eficiente”, diz Burti, enquanto os espanhóis não gostam da atitude de Vettel na pista, arriscando depois da última parada, porque veem Grosjean muito longe e não entendem por que ele está forçando tanto. “É frustração”, diz Gené. “Os únicos sorrisos que vejo na Red Bull são esses dois adesivos no capacete de Vettel. Não é onde eles esperavam estar”, ironiza Kravitz.
Sobra tempo para os britânicos discutirem por que a luz de chuva está acesa no carro de Hamilton. “Acho que ligaram só para distrair Kimi, para ele achar que está numa balada”, opina Croft. Enquanto isso, brasileiros se preocupam com Webber pressionando Bruno Senna – “e de pneu novinho”, comenta Reginaldo. “Precisava lembrar disso?” brinca Luis Roberto.
Na frente, Raikkonen não tem armas para lutar com Hamilton, cujo trabalho “muito sólido desde o primeiro dia” é destacado por Lobato. “Temos de nos impressionar com Raikkonen” completa Brundle, “que conseguiu se manter longe de problemas no meio do pelotão e conseguiu se colocar na jogada, mas Lewis tinha uma resposta para tudo”.
GP da Grã-Bretanha por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Pensava que estava sob controle”
Depois do aguaceiro de sexta e sábado, o grande tormento dos estrategistas seria correr no seco, e não se poderia esperar cenário diferente em uma temporada fadada a surpreender. “A tensão no grid era maior que o normal porque ninguém sabe como será o desgaste dos pneus”, observa Luciano Burti, na Globo. “Eles não tiveram muito tempo para decidir sobre os pneus, então veremos diferenças. O macio deve durar bem por 7 ou 8 voltas, e o duro vai durar mais”, diz o analista técnico da transmissão da BBC, Gary Anderson.
Para os britânicos, o sol é uma boa notícia para a Ferrari, “pois eles mostraram no único treino em que estava seco que têm ritmo”. Porém, até a confiança dos espanhóis fica abalada quando o pole Fernando Alonso aparece com pneus duros, ao contrário dos rivais diretos. “Espero que Marc nos explique e nos tranquilize”, pede o narrador da Antena 3, Antonio Lobato. Não é exatamente o que o comentarista faz: “Isso vai ser ruim para os primeiros metros, mas se chove... a tentativa é de fazer o menor número de paradas e usar os duros possibilita aumentar o primeiro stint. Pelo que vimos no sábado, o duro não era muito mais lento, mas as primeiras voltas serão difíceis”, diz Gené. Para Reginaldo Leme, Alonso “arriscou, pois quem larga na frente tem vantagem. Não vai ser fácil para Alonso segurar Webber.”
Na largada, Luis Roberto destaca na Globo o ataque de Massa a Schumacher, o comentarista espanhol Jacobo Vega chama a atenção para a saída ruim de Rosberg e vê Senna “como um tiro”, enquanto o narrador britânico Ben Edwards acompanha seus pilotos. “Ah não, é Di Resta quem escapou, logo em seu GP caseiro, mas Jenson Button está bem e ganhou posições!”. Já Lobato salienta que “Fernando segue liderando. Venceu essa primeira barreira importantíssima”, referindo-se à maior dificuldade de largar com pneus duros. “Isso deve durar umas três ou quatro voltas. Depois o ritmo dele deve ser melhor”, completa Burti.
Não é o que acontece com Hamilton, também com pneus duros, que reclama via rádio. Para Coulthard, não há com que se preocupar. “A McLaren não precisa se desesperar porque ele está com o pneu mais lento.”
Para Burti, a tática usada por Alonso e Hamilton parece correta. “A gente fala que a Ferrari às vezes erra na estratégia, mas acho que desta vez eles acertaram. Os pneus de Webber já estão se desgastando.”
Frustrados com o tempo perdido por Massa atrás de Schumacher, os brasileiros questionam o posicionamento da zona de DRS, ao mesmo tempo em que os britânicos veem o dispositivo “funcionando na medida” em Silverstone. Coulthard, contudo, reconhece que o ferrarista está perdendo muito tempo. “Massa é 1s mais lento que Alonso e sabemos que isso não é normal. Schumacher está segurando ele, mas também pode estar controlando seus pneus para ter vantagem no final do stint. A cada volta que Massa perde atrás de Schumacher, seu pneu perde performance e ele vai acabar tendo de reverter sua estratégia e parar antes. A pista está muito verde.”
Encaixotado pela briga dos ex-companheiros de equipe, Vettel antecipa sua parada, para a surpresa de Gené, que esperava ver uma prova com apenas um pit stop. “Fica claro que Sebastian vai a duas paradas”, diz o comentarista, enquanto Lobato afirma que a prova do alemão “ficou complicada”.
Mas vários pilotos seguem o bicampeão nos boxes. Inclusive Perez e Maldonado, que acabam batendo algumas curvas depois de sair dos pits. A colisão divide opiniões. “É sempre o risco de ir pelo lado de fora. Você se coloca à mercê do outro carro. Seria uma grande ultrapassagem se Perez tivesse conseguido. Os comissários vão decidir se Maldonado perdeu o carro ou fez algo ilegal”, vê Coulthard. “Esses jovens pilotos são muito fogosos às vezes”, dispara Gené. “Perez não estava errado, estava por fora. Isso beneficia Hamilton, que ganhou duas posições. A culpa é mais de Maldonado, porque Perez deu espaço suficiente e o carro do Maldonado escorregou.” Na Globo, Burti diz que “Maldonado anda procurando muito problema. Acho que tá demais. Dá para ver que Perez ia por fora, não teve culpa nenhuma.”
A BBC ouve o mexicano, que está revoltado com o venezuelano, o que leva Coulthard a refletir. “É lógico que é ótimo ter um venezuelano e ver uma grande vitória como a de Barcelona, mas não podemos fechar os olhos aos constantes incidentes em que ele tem se envolvido. Chega um momento em que você tem de olhar no espelho e pensar: ‘por que sempre estou me metendo em confusão e o que faço para evitar isso?’”. Burti concorda. “Maldonado mostrou que é rápido, mas com essa atitude na pista, nenhuma equipe vai querer.”
Gené volta atrás a respeito de Vettel e vê que “pelo jeito, é ele quem mais vai ganhar, a não ser que Massa tente ir a uma parada.” Quando é Webber quem faz sua parada, o espanhol afirma que “o certo é que Alonso não precisa cobri-lo”, mas a Ferrari não o ouve. O líder do campeonato volta atrás de Hamilton, que ainda não havia parado. Para desespero de Lobato. “Vamos, Sr. Hamilton, não é hora de fazer besteira... que bonito o duelo. Só não queríamos que se tocassem. Se fosse outro piloto não lutaria assim, é uma questão de honra profissional”, diz o narrador, que se preocupa com os quase 2s perdidos pelo compatriota na briga em relação a Webber.
Sem sofrer tanto, todos curtiram o duelo. “Lewis não está se importando que isso atrapalhe sua corrida, pois lutar por posição agora só vai fazer com que seja mais lento, mas está fazendo isso pelo público. É incrível que uma McLaren tenha passado uma Ferrari com a DRS aberto. No final, não deu em nada, mas foi legal”, vê Coulthard. “Acho que Alonso não esperava que Hamilton tivesse velocidade para atacar. Foi mais um ataque surpresa do Hamilton que erro do Alonso”, opina Burti.
Os espanhóis elogiam a performance de Massa. “Com mais corridas como esta, não deve ter problema nenhum para renovar o contrato”, diz Lobato. E se mostram aliviados com o ritmo de Red Bull e Ferrari. “Muita gente se assustou com o ritmo que eles mostraram em Valência, mas no momento eles não assustam”, diz o narrador, mas Gené faz uma ressalva. “É uma pista que serve muito bem às características da Ferrari, mas mesmo assim é uma boa notícia.”
Os comentaristas não entram em acordo em relação às diferentes estratégias de Red Bull e Ferrari. “Para que os pneus tenham influência, Webber precisa diminuir um pouco a diferença”, acredita Anderson. “Webber precisa fazer a distância cair para cerca de 15s para estar logo atrás dele quando Alonso parar. Acho que Alonso precisa ir até a volta 40 para se certificar de que o pneu macio não vai sofrer graining”, calcula. Gené concorda a respeito da necessidade de atrasar ao máximo a parada do ferrarista. “Fernando tem que aguentar ao máximo com esse pneu porque vai precisar colocar os macios e acredito que o equilíbrio não seja tão bom. Não me atreveria a fazer mais de 11 ou 12 voltas com os macios.”
Os brasileiros, traídos pelo cálculo errado da perda de tempo nos boxes, acreditam que Webber ganharia a posição logo após o pit de Alonso. “A estratégia da Red Bull está funcionando, pois 19s não é suficiente”, diz Burti, que, após a parada do espanhol, se redime. “Deixa eu corrigir. Você corta caminho na entrada do box. Por isso o Alonso, com apenas 20s, conseguiu se manter à frente.”
Espanhóis e britânicos focam no timing da troca de Alonso. “Eles pararam Alonso antes porque o principal é não perder a liderança. Agora confiam na experiência de seu homem para lidar com os pneus”, acredita Coulthard. “O que a Ferrari fez é a melhor opção, porque agora a pista não está tão verde. O pneu vai sobreviver ao graining, mas talvez ele sofra um pouco nas três últimas voltas”, completa Anderson.
Gené acredita que a Ferrari antecipou a parada pelo “ritmo infernal” de Webber, enquanto Lobato não está nada confiante: “Vamos sofrer até o final”. O comentarista tenta animá-lo. “Ninguém sabe se Fernando terá problemas, não são tantas voltas assim”, mas sem sucesso: “Para mim são muitíssimas”, responde o narrador.
Enquanto o australiano se aproxima, a transmissão foca na briga entre Hulkenberg, Senna e Button, para a revolta dos espanhóis. “Muito interessante essa luta pelo nono lugar”, ironiza Lobato. Pelo menos é para brasileiros e britânicos, que acompanham seus pilotos e esquecem da luta na ponta.
Quando o foco retorna para os primeiros, Coulthard e Gené imaginam se Alonso estaria economizando pneus. “Será que ele está deixando Webber chegar?”, questiona o escocês. “Se Fernando estava cuidando dos pneus, chegou a hora de reagir.” Não era o caso. Reginaldo reconhece que “mesmo sendo o maior craque da F-1, vai ser difícil segurar.” Para Lobato, “isso está se complicando mais do que esperávamos. Webber vem como um míssil.”
Anderson destaca que o problema da Ferrari é graining, algo que tende a desaparecer após algumas voltas . “Webber tem que passar rápido porque o pneu de Alonso está com graining e vai limpar. Daí o ritmo dele vai melhorar”. O australiano ouve o analista e faz a manobra. “Foi um trabalho de equipe, com o engenheiro explicando como Alonso estava se defendendo para ajudar Mark, que fez uma ultrapassagem corajosa. Fernando, como sempre, muito limpo, não espalhou”, destaca Coulthard.
“Pensando no campeonato, claro que ganhar é melhor, mas seria pior se Vettel o ultrapassasse”, relativiza Gené. Os espanhóis, aliás, focam o tempo todo no alemão. “Fernando tenta tudo, nunca se rende, mas Webber é ‘imparável’. O importante é não perder pontos para Vettel”, diz Lobato que, enquanto o australiano se aproximava, falava que não ia “avisar da diferença com o Mark, porque isso dá para vocês verem. Vou avisando sobre o Vettel.”
Reginaldo segue em linha semelhante. “Alonso tem uma visão de corrida muito boa. Depois de não conseguir vencer em 2010, ele aprendeu muito com isso. Apesar de não ter carro tão bom quanto os outros, tem chance de brigar pelo título.”
Edwards, na BBC, se surpreende com o desfecho da prova. “Eu pensava que Alonso tinha essa corrida totalmente sob controle”, enquanto Gené se mostra mais preocupado em relação à Red Bull do que na metade da corrida. “Essa pista é muito boa para nosso carro e o fato de que não conseguimos ganhar mostra que precisamos melhorar o carro ao máximo.” Para Burti, o segundo lugar “é um grande resultado para Alonso, que está na luta pelo título porque vem pontuando sempre e agora o carro está melhorando.”
Enquanto isso, os britânicos destacam a longa série de vitórias de Webber em Silverstone desde as categorias de base e o fato dele morar perto da pista. O australiano também recebe elogios dos espanhóis. “Webber merece a vitória porque correu muito bem hoje e está fazendo uma grande temporada”, diz Lobato, que é questionado por Vega: “Vocês acham que Webber não é rival para o mundial?”. Gené responde que acredita que “Vettel é mais rival, ainda que tenha sido superado em todas as condições neste final de semana.” E o narrador já vai criando um clima de rivalidade. “Os dois amigos, lado a lado, e o inimigo de ambos. Vettel já não tem o mesmo semblante.”
A excelente performance de Webber em relação ao companheiro também ganha destaque na Globo. “Webber se mostrou melhor que Vettel, o que é importante porque o alemão tem a preferência da equipe e também está na luta pelo campeonato”, lembra Reginaldo. Mas quem finaliza o dia é Jake Humphrey, que apresenta o pós-prova na BBC: “Há um ano, a Red Bull pediu para Mark manter a diferença. Agora, ele destruiu a diferença.”
GP da Europa por brasileiros, britânicos e espanhóis: “Fernando tem o Kers da arquibancada”
Ninguém parece muito animado antes do GP da Europa começar. Afinal, como lembra o comentarista Reginaldo Leme, na Globo, “dos quatro anos, só em um o carro da pole não venceu, e foi com Rubens Barrichello.” O narrador da BBC, Ben Edwards, segue na mesma linha. “Ninguém nunca venceu um GP da Europa pela terceira vez e Vettel está na posição perfeita de fazê-lo. Ou talvez um dos pilotos da Lotus possa continuar com o conto de fadas de vencedores diferentes.”
Quem espera muito da dupla da Ferrari fica inquieto antes da largada. Afinal, os vermelhos largam em 11º e 13º após “uma meio que trapalhada”, como define Galvão Bueno. “Eles sabem que, se tivessem feito duas tentativas com macios no Q2, estavam entre os dez. Mas, agora que têm pneus novos, duas paradas é o ideal.”
Na espanhola Antena 3, a preocupação é com os pilotos que largam perto de Alonso e estão com pneus médios. “Estamos falando em duas ou três paradas ou será que alguém pode cometer a loucura de ir a uma?”, pergunta o narrador Antonio Lobato a Marc Gené. “Sim, é possível, mas serão muitas voltas com os macios. Creio que a estratégia de Fernando é mais lógica.” Mas nem mesmo os conterrâneos de Alonso confiam em um bom resultado: antes da largada, já secam a concorrência. “Confiamos que o ritmo de corrida da Ferrari seja bom, como mostrou na sexta, e o da Lotus também, para trazer problemas a Hamilton e Vettel”, espera Lobato.
Com seu piloto fora do top 10, Lobato se encarrega de narrar o que acontece na largada dos ponteiros, enquanto Vega e Gené ficam de olho em Alonso. “Madre mia, que arriscado”, sofre o piloto de testes da Ferrari. “Maldonado adora achar alguém na largada. Foi quase”, exclama Galvão. Também sobra para Grosjean, que fez manobra arriscada. “Ele tem curto-circuito quando larga!” A briga do venezuelano com ambas as Lotus confundiu Edwards, que acredita estar vendo Raikkonen em terceiro. Afinal, era o finlandês que largara por dentro. “Não, é Grosjean! E as Ferrari ganham terreno.”
O comentarista David Coulthard chama a atenção para “Massa e Button, um em cima do outro, na curva 4”. Para Galvão, isso fez com que o brasileiro ganhasse uma posição a menos que o companheiro na largada. “Espalharam para cima do Felipe!”
Os brasileiros se empolgam com o início agressivo do compatriota. “Foi o repeteco do Felipe no Canadá. Passou Rosberg por fora lá também e o alemão não gostou. Agora provou que não tem medo”, diz Luciano Burti.
Na frente, Vettel passeia e Hamilton segura o pelotão. “O engenheiro diz que Lewis está fazendo um bom trabalho. Pode ser que estejam tentando fazer uma parada a menos”, supõe Burti. Coulthard segue na mesma linha. “Nesse início, a McLaren não está conseguindo colocar energia no pneu ou será que Hamilton recebeu a instrução de fazer o contrário do Canadá e parar apenas uma vez. Porque a diferença para Vettel é muito grande”. A discussão na BBC é se Vettel vai fazer uma parada a mais que os outros. O analista técnico Gary Anderson não se arrisca.
Já os espanhóis estão pra lá de preocupados. Apesar do ritmo ruim de Hamilton, que “beneficia Vettel, claro, mas também Fernando, porque todos estão muito junto”, como observa Gené, estão assustados com “um domínio que ainda não tinha sido visto em 2012” do líder da prova. “Olha a distância do Vettel. Parece 2011”, define Lobato. “Nesse ritmo, Vettel vai dar uma volta em todos”. A crença espanhola é de que Grosjean poderia acompanhar o alemão, mas está bloqueado por Hamilton. Quando o francês se livra, no entanto, estão no comercial. Os britânicos, por outro lado, viram bem. “Ao contrário de Massa, ele se certificou de que Lewis não tivesse escolha a não ser desistir. Ultrapassagem muito madura de Grosjean. Foi muito profissional da parte de Lewis”, define Coulthard. “Hamilton foi muito correto”, concorda Burti, que logo observa que “a McLaren não está tentando fazer nada diferente. É falta de ritmo mesmo.”
Voltas depois, é a vez de Raikkonen superar Maldonado. Para Galvão, porque o venezuelano “deu mole, deixou o lado de fora aberto”. Seus colegas não concordam. “Ele teve dificuldade para segurar o carro porque teve de ir rápido demais para quem está do lado de fora”, justifica Reginaldo. “Que bonita a ultrapassagem de Kimi”, exclama Lobato. “Arriscou bastante. Quem disse que em Valência não dava para ultrapassar?”
Os ponteiros param e voltam no tráfego. E que tráfego. “Parece trânsito das 18h”, define Galvão. “Parece uma corrida de turismo. Por fora, por dentro, dá na mesma”, Lobato dá sua versão. E logo fica apertado demais para Bruno Senna e Kamui Kobayashi. “Kimi passou, Kobayashi tentou fazer o mesmo, mas foi fechado contra o muro. Para mim, parece um incidente de corrida. Tenho certeza de que Senna não vai concordar. Ele tomou sua trajetória e não devia saber que Kobayashi estava lá”, define Coulthard, que se surpreende com a punição ao brasileiro. “Não leria dessa maneira. Claro que eles têm mais informações, mais câmeras, GPS. E não falo isso só para ficar em cima do muro. É verdade.”
Galvão não se conforma com a manobra do japonês. “Tocaram Bruno Senna por trás. Ele podia bater no muro ou no Bruno. Tocou nos dois. Tentou passar onde não podia.” A primeira reação de Burti é de que “quem vai à frente tem o direito de proteger a linha”, mas logo depois Reginaldo lembra que a regra fala em deixar espaço de um carro. A punição sai e Galvão a classifica de “rígida porque acho que não havia um carro antes dele começar a manobra”.
O narrador, então, surge com uma “maldade”. “Mika Salo, comissário aqui, é finlandês e tem um finlandês na Williams que estão loucos para colocar no lugar do Bruno.”
Os espanhóis passam praticamente batido pelo incidente. Estão impressionados pela maneira como Alonso avança no pelotão. “Fernando não se rende nunca. Metade da Espanha deve estar de pé nesse momento. Que corridaça que estamos vendo aqui. Nem precisava de assentos na arquibancada, porque ninguém senta”, diz Lobato. “Além disso, faz tudo com muita cabeça”, completa Gené, que não se contém. “Magistral o que fizeram Ferrari e Fernando agora. É uma de suas melhores corridas do ano. Uma pena que esteja tão fácil para Vettel.”
E realmente estava. Até um dos aspirantes à vaga do alemão no futuro, Jean-Eric Vergne, cometer uma barbeiragem para cima de Kovalainen. “Esse sim merece uma passagem pelo box”, desconta Burti. “O que Vergne fez?”, Gené não entende.
O Safety Car entra na pista e os britânicos vão à loucura com a demora na parada de Hamilton, que o faz perder posições para Alonso e Raikkonen. “Demora uma eternidade, eternidade, para Lewis sair do pit!”, exclama Edwards. “Parece que o macaco falhou. Será que é de praxe eles terem um reserva ou eles esperavam ter problemas?”, questiona Coulthard. “E eles eram a única equipe treinando pit stop hoje de manhã. Ficaram obcecados com isso. Vão começar a fazer estratégias minimizando o número de pits”, Gené tira sarro.
Todos quase esquecem o líder. “Imagina a cara de Vettel com esse Safety”, diz Galvão. “Mas, Antonio, com o ritmo que ele tem...”, Jacobo Vega acredita que a vitória do piloto da Red Bull continua certa. “Sim, mas agora tem Grosjean atrás, vamos ver o verdadeiro ritmo. Cuidado que a corrida começou de novo, agora com Alonso em terceiro, graças a seu talento, aos riscos que correu e ao golpe de sorte com o erro da McLaren.” Coulthard, por outro lado, duvida que o francês faça frente ao alemão. “Se estivéssemos no Canadá, eu diria que Grosjean lutaria pela vitória. Mas a vantagem que Vettel conseguiu no começo foi muito grande. Agora eles estão com pneus médios, vamos ver o que acontece.”
A discussão fica em segundo plano quando, logo após a relargada, Alonso passa Grosjean por fora na curva 2, repetindo manobra anterior com Webber. “Talvez o engenheiro de Grosjean gostaria de ter avisado seu piloto que Alonso esteve praticando esse mesmo truque com Webber antes. Fantástico”, se empolga Coulthard. “Gigantesco Fernando Alonso! Em uma circunstância como essa, ele vai lutar pela vitória”, acredita Galvão. “O Alonso, para mim, e um piloto melhor que o Schumacher.”
Lobato quase perde o fôlego. “Ele passou!!IN-CRE-Í-BLE Fernando! Arquibancadas não acreditam. Valeu a pena gastar o que não tinha para vir para cá”. Gené diz que “há anos não via uma atuação dessas. É antológico.”
Mas a situação iria melhorar para o espanhol quando o líder Vettel encostou sua Red Bull. “Alonso lidera. O que aconteceu com ele? Será um furo? Drama no GP da Europa”, diz Edwards. “Enlouquece o torcedor!” diz Galvão. “Que longas são as corridas de F-1! Não é um sonho. É um presente dos céus, meu Deus!”, completa Lobato.
Mas a sensação geral é de que o piloto da Ferrari não terá vida fácil. Os espanhóis não se importam. “Mesmo se o Grosjean o ultrapassar, o segundo lugar é um resultado muito bom”, Gené pensa no campeonato, enquanto Coulthard questiona não ter SC com carro de Vettel na pista.
A discussão logo perde sentido, pois o francês também abandona. Os espanhóis, mais uma vez, estavam no comercial. “O que está acontecendo com esses carros confiáveis da F-1? Ano passado, todos completaram aqui, e agora perdemos o líder e aquele que estava em segundo lugar”, questiona Edwards, enquanto Coulthard destaca que Grosjean se preocupou em achar lugar para estacionar. “Esse é um cara que se sente à vontade com sua posição na F-1.”
Todos concordam que o único que pode atacar Alonso é Raikkonen, que está preso por Hamilton. “Os pneus de Alonso estão acabando, mas os de Hamilton também. Quem poderia lutar pela vitória é Raikkonen, mas ele tem de passar logo porque ficar atrás de Lewis só vai prejudicar seus pneus”, observa Anderson.
Quando vai ficando claro que o finlandês não tem velocidade para superar o inglês, começam as homenagens ao feito de Alonso. “Ele é inacreditável. Sei que a sorte jogou a seu lado hoje, mas ele tem um ritmo implacável e é um exemplo de líder, trazendo a Ferrari desde as dificuldades da pré-temporada. Todos achavam que seria uma vergonha. Não tem nada vergonhoso em ser o primeiro a vencer duas corridas na temporada”, afirma Coulthard. “É um GP em que um espanhol está fazendo mágica, lidera e merece como ninguém. Fernando tem o Kers das arquibancadas”, vê Lobato. “Alonso vai para vitória histórica, largando em 11º em pista de difícil ultrapassagem. Foi extremamente agressivo”, destaca Galvão.
Mas a corrida ainda guardava algumas brigas e, justamente o desgaste excessivo de pneus, que virara fantasma para os espanhóis e evitava uma comemoração antecipada, ‘atacara’ Hamilton. Raikkonen foi o primeiro passar, bem no momento em que Coulthard o criticava. “Sou apenas eu que estou vendo ou Kimi parece hesitante? Ele faz a manobra só para me calar!” Depois, é a vez de Maldonado. “Esses dois têm histórico!”, lembra o escocês. “Vai com calma que você vai passar, Pastor”, torce Lobato.
Mas o tal histórico entre os dois ganha mais um capítulo. “Que burros os dois”, define Vega. “Acho que é mais erro de Hamilton, porque Maldonado já tinha passado. Se os comissários considerarem Maldonado culpado, é porque ele estava com as quatro rodas fora da pista quando tentou ultrapassar.” Coulthard não concorda. “Maldonado estava do lado de fora e bateu na lateral de Hamilton. Se tiver de culpar alguém...”, ri o escocês. “Às vezes um quarto lugar é melhor que nada”, lembra Galvão ao ver Hamilton no muro. “Batida bastante discutível.”
“Alonso viu seus principais rivais fora e venceu em casa. Que dia para ele”, diz Edwards. Mas o choro do espanhol ainda no rádio quando, mesmo com Domenicali pedindo “nos diga algo, Fer”, nada saía, mostrava que era mais do que isso. “É a vitória mais emocionante da sua carreira. Ele fez coisas memoráveis, mas não lembro de uma vitória como essa. Vitória apoteótica. Vou me calar e deixá-los ouvir a arquibancada”, atesta Lobato. “Vou puxar a orelha de Fernando porque ele disse que o pódio era impossível. Ele sabia que era. Ele sabe que, em qualquer situação, é possível para ele. Ele é um cara duro, mas não vai aguentar algo como isso. Tremendamente emocionado depois do que obteve em um GP que desejava com toda sua alma.” Para Gené, “não há nenhum piloto na história que consiga tirar proveito das corridas dessa maneira, que sempre consegue o máximo de seu carro, de sua corrida, de sua estratégia.”
Os brasileiros vão além e a emoção de Alonso parece contagiar até Galvão. “A Espanha vive momento difícil, povo está sofrido e ele mesmo reconhece que o esporte pode dar alegria. Assim como aconteceu com Ayrton Senna no Brasil. É muito bonito ver um campeão chorar de emoção em um esporte em que o dinheiro fala tão alto.” E Reginaldo emenda. “É daqueles momentos de que a F-1 não esquece.”





