15abr/139

Ganhadores e perdedores de Xangai e os gráficos do mundial

O circuito nunca foi dos mais favoráveis. Afinal, coloca muito estresse nos pneus dianteiros devido às curvas longas de média velocidade e às freadas fortes e, como a Red Bull costuma funcionar melhor com a dianteira bem presa, o que colocaria ainda mais energia nos pneus dianteiros, foi preciso trabalhar o carro com outra filosofia. E menos veloz.

A estratégia, por sua vez, parecia uma boa, mas teve dois problemas de execução: o nono lugar no grid com direito a fritada justamente no pobre dianteiro direito e a perda de tempo com o tráfego no primeiro stint.

Em suma, o final de semana de Sebastian Vettel foi ruim. E ele saiu da China com 12 pontos.

Assim como a Red Bull, Lotus e Ferrari demonstraram ter ritmo para vencer corridas e, como Raikkonen salientou, este equilíbrio faz com que a adaptação a determinada pista faça a diferença em cada final de semana. A Mercedes, também rápida especialmente na classificação, promete roubar pontos, ainda que não convença o bastante em corrida para pensar em título.

Não é de se duvidar que Vettel, Raikkonen e Alonso vencerão quando estiverem em vantagem em um final de semana, como o espanhol mostrou com propriedade na China. Tendo isso em conta, em um campeonato que tem todos os ingredientes para ser tão disputado quanto o do ano passado – carros no limite de seu desenvolvimento, pilotagem de alto nível na ponta e uma crescente adaptabilidade aos pneus ao longo da temporada – são os “match points” salvos nos GPs em que as coisas não sairão como o planejado que vão decidir.

Fora o “trio de ferro”, fica a menção às grandes classificações de Lewis Hamilton nestas três primeiras etapas, colocando 0s544 em média em Nico Rosberg. Outro Nico, o Hulkenberg, agora pode dizer que liderou uma prova com duas equipes (médias) diferentes, e olha que não foi apenas por uma questão de estratégia, já que tinha carros mais fortes no mesmo barco, a exemplo de Interlagos. E Ricciardo foi irrepreensível durante todo o final de semana.

Por outro lado, Mark Webber e Nico Rosberg, os dois que saíram infelizes da Malásia pelo jogo de equipe, tiveram outro GP para esquecer, agora por problemas externos. E a tendência de Massa em deixar o carro escorregar nas curvas novamente lhe traiu com o composto médio, algo que já tinha aparecido de forma mais tímida na Austrália e cuja solução deve ser uma prioridade para o brasileiro. Afinal, como vimos que o composto macio é basicamente um pneu de classificação, os médios deverão ser usados com muita frequência ao longo do ano.

19mar/136

Grid mais jovem da história vai bem na estreia: confira os números curiosos do GP da Austrália

A geração mais jovem e menos experiente em números de GPs desde 2004 não fez feio em sua primeira corrida, na Austrália. Ano passado, a Fórmula 1 abriu o ano com cinco abandonos por acidentes. Em 2013, apenas Pastor Maldonado ficou de fora após uma escapada. O venezuelano, inclusive, abandonou pela 15ª vez em 40 GPs, tendo a maior porcentagem (37.5%) do grid, seguido por Romain Grosjean (37.0%).

Curiosamente, há dois anos, a temporada contou com o grid mais experiente da história. Porém, principalmente com as aposentadorias de Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Jarno Trulli, a média de largadas por piloto caiu de 96,95 para 74,86. O grid atual conta ainda com média de 27 anos de 61 dias, a menor da história. O mais jovem é Esteban Gutierrez, com 21 anos e 230 dias no domingo e o mais velho, Mark Webber, com 36 anos e 211 dias.

Apesar do atual domínio da Red Bull em termos de títulos, a primeira prova do ano foi vencida pela quinta equipe diferente em cinco anos: Brawn (2009), Ferrari (2010), Red Bull (2011), McLaren (2012) e Lotus (2013).

Outro sinal da atual competitividade da categoria é o fato do GP da Austrália ter tido sete líderes diferentes, menos apenas que o GP da Itália de 1971. Entre eles estava Adrian Sutil, estreante no posto.

Mas quem recebeu a bandeirada em primeiro foi Kimi Raikkonen, pela 20ª vez, igualando a marca do compatriota Mika Hakkinen, ainda que com mais largadas que o bicampeão (177 contra 161). E, assim como em sua primeira vitória na Austrália, em 2007, Kimi teve a seu lado direito Fernando Alonso, sendo que nenhum dos dois voltara ao pódio em Melbourne desde então.

Raikkonen protagonizou a 21ª vez na história em que o piloto que largou em sétimo lugar venceu uma corrida. O próprio Kimi o fez em duas oportunidades, em sua primeira conquista, na Malásia em 2003, e no Canadá em 2005.

O finlandês marcou ainda a 38ª volta mais rápida da carreira, ficando a três do segundo melhor no quesito na história, Alain Prost. O primeiro é Schumacher, que tem ‘só’ 77. Já Sebastian Vettel conquistou a 37ª pole da carreira.

Com a volta ao pódio de Melbourne após seis anos, Fernando Alonso agora só não conquistou trofeús para a Ferrari na China e na Bélgica. O bicampeão também garantiu sua 11ª temporada consecutiva com pelo menos um pódio, igualando a marca de Alain Prost. Mais que ele, apenas Nigel Mansell e Gerhard Berger, com 12 anos, e Michael Schumacher, com 15.

O espanhol, contudo, não se classifica à frente do companheiro Felipe Massa desde o GP da Índia, há três etapas. Isso não acontecia desde que Lewis Hamilton o superou nas últimas provas de 2007.

Mas nem tudo são flores para o brasileiro, que bateu na Austrália um recorde negativo para a Ferrari. Massa se tornou o piloto com a maior sequência sem vitórias, 68 GPs após a corrida do Brasil de 2008. A marca anterior era de Jean Alesi, entre 1991 e 1995.

Falando em estatísticas menos agradáveis, Sergio Perez se tornou o primeiro piloto desde David Coulthard em 1996 a não pontuar em sua estreia pela McLaren. Nico Hulkenberg prosseguiu com seu inferno astral em Melbourne, circuito no qual se envolveu em acidentes em 2010 e 2012 e em que nunca completou uma volta e, em 2013, sequer largou com um problema na alimentação do combustível. Por fim, mais uma vez os australianos não viram um compatriota no pódio: nos 28 GPs disputados no país, nunca um piloto da casa estourou o champagne.

31jan/137

Quero ser grande: Rosberg, Hulkenberg, Vergne e Ricciardo

Há sempre aquele grupo de pilotos que está perto, mas não exatamente onde gostaria. Às vezes, nunca teve o carro para aparecer; teve companheiros cujo desempenho gerava dúvidas ou ainda a falta de vagas nas equipes maiores criou a ideia de estagnação da carreira.

Nico Rosberg
Wiesbaden, Alemanha, 27.06.1985
128 GPs
Em 2012: 9º, 93 pontos
O que levar para 2013: consistência nas corridas
O que esquecer: apagões em classificações

Um pouco de cada ingrediente faz com que 2013 seja uma temporada de provação para quatro pilotos no grid. Nico Rosberg chegou em 2006, badalado por títulos em todas as categorias de base, mas nunca fez o bastante em uma Williams em má fase para justificar o interesse de equipes grandes. Teve sua chance de mostrar serviço andando ao lado de Michael Schumacher, mas há quem acertadamente questione o tamanho do desafio frente a um quarentão que não conseguiu recuperar a forma dos sete títulos após três anos parado.

Mesmo assim, Nico superou, mas não trucidou Michael, indicativo de está mais para um Button do que um Vettel, por exemplo. Agora, terá de mostrar frente a Hamilton, de quem costumeiramente perdia quando eram companheiros no kart, se tem valor – e agressividade, algo que parece lhe faltar em momentos decisivos – suficiente para escalar entre os grandes.

Nico Hulkenberg
Emmerich am Rhein, Alemanha, 19.08.1987
39 GPs
Em 2012: 11º, 63 pontos
O que levar para 2013:  habilidade de se manter livre de confusões
O que esquecer: início do ano em marcha lenta

Se Rosberg vem numa fase de estagnação, o outro Nico chega à Sauber credenciado pelas boas performances da segunda metade do ano passado e com ares de líder da equipe. Aos 25 anos, o piloto teve um caminho tortuoso até agora na F-1, muito em função de não contar com patrocinadores do porte de rivais diretos, como Perez e Maldonado. Por isso, foi preterido na Williams e ficou um ano parado, o que lhe atrapalhou no início de 2012. Porém, as desculpas devem ficar para trás em 2013, ano da afirmação do alemão, que demonstrou ser competente em classificação e, mais importante, parece saber dosar agressividade e cuidado durante as corridas e raramente se mete em confusão.

Jean-Eric Vergne
Pontoise, França, 25.04.1990
20 GPs
Em 2012: 17º, 16 pontos
O que levar para 2013: cuidado com os pneus
O que esquecer: péssimas classificações
Daniel Ricciardo
Perth, Austrália, 1º.07.1989
31 GPs
Em 2012: 18º, 10 pontos
O que levar para 2013:  boas classificações
O que esquecer: falta de consistência em corridas

Após seu primeiro ano na F-1, Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne parecem ser pilotos complementares: o australiano classifica bem e o francês, ganha vantagem nas corridas. Em outras palavras, nenhum dos dois dá pinta de estar suficientemente preparado para ocupar o eventual lugar de Mark Webber. Mas há de se notar que os pilotos do programa de desenvolvimento da Red Bull vêm direto da World Series e acabam chegando com pouca experiência. Se até mesmo um piloto especial como Vettel teve a oportunidade de testar bastante antes de correr na F-1, é de se imaginar que ambos merecem mais tempo. Mas a empresa já mostrou com Buemi e Alguersuari, que tinham características semelhantes, que a paciência não é seu forte.

Confira todos os posts sobre o quem é quem nesta temporada.

5dez/1213

Dispensas de dezembro

Histórias como a de Hulkenberg são raridade

Que ninguém ache que a Fórmula 1 é lugar de caridade: nenhuma equipe está preocupada com o futuro de um piloto quando o dispensa. Mas não dá para negar que a demora para a definição tem atrapalhado o andamento da carreira de muitos jovens talentos.

Há quem possa pensar: mas esse Jaime Alguersuari nunca mostrou serviço! E o Adrian Sutil, então! Mas lembrando que Sebastian Vettel, por exemplo, cometeu erros como o que tirou Jenson Button do GP da Bélgica em sua segunda temporada como piloto de time grande ou que Lewis Hamilton teve performances abaixo da crítica já campeão do mundo em 2011 – apenas para dar dois exemplos de jovens que mostraram serviço logo de cara – é de se imaginar o que alguns nomes que ficaram pelo caminho poderiam ter feito.

Computando apenas os últimos dois anos, a lista é grande: Nico Hulkenberg, Adrian Sutil, Bruno Senna, Sebastien Buemi, Jaime Alguersuari e, por que não, Rubens Barrichello são alguns pilotos que foram dispensados após o final da temporada. Eles tinham níveis de experiência e resultados diversos. Nenhum deles conseguiu uma vaga como titular na categoria no ano seguinte.

Deles, só Hulkenberg e Senna voltaram ao grid – o primeiro, porque amarrou um contrato de piloto de testes que lhe garantiria uma promoção no ano seguinte; o segundo, por ter entrado na linha de sucessão após o improvável acidente de Kubica e a substituição de Heidfeld.

Dá para entender por que uma equipe média ou pequena demora para definir seus pilotos: é uma pura questão de barganha. Como as vagas são definidas em uma balança entre patrocínio e potencial de resultados (e mais dinheiro), os times vão esperando as ofertas aumentarem. Se o piloto titular não conseguir cobri-la, é trocado. Que o diga o próprio Senna, pela terceira vez (se considerarmos que o então vice-campeão da GP2 colocou todas as fichas na Honda em 2009 e perdeu), e Kobayashi, que aparenta estar em situação bastante complicada para o ano que vem.

Essa dura realidade acaba ceifando carreiras. Se somarmos a isso a falta de testes e a necessidade de convencer investidores a colocar um dinheiro que, convenhamos, tem retorno direto muito improvável, pelo menos nos primeiros anos, não tem sido nada fácil ser novato na Fórmula 1.

Vettel e Hamilton são dois dos últimos exemplos de pilotos formados na era dos testes. Mesmo assim, não deixaram de se desenvolver quando já estavam em times de ponta – a exemplo do que vai acontecer com Perez ano que vem. Será que não estamos esperando demais de quem está chegando agora?

24out/129

Garantir dinheiro dos pilotos pagantes ou apostar em pontos para o Mundial?

Há pouco tempo, era fácil: o piloto pagante trazia o dinheiro; o “assalariado”, o talento. E as equipes poderiam escolher pelo caminho mais fácil a curto prazo, de ter a grana em caixa e se virar com o Zé Mané, ou apostar no talentoso e tentar financiar-se por meio do dinheiro trazido por mais pontos no campeonato, como vimos no post de ontem, e pela publicidade positiva em ter bons resultados, atrair patrocinadores, etc.

Notadamente após a saída das montadoras, ao final de 2009, o cenário se tornou muito mais complexo. Tanto, que pilotos que não levam patrocínio, como Kamui Kobayashi, viraram raridade no meio do pelotão. Enquanto, nos times de ponta, grandes pilotos atraem grandes patrocinadores, do meio para o final do grid, pilotos com patrocinadores ganham as vagas.

Isso porque as empresas logo perceberam que a melhor forma de vender suas marcas era associando-se a uma jovem promessa e, com isso, automaticamente ganhando espaço de luxo nos carros do meio do pelotão a um preço bem mais acessível.

Assim, nascem fenômenos como Perez e Maldonado. Por mais que o venezuelano tenha mostrado uns parafusos a menos nestas duas primeiras temporadas, é difícil enquadrar um campeão de GP2, vencedor de GP e que colocou a Williams no top 5 no grid por quatro vezes em 2012 na velha definição de pagante braço duro. O mexicano, então, nem se fala. Além de ter arranjado vaga na McLaren, ainda abriu caminho para Gutierrez, que venceu três corridas em sua temporada de estreia na GP2.

Em escala muito menor, Nico Hulkenberg leva seu dinheiro da Dekra, mostrou consistência e, não coincidentemente, é um nome forte no mercado e parece acertado com a Sauber. Os suíços seguiram a nova cartilha à risca: fizeram uma escolha acertada com Perez em 2011, apostando em um menino então com 21 anos e muita grana por trás, gerando condições financeiras de fazer um bom carro em 2012. Com isso, Perez respondeu na pista e fez com que o time ganhasse duplamente, brigando atualmente pelo quinto lugar no campeonato – e por mais dinheiro. Assim, tornou-se o melhor lugar para um piloto de meio de pelotão mostrar serviço, atraiu mais gente talentosa, ganhou poder de barganha. Logo, hoje pode unir dinheiro e talento em sua dupla e seguir em linha ascendente.

Dependendo da situação da equipe, há outra fórmula interessante: quando a distância para os rivais é tão grande que mais vale o dinheiro de um e a experiência de outro – que vai ajudar no desenvolvimento e para cavar as oportunidades que aparecerem. É o que Caterham e Marussia vêm fazendo ao manter os “assalariados” Glock e Kovalainen ao lado de pagantes. E, ao menos por enquanto, Glock deu um baita lucro à equipe com o 12º lugar de Cingapura, que garante, no momento, cerca de US$18 milhões a mais aos cofres do time! Porém, não seria de estranhar que essas equipes apostassem em dois pagantes com certa experiência para dar aporte financeiro a seu crescimento.

O caso da Williams

Endinheirado ou não, apostar em um jovem é sempre um risco, como percebeu a Williams. O time vinha tentando uma estratégia de meio termo, com o talento de Rosberg e o desconto que Nakajima trazia dos motores. Ia de mal a pior financeiramente até que chegou Maldonado com o gordo cheque da PDVSA. Em um ano, a equipe estava no azul, conseguiu organizar-se para fazer um bom carro e, ainda assim, contratou um segundo piloto pagante. Contudo, não há muitos Perez por aí e faltaram os resultados para dar o passo seguinte.

Dá para imaginar que a Williams tem carro para lutar com a Sauber pelo sexto lugar entre os Construtores, ou seja, levando em consideração os números do ano passado, poderiam estar ganhando cerca de US$10 milhões a mais do que pela atual oitava posição. E, acreditem, ainda entram na conta das equipes prejuízos com batidas e na imagem. Calcula-se que Maldonado leve cerca de US$ 30 milhões/ano; Senna, mais US$ 12 milhões. Será que, agora que o dinheiro venezuelano e brasileiro já ajudou o time a sair do buraco, continua valendo a pena?

Tudo indica que eles mesmos se perguntam isso, a julgar pelas recentes declarações do diretor-executivo Toto Wolff, de que “tem de pesar as opções a curto e a longo prazo e às vezes  o que é melhor agora pode não ser o melhor no futuro”. Afinal, uma saída para a Williams seria dar chance ao promissor Valtteri Bottas – que também traz patrocínios, mas não do mesmo nível de Bruno Senna – na tentativa de unir fundos e talento.

O problema é dar um passo maior que a perna, como a Force India descobriu, ao apostar todas as fichas na luta pelo quinto lugar entre os Construtores e ficar devendo no desenvolvimento inicial do carro deste ano. Com uma dupla competente, recuperou-se nesta segunda metade, mas provavelmente não a tempo de reaver o sexto lugar de 2011. Resultado: para 2013, volta a leiloar uma vaga ao lado de Di Resta, ainda mais com os negócios extra-F-1 de Mallya indo de mal a pior.

15out/127

Mundial de pilotos e construtores em gráficos

A McLaren certamente terá de rever muita coisa ao final desta temporada. E, isso, mesmo que consiga virar contra a Ferrari e terminar pelo terceiro ano seguido com o vice de construtores, título que não conquista há mais de 10 anos. Um panorama complexo explica o cenário atual da equipe, que teve por duas vezes na temporada – no início e entre Hungria e Cingapura – o melhor carro: erros de acerto, estratégias engessadas, pit stops inconsistentes e vários apagões no desenvolvimento fazem com que arrumar a casa para o ano que vem não seja missão das mais simples.

É diferente, por exemplo, da realidade da Ferrari, que vem passando por uma profunda reestruturação nos últimos três anos, sob a batuta do ex-McLaren Pat Fry. Tanto, que a atuação da equipe durante os finais de semana está no nível de excelência atingido pela Red Bull nos últimos três anos. O problema, agora, é concentrado nos equipamentos para mensurar novas peças, algo que também parece afetar a Lotus.

No Mundial de Pilotos, Vettel aparece como uma flecha, usando com maestria sua capacidade de facilitar sua vida aos sábados, enquanto Raikkonen continua impressionando com sua consistência. Outro que cresceu muito é Massa, provavelmente fazendo até mais do que a Ferrari esperaria neste final de semana. Hulkenberg também aparece bem na hora certa: a exemplo do que ocorreu em seu ano de estreia, em 2010, cresceu junto da Force India na metade final do campeonato.

19set/1215

As vagas são boas, mas os diamantes, brutos

Não é por coincidência que Sutil vem aparecendo todo pimpão pelo paddock...

O ano começou com quatro vagas em potencial nas equipes grandes, pois Mark Webber, Felipe Massa, Lewis Hamilton e Michael Schumacher tinham contratos até o final da temporada. Destes, apenas o primeiro confirmou a renovação até agora e, por mais que muita gente se agite para mudar as peças – principalmente depois que Eddie Jordan, provavelmente abastecido por Ecclestone e XIX Management, abriu de vez as porteiras para as especulações que colocam Hamilton na Mercedes – o mais plausível no momento é que tudo continue como está.

Porém, o mais curioso de acompanhar a onda de boatos é a dificuldade em encontrar substitutos para estes pilotos de equipes grandes. Mesmo sabendo, por exemplo, que Massa não vem fazendo um grande trabalho na Ferrari há algum tempo ou que Schumacher está próximo da aposentadoria, não dá para cravar que haja alguém no grid com todas as credenciais para superá-los.

Nos últimos anos, quando a Ferrari precisou, havia um Alonso pronto para se tornar o líder de que a Scuderia pressentia. Quando a McLaren quis, Button estava louco para se livrar do barco furado da Brawn/Mercedes.

Há, claro, Kimi Raikkonen, mas o finlandês não saiu morrendo de amores pela McLaren, e muito menos pela Ferrari. Um retorno a um dos times grandes muito provavelmente estaria relacionado à flexibilidade do contrato como, aliás, já foi o caso na época de Maranello.

Fora o campeão de 2007, o grid conta com uma série de apostas e alguns que já tiveram suas oportunidades e não vingaram. Sergio Perez tem apenas 22 anos, grandes atuações no currículo relacionadas a sua capacidade de andar forte economizando pneus, mas peca em classificações e não goza exatamente do amor de sua equipe, a Sauber, no trato interno. Tanto, que as informações correm rápido e a Ferrari vem dando indicativos há algum tempo de que vai deixá-lo em banho-maria.

A Sauber é daquelas equipes que dão a impressão de que, com o carro que tem, deveria obter resultados melhores e de maneira mais constante. O mesmo ocorre com a própria Lotus e, especialmente, com a Williams. Todas elas têm o ano marcado por erros ou pelo menos oportunidades perdidas dos pilotos, seja em classificação, largadas ou incidentes durante as corridas. Na Toro Rosso, até pela renovação adiantada de Webber, a impressão é de que a dupla ainda está verde demais para voos mais altos.

Não é por acaso que os nomes mais fortes no mercado das especulações hoje venham da Force India, com Nico Hulkenberg e Paul Di Resta, e da Caterham, com Heikki Kovalainen. Nenhum deles, no entanto, deixa de ter seu porém. Estaria Hulkenberg pronto – e qual seria sua relação contratual com atual time? – teria Di Resta mostrado o bastante, após bons inícios de temporada, mas batido por vezes demais por seu companheiro, seja o alemão de hoje ou o do ano passado, Adrian Sutil? E Kovalainen, já não desperdiçou sua chance na McLaren?

Não é de se estranhar essa demora na definição dos postos mais importantes. Ainda que o pelotão tenha qualidade, sobra diamante bruto no grid. E quando falamos nos times que constantemente lutam por vitórias e por fortunas no Mundial de Construtores, a coisa se afunila.

8ago/128

Promessas têm segundo ano de altos e baixos

A metade da temporada é um bom momento para voltar às expectativas do início do ano. Antes da primeira corrida, na Austrália, trouxemos os números que faziam do quinteto Alonso, Button, Hamilton, Vettel e Webber absoluto, não apenas nas vitórias, divididas apenas entre eles por 44 GPs em sequência, como em pódios – não houve nenhum intruso estourando champanhe entre as corridas malaias de 2011 e 2012, maior série da história.

Esses números deram lugar a outros, dos vencedores, poles, frequentadores de pódio diferentes – 11 já receberam troféus nestas 11 etapas. E muito disso tem a ver com a velocidade demonstrada por aqueles que estão em sua segunda temporada completa. Antes do início da temporada, destacava as necessidades de cada um, tanto daqueles que faziam, de fato, sua segunda temporada, como dos que tinham uma nova chance na categoria.

É uma turma boa, que esteve representada em seis pódios até aqui, chegando inclusive à vitória com Pastor Maldonado. É, ao mesmo tempo, um time heterogêneo.

Da Austrália para cá, quem perdeu mais terreno foi Paul Di Resta. Tido como o melhor estreante de 2011, começou aproveitando-se da ‘ferrugem’ do companheiro Nico Hulkenberg, que passara o ano anterior como piloto de testes, mas chegou atrás em quatro das últimas cinco provas – e na quinta, abandonou. Terminar 2011 levando tempo de Adrian Sutil, bem mais experiente e em sua melhor forma, dá para explicar, mas perder para Hulkenberg, hoje em condições iguais, é pouco para quem vira e mexe tem o nome associado a grandes times.

  Hulkenberg Di Resta
Pontos 19 27
Melhor resultado 5º (1x) 6º (1x)
Placar em corridas 4 (1 abandono) 5 (1)
Placar em classificação 6 5
Diferença média em class. -0s310  

Falando no alemão, mais de metade de seus 19 pontos foi conquistada apenas no GP da Europa. Desde então, foram três classificações entre os 10 primeiros, que agora só precisam se tornar bons resultados nas provas. Trata-se de algo difícil tendo em vista que a Force India tende a consumir mais pneus que os rivais diretos, mas ao menos Hulk tem mostrado uma evolução.

Evolução que não fica tão clara quando olhamos a temporada de Perez. Os resultados de seu primeiro ano foram minados pela perda de fôlego da Sauber justamente após o mexicano se recuperar totalmente do acidente em Mônaco, mas essa segunda temporada tem altos e baixos difíceis de explicar. Quando os pneus ficam no limite entre uma e duas paradas, ele brilha. Caso contrário, se perde nas corridas. Melhorar a classificação – sua posição média nas últimas cinco provas é de 15,2, enquanto a de Kobayashi é de 12,4 – seria meio caminho andado.

  Kobayashi Perez
Pontos 33 47
Melhor resultado 4º (1x) 2º (1x)
Placar em corridas 3 (3 abandonos) 3 (2)
Placar em classificação 6 5
Diferença média em class. -0s178  

Outro que vive a mesma situação aos sábados é Bruno Senna, pressionado por sua costumeira falta de tempo para mostrar serviço. Ao passo que apenas em três oportunidades terminou a corrida atrás em relação a sua posição de largada, vem pecando nas classificações – tem posição média de 13,8 – e culpado a dificuldade em acertar a mão na janela de temperatura dos pneus, algo que tem sua raiz em uma mescla de estilo de pilotagem e acerto. Vem fazendo uma série de mudanças em sua abordagem nos finais de semana para melhorar essa questão e mostrou grande evolução na Hungria. Resta saber se é uma tendência que veio para ficar e o quanto voltar a correr nas pistas em que andou com um carro de verdade ano passado, a partir de Spa, vai ajudar.

  Maldonado Senna
Pontos 29 24
Melhor resultado 1º (1x) 6º (1x)
Placar em corridas 2 (4 abandonos) 4 (3)
Placar em classificação 9 2
Diferença média em class. -0s586  

Em se tratando de classificações, Senna tem um osso duro de roer para se comparar. Pastor Maldonado colocou a Williams entre os 10 melhores no grid em seis oportunidades, sendo quatro delas nas últimas quatro provas. A mesma consistência, no entanto, desaparece nas corridas e o venezuelano, a seis corridas zerado nos pontos, ainda por cima vem cultivando a justificada cisma dos comissários.

O venezuelano enche o peito para dizer que “está claro para todos” que ele, Grosjean e Perez são o futuro da F-1. Será que já mostraram o bastante? Quem mais pode entrar nessa turma?

2mai/123

Lutas entre companheiros no meio do pelotão

Provavelmente a grande surpresa dentre os duelos entre companheiros de equipe seja a lavada de Di Resta em Hulkenberg. O que tinha tudo para ser um dos combates mais apertados até nos faz pensar o que Sutil, que começou o ano pior, mas estava dominando Di Resta no final de 2011, estaria fazendo.

Na classificação, a briga até que é apertada no cronômetro, ainda que o escocês consiga largar à frente. Nas corridas, contudo, Di Resta tem conseguido progredir, enquanto Hulkenberg não sai do lugar. Falta de experiência com os Pirelli, decisões estratégicas ruins? Ainda não dá para crucificar o alemão, que também demorou para pegar a mão em 2010, seu ano de estreia. Mas perder de um piloto com o mesmo tempo de categoria não faz bem ao currículo de ninguém.

É provável que Hulkenberg e Di Resta estejam lutando apenas por uma vaga na Force India ano que vem, assim como ocorre na Williams. Bruno Senna tem a chance de ganhar de Pastor Maldonado na consistência, e tem demonstrado a capacidade de fazê-lo. Se nas classificações, à exceção da última, o venezuelano tem sido rápido demais para o brasileiro, nas corridas Bruno já viu que pode superá-lo se livrar-se dos erros nas largadas e primeiras voltas.

Usar o racecraft para superar o companheiro vem sendo a receita de Vergne. Mesmo levando 4 a 0 e média de mais de 0s6 de Ricciardo em classificações, o francês parece se encontrar durante as corridas, tendo passado 194 voltas na frente do impetuoso colega de Toro Rosso. No entanto, a história recente mostra que ir bem apenas nas corridas não convence Helmut Marko de que um jovem talento pode vir a ser campeão pela Red Bull. E, mesmo que ainda seja cedo, a aproximação da aposentadoria de Webber faz com que a paciência não esteja em alta. No momento, nenhum dos dois está fazendo muito mais do que Buemi e Alguersuari fariam.

Na Sauber, a tendência da parte final do ano passado – que ficou escondida quando olhávamos a pontuação, já que o desempenho da equipe caiu ladeira abaixo na última metade da temporada – segue a mesma no início de 2012: ainda que em um duelo equilibrado, Perez vem batendo Kobayashi, escolhendo e executando melhor suas estratégias. Enquanto o mexicano é cotado para uma vaga na Ferrari, o japonês segue sendo aquele piloto que agrada mais aos espectadores do que aos chefes de equipe.

Di Resta x Hulkenberg

2012 Di Resta Hulkenberg
Classificação 3 1
Diferença média em classif. +0.009
Corrida (completadas) 3 0
Abandonos 0 1
Voltas à frente 155 14
2011*    
Classificação 3 1
Diferença média em classif. -0.953
Corrida (abandonos) 2 (1) 1 (0)

*em comparação com Sutil

Maldonado x Senna

2012 Maldonado Senna
Classificação 3 1
Diferença média em classif. -0.135
Corrida (completadas) 0 1
Abandonos 3 2
Voltas à frente 88 99
2011*    
Classificação 1 3
Diferença média em classif. +0.247
Corrida (abandonos) 0 (2) 2 (2)

*em comparação com Barrichello

Kobayashi x Perez

2012 Kobayashi Perez
Classificação 2 2
Diferença média em classif. -0.104
Corrida (completadas) 2 1
Abandonos 1 0
Voltas à frente 64 153
2011    
Classificação 2 1
Diferença média em classif. -0.452
Corrida (abandonos) 2 (0) 1 (1)

Ricciardo x Vergne

2012 Ricciardo Vergne
Classificação 4 0
Diferença média em classif. -0.644
Corrida (completadas) 1 3
Abandonos 0 0
Voltas à frente 32 194
14mar/123

O desafio da segunda temporada na F-1

Quem nunca ouviu dizer que manter-se no topo é mais difícil do que chegar? E manter-se naquele íngreme terreno logo antes do topo então? Passar com louvor pelo segundo ano de F-1, quando os erros deixam de ser perdoáveis e a pressão se desvia, indo da necessidade de manter-se na pista ganhando quilometragem para a cobrança por resultados, é a missão de vários pilotos que vão compor o meio do pelotão neste ano.

É notável a dificuldade em estrear em uma categoria que não tem pares, nem em termos técnicos, nem de status, o que faz com que o piloto novato tenha de lidar ao mesmo tempo com novidades na complexidade do trabalho de pista e, talvez o que mais incomode a todos eles, fora dela, ao se tornar o rosto de patrocinadores e aparecer na mídia.

Mas é de se esperar que tudo isso já esteja incorporado no início da segunda temporada. E o nível de pressão se torna outro. É o que viverão Sergio Perez, Paul di Resta e Pastor Maldonado – e, de certa forma, Hulkenberg, Senna e Grosjean, em 2012.

Cada um deles teve uma história em seu ano de estreia. Maldonado pouco pôde fazer com uma Williams pouco competitiva, mas ainda assim colocou o carro por três vezes entre os 10 mais rápidos em classificação, com destaque para a performance em Mônaco, quando era sexto até ser abalroado por Hamilton a poucas voltas do fim. As corridas de rua, aliás, foram seu ponto alto. No entanto, a velocidade em uma volta lançada não costumava acompanhá-lo aos domingos de forma consistente e Maldonado por várias vezes fez provas que não davam em nada.

É difícil precisar o quanto o venezuelano será cobrado por suas atuações na pista ou se sua permanência na Williams tem mais a ver com os cheques vindos da terra natal. Mas digamos que ninguém em Grove se importaria se ele evoluísse em termos de ritmo de corrida.

A briga entre Hulk e Di Resta promete

Paul di Resta foi considerado por muitos o melhor estreante do ano passado. Enfrentando Adrian Sutil, um companheiro competente em sua melhor temporada na F-1, não fez feio em classificações, mas passou a ser superado sistematicamente nas últimas corridas do ano. No final das contas, apesar da grande classificação de Silverstone, quando foi sexto, e dos GPs de Hungria e Cingapura, a Force India bem que pode culpá-lo por não ter ultrapassado a Renault no Mundial de Construtores (fez 15 pontos a menos que Sutil, sendo que o time ficou a cinco de chegar ao quinto lugar na classificação).

O escocês, que conta com o forte lobby da mídia inglesa e é cotado para substituir Schumacher na Mercedes, terá um osso duro pela frente. Nico Hulkenberg fez uma primeira temporada de forma inversa a Di Resta: começou tropeçando e passou a andar bem nas últimas etapas do ano, culminando com a histórica pole em Interlagos – e uma atuação bastante correta na corrida. Resta saber o quanto o ano longe das competições irá interferir quando chegar a última chance de fazer uma volta voadora para chegar ao Q3 ou disputar uma posição no competitivo meio do pelotão. Esta, inclusive, tem tudo para ser uma das brigas mais equilibradas entre companheiros.

Quem tem trajetória semelhante a Hulkenberg é Sergio Perez. O mexicano se envolveu em confusões e sofreu punições no início do ano. Quando vinha conseguindo colocar a Sauber no top 10 em Mônaco, sofreu forte acidente e demorou para voltar a ser consistente nas corridas. Perdeu, assim, o melhor momento da equipe, o que explica a diferença de pontuação em relação ao companheiro Kobayashi (30 a 14, sendo que 16 pontos do japonês foram conquistados nas duas provas que Perez perdeu).

Além disso, Perez terá de conviver não só com a pressão natural do segundo ano, ainda mais após ter deixado uma boa impressão, mas também com as especulações ligadas ao fim do contrato de Felipe Massa. Membro da Academia de Pilotos da Ferrari que está hierarquicamente mais próximo de tornar-se piloto da Scuderia, ainda que essa não seja – com exceção justamente de Massa – comportamento de praxe do time de Maranello, pode cair como uma luva caso o brasileiro não renove. Afinal, seria rápido o suficiente para ganhar pontos para o Mundial de Construtores sem ameaçar o reinado de Alonso. Mas muito disso depende deste seu segundo ano.

Há outros pilotos que vivem esta situação de mostrarem se estão no lado dos que merecem uma chance em uma equipe grande ou serão engolidos pela próxima nova promessa. Bruno Senna tem um ano e meio de bagagem, mas não é exagero dizer que começa sua primeira temporada de verdade. Aos 28 anos, fez algumas boas classificações com a Renault, mas sofreu com a inconsistência, grande calcanhar-de-Aquiles desta nova geração.

Grosjean quer provar que não é o mesmo de 2009

Acabou substituído por Romain Grosjean, um curioso caso a ser observado de perto neste ano. O francês não poderia ter deixado uma impressão pior em 2009. E seria um milagre ser diferente, chegando naquela Renault destroçada moralmente e financeiramente pelo estouro do escândalo de Cingapura, correndo com um carro difícil e abandonado, e logo contra Alonso.

O companheiro do retorno, dois anos depois, não deixa nada a desejar. Mas Grosjean parece um outro piloto: levou um time que não era de ponta ao título incontestável da GP2, foi bem em todos os testes e pilotará um carro certamente superior ao R29, com o qual pode lutar constantemente por pontos. Dos “quase novatos”, é talvez o que gera mais desconfiança devido aos percalços do passado. Mas será o que terá a maior chance.