3dez/1223

GP do Brasil por brasileiros, britânicos e espanhóis: “Drama em Interlagos”

A garoa que começou a cair minutos antes da largada para a decisão do campeonato era o prenúncio de um final histórico para um campeonato igualmente marcante. Prevendo que a água continuaria caindo e até chegando a imaginar um início com Safety Car, o destaque na Globo era para a pimenta que a chuva colocava na prova. “Era tudo o que Alonso queria. Pode ser até melhor para o Alonso do que uma chuva constante. Pode complicar para o Vettel e também para o Hamilton na pole”, prevê Reginaldo Leme.

Mas a água sequer é suficiente para obrigar os pilotos a largar com os pneus intermediários e Gary Anderson, na BBC, acha “que vai continuar seco”, pois não vê “as nuvens piorando”.

Os ex-pilotos e comentaristas David Coulthard e Marc Gené se focam na dificuldade em estar no cockpit em um momento como esse. “Acredito que todos largam com pneus de seco, porque seria arriscar demais e o tempo de parada é curto. O que me preocupa é a avaliação de aderência na primeira curva. Esses pingos tiram a confiança. Não poderia ser uma corrida mais complicada para os postulantes ao título. É muito fácil cometer um erro”, avalia o espanhol. “Os pneus não vão estar tão aquecidos – até porque é um circuito curto, sem muitos lugares para aquecer os pneus – e você chega na curva sem saber qual a aderência. É uma condição em que a pole não é uma posição muito boa. É de se esperar uma primeira volta difícil”, lembra o escocês.

Antes das luzes vermelhas se apagarem, o narrador espanhol Antonio Lobato dá o tom, após narrar um vídeo com homenagem prévia a Alonso, não importando o resultado da prova. “Não sei como estão vocês, mas a tensão é máxima.”

E ela só aumenta na largada. “Vettel lento, olha Massa, já em segundo! Oh, temos uma corrida em nossas mãos”, narra Ben Edwards, na BBC.  “Sobrou para Sebastian Vettel! Vamos olhar com cuidado onde foi. Ele vai ser obrigado a fazer uma corrida de recuperação”, diz Galvão Bueno, enquanto o narrador inglês chama a atenção para o “drama no Brasil”, pois “Vettel foi acertado e ainda não sabemos quanto estrago ele teve.”

Os espanhóis, logo nos primeiros metros, destacam que Vettel está “muito cuidadoso” e lembram da largada de Lewis Hamilton justamente na decisão de 2007. Mas, enquanto o inglês apenas escapou na Curva do Sol, o alemão vê o grid inteiro passar raspando em sua Red Bull. “Vettel rodou, está vendo todo mundo ao contrário! Olha que pode ter Safety Car”, avisa Lobato. “Se tiver Safety Car, será muita sorte. O assoalho está danificado, mas não muito”, Gené quase lamenta.

No momento em que Lobato pede calma a Alonso, já que Vettel “deve estar fora da corrida”, o espanhol faz uma ultrapassagem dupla sobre Webber e Massa e o narrador vai à loucura. “Não acredito! Espetacular, Fernando!”

Para britânicos e brasileiros, no entanto, a manobra gera menos comoção. “Que trabalho Massa fez para ajudar Alonso”, destaca Edwards. A preocupação é com a situação do título de Vettel. “Falta muita corrida, mas parece que o futuro do campeonato depende de Webber”, aposta Coulthard. Porém, vendo o replay da largada, Gené observa que “Webber não fez nenhum favor a Vettel” nos primeiros metros e Coulthard define ironicamente a batida de Vettel e Senna. “Senna foi pelo lado de dentro esperando que a Red Bulll desaparecesse, mas isso não aconteceu.”

Ainda que Galvão veja “a famosa sorte de Alonso” nas largadas, Lobato considera “um milagre que Vettel esteja na pista. Senna bateu e arrematou depois”. É a mesma linha de Luciano Burti, para quem “a pancada foi muito forte. Se conseguir ir até o final, vai ser um milagre.”

O comentarista salienta a dificuldade em decidir qual o melhor pneu quando a chuva aperta, mas não o suficiente para tornar simples a escolha pelos intermediários. “Essa é a parte mais decisiva e tensa para pilotos e equipes porque, se apertar um pouco mais, você coloca intermediários ou espera para ver se a chuva para?”

Depois de reconhecer o trabalho de Massa para proteger Alonso “até que o rendimento de seu carro melhore”, Lobato diz que Vettel só decidiu entrar nos pits “para copiar” o espanhol. “Não pode ficar na pista tentando algo diferente.”

Duas voltas depois, contudo, Jenson Button diz pelo rádio que parou de chover. “Eu estou vendo chuva”, retruca Lobato, mas Coulthard lembra que o inglês “é o mestre neste tipo de situação”. Logo depois, Anderson surge do pitlane para opinar que ficar na pista “pode ser a decisão certa.”

Os brasileiros, por sua vez, apostam que a água não vai parar de cair. “A vovó do Rubinho sempre está certa. A chuva nunca vem do aeroporto”, lembra Galvão. “Acho que essa história é mundialmente conhecida porque o Adrian Newey veio me perguntar no grid o que minha vó achava”, completa o próprio Barrichello, em tarde de comentarista da Globo. Seus colegas de cabine, Burti e Reginaldo, não entram em acordo: o primeiro vê tempos melhores de quem está com os slicks, e o segundo acredita que, pelo spray levantado, não dá para seguir sem pneus de chuva.

Gené observa que “a pista muda a cada volta. Mas, se ficar assim, o pneu intermediário vai acabar mais cedo” e os espanhóis começam a se desesperar. “Precisamos que aconteça alguma coisa. Fernando está em quarto, a 17s do terceiro. Assim, não seremos campeões nunca. Mas não se rendam. Tudo ainda é possível.”

Nem mesmo a informação da repórter Nira Juanco de que “estão me dizendo que viram, na Sky, uma ultrapassagem de Vettel em bandeira amarela. Estão analisando lá”, anima o narrador, para quem “não é a Sky que tem de analisar, são os comissários. E não apareceu nada ainda.”

Quando veem Webber abrindo para Vettel, apenas são irônicos. “O que o Webber falou outro dia na coletiva de imprensa”, diz Lobato. A manobra também é notada por Reginaldo. “Isso com todo o discurso do Webber de que não ia abrir para ninguém.”

Logo antes do Safety Car entrar, os espanhóis vão para o comercial. “Fernando estava reclamando via rádio, mas estava claro que havia muitos destroços. Agora, sua diferença com os líderes diminui muito, mas também Vettel fica mais perto da ponta”, resume Lobato.

Quando o espanhol pediu a intervenção, Edwards riu. “Ele não está inventando, podemos ver isso com nossos olhos”, diz Coulthard.

Na Globo, Galvão pedia os conselhos de Barrichello, famoso pelas boas decisões na chuva, sobre o que fazer, pois a pista parecia secar. “Geralmente, é a equipe que te chama para mudar de pneu de chuva para seco. Quando é o contrário, você é quem decide”. Quando ouve as reclamações de Alonso, o narrador pede que “entre alguém para dar um chute naquilo ali”.

O Safety Car ajuda narradores e comentaristas a dar uma respirada depois de tanta ação nas primeiras voltas. Dá até para analisar o estrago no carro de Vettel. “Seria um problema se tivesse pegado no radiador, mas está bem longe. Deve ter uma perda de performance, mas em torno de um ou dois décimos”, acredita Anderson.

Já Gené chama a atenção ao fato de que “Não ouvimos a Ferrari tranquilizando Fernando pelo rádio, ao contrário do que está acontecendo com Vettel. Ele que avisa a equipe para que estejam preparados. A maturidade está fazendo diferença. Vettel se recuperou muito bem, mas na largada deu para perceber que não estava acostumado a essa posição, como Fernando está” e Lobato destaca a corrida de Hulkenberg ainda que “a ponta não interesse”.

Na relargada, quem rouba a cena é Kobayashi, com quem, para Coulthard, Vettel precisa ter cuidado porque ele está lutando por sua carreira”. Reginaldo também cita o fato de que o japonês pode ficar fora do grid mesmo com boas atuações. “Também, chegam com caminhão de dinheiro que até o Rubinho tá apontando aqui que não tem lugar para ele”, explica Galvão.

Burti acha que a Ferrari vai ter de trocar o pneu de novo por estar com médios. “Eles deveriam estar andando mais rápido agora, mas não estão”. Essa também é a preocupação de Gené, que não sabe dizer se quem está com os duros parará de novo. Para os britânicos, a grande questão é a chuva. “O irmão do Massa estava esperando algum sol, veio de bermuda. Nem os locais conseguem entender esse clima”, brinca Coulthard. Quando Edwards vê Hulkenberg escapando e perdendo a liderança para Hamilton, conclui que os pilotos “precisam colocar um jogo de pneus novos agora, mas se pararem, a chuva pode vir e eles terão de parar de novo!”

Assim, os britânicos se surpreendem quando Vettel coloca pneus de seco. “É uma decisão corajosa da Red Bull. Eu só seguiria o que Alonso fizesse. Pelo lado da Ferrari, eles teriam de tentar algo diferente, mas não sei o que.”

Galvão acredita que colocar pneus de seco é o menos arriscado, mas Burti discorda e segue na linha de Coulthard. “Eu acho que ele até está arriscando porque se chove mais vai ter de voltar. Esperaria até ver a decisão que o Alonso toma.”

Os espanhóis também acreditam que vai ficar seco, mesmo que estejam rezando para que chova. E muito. “O positivo é que Alonso está mais rápido que Vettel, mas o negativo é que os ponteiros estão escapando. Na posição em que ele está agora, Fernando precisaria ganhar a corrida. Quem não estava convidado é Hulkenberg, que está atrapalhando Fernando”, resume Gené. “Hulkenberg está fazendo a corrida de sua vida. Precisamos de alguma outra coisa. Onde está a chuva que prometeram?”, Lobato se desespera. “Vamos ao comercial e espero que, quando voltarmos, a chuva esteja caindo sobre nós. Essa meteorologia diz que está chovendo quando caem quatro gotas. Precisamos de muito mais do que quatro gotas.”

O narrador chega a comemorar timidamente os problemas de rádio de Vettel, “mas precisaríamos que ele tivesse problemas maiores”. Quando Rosberg é o primeiro a parar para colocar pneus intermediários, Lobato chama a estratégia de “suicida”.

As elucubrações são interrompidas pela excursão de Kimi Raikkonen no traçado antigo de Interlagos. “Para onde Kimi está indo? Deve ser para algum outro lugar em SP. Que passeio!”, ri Edwards. “Dá para ver que ele veio do rali”, observa Coulthard quando vê o finlandês voltando pela grama. “Raikkonen está perdido! Deve ter pensado ‘não conheço essa curva, onde será que eu estou?’”, brinca Lobato, enquanto Barrichello destaca o cavalinho de pau “heroico” do piloto da Lotus.

Momentos depois, em disputa pela liderança, Hulkenberg espalha e tira Hamilton da corrida – ou, para Lobato e Galvão, tira ambos. “Ele estava do lado molhado, foi pelo lado de dentro porque tinha esse direito, mas perdeu o carro”, Coulthard isenta o alemão de culpa, assim como Barrichello.

Após a terceira parada de Vettel, o comentarista espanhol Jacobo Vega começou uma campanha para que Alonso aguentasse na pista para “ficar com estratégia contrária à do rival”. Porém, quando vê o espanhol quase perdendo o carro, muda de ideia. “Por Deus, por Deus! Estamos no limite da aderência!”, berra Lobato.

O piloto troca os pneus e volta atrás de Massa, mas, para Lobato, “isso não é um problema. Assim como Webber não seria um problema para Vettel.”

Os brasileiros se alarmam quando Vettel volta para os boxes para colocar intermediários. “Bateu o desespero na Red Bull”, aponta Galvão. “O erro estratégico que custou o campeonato de Alonso em 2010 pode ter acontecido com o Vettel”, completa Reginaldo.

Galvão decreta: “Acabou a calma do Vettel”. E os brasileiros fazem as contas do que Vettel precisa para ser campeão. “São dois alemães à frente, se houvesse patriotismo...”, diz Reginaldo. Já Burti lembra que, se for necessário, Webber encosta. “Não é só na Ferrari que tem jogo de equipe”. Enquanto isso, os britânicos por várias vezes lembram que o carro de Vettel tem danos, mas que não sabem a extensão deles.

Porém, nenhuma tentativa de colocar emoção nas voltas finais vinga e Vettel se sagra tricampeão por três pontos. “Alonso mais uma vez pilotou muito bem e quase fez o que precisava fazer. Vettel também foi muito bem. Esses caras estão sob uma pressão tão grande! Mesmo sendo um pouco atrapalhado hoje, Vettel conseguiu se recuperar bem. Seja quem ganhasse o campeonato nesta tarde, merecia. Alonso pilotou muito bem, Hamilton merecia muito mais, Button mais uma vez mostrou que é sensacional nestas condições... muita coisa aconteceu neste ano”, resumiu Coulthard.

Galvão Bueno não esqueceu do vencedor Button. “Anote o nome dele para o ano que vem. Não tem Hamilton e eles vão trabalhar só para ele e a equipe vem em grande fase”. Sobre o título, frisou que “Alonso é grande guerreiro. Lutou o ano inteiro com o carro e chegou em segundo em circunstâncias terríveis hoje”. Mas o grande destaque foi para Massa, que “mostrou sua recuperação na segunda parte do ano, se preparando para ano que vem” e chorou no pódio “mais do que quando acordou no hospital. Não é de chorar. Para ele chorar assim, mostra a importância desse momento de recuperação.”

Assim como os brasileiros, Lobato também valorizou seu compatriota. “Mesmo que não seja campeão, Fernando tem de ter certeza de que estamos todos orgulhosos do que ele fez. Essas são corridas de carros, e isso dilui um pouco o talento. Muito obrigado por tudo, Fernando. Não podemos esquecer que foi um milagre chegar aqui e que estamos todos agradecidos por Fernando nunca ter se rendido até a última corrida. Não fique tão sério, porque quando o carro melhorar, você vai passar por cima deles. Chegará esse momento. Ele lutou com armas menos potentes do que seus rivais, mas os colocou nas cordas até o final.”

E, se Interlagos “resumiu o ano com seus dramas”, como explicou Edwards, “Vettel sobreviveu a tudo nesta tarde para ser tricampeão. Alonso não poderia fazer muito mais”. Um belo desenho de uma final que nenhum roteirista poderia reproduzir.

28nov/1228

Estratégia do GP do Brasil: como Vettel “ganhou e perdeu” por duas vezes o campeonato

Conversando com outros jornalistas mesmo horas depois do GP do Brasil, a opinião era a mesma: preciso ver essa corrida de novo para entender tudo o que aconteceu. Imagino o desafio de traçar a melhor estratégia em um tipo de prova que é o terror de qualquer equipe: nem na chuva, nem no seco.

Mesmo assim, os postulantes ao título não decepcionaram, com Vettel sobrevivendo a uma bela pancada na região do escapamento, o rádio quebrado e quatro paradas para chegar em sexto e Alonso ganhando seis posições em relação à largada, só incapaz de acompanhar o ritmo da McLaren, ficando a uma posição de conquistar o título. Ambos, também, contaram com valiosas ajudas de seus escudeiros, importantes em momentos-chave da prova.

Quando as gotas, que apareceram timidamente antes da largada, se intensificaram, muitas equipes dividiram sua estratégia. Massa e Hulkenberg fizeram a boa aposta de seguir a decisão de Button de ficar na pista – é neste tipo de condição que o inglês se sobressai. Por algumas voltas, pareceu que o traçado estava realmente molhado demais, mas logo ficou claro que quem havia colocado os intermediários estava superaquecendo os pneus.

Também parecia haver uma diferença de carros. A Ferrari, ao contrário do que aconteceu no início do ano, aparentava ser particularmente difícil com pneus de seco e pista úmida. Alonso escapou por duas vezes e Massa, mais de 3s/volta mais lento, perdeu 8 posições em quatro voltas e teve de reverter sua estratégia.

Longe dos que erraram e colocaram os intermediários e os que não conseguiam gerar temperatura suficiente para se segurar na pista com os pneus de seco, Button e Hulkenberg se viram 45s à frente do rival mais próximo, Hamilton. Mas a vantagem foi dizimada pelo Safety Car em decorrência dos detritos na pista que furaram o pneu de Nico Rosberg.

Na volta 30, começou uma nova corrida, com todos com os pneus duros – a Ferrari era a única com médios, talvez esperando mais chuva, uma vez que não aguentariam até o final. Nesta “segunda prova”, Vettel “largou” em quinto, na cola de Alonso, após ultrapassar as nanicas, as Toro Rosso, Rosberg e Di Resta, vindo de 22º. A insistência em ficar na pista com os pneus para pista seca, fez com que Massa caísse para 11º.

Talvez pelos danos no carro, Vettel caiu para sétimo e perdeu 15s para Alonso. Duas voltas antes da chuva voltar a cair, fez uma troca equivocada para colocar pneus de seco. Com o alemão tendo de reverter a troca, Vettel e a Red Bull arriscaram perder o título e, talvez, estivessem em um circuito mais longo, teriam corrido sério risco, com mais carros entre o alemão e os pontos. Afinal, impressiona que o grid tenha se separado tanto em 24 voltas após o SC de forma que Vettel, mesmo perdendo cerca de 29s, tenha voltado em 11º. Dada a oportunidade de se recuperar de toda a lambança da equipe, que tinha dificuldades de comunicação, o piloto logo voltou a somar pontos suficientes para selar o título.

Após as mesmas 24 voltas, Alonso já estava a mais de 17s da ponta, mostrando que a Ferrari, na mesma condição em que havia sido imbatível até então na temporada – corrida da Malásia e treinos da Alemanha e Grã-Bretanha – ficara para trás.

Voltando à corrida de Massa, as sete voltas após a relargada foram espetaculares, com seis posições ganhas. Isso o colocou novamente logo atrás de Alonso. Ao colocar pneus de chuva uma volta antes do companheiro, voltou bem à frente, pois a inlap de Alonso foi bastante lenta pela chuva. Com Vettel em sétimo a nove voltas do final, a Ferrari ordenou a troca, justificável em uma prova na qual tudo poderia acontecer.

Por um lado, é uma pena que a chuva tenha sido um personagem tão central. Por outro, a última corrida do ano foi uma representação fiel daquela temporada que parecia um sonho distante em fevereiro: corridas animadas como as de 2011, e um campeonato de tirar o fôlego como em 2010. Vai ser difícil 2013 superar isso.

24nov/120

Confira o placar entre companheiros e as diferenças na classificação do GP do Brasil

Duelo no ano Diferença de hoje
VET 11 x 9 WEB WEB -0s179
HAM 17 x 3 BUT HAM -0s055
ALO 17 x 3 MAS MAS -0s266
RAI 9 x 10 GRO RAI -0s535
MSC 10 x 10 ROS ROS -0s077
DIR 8 x 11 HUL HUL -0s417
KOB 9 x 11 PER PER -0s143
RIC 16 x 4 VER RIC -0s045
MAL 18 x 2 SEM MAL -0s521
KOV 13 x 7 PET PET -0s013
GLO 13 x 7 PIC GLO -0s600
DLR 18 x 2 KAR DLR - 0s123

Excepcionalmente neste final de semana, voltamos aos primórdios da tabela.

As diferenças são calculadas nas sessões em que o companheiro com classificação pior é eliminado e os placarem contabilizam o resultado do treino, e não a posição de largada, que pode ser alterada devido a punições.

23nov/1210

O anti-herói da decisão

Na decisão do título de 2012 entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, um personagem tímido, de fala baixa, careca proeminente e jeitão pacato roubou a cena. O projetista da Red Bull, Adrian Newey, há tempos mostra sua capacidade de fazer grandes carros, ganhando ares de gênio. O inglês de 53 anos, que até hoje prefere a velha prancheta aos avançados programas de simulação, é apontado pelo espanhol como o grande responsável pela arrancada final do alemão na temporada, que marcou 133 pontos, contra 81 do rival, desde a grande atualização que teve o carro da equipe anglo-austríaca, no GP de Cingapura.

Claro que os resultados do companheiro de Vettel, Mark Webber, que fez 35 pontos no mesmo período, mostram que não é só do carro que o alemão se valeu para construir a vantagem de 13 pontos sobre Alonso. Com apenas 25 anos, ele ainda pode não ter o mesmo gabarito do espanhol de 31, mas vai amadurecendo e caminha a passos largos para se tornar um dos grandes pilotos da história. Porém, é inegável a contribuição do projetista na construção do império da Red Bull, que passou de uma fabricante de energéticos aventureira na F-1 a tricampeã mundial consecutiva, algo que apenas Ferrari, McLaren e Williams conseguiram. As duas últimas, inclusive, também emplacaram sequências de conquistas, nos anos 1990, com carros pensados por Newey. Foi ele o responsável pelos modelos da Williams que dominaram com Mansell e Prost em 92 e 93, assim como pelo McLaren de Mika Hakkinen de 98 e 99.

Os próprios pilotos reconhecem isso. Em Interlagos, Webber afirmou que só assinou com a Red Bull, em 2007, porque eles haviam contratado o engenheiro. “Ele nunca está contente. Apesar de não parecer um cara competitivo para quem olha, fica procurando coisas para melhorar no carro mesmo quando chegamos em primeiro e em segundo”, garante o australiano. “Ele não foca apenas em uma parte, tenta melhorar o carro como um todo.” Mas sua principal característica, apontada por todos que trabalharam com ele, é cada vez mais rara na F-1: “Ele ouve os pilotos, isso é fundamental.”

No mundo das simulações e tecnologia avançada, Newey, que curiosamente começou a carreira na Copersucar, única equipe brasileira na história da F-1, no início dos anos 80, mostra que o velho entrosamento entre piloto e engenheiro continua fazendo a diferença. Não é apenas contra um homem, mas sim contra uma combinação difícil de bater que Alonso luta amanhã em Interlagos: um piloto que sabe o que quer e um engenheiro que sabe ouvir.

21nov/125

Tri mais jovem da história será coroado em Interlagos, mas será Vettel ou Alonso?

Se há uma certeza na decisão do título em Interlagos, é que a F-1 vai coroar o tricampeão mais jovem da história. Mesmo divididos por seis anos, Sebastian Vettel ou Fernando Alonso, baterá Ayrton Senna, que conquistou o campeonato de 1991 aos 31 anos, 7 meses e 30 dias, pouco mais do que o espanhol terá domingo em Interlagos – 31 anos, três meses e quatro dias. O alemão, que pode se tornar o terceiro tricampeão “genuíno”, em anos consecutivos, da história – e o único a fazê-lo nas três primeiras conquistas – terá apenas 25 anos, quatro meses e 21 dias no domingo.

Será a 27ª vez na história que a decisão vai para a última prova, e pela sexta oportunidade o campeão será conhecido em São Paulo. Para Vettel, seria seu primeiro título na cidade, enquanto Alonso não sabe o que é selar conquistas fora de Interlagos.

O circuito recebe sua sexta decisão, sendo que em apenas uma das cinco anteriores o piloto que liderava a tabela não confirmou o título – Raikkonen, em 2007, tirou diferença comparável aos 13 pontos que separam Alonso e Vettel.

Nas 26 decisões na prova final, dez foram vencidas pelo piloto que estava atrás na classificação, sendo a última delas em Abu Dhabi, quando Vettel bateu o próprio Alonso, descontando 15 pontos. A situação do espanhol, no entanto, é bem diferente do que o alemão viveu em 2010: a vantagem de Seb é, tanto de pontos, quanto de equipamento.

Em condições normais, é de se esperar que ambos cheguem ao pódio, como aconteceu nas últimas quatro provas, dando a Vettel o primeiro recorde de precocidade que Alonso nunca teve. É curioso como a trajetória dos dois em relação a este tipo de número é parecida: o espanhol já foi dono das marcas históricas de precocidade pole, pódio, vitória, campeonato e bicampeonato, todas posteriormente quebradas pelo alemão.

Como salientei no texto anterior, cenários em que Alonso marcou ao menos 13 pontos a mais que Vettel na temporada aconteceram por quatro vezes: nos dois abandonos do alemão (Valência e Itália), quando Seb se enroscou com Karthikeyan na Malásia e quando foi punido na Alemanha. Por isso, a única chance real do espanhol é apostar no imponderável. Uma possibilidade é a chuva, condição em que a Ferrari se mostrou o melhor carro do grid na Malásia e nos treinos de Grã-Bretanha e Alemanha.

Nada impede, claro, que Vettel esteja pelo menos em seu encalce caso a água caia em Interlagos ou que o próprio Alonso se atrapalhe em uma situação em que erros – de pilotagem e estratégia – são mais comuns. Porém, se por um lado toda a lógica aponta para uma decisão morna, por outro há o alento de que, de lógica, Interlagos não sabe muita coisa.

1dez/110

Estratégia do GP do Brasil escancara diferenças entre os carros

Mesmo que a Pirelli tenha levado ao Brasil os novos pneus macios – os quais ainda não decidiu onde estarão na escala de 2012, podendo ser os médios – o GP do Brasil manteve a tendência deste final de temporada de menos variação de estratégias. Desta vez, o caminho ficou entre duas e três paradas, com o médio sendo usado no final – salvo no caso de Button, por problemas específicos que teve com o rendimento do composto mais rápido no início da prova.

A predominância de uma estratégia em relação à outra teve muito a ver, como de praxe neste ano, com a maneira como cada carro lidou com os pneus. Vimos as Ferrari cerca de 0s8 mais lentas que a concorrência com os compostos mais duros, Williams e Renault sofrerem com degradação e a Mercedes tentando algo diferente com Rosberg, mas perdendo para Sutil em um dia no qual a Force India foi a quarta força.

Também como de costume, as Red Bull puderam se dar ao luxo de apenas reagir às paradas dos adversários, já que construíram uma boa vantagem logo no início, fugindo da DRS e do risco de desgastar demasiadamente os pneus. Deixaram os rivais acabarem com a borracha na luta entre si.

Fernando Alonso afirmou na entrevista após a prova que, depois de passar Hamilton na largada e Button por fora na Ferradura, poderia abandonar na volta seguinte que se havia dado por satisfeito: sabia que a partir dali seria superado pelos carros mais rápidos. De fato, com Button andando no mesmo ritmo do espanhol quando colocou pneus médios, logo no segundo stint, estava na cara que o pódio seria impossível.

Massa foi obrigado a tentar algo diferente: com um pneu macio furado na classificação, teve de fazer duas paradas. Poderia se dar bem caso começasse a chover ou o Safety Car fosse à pista, mas seu ritmo no pneu macio já havia sido lento demais para se aproveitar da estratégia – antes de colocar os duros, estava a 12s de Alonso. Terminou a prova a 31s.

Mas a briga mais interessante da prova foi entre Sutil e Rosberg. A Force India veio ao Brasil decidida a levar o alemão ao top 10 no mundial, e seu piloto não poderia ter feito mais dentro da pista para garantir que isso acontecesse – inclusive fechou o ano na frente de Petrov e Heidfeld, da Renault.

Os problemas de Rosberg começaram quando o piloto da Mercedes voltou de seu primeiro pit stop atrás de Sutil pois, mesmo com o bom trabalho da equipe, as duas voltas que Nico permaneceu na pista custaram caro demais.

Como estava perdendo tempo em relação à Force India – 6s em 10 voltas – ficou claro que manter a mesma estratégia do rival não funcionaria. Rosberg, então, tentou se aproveitar do fato de que tinha pneus novos – que guardara na classificação – e fez 26 voltas no segundo stint, mudando sua estratégia para duas paradas durante a prova. Enquanto isso, Sutil tinha de antecipar suas paradas para se livrar do tráfego de Massa, que estava em tática diferente.

O resultado foi uma terceira parada para Sutil no que normalmente seria a janela para o último pitstop em uma tática de duas trocas. Com isso, Rosberg estava com pneus apenas três voltas mais gastos e poderia ter conseguido manter-se à frente, mas Sutil fez o bastante para superá-lo, com um ritmo melhor no pneu médio.

Para o meio do pelotão, a estratégia de duas paradas se mostrou mais efetiva, como nos casos do companheiro de Sutil, Paul Di Resta, e de Kamui Kobayashi. Porém, sem o carro para fazer a tática funcionar, o GP Brasil foi mais um exemplo de que até para uma tática perfeita existe um limite.

27nov/113

Placar de posições de chegada entre os companheiros

Vettel 15 (1) x 2(1) Webber
Hamilton 7 (3) x 7 (2) Button
Alonso 13 (1) x 2 (3) Massa
Schumacher 6 (5) x 7 (2) Rosberg
Senna 1 (0) x 5 (2) Petrov
Barrichello 6 (3) x 5 (7) Maldonado
Sutil 10 (2) x 6 (2) Di Resta
Kobayashi 7 (3) x 4 (3) Perez
Buemi 5 (5) x 6 (4) Alguersuari
Kovalainen 8 (5) x 3 (4) Trulli
Ricciardo 4 (2) x 2 (1) Liuzzi
Glock 7 (4) x 4 (3) d’Ambrosio

*apenas computando as provas que ambos completaram. Entre parênteses, os abandonos de cada um.

27nov/110

Pontuação antiga e atual após o GP do Brasil

 

Vettel 161 392
Button 111 270
Webber 106 258
Alonso 107 257
Hamilton 93 227
Massa 45 118
Rosberg 31 89
Schumacher 28 76
Sutil 12 42
10º Petrov 11 37
11º Heidfeld 11 34
12º Kobayashi 8 30
13º Alguersuari 7 26
14º Di Resta 7 27
15º Buemi 2 15
16º Perez 3 14
17º Barrichello 4
18º Senna 2
19º Maldonado 1

 

26nov/110

Placar de posições de largada entre companheiros e diferenças

Vettel 16 x 3 Webber
Hamilton 13 x 6 Button
Alonso 15 x 4 Massa
Schumacher 3 x 16 Rosberg
Senna 4 x 4 Petrov
Barrichello 10 x 9 Maldonado
Sutil 10 x 9 Di Resta
Kobayashi 7 x 11 Perez
Buemi 13 x 6 Alguersuari
Kovalainen 16 x 2 Trulli
Ricciardo 4 x 6 Liuzzi
Glock 13 x 6 d’Ambrosio

Diferenças hoje:

Vettel x Webber: 0s181
Button x Hamilton: 0s197
Alonso x Massa: 0s477
Rosberg x Schumacher: 1s002
Senna x Petrov: 0s753
Barrichello x Maldonado: 0s508
Sutil x Di Resta: 0s323
Kobayashi x Perez: 0s053
Alguersuari x Buemi: 0s115
Kovalainen x Trulli: 0s290
D’Ambrosio x Glock: 0s041
Liuzzi x Ricciardo: 0s259
*Schumacher não marcou tempo no Q3. A diferença refere-se ao Q2

24nov/114

Armadilhas e currículos dos pilotos em Interlagos

Interlagos é o típico circuito que dá dor de cabeça aos engenheiros. O miolo com curvas de média no segundo setor pede mais downforce, enquanto a subida do Café e a reta oposta suplicam menos asa para ajudar na velocidade final. O equilíbrio entre essas duas características se faz fundamental, ainda que o domínio da Red Bull nos últimos dois anos aponte para a maior importância da sequência de curvas. No entanto, mesmo o time de Vettel, vencedor de 2010, e Webber, primeiro em 2009, terá de escolher com cuidado seu caminho em tempos de DRS para não se expor demais na corrida.

Além do acerto aerodinâmico, o motor é outra preocupação. Afinal, São Paulo é uma das cidades mais altas em relação ao nível do mar que a F-1 visita – os 800m de altitude representam uma perda de 10% em pressão atmosférica. Isso significa que o ar paulistano tem menos oxigênio que o de Abu Dhabi ou Melbourne, por exemplo, o que afeta a performance do motor. O resultado é uma queda de potência que as equipes tentam minimizar com a cartografia. Somado a isso, alguns pilotos chegam a esse cenário com propulsores bastante usados, o que também acarreta perda de performance.

Por outro lado, o consumo é tão baixo quanto o efeito do peso do combustível no tempo de volta. Não que isso signifique uma corrida tranquila desse ponto de vista, uma vez que as equipes sempre trabalham no limite.

Outra característica de Interlagos é o fato da, pela volta ser muito curta e ter duas grandes retas – e, consequentemente, poucas curvas – classificação ser tradicionalmente apertada. Menos mal para quem acabar o sábado fora de posição, pois as ultrapassagens nunca foram um problema no traçado.

Isso, mesmo que o circuito não respeite a receita de Hermann Tilke de hairpin fechado + reta longuíssima + chicane. A pista brasileira mostra, assim como Spa e a própria Istambul de Tilke, que são as diferenças de altimetria, variações de graduação, uma chicane menos travada e retas após curvas de média/alta velocidade que fazem a diferença.

Em relação à estratégia, o novo pneu macio que a Pirelli levará a Interlagos, que promete maior durabilidade, deve fazer com que se adote duas paradas. Algumas equipes, principalmente do meio do pelotão, podem apostar em um Safety Car e tentar algo diferente, pois as chances de isso ocorrer com base nas provas passadas é de 71%.

Nº de voltas 71
Ativação da DRS Reta oposta
Pé em baixo 60% (médio a alto)_
Consumo de câmbio Baixo
Consumo de freios Médio
Consumo de motor Médio
Nível de downforce Médio a alto
Uso de combustível 2kg por volta (baixo)
Tempo total de perda no pit 20s
2010
Pole position Nico Hulkenberg, Williams – 1min14s470
Resultado da corrida 1º Sebastian Vettel

2º Mark Webber

3º Fernando Alonso

Retrospecto no GP do Brasil

A figurinha mais carimbada no pódio do GP do Brasil nos últimos anos é curiosamente um piloto que nunca venceu no país: Fernando Alonso tem seis pódios nos últimos oito anos, além de um quarto lugar em 2004 e um abandono em 2009.

Dentre os pilotos do atual grid, apenas Michael Schumacher (quatro vezes), Felipe Massa (duas), Mark Webber e Sebastian Vettel conquistaram um GP que teve oito vencedores diferentes nos últimos 10 anos. Resultado de algumas corridas imprevisíveis por conta da chuva e da possibilidade de ultrapassar.

Se há um piloto que quer entrar neste hall é Lewis Hamilton. Mesmo tendo carros competitivos, o inglês tem apenas um terceiro lugar como melhor resultado, após prova de recuperação em 2009. Seu companheiro, Button, também só tem um troféu vindo do Brasil em sua coleção. Tem uma boa oportunidade de melhorar nesta temporada, na qual fez mais pódios (11 a 9) do que no ano em que conquistou o título.

E há Rubens Barrichello. O veterano já passou por de tudo um pouco em Interlagos. Menos cair nas graças da torcida após uma vitória, apesar de ter feito a pole em três oportunidades. Teve impressionantes 11 abandonos e apenas um pódio, em 2004.

Piloto 4º-6º 7º-10º 11º+ DNF
Sebastian Vettel 1 2 1
Mark Webber 1 1 2 1 3
Lewis Hamilton 1 2 1
Jenson Button 1 4 2 1 2
Fernando Alonso 2 3 1 3
Felipe Massa 2 1 1 2 1
Michael Schumacher 4 2 4 3 2 1
Nico Rosberg 2 1 2
Bruno Senna 1
Vitaly Petrov 1
Rubens Barrichello 1 3 1 2 11
Adrian Sutil 2 2
Kamui Kobayashi 2
Jaime Alguersuari 2
Sebastien Buemi 1 1
Heikki Kovalainen 1 2 1
Jarno Trulli 2 3 4 5
Vitantonio Liuzzi 3 1
Timo Glock 1 3 1