Overdose de Alonso marca a TV espanhola
Depois do jeito britânico de ver a F-1, agora é a vez dos espanhóis. O cuidado com a edição não é o mesmo, nem a trilha sonora, mas o tempo que a categoria ocupa na tela da La Sexta é ainda maior, com programas pré-corrida que chegam a passar de 2h em provas-chave, como os GPs caseiros ou – como aconteceu ano passado, com 2h30 de prévio de Abu Dhabi – se Alonso está disputando o título.
O asturiano, claro, é o dono da festa. Tive de garimpar para encontrar uma matéria – não exatamente a mais interessante do mundo, é verdade – com Jaime Alguersuari.
Tenho de dizer que o terceiro espanhol, Pedro de la Rosa, é bem mais popular que seu colega catalão e deve ganhar bastante espaço em 2012, quando volta à titularidade.
Neste ano, claro, De la Rosa já apareceu bastante nas transmissões como o comentarista que roubou a cena e fez o que pôde para “salvar” seu povo das patriotadas do narrador Antonio Lobato, que também comanda o programa pré-GP. Pode-se dizer que Lobato é uma espécie de Galvão Bueno espanhol, bastante criticado por sua postura nas narrações. Quando Alonso anunciou seu divórcio, inclusive, a piada que mais se repetia na Espanha era de que o narrador havia sido visto na Cibeles, monumento que se tornou palco tradicional de comemorações esportivas em Madri.
Sim, voltamos a Alonso. É bem verdade que o bicampeão, sempre bastante didático com sua imprensa local, ao menos rende boas entrevistas, mesmo que usado à exaustão pela La Sexta. Dois bons exemplos são estas, uma do Canadá e outra explicando a largada em Monza.
Na TV espanhola, até Sebastian Vettel tem de dividir espaço com a “diva” local. Mas o silêncio do asturiano quando Nira Juanco lhe pede para definir o rival em uma palavra e o consequente sorriso do alemão vale boas risadas.
Para finalizar, outros dois exemplos da tocada mais leve da transmissão espanhola – vale lembrar que a La Sexta detém os direitos para mostrar a F-1 em todo o país, mas outras três emissoras (TPA, das Asturias; Canal 9, de Valência, e TV3, da Catalunha) também o fazem regionalmente – são as tradicionais “tomas falsas”, o equivalente ao nosso “falha nossa”. A pegadinha das velas no aniversário de Alonso (claro!) é impagável.
E, por fim, uma compilação de uma série de entrevistas com celebridades guiando seus próprios carros a falando sobre como são como motoristas e o quanto seguem a F-1. Novamente, nada que vá mudar o mundo, mas uma maneira, por que não, lúdica, de entreter um público que ainda não tem o faro para a categoria tão aceso quanto os britânicos.
GP do Brasil por britânicos, brasileiros e espanhóis: “Não quero acreditar”
O GP do Brasil sempre gera expectativas: muitas ultrapassagens, acidentes, chuva. As transmissões desta edição da corrida de Interlagos não poderiam destacar outra coisa para manter o interesse em um campeonato decidido há muito tempo. Na BBC, “quatro pilotos têm carro para ganhar, muitos mais se chover”, se empolga Martin Brundle. Na La Sexta, o narrador Antonio Lobato apela até para luta de Alguersuari com a Toro Rosso pelo sexto lugar no Mundial de Construtores”, enquanto na Globo – curiosamente a única das três que não tem pilotos nacionais na disputa – só se fala da “briga pelo vice-campeonato”.
Galvão Bueno se empolgou com a largada, pelo menos até notar a queda de Barrichello. “Vettel pula, Alonso briga, Massa vem. Felipe ganha uma posição. Bruno Senna tenta se manter. Interlagos é uma pista espetacular, que exige dos pilotos... (abaixa o tom) Barrichello perdeu muitas posições, ficou encaixotado na largada.”
“Pobre Rubens”, lamenta Brundle. “Ele é muito emocional, então imagino que haja algumas lágrimas debaixo desse capacete. Ele fez mais do que o carro podia ontem”, observa David Coulthard. “A equipe do Rubinho escolheu uma primeira marcha mais longa esperando a chuva”, explica Luciano Burti. “Então a largada ruim era esperada, mas não tanto.”
De cara, é impossível não se impressionar com a vantagem rapidamente construída por Vettel. “Olha o quanto abre... por favor!”, reclama Lobato. “Como ele consegue isso? Não dá para ver nenhuma mágica. É um piloto em seu pico”, resume Brundle.
Após as Red Bull, Button, Alonso, Hamilton e Massa formavam o segundo pelotão. “Entre Hamilton e Massa, não sei quem é mais perigoso”, goza Lobato. “Lembremos que estamos no Brasil e Massa deve estar pronto para brigar. Haverá um sexto toque?”
Galvão volta e meia dá uma reclamada em relação ao tamanho da zona de ultrapassagem. “Charlie Whiting errou, pisou na bola.” É apoiado por Burti. “Se colocassem na reta dos boxes, proporcionaria mais ultrapassagens.” Mas logo ambos se voltam para a briga Bruno Senna e Schumacher, que “tenta atacar, com um carro muito melhor, o Bruno. Para ele, Interlagos é uma curtição a mais. Para o Bruno, é talvez a permanência na Lotus” (sim, nessa etapa caseira, a Renault virou decididamente Lotus na Globo).
Não demoraria para os dois se tocarem. “Agora o Schumacher veio e o Bruno falou 'aqui não! Tô em casa!' … bateu”, Galvão muda o tom no meio da frase. “Schumacher ficou e ele foi!”. Ninguém vê motivo para punição, a não ser para o alemão, no caso da Globo. De primeira, os espanhóis e britânicos veem o heptacampeão fazendo a curva como se o brasileiro não estivesse do lado de dentro, mas ficam divididos com o replay. “Parece que Senna jogou o carro para cima, não sei”, Lobato fica em cima do muro. “Na segunda parte [da colisão] Bruno não fez nenhum esforço para evitar o toque”, vê Brundle. “Mas não acho que nenhum dos dois fez nada de errado.”
Do replay para a ação: Alonso passa Button num lugar dos mais inusitados. “Aí? Aí? Aí? Só Fernando Alonso”, resume Galvão. “Button não brigou. Ninguém passa aí”, Reginaldo não está muito impressionado. Mas o fato é que nem Lobato acreditava nessa. “Aqui vai ser muito difícil... sim! Ultrapassagem incrível!”, exclama o narrador. “Por fora aqui é algo impossível para todos, menos para Fernando”, afirma Marc Gené, mesma linha de Brundle. “Ele vai tentar aí? Vai! Eu nem colocaria o carro de lado para tentar! Coulthard também não acredita no que vê. “Inacreditável! Isso foi incrível, ninguém nunca sonharia em passar por fora naquela curva.”
Quando o drive thorugh para Senna é confirmado, todos consideram a punição dura. “Pelo lado de dentro, como ele ia causar a colisão?”, reclama Reginaldo Leme. “Uma coisa a gente tem de dizer: ele mostrou vontade e reclamou. Mostrou que está aí para dividir. Foi no mínimo duvidosa a punição. Pesa muito ser o Schumacher e isso já aconteceu muitas vezes”, diz Galvão. “Acho que vai ser difícil para os comissários saírem hoje daqui”, acredita Coulthard.
Todos começam a perceber que a prometida chuva não iria cair. “Falaram que íamos andar de abrigo o dia todo e não caiu uma gota”, reclama Lobato. “A chuva vai dar um drible em todo mundo”, completa Galvão.
Quem chega é um inesperado problema no câmbio do líder Sebastian Vettel – que, como lembram os repórteres Kravitz e Carlos Gil, utilizava uma caixa novinha em folha. Na BBC, a possibilidade de um jogo de equipe velado para que Mark Webber vencesse a primeira prova do ano só é citada após mensagens dos telespectadores via twitter. Na Globo, depois de algumas voltas da primeira comunicação via rádio, por Luciano Burti – e de maneira cautelosa: “Estava aqui pensando... será que ele realmente tem um problema? Porque na parte do miolo, onde deveria perder mais, seu tempo é bem parecido com o de Webber”.
Na La Sexta, por sua vez, logo de cara se abre uma cisão: de um lado, o narrador Lobato e o piloto de testes da Ferrari, Gené, veem armação. De outro, Jacobo Vega e Pedro de la Rosa, da McLaren, se recusam a crer, ainda que com ressalvas. “O que não entendo é eles pedirem para ele não usarem todas as revoluções na segunda e na terceira e, quando vemos onboard, ele usa tudo.” É a mesma dúvida de Burti, ainda que Galvão duvide. “Ele não entraria nessa.”
Não é exatamente este o motivo pelo qual De la Rosa não acredita em armação. “Depois de terem sido tão descarados em Silverstone, não iam simular um problema para mudar posição. “ De qualquer forma, o espanhol não deixa de secar. “Problema de câmbio nunca cicatriza, só piora.” Mas Lobato não se conforma. “É um absurdo se foi assim porque as ordens de equipe estão permitidas.”
Após Vettel fazer a volta mais rápida da prova, Reginaldo entra para o time de Burti e Galvão brinca. “A equipe deve falar 'vai devagar porque você vai pegar o Webber e vai entregar a gente'.” E Gené continua descrente. “Sigo sem ver o problema. É um problema em teoria.”
Depois de todos na BBC se surpreenderem com as três paradas dos ponteiros - “os briefings apontavam duas”, garantia Coulthard – Kravitz aposta que Massa conseguirá, com a tática de duas trocas, passar Alonso. Também creem que Button seguirá pelo mesmo caminho. “Ele já tinha reclamado do comportamento dos pneus macios”, lembra Coulthard quando vê o inglês colocando médios logo na segunda rodada de pits. Para De la Rosa, “é uma estratégia estranha.”
A animação do repórter inglês em relação a Massa não é compartilhada por Galvão, que, após torcer para a chuva cair entre a última parada do brasileiro e a segunda dos demais que estavam em tática diferente, começa a explicar o ritmo ruim da Ferrari com os médios e que o piloto deve perder a posição para Hamilton. Até que o inglês abandona. “A galera bateu o tambor e ele quebrou.”
A quebra frustrou os espanhóis, que esperavam mais um toque entre os dois. “Não quero pensar como ele vai sair do circuito se eles baterem. Vai ser igual 2008”, lembra De la Rosa. “Vai dar um click na cabeça do Hamilton e ele vai perder a paciência”, antecipa Lobato, sem sucesso.
Brundle e Coulthard, convencidos de que Button vai até o final com duas paradas, acreditam que o piloto entrou porque quis para o terceiro pit stop. “Parecia que a equipe não estava esperando”. O narrador é salvo por Kravitz. “Não ia funcionar porque o desgaste é quase o mesmo do macio.”
A dupla ao menos enxerga algo que os demais não veem em relação a Vettel: a luz vermelha acendendo. “Isso significa que ele está resetando o sistema, assim como fazemos quando está chovendo”, explica Coulthard.
O escocês ri quando ouve o rádio do alemão, dizendo que se sente “como Senna em 1991” devido aos problemas no cambio. “Ele não precisa de 100% de sua capacidade, mesmo para guiar um carro longe do perfeito. Dá até para pensar na história da F-1”, observa Brundle. “Eles estão brincando”, desclassifica Burti, apesar de Galvão ter achado o diálogo 'interessante'. “Em defesa ao que o Ayrton fez, ele só tinha uma marcha, e era marcha de verdade.” Para Lobato, foi “um comentário um pouco absurdo. Não sei porque um piloto faria um comentário desses no meio da corrida.”
Mas os espanhóis estão mais preocupados com o terceiro lugar de Alonso, pois observam que “Button está fazendo tempos parecidos”, mesmo com um composto em teoria mais lento. “A chance de Fernando é, quando ele colocar os médios, Button estar com pneus muito desgastados”, vê Gené.
Não foi o que aconteceu. “Button preparou muito bem a ultrapassagem”, vê De la Rosa. “Foi uma pilotagem estratégica muito boa e Alonso nem se defendeu”, concorda Coulthard. “Teve de ser com a asa porque passar o Alonso não é mole”, opina Burti.
Nesse momento, Massa já estava a mais de 20s do companheiro, mas Galvão faz questão de lembrar que “a Ferrari vai pedir para o Massa não atacar para ele ficar em terceiro no campeonato.” Isso, porque Reginaldo errou as contas, afirmando que, mesmo com o espanhol em quarto, ele seguia em terceiro no mundial. Kravitz também se confunde com os números. “As teorias da conspiração [sobre o câmbio de Vettel] não fazem sentido porque Webbber precisa que Button e Alonso não terminem para sair do quarto lugar na tabela.”
Brundle e Coulthard ainda ficam na bronca quando veem Massa tirando o pé para Barrichello descontar uma volta e se livrar da pressão de Schumacher. “A troco de quê? E se Vettel fica lento na última volta?”, o narrador não se conforma. As opiniões sobre a corrida do brasileiro da Ferrari, inclusive, se dividem. “Massa fez uma estratégia diferente, corajosa, e até tinha chance se chovesse”, vê Galvão. “Fernando colocou 30s em Massa em um circuito que ele voa. As pessoas não valorizam quando você não tem um carro competitivo e faz coisas fora do normal”, opina De la Rosa.
Webber também não é unanimidade. Da vitória “insólita” para Lobato, um passo importante para a recuperação de acordo com os britânicos. “Com essa vitória, Webber pode encarar 2012 com mais confiança. Sempre quando ele ganha, ele arrasa o grid. Se ele encontrasse a fórmula... poderia ser campeão”, acredita Brundle. “Se teve problema no câmbio, não sei. Prefiro acreditar que sim. Mas o Webber foi muito bem e mereceu ganhar”, defende Galvão.
Para De la Rosa, no entanto, a vitória tem outro sabor. “Terminamos o ano preocupados com a volta mais rápida de Webber na última volta e Vettel chegando em segundo mesmo com problema. Ano que vem Alonso vem com tudo porque vemos que o motor Ferrari é o que menos sopra no difusor.” E Lobato completa. “Esperamos que sim e que outro homem esteja de volta: Lewis Hamilton. É imprescindível que esteja na briga.”
GP de Abu Dhabi por espanhóis, brasileiros e britânicos: “Pedro, você é um bruxo”
Britânicos, espanhóis ou brasileiros, todos se derretem com as imagens do palco que Abu Dhabi criou para receber a F-1. Mas é inevitável ter um pé atrás após as duas primeiras provas no lugar. Martin Brundle, da britânica BBC, não entende como o layout da pista de Yas Marina não permite ultrapassagens. “As chicanes têm os pontos de tangência muito longe um do outro e isso tira a pressão aerodinâmica do carro detrás”, explica David Coulthard.
A dupla espera uma McLaren mais próxima da Red Bull, enquanto os brasileiros destacam a lembrança de Felipe Massa de que, da última vez que o ex-jogador de futebol Ronaldo o cumprimentou antes da prova, ele venceu. Já os espanhóis, especificamente Pedro De la Rosa, já tem sua previsão: Vettel terá um problema e Hamilton vencerá.
A expectativa de todos é para uma prova com duas paradas. Luciano Burti, na Globo, fala em “duas ou três”, mas Coulthard acredita que a segunda opção está “fora do radar”. Tentando tirar alguma informação do colega de Ferrari Marc Gené, De la Rosa cutuca. “A maioria fará duas paradas, algum valente, como a Sauber, pode tentar fazer uma e os que não conseguem fazer o pneu médio funcionar vão a três”, e ouve do piloto de testes da Scuderia, que ri. “Não vejo ninguém.”
E expectativa toma ares de mistério quando, logo na segunda curva, Vettel escapa com um pneu furado. “Como Vettel furou o pneu: Hamilton o tocou?”, o narrador espanhol Antonio Lobato vai à loucura. “Pedro, você é um bruxo”, se diverte Gené, lembrando da previsão do colega, que aposta em queda de pressão devido ao acerto do carro. “Será que ele largou com pressão tão baixa que o pneu se soltou da lateral devido ao peso do combustível? Também pode ter furado durante a volta de apresentação, mas foi uma coisa leve que a telemetria não mostrou.”
Os britânicos também não sabem o que pode ter acontecido. “Será que foi a zebra? Ele estava claramente à frente”, Brundle afasta possibilidade de toque. “Eles usam essa linha na classificação, só que agora os pneus estão com a pressão mais baixa... ou será que este pneu já estava danificado?”, Coulthard segue na linha de De la Rosa, para depois atentar a outra possibilidade. “Será que ele não perdeu o carro e, por causa da fricção da rodada, o pneu furou?”, questiona. “Estou convencido de que foi a zebra”, Brundle é irredutível. Na Globo, quando Vettel chega ao pit e vê que os danos são terminais, Burti acusa a suspensão. “O furo pode ser a consequência de um problema na suspensão, e não a causa.”
Mas a ação da primeira volta não se resumiu a Vettel. Brundle se animou com a briga entre as Mercedes. “Nenhum respeito entre esses dois”, enquanto Lobato se esgoela por Alonso. “Espetacular! Magic de novo ao ataque!” Na Globo, Luiz Roberto destaca Massa assistindo à disputa “de camarote”.
Reginaldo Leme atenta para a evolução de Rubens Barrichello – “está passando todo mundo” – mas Coulthard acredita que são “posições herdadas” pelas confusões da primeira volta. Seja como for, os britânicos destacam como o brasileiro “entrou no carro e fingiu que ia sair na classificação para forçar os rivais a gastarem um jogo de pneus”, como interpreta Brundle. Já Reginaldo afirma que é a primeira vez que Vettel vê uma corrida de fora, desde a estreia no GP dos Estados Unidos de 2007 e Burti, assim como todo mundo, não entende – “ele abandonou aquela corrida da Coreia ano passado também...”
De la Rosa começa a imaginar se Alonso pode vencer a prova, mas é logo interrompido por Lobato. “Vai ter de colocar os médios...” e Gené revela que a Ferrari cogitava fazer três paradas até no domingo de manhã, mas desistira. “Você me enganou”, De la Rosa se magoou. “Disse que seriam três. Eu, como sou macaco velho, não falei nada da minha equipe porque pensei ‘ele está em enganando'”.
Os espanhóis se divertem com a sucessão de imagens de Vettel no box da Red Bull. “Marko nem quer saber mais da corrida”, vê Lobato. “Daqui a pouco começam as guardar as coisas”, completa o narrador, que considera que o líder Hamilton “recebeu um presente do céu”, ao passo que Alonso “ganhou duas posições arriscando muito. Ele sabe que é sua única opção.”
Começa o show de ultrapassagens, uma na primeira zona de DRS e o troco na segunda. As opiniões se dividem. “Elas estão muito próximas uma da outra”, reclama Gené. “É artificial, mas é emocionante de qualquer jeito”, acredita Coulthard. “É automobilismo em estado puro, mesmo com a asa”, se empolga Luiz Roberto.
Button reporta um problema. Burti diz que não entendeu o que é, mas o fato é que o inglês não deu mesmo detalhes. E fica por isso mesmo. Na La Sexta, descobrem que é o Kers pela queda na velocidade final do McLaren, enquanto na BBC é Ted Kravitz que vai atrás da informação.
No pit stop de Massa, Luiz Roberto chama a atenção para a asa “igual à da Red Bull”, para prontamente ser corrigido por Burti. “Tinha uma asa boa e uma ruim. Escolheram colocar a boa no carro do Alonso.”
Um pit stop lento para Webber e Reginaldo chega à conclusão de que “não é o dia da Red Bull.” Também não seria o dia das melhores paradas da história da Ferrari. “Um dos problemas dos pilotos da Ferrari é que, além do carro ser ruim, os pits também são. Eles não foram os mais rápidos em nenhuma prova”, destaca o comentarista de maneira uníssona com os espanhóis. “É algo que a Ferrari tem de melhorar”, destaca Lobato.
As primeiras paradas de box e suas implicações estratégicas levam o narrador a 2010. “Quanta raiva passamos olhando a traseira do Petrov. Foi a única corrida em que não cometeu nenhum erro”, lamenta. “Se tivesse acontecido uma primeira volta como a de hoje...”, De la Rosa entra na onda. “Mas isso não tem remédio, tem de olhar para o futuro, em 2012.”
Olhar para o futuro também é o remédio na Globo. “Felipe tem de pensar em 2012, temporada que pode começar muito bem no Brasil para ele pensar em manter-se na Ferrari depois de 2012”, acredita Luiz Roberto. “Nada como uma vitória para limpar tudo. Você é tão bom quanto seu último resultado”, completa Burti.
Atendo-se ao presente, os britânicos se preocupam com o ritmo de Hamilton, acham que o inglês perdeu rendimento no segundo jogo de pneus cedo demais. “Será que esse é o ritmo real dele? Não vimos nada parecido com esse ritmo do Alonso hoje em nenhum momento no final de semana”, surpreende-se Coulthard.
De volta dos comerciais, Lobato resume a prova até aqui. “Do filme de terror do ano passado, estamos vendo um filme de suspense. Aconteceu algo pela primeira vez neste ano, Vettel abandonou. Alonso segue aguentando como pode para conseguir um pódio, em um fim de semana em que teve muitos problemas. O objetivo é aumentar a distância para quando colocar os duros.” O narrador não vê seu piloto disputando a vitória, se preocupa mais com a diferença em relação a Button.
Enquanto isso, Massa e Webber trocam de posição nas zonas de DRS. “Tomara que eles continuem assim por muitas voltas para vermos a delicadeza da pilotagem”, pede Luiz Roberto. “O problema é que Webber tem um carro mais lento na reta e não se aproxima o suficiente quando tem a DRS.”, vê Brundle, que também observa uma falta de confiança nas frenagens do australiano. “Ainda bem que era o Webber, porque se fosse o Hamilton”, Lobato deixa no ar. “Não sei quem é pior. Webber vai no limite”, testemunha De la Rosa. “E se fosse Hamilton?”, o narrador insiste. “Não aconteceria nada.” Lobato ri e lembra o comentarista de que “foi o que você disse momentos antes deles baterem na última prova.”
Mas quem rouba a cena é Pastor Maldonado. O venezuelano, que quase batera na saída dos boxes – o que levou Brundle a brincar com Coulthard, perguntando se ele já havia feito isso, ao que respondeu, resignado, “em 95, quando liderava” (veja o vídeo) – tinha problemas em respeitar as bandeiras azuis. Os espanhóis já haviam percebido que ele fizeram Alonso perder um segundo com Hamilton – e reclamaram que a punição recebida de nada adiantara ao asturiano – classificam a atuação do piloto da Williams de “horrível.” Coulthard concorda. “Não é aceitável. Isso é pilotagem muito ruim. Ele está levando uma volta, já foi punido, e opta por disputar roda a roda com Webber”, se impressiona. “Imagino os comissários pensando: será que ele não aprende!”, se diverte Brundle. “Daqui a pouco mudam a cor da bandeira”, completa Luiz Roberto
Webber para pela segunda vez e opta por colocar pneus macios. “É importante a informação para Alonso ver se vai fazer três paradas também”, De la Rosa segue sem confiar no ritmo da Ferrari com médios. “Webber não tinha opção porque Button já não tem mais problemas e estava escapando. Mas me surpreendeu muito”, reconhece o comentarista. “Ele tem que fazer 1s250 mais rápido por volta para funcionar. A diferença entre os pneus não é tão grande”, Brundle faz as contas. “Webber não tinha escolha porque os pneus dele tinham acabado e, se colocasse médios, perderia 1s por volta”, Kravitz traz a versão da Red Bull.
Os brasileiros também estão descrentes e acreditam que tudo isso pode ser “bom para o Felipe se Button e Webber começam a brigar”.
Nesse momento da corrida, os espanhóis continuam achando que Alonso chegar em Hamilton “é impossível”, percepção que vai mudando à medida que o espanhol diminui a vantagem para o inglês. “Que trabalho que Fernando está fazendo com esse jogo de pneus”, se impressiona Gené, enquanto Lobato siga alertando sobre o ritmo com pneus médios e como seria difícil manter-se à frente da McLaren. Ainda que Brundle se surpreenda com o ritmo da Ferrari – “nunca vou desistir de destacar como Alonso nunca desiste” – ele e Coulthard não acreditam que seja possível a ultrapassagem no box. “Falta ritmo no segundo setor para ele conseguir abrir o necessário.”
Já Reginaldo só vê uma possibilidade. “Ele tem de andar muito rápido e torcer para a Ferrari pela primeira vez no ano fazer o pit mais rápido da prova.”
Antes da parada, Hamilton tenta abrir caminho e se surpreende quando o retardatário Barrichello usa a DRS para superá-lo. Faz um gesto para indicar que é o primeiro colocado. “Ele fez isso porque sabe que está passando por um piloto que já andou muito em primeiro”, interpreta Reginaldo. Os britânicos valorizam a prova de recuperação do brasileiro e lamentam que o piloto não tenha um lugar garantido na F-1 ano que vê. “É uma pena”, diz Coulthard.
Alonso acaba sem o tempo suficiente e a Ferrari ainda é lenta na parada mas, mesmo assim, os espanhóis chegam a ver por alguns instantes Alonso saindo à frente de Hamilton. “Deu para ver problema na dianteira direita. Não pode”, diz Burti. “O tráfego na entrada e a lentidão da parada não ajudaram”, resume Brundle.
As atenções se voltam para a tentativa de Webber, cuja briga já não parece ser mais com Button. Britânicos e brasileiros focam na diferença com Massa, enquanto os espanhóis até considerem que a Red Bull possa chegar atrás da Mercedes. “Daqui a pouco vamos ouvir o Rob Smedley falando para o Massa acelerar porque o ritmo dele com médios é muito ruim”, aposta Brundle.
O brasileiro roda e isso sela a disputa, como a dupla da BBC observa. Porém, as posições invertidas por diferentes estratégias confundem e ambos acreditam que Webber será quinto. No Brasil, Luiz Roberto lê de forma equivocada a tabela de tempos e confunde a diferença em relação a Button – 18s – com a para o líder – que no momento era de 46s – e crê que a posição do brasileiro está segura. Já os espanhóis apontam para o risco de Massa perder posição para Rosberg.
Todos concordam, no entanto, que a rodada tem a ver com os pneus. “A Ferrari não tem o mesmo rendimento com o pneu médio e Felipe deve estar com mais dificuldade de guiar”, aponta Burti. “É pneu”, crava De la Rosa.
Os britânicos lamentam a chance desperdiçada por Webber. “Ele não ganhou nenhuma prova no ano e essa seria uma boa oportunidade. Ele não tem bom posicionamento na pista, mas tem ritmo”, acredita Coulthard. Burti também se volta ao assunto. “A diferença entre Webber e Vettel pode ser explicada por mudanças nos pneus. Sabemos que os melhores pilotos se adaptam, mas às vezes o estilo de pilotagem atrapalha.”
Para De la Rosa, uma parcela de culpa fica com a Red Bull. “Optaram por três paradas em uma prova na qual houve pilotos que fizeram uma... atrapalharam Webber de novo. Ano passado quem tinha mais chances na Red Bull era ele e fizeram uma estratégia terrível”, lembra.
Lobato destaca o trabalho de Alonso. “Fernando se aproxima do décimo pódio na temporada, que alguns dizem ter sido ruim. Não houve título, mas o ano do Alonso foi incomensurável, assim como Button não foi campeão e fez a melhor temporada da vida”, compara.
Já De la Rosa destaca seu companheiro de McLaren. “Hamilton teve a corrida controlada, fez como ensinou Vettel, mantendo de 3 a 5s de vantagem, parecia que sempre tinha algo no bolso.” O comentarista, sem querer, dá início a uma discussão. “Ele, Alonso e Vettel são aqueles que podem vencer sem o melhor carro.” Jacobo Vega e Antonio Lobato não se convencem a respeito do alemão De la Rosa cita Monza-2008. “Mas o Bourdais foi quarto, não 15º”, questiona veja, referindo-se à classificação do companheiro do alemão na ocasião. “Estou dizendo que são capazes de algo especial, não de milagres. Milagre ninguém faz”, responde o catalão.
Hamilton cruza a linha de chegada e Brundle declara: “Ele está de volta e a McLaren está de volta. Será que isso o devolverá aos dias felizes?” Se a vitória vira a página na vida de Lewis, não dá para saber, mas a dúvida de Luiz Roberto é outra. Hamilton dedica a conquista à mãe e vai abraçá-la após sair do carro. Talvez esperando traços diferentes, o narrador fica sem a certeza se a mulher loira é de fato a mãe do único negro da F-1. “Ele abraçou uma senhora ali...”, fica em cima do muro. Mas Gené já escancara o que todos estavam pensando. “Nossa, ele só puxou o pai mesmo”.
GP da Índia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Exatamente como prevíamos”
Martin Brundle começa a transmissão da BBC mandando um “Incredible India”, o slogan do país e salientando até a pouco conhecida cultura automobilística do país – “a primeira corrida foi em 1904” –, enquanto Antonio Lobato, na espanhola La Sexta, critica o a cabine destinada aos jornalistas – “vamos tentar informar o que podemos deste cubículo sem janelas”.
Do Brasil, Reginaldo Leme aponta que a performance em classificação da Ferrari chega a animar “mas deve ser outra disputa entre a McLaren e a Red Bull.” Para David Coulthard, nem isso. “Se Vettel fizer a primeira curva em primeiro, temo que nem será visto nesta tarde.”
A dúvida de todos, como de costume, é em relação aos pneus. “Podem ser duas paradas”, acredita Luciano Burti na Globo, enquanto Coutlhard e Pedro De la Rosa se animam ao ver alguns largando de duros. “Vão dar informações valiosas”, crê o escocês. “Só serve para quem está fora de posição”, o espanhol não entende a decisão. Compreendem ainda menos quando vêem estes pilotos parando logo. “Só faria sentido se houvesse um Safety Car.”
Antes dessa conclusão, uma largada conturbada. Os brasileiros demoram mais que os outros a identificar Barrichello – “porque trocou o capacete” – entre os acidentados na primeira curva, enquanto Brundle confunde Hamilton com Button para cima de Webber. O inglês vê uma boa largada de Alonso e um “excesso de bravura” na primeira curva, mas Lobato lamenta que sua estrela tenha “largado mal” e se preocupa com Barrichello. “Quanta tensão. Ele está com um pé fora da Williams e é muitas vezes superado por Maldonado...” Para Burti, foi só mais uma situação de corrida. “Foi meio batida de trânsito. Juntou todo mundo e ele não conseguiu parar”.
Começa a vaga esperança de De la Rosa “que Vettel não abra no começo senão complica muito.” Burti também observa que “o ritmo de Vettel nas duas primeiras voltas é fundamental para ele fugir do DRS.”
Na La Sexta, acham que a briga entre Button é Webber é “boa para Fernando” – saudade de quando tudo era “bom para Felipe!” – e destacam como a disputa é “limpa”. No entanto, De la Rosa salienta que tudo isso só ajuda Vettel. “Essas brigas intermediárias são preocupantes porque ele já pode pensar em economizar pneu.” Lobato exagera: “só falta apoiar o cotovelo na lateral.”
O narrador estava inspirado. Quando o comentarista Jacobo Veja salienta que Jaime Alguersuari ultrapassou “por dentro e por fora”, brinca. “Só falta por cima.”
Os ingleses dão o “prêmio de consistência” a Button, com uma sequência de voltas no mesmo décimo e percebem que a conversa de rádio indica que Senna está sem Kers, ao contrário dos brasileiros, que ficam na torcida para que Massa passe Alonso (atrapalhado na saída de box por Schumacher) após a parada.
O brasileiro sai quase em cima do companheiro, e todos reclamam da saída de box. “Não entendo como eles constroem essas pistas maravilhosas e parecem não pensar onde colocar a saída”, critica Coulthard. Já os espanhóis criticam a poeira, motivo pelo qual, acreditam, Alonso ficou uma volta atrás de Schumacher. “Estava no pit lane ontem, pinguei colírio e quase tive de colocar óculos de tanto que meu olho ardia. Quando eles passavam parecia ralicross”, testemunha De la Rosa, só para ser chamado de “fraco” por Lobato.
O piloto de testes da McLaren não desanima e observa que a maioria não fez o pit stop por degradação, “foi só porque o primeiro parou. Estão fazendo tempos 2 a 3 décimos mais rápidos com os pneus novos, geralmente vemos 1 a 2s.”
O engenheiro de Massa, Rob Smedley, comemora a volta rápida do brasileiro. A simples palavra “fastest” desestabiliza o narrado Luiz Roberto. “Será que vai vir um faster than you?”. Reginaldo também não está 100% tranquilo. “A gente fica apreensivo porque o Massa é o maior alvo dos erros do Hamilton” – mas diz isso no exato momento em que é o ferrarista quem aparece escapando.
Hamilton se aproxima e Lobato quer a aposta dos comentaristas para saber se vai ter batida ou não, mas ninguém entra na brincadeira. Marc Gené só acha estranho que “Massa está defendendo demais para uma corrida tão longa”, para depois de redimir. “Se é por um erro que ele cometeu e não por ritmo, então faz sentido.”
Na BBC, Brundle destaca, na volta anterior à batida, que na freada para a curva cinco “só cabe um e Lewis sabe disso melhor que eu”. Ou não. Na opinião de todos, acidente de corrida, mas cada um vê mais culpa de um lado. “Lewis vai dizer que a curva era dele e Felipe, que tinha a trajetória e o direito de virar”, resume Brundle que, assim como Coulthard, acredita que o inglês será punido. “Acho que pela história entre os dois, Hamilton terá uma punição”, diz o escocês. Ambos também imaginam que Massa não sabia exatamente onde Hamilton estava na hora da tangência.
Na Globo, Burti defende Massa. “Geralmente, quem vem atrás está errado. Se Hamilton quisesse recolher, daria. Como é uma curva rápida, não dá para dizer que quem está por dentro tem mais direito.” Reginaldo concorda. “Acho que Felipe apostou nisso [que Hamilton recolheria]. Estou em dúvida sobre o que podem decidir. Podem punir os dois.”
Na La Sexta, é Massa quem leva. “Ele parecia que tinha cedido e na última hora decidiu fechar. Hamilton não teve nenhuma culpa”, acredita Gené. “Massa deve ter deixado um metrinho, mas acho que não foi grave, é incidente de corrida”, completa De la Rosa.
Quando sai a punição para o brasileiro, Coulthard é irônico. “Exatamente como prevíamos”. Brundle não se conforma: “o que Massa poderia ter feito?” Os brasileiros só lamentam. “É uma pena porque foi uma das melhores corridas do Massa que vi em termos de ritmo”, diz Burti.
Já os espanhóis – em especial De la Rosa – estão mais interessados na asa dianteira da Ferrari. “Esse é um tema sobre o qual queria falar com Marc hoje. Não dói sua cabeça ver a asa batendo assim?” O piloto de testes da Ferrari desconversa. “A pista está suja, não?” Lobato não se convence. “Lógico que passa pelos testes da FIA e é legal, mas não parece muito efetiva.” E De la Rosa segue especulando. “Vai ver quebrou alguma estrutura interna que vocês usam para flexioná-la”. Gené só ri.
Mas o repórter inglês Ted Kravitz não se convence e vai à Ferrari. “A asa dobra quando o combustível cai e tiveram de trocar porque a FIA poderia se envolver”, informa.
O dia de Massa só piora quando o brasileiro acerta as chamadas salsichas e quebra a suspensão. “Eles falaram que vão mudar a zebra, reconhecendo que está errado”, lembra Luiz Roberto. “O carro do Felipe está saindo de frente, então ele tem de virar um pouco antes e por isso vai no laranja”, justifica Burti. O trio brasileiro começa a observar os rivais. “O Webber encostou”, praticamente vibra Luiz Roberto. “É um espaço muito pequeno para colocar o carro e ele errou”, Burti finaliza a discussão.
Brundle prefere ver como Alonso lida com a tal salsicha. “Ele não chega nem perto.” Os espanhóis estavam no comercial na hora do abandono, mas De la Rosa não deixa de alfinetar os rivais ferraristas. “As salsichas são agressivas, mas não é para quebrar suspensão. Vemos coisa muito pior em Monza.”
Kravitz se impressiona com os tempos ruins de Webber. “Será muito ruim para ele colocar os pneus duros. Ele está acabando com seus pneus!”, enquanto De la Rosa e Gené não entendem o que acreditam ter sido um erro estratégico da Red Bull e o piloto de testes da McLaren tem sua teoria. “Eles estavam experimentando o duro para Vettel, ainda que o único que lute por algo seja Webber.”
Seja como for, os espanhóis não se convencem facilmente que a ultrapassagem conseguida por Alonso nos boxes é definitiva. “Que não nos enganemos, vai sofrer muito com o pneu duro. A única chance é Webber bater no limitador e é o que está acontecendo.”
Com o passar das voltas, Gené principalmente se surpreende com o rendimento da Ferrari. “Nunca vi o carro andando tão bem de pneu duro. O pódio dá mérito a Fernando e tira de Webber. Seu desempenho está muito aquém de Vettel”, observa, assim como os brasileiros. “Vettel vem falando que pode ajudar Webber, mas olha as posições em que ele chega”, ataca Reginaldo.
Coulthard não se conforma com o ritmo ruim de Hamilton. “É o mesmo problema do começo da corrida. Ele está 1s mais lento que o Button e sabemos que não é um piloto 1s mais lento. Ele não consegue manter o ritmo nesses pneus.”
A inversão de posições no box entre os carros da Mercedes chama a atenção. “Não dá para saber se Rosberg estava no rádio dizendo que não tinha mais pneus, mas quando viu Schumacher saindo na frente, deve ter pensado ‘por que me pararam? Onde estou na estratégia da equipe’”. Lobato também suspeita e dá a entender que Nico só parou antes para que Michael passasse “e agora falam que pode lutar. São coisas estranhas que acontecem no mundo da F-1.” (não me lembro de ter achado estranho na Coreia, quando os carros vermelhos passaram por situação bem parecida).
As voltas finais ainda guardavam emoções por que os espanhóis não esperavam. “O problema do pneu duro é que, quanto menos borracha ele tem, mais difícil é aquecê-lo. E ainda por cima está caindo a temperatura.” Era do que Webber precisava para atacar Alonso. “A última volta será de suplício. Vamos prender a respiração porque Webber não se rende. Vamos Fernando, confiamos em sua mágica”, exclama Lobato. “É na sétima marcha curta da Red Bull”, completa De la Rosa. O narrador fica maluco com a transmissão, que prefere mostrar o vencedor Vettel.
Por que será, não é mesmo? O alemão apenas tinha sido imbatível. “O momento de mais tensão para ele são as primeiras voltas, porque tem de fugir da DRS. Depois é fácil”, acredita o narrador espanhol. De la Rosa discorda. “Como controlou a corrida. Sabemos que é o melhor carro, mas...” Brundle está com o espanhol. “Ele cobre tudo. Larga bem, não comete erros...” e Coulthard emenda. “É um exemplo para os jovens. Um dos primeiros a chegar, últimos a sair. Nada é coincidência.” E Reginaldo destaca a proximidade do alemão em bater marcas “que ninguém acreditava que seriam batidas, como a de poles do Mansell.”
O comentarista destaca ainda o nono pódio de Alonso, mesmo número de Webber, “mesmo com a difícil Ferrari.” Lobato faz outra comparação. “Massa não tem nenhum. Se continuar assim, será a primeira vez desde 1981 que isso acontece com um piloto Ferrari.”
GP da Coreia por brasileiros, espanhóis e britânicos: “O que fazemos com Massa?”
A F-1 chega à Coreia do Sul, no circuito de... “próximo a Seul”, como gagueja Galvão Bueno antes de ser salvo pelo convidado Lucas Di Grassi. Enquanto isso, Antonio Lobato, na La Sexta, da Espanha, critica a falta de espectadores na pista. “São destinos bons para o lado comercial, mas não para o espetáculo.”
É fato que Yeongam ainda não se tornou exatamente uma corrida esperada por todos mas, neste ano, tinha um ingrediente especial: o desconhecido, como frisaram os britânicos. “Eles tiveram pouco tempo para andar e muitas questões continuam sem ser respondidas.”
Foi um pouco difícil Galvão apresentar Di Grassi, em meio à propaganda da StockCar, ao respeito ao hino da Coreia e à palavra (ao vivo!) de Bruno Senna. Enfim, o piloto de testes da Pirelli explica que “são dois fatores de degradação, temperatura e emborrachamento da pista. A tática ideal seria três, tendendo para duas paradas. Para isso, o pneu tem de durar 15 voltas.”
Ainda sobre pneus, Pedro de la Rosa destaca que “todos querem economizar ao máximo porque se perde muito tempo no pit aqui”, enquanto na BBC o destaque é para o fato da Red Bull ter guardado pneus macios na classificação.
Já Galvão salienta o papel que o vento contrário na reta principal poderia ter. “Conversando com o Massa, ele me disse que isso favorece muito quem vem com a asa aberta, então podemos ter o maior índice de ultrapassagens.”
Ao menos Vettel aproveita a brecha e supera Hamilton. Para os britânicos, porque o inglês “foi muito justo e deixou bem mais que o espaço de um carro.” Para os espanhóis, porque “Vettel deve estar com a sétima marcha muito curta para voar nas primeiras voltas.”
Mas quem chamou a atenção na largada foi o “corajoso” Massa, na BBC, e sua “linda manobra”, para Galvão, que vê os pilotos “sem tomar muita precaução”. Os espanhóis se espantam mais com a queda de Button. “É como se não aquecesse bem os pneus. Isso é coisa de Ferrari.” Mas Lobato não se preocupa com o inglês, reclama de Webber por ter “freado muito Fernando nos primeiros metros”, algo que já previa antes da largada.
Agora, é esperar a degradação. Os espanhóis querem pit stop já na sexta volta porque “os tempos estão muito altos” e preveem “de três a quatro paradas”. Já os britânicos, avisados por Ted Kravitz, observam os tempos de Petrov que “fez o Q2 e o Q3 com os mesmos pneus, então tem os compostos mais desgastados que os demais. E seu ritmo é bom!” E Brundle explica que com o céu encoberto e a baixa temperatura da pista a degradação não veio.
Talvez a esperança de Lobato e companhia de que a primeira rodada de pit stops tenha chegado é para tirar Alonso do encaixotamento entre Massa e Button. “Alonso precisa passar o Massa já, porque o Button não vai esperar. Se houve algo de prudência até aqui, agora é o momento de arriscar”, brada o narrador.
Galvão não acredita que será fácil. “Massa reconheceu que não andou bem, mas na segunda metade, das últimas 5 corridas, largou 4 na frente.” Na verdade, 4 de 6. O narrador acredita que Button esteja vindo para cima de Alonso porque “a impressão é de que ele gastou menos pneu. É questão de tempo. Isso é bom pro Felipe porque as Ferrari não têm mais pneu.”
Particularmente Alonso, notam seus compatriotas. “Estou vendo o Fernando fritando muito o pneu, que não é comum dele, então deve estar com muita vibração”, observa Gené, assim como Di Grassi na Globo, enquanto De la Rosa está impaciente. “Então, Marc, o que fazemos com Massa?” O piloto de testes da Ferrari prefere não responder.
O problema de Alonso, segundo Coulthard, é que Massa também está na zona de DRS. “Se não fosse isso, já teria passado.” Mas a bronca do escocês é com a McLaren. “Não sei porque estão demorando para chamar Button para os pits. Até Rosberg está se aproveitando do ritmo de corrida lento do Massa. Alonso deve estar furioso no rádio. Por favor, mostre isso, diretor de prova! Não posso imaginar que ele esteja calado no cockpit...”
A tal mensagem pedida por Coulthard não aparece, mas Rosberg, de fato, entra na briga. Passa Button no box, se atrapalha na saída – para deleite de Galvão e Brundle – e se recupera na reta. Aliás, o narrador brasileiro viu a DRS sendo ativada em três retas diferentes até acertar a real localização da zona de ultrapassagem, assim como cravou que a briga entre a McLaren e a Mercedes era... “bom para Felipe Massa”.
O próximo a parar é Massa e os britânicos não se surpreendem com a lentidão pois veem que há muito tráfego no pit lane. Já os espanhóis não se preocupam a princípio – depois vão checar no box da Ferrari o motivo da demora – pois “o problema é Fernando, porque o Massa estava na frente e tinha a opção de parar antes e ele teve de esperar a decisão de Massa e perdeu muito tempo”, explica De la Rosa.
Sem ver o tráfego, Galvão volta ao discurso que tinha desaparecido nas últimas etapas. “Demorou demais a troca. É sempre com ele!” e já abaixa o tom, pois não vê os tempos péssimos de Alonso e chega até a ver o brasileiro voltando atrás do espanhol – e é salvo mais uma vez por Di Grassi. A conclusão é que a Ferrari “errou tudo: na parada, ao manter os pilotos na pista e ao prender Alonso demais na pista.”
Enquanto isso, De la Rosa explica como Alonso foi prejudicado “por dois motivos: por Massa tê-lo freado nas últimas voltas e por não ter podido escolher a estratégia.” Falando em estratégia, Ted Kravitz na BBC, Di Grassi na Globo e De La Rosa na La Sexta destacam a divisão das táticas da Red Bull, que muda os planos e coloca supermacios em Vettel e macios em Webber.
Galvão, no entanto, insistia que apenas a Ferrari estivesse pensando diferente, em fazer uma parada a menos – “para você ver que minha informação estava correta: a Ferrari comprometeu a primeira parte da corrida para fazer suas paradas” –, enquanto durante o período de Safety Car, Coulthard já crave que todos vão fazer duas paradas.
Os parênteses na prova haviam sido causados por uma colisão entre Petrov e Schumacher, ainda que Lobato tenha adotado tom de velório ao perceber que o russo estava envolvido e não enxergar Alonso, que vinha disputando posição com ele, na pista. Ao ver que Michael havia sido a vítima, conclui, antes do replay: “Fernando deve ter ultrapassado Michael e o autor com certeza é Petrov.”
Na verdade, Alonso tentava se recuperar após ser ultrapassado por Petrov e ambos perderam a freada. O espanhol parou na área de escape e o russo, em Schumacher. “Acho que os dois esqueceram que tinha mais gente na pista. Eles nunca iam parar”, Martin Brundle acha graça e vai na mesma linha de Galvão, que emenda: “é impressionante a sorte do Alonso.” Para Gene, seu bicampeão “viu o que ia acontecer e ficou longe”.
De la Rosa ainda aproveita o Safety Car para dar uma dica dos riscos que a McLaren vem correndo: “isso é bom para nós, é o que eu posso dizer”. O assunto era combustível.
Com a relargada e Alonso mais uma vez atrás de Massa, que não consegue passar Rosberg, Lobato se irrita. “Massa tem um carro mais rápido, precisa de um pouco mais de determinação!”. Isso, mesmo com os colegas lembrando como pode ser difícil superar uma Mercedes.
O brasileiro e o espanhol passam o alemão e Alonso esboça um ataque. “É isso que a gente quer ver: Massa largando na frente e brigando com o Alonso!”, Galvão se anima na mesma proporção que Lobato se revolta. “Se não fosse uma Ferrari que estivesse à frente, com certeza Alonso estaria agindo diferente.” Já Brundle tem uma terceira visão. “Sinto frustração em Alonso, o que é estranho porque ele tem dito que está muito feliz. Há algo que aconteceu na Coreia que o chateou.”
Seja qual for o motivo, o espanhol não só deixa de atacar Massa, como fica um pouco para trás. “Não sei se é boa ideia provar asa que não é para este ano”, divaga Lobato sobre a asa dianteira que apenas Alonso usa na Coreia.
Enquanto isso, na BBC Coulthard começa a apostar por uma vitória de Webber, pois “Hamilton e Vettel ainda terão de colocar pneus macios e o australiano está no mesmo ritmo, mesmo com pneu mais duro.”
Para isso, insistem que o piloto da Red Bull deve parar antes dos rivais. “Cada volta que ele perde atrás do Hamilton ajuda Vettel.” E ajudou mais ainda quando fez seu pit na mesma volta do inglês, diminuindo as chances de ultrapassagem. “Ele deve estar pensando ‘não era disso que eu precisava’”, imagina Brundle.
Curiosamente, quando o australiano vai para cima de Hamilton logo após a parada e não consegue passar, tanto Coulthard, quanto Lobato, lembram da batalha épica entre Gilles Villeneuve e Rene Aurnoux em Dijon, 1979. “Os dois foram muito limpos. Imagino se o fato de saberem que vão voltar no mesmo avião tem passou pela cabeça deles em algum momento”, viaja o escocês.
Os britânicos se assustam com a velocidade “que Alonso tem depois de ficar preso atrás do companheiro” e Coulthard se impressiona em vê-lo fazendo os tempos mais rápidos da pista “mesmo com pneus 20 voltas mais velhos.”
Já Galvão salienta que “a segunda parada de Felipe não foi mostrada, mas agora estão fazendo falta aqueles 3s da primeira” e erra nos cálculos, afirmando que não apenas Alonso superará o companheiro, como também Button – que está apenas 15s atrás. Brundle também erra, dizendo que a perda no pit é de 25s.
Quem tem as contas em dias são os espanhóis, ainda que a mudança de ritmo do bicampeão inicie uma campanha de Lobato: “Que dano Massa causou a Alonso. Sem ele, estaria em segundo”, ainda que De la Rosa acredite que as voltas rápidas também tenham a ver com um melhor rendimento da Ferrari com pneus macios.
O narrador espanhol é de certa forma apoiado pelos britânicos. “Muitos torcedores não gostam quando Felipe tem de deixar passar, mas o tempo que Alonso perdeu atrapalhou muito a equipe hoje”, considera Brundle. “Imagino se Ferrari deixou eles disputarem para aumentar a confiança do Massa”, especula Coulthard.
Se esse for o caso, Galvão quer que isso continue, ainda que se conforte com a situação. “Alonso atacou Massa a corrida inteira. Resta saber agora se Massa poderá atacar Alonso. Mas temos de entender que ele está na briga pelo vice. A equipe fez estratégia diferente porque quer esse ponto a mais para ele. Felipe fez uma corrida muito aguerrida”, destaca.
A tal possível briga nem chega a acontecer, pois o ritmo do espanhol é alucinante, ou “um autêntico macaco hidráulico”, como define Lobato, que enxerga a possibilidade de um segundo lugar para seu conterrâneo. “Como Alonso estava certo ao dizer que tinha se acostumado a fazer coisas impossíveis nesta temporada”. A sequência de voltas rápidas no mesmo décimo também surpreende Brundle. “Jovens pilotos que estejam assistindo, tomem nota: é assim que Alonso ganha corridas, com uma consistência implacável.”
Os britânicos tentam encontrar uma resposta para a falta de ritmo de Button. “Será que ele está economizando equipamento para atacar no final?”, pergunta Coulthard. O fato de Webber não passar Hamilton também causa estranheza. Tanto na BBC quanto na La Sexta, acreditam que a sétima marcha da Red Bull está curta demais e o australiano chega no limitador antes do ponto de freada. “Hamilton tem muito mérito, mas parece que Webber não ganha vantagem com DRS”, observa Gené. “Corridaça de Hamilton”, completa De la Rosa.
Galvão também elogia o inglês, a seu modo. “Fez o que se espera dele. Ele disse que sente falta da namorada, brigou com o pai, mudou de religião. Tudo isso influi porque o piloto tem de estar 100% focado. De 10 dias para cá, ele resolveu adotar uma expressão tranquila.”
Empolgado, tanto com o ritmo de Alonso, quanto de Alguersuari, que vinha em oitavo àquela altura, Lobato acredita, a duas voltas do final, que o piloto da Ferrari “ainda tem o segundo ao seu alcance se houver confusão na frente.” É algo que nem Fernando considera, avisando via rádio que havia desistido, em mensagem que chamou a atenção dos britânicos. “Wow, isso não é uma boa mensagem para uma equipe ouvir”, afirma Coulthard. “Nunca achei que ouviria Alonso dizer isso”, se surpreende Brundle, antes que ambos comecem a formar teorias: seria para enganar Button? Estaria reclamando do carro da Ferrari? O narrador faz sua aposta: “Acho que significa: ‘se vocês me deixarem atrás do Massa de novo...’” Já De la Rosa, também surpreso, brinca: “Deve significar ‘vou forçar mais do que nunca!’”
Sem mensagens ou mesmo tanto trabalho assim, Vettel vence mais uma. “Está fazendo um campeonato impecável. Usou mais do que devia do carro. Ganhou até corridas em que não era o melhor”, define Di Grassi. “Sempre falamos que as corridas que Vettel ganha são fáceis. Mas nessa ele tinha ritmo”, completa De la Rosa, enquanto Coulthard tem dificuldade em escolher seu destaque do dia, pois “os 10 primeiros merecem.” Brundle desce do muro e escolhe Alguersuari, enquanto Lobato repete o mantra: “Sem Massa, Alonso seria segundo”.
GP do Japão por brasileiros, espanhóis e britânicos: “duro, mas justo”
Será que Vettel vai vencer? “O campeonato, sim”, acredita David Coulthard na britânica BBC. “Mas a vitória na prova depende, porque a McLaren dominou todas as sessões e havia uma sensação de alívio quando a Red Bull fez a pole.”
Na Globo, replays das decisões de título de Senna em Suzuka – ainda que Galvão Bueno, 20 anos depois, não tenha decorado o nome da curva mais famosa do circuito “Faz 30 anos que eu falo curva de alta” – e preocupação com a degradação de pneus.
Os espanhóis, na La Sexta, também estão preocupados: como Alonso sairá da quinta colocação o mais rápido possível? “Fiquei sabendo que Alonso tem treinado reação ao semáforo 15 minutos antes de entrar no carro”, entrega Pedro de la Rosa.
O espanhol também é assunto na BBC, pois Martin Brundle não entende por que Vettel disse que ficaria de olho nele na corrida. “Alonso foi o mais rápido no último setor e isso significa que tem muita velocidade de reta, na zona do DRS. Vai ser importante na corrida”, explica Coulthard.
Na largada, onde Brundle vê uma manobra “crucial” e Coulthard “Vettel sendo tão agressivo quanto se pode ser”, Galvão fala em “fechada muito forte” e Luciano Burti defende punição. O narrador espanhol Antonio Lobato não vê o lance entre Button e Vettel, está mais preocupado com a disputa entre Alonso e Massa. No replay, a opinião geral de britânicos e espanhóis é de que não haverá punição porque “há poucas penalizações na largada porque há muitas mudanças de posição”, como explicam os que deixaram o cockpit a menos tempo, De la Rosa e Coulthard. “Os comissários vão dizer que Button poderia ter tirado o pé. Foi duro, mas não merecia punição.”
Lobato lembra que “por pouco o título não é decidido como é de praxe em Suzuka”, com uma batida tirando Vettel e Button da corrida, enquanto Reginaldo Leme e Brundle lembram que o ex-piloto que ajuda os comissários no GP do Japão é Alan Jones, “um dos mais agressivos contra quem pilotei”, lembra o inglês, “alguém que nunca foi muito limpo na pista”, completa o comentarista.
Voltas depois, Alonso passa facilmente Massa. “Sem qualquer resistência. É de se pensar se ele sacrificou a classificação com um acerto mais voltado para a durabilidade dos pneus”, cogita Coulthard. “Aí está um cara cujo espírito está estraçalhado”, diz Brundle. O de seus torcedores também está. Tanto, que Galvão se vê na obrigação de explicar a ultrapassagem. “Alonso está na briga pelo vice. É normal o Felipe facilitar.” Lobato comemora a manobra. “Seria muito ruim ficar atrás de Massa, que é evidentemente mais lento.”
Chegando perto das primeiras paradas, o assunto é estratégia. O repórter da Globo Carlos Gil lembra que Vettel afirmou ser “difícil não ter de fazer uma quarta parada.” Já De la Rosa explica a dificuldade de parar muitas vezes. “Vai ter de se livrar muito bem do tráfego, pois vários vão estar mais lentos tentando parar duas vezes.”
Com Hamilton lento, a primeira impressão é de que o inglês acabou com seus pneus. “Esperava-se muito dele, mas talvez o carro estivesse acertado apenas para uma volta”, diz Burti. Tudo culpa da má fase. “O sucesso do Button incomodou e também tem o empresário e a namorada popstar.” Gil também dá seu depoimento. “Fiz várias corridas em 2007 e ele era como o Vettel nas entrevistas. Agora é monossilábico, misterioso. Mudou muito.”
Na BBC, Coulthard chega a pensar que Hamilton desacelerou de propósito para frear Alonso e deixar Button escapar – reflexos do salve-se quem puder da época de segundo piloto na McLaren – mas é salvo pelo repórter Ted Kravitz. “Foi um furo.” De qualquer forma, o ex-piloto observa que “Hamilton não tem conseguido fazer os pneus durarem como Button.”
Os espanhóis não puderam ‘malhar’ o inglês, pois perderam toda a ação dos primeiros pit stops em um intervalo. Na volta, Lobato chama a atenção para o ritmo ruim de Hamilton. “Deve estar com as rodas destroçadas porque vocês lembram que ele foi o primeiro a parar.” Não lembramos, Lobato, até porque não vimos.
Mas De la Rosa estava atento aos tempos e chega a cogitar que Vettel tem um problema, pois Button e Alonso são mais rápidos que ele. “Ou é pneu. Button é o que melhor cuida deles e o que é impressionante é que isso melhora quanto pior o desgaste dos outros.”
Não demora para a Red Bull chamar ambos os pilotos ao box, e na mesma volta, para delírio de Galvão e Kravitz. Brundle parece menos impressionado. “Eles tinham 10s entre um e outro. Dizem que a partir de 8s é confortável.” Na La Sexta, De la Rosa afirma que a margem da McLaren é de 12s e não entende como Button parou depois e saiu na frente de Vettel. “Acho que perdemos algo na volta de saída dele.”
A rapidez adiantou para Webber, que superou Massa e Hamilton com a jogada, mas não para Vettel, que voltou atrás de Button. Mas nada tão interessante como o “sétimo round”, como brincou Brundle, entre Hamilton e Massa. “Ele virou como se Massa não estivesse lá”, diz o ex-piloto, que fica em cima do muro em relação a uma possível punição. Reginaldo não tem dúvidas. “Está ficando perigoso. É quando um piloto perde noção de bom senso. Tomara que ele volte bem longe do Felipe”, completa Galvão.
Na La Sexta, ficam na mesma discussão da Globo, sobre ‘de quem é o pedaço de asa que voa’. Quando aparece a informação de que o toque será investigado, Gené diz acreditar que não vai dar em nada e De la Rosa concorda. “Foi a mesma coisa. Só tocaram porque Massa não tirou o pé. O espaço diminuiu e ele tinha de ter visto. Vamos ver a consistência das decisões. Corrida de carro tem sempre o risco de contato.”
Reginaldo lembra que Button teria afirmado que está “conduzindo o desenvolvimento do carro do ano que vem.” Mas Burti duvida. “Quem sabe ele fala isso para colocar minhoca na cabeça do Hamilton.” “Está funcionando”, observa Galvão.
O Safety Car na pista ajuda os pneus a se desgastarem menos e diminui a necessidade de fazer muitas voltas com o médio, como lembra Kravitz. Gené acha que o SC também acaba com a possibilidade de fazer 4 paradas, mas De la Rosa insiste que é possível. No entanto, estão mais preocupados com o ataque de Webber sobre Alonso. “Tomara que tenha atrapalhado aquele pedaço de asa quebrado no toque com Schumacher”, diz o piloto de testes da McLaren. “Pelo menos nas primeiras voltas após a relargada não se pode usar a DRS, então Fernando terá tempo de aquecer o pneu.”
Gené destaca que Vettel “é o que mais gasta pneu entre os quatro primeiros. Complicou muito sua luta pela vitória.” Para os britânicos, foi a antecipação da terceira parada que acabou com qualquer chance de ser campeão vencendo. “Parando agora, a Red Bull está desistindo da luta pela vitória e indo para os pontos.”
Desde as cabines de trasmissão, Coulthard vê Alonso voltando da parada à frente do alemão, assim como os espanhóis – coisas que transmitir a corrida no Brasil não permitem. “Agora vai ter de aguentar”, nem Lobato crê no segundo lugar do compatriota.
Segundo lugar que no momento é terceiro, pois Michael Schumacher, com uma parada a menos, lidera a prova. Coulthard e Galvão acreditam que o alemão pode tentar ir até o final, mas Lobato lembra que ele “só usou macios” e Burti que “o grande problema da Mercedes na temporada é o desgaste de pneus.”
Brundle, então, observa que “Hamilton e Massa estão perdendo 1s por volta atrás de Rosberg” e Coulthard imagina que “ele está segurando os dois para ajudar Schumacher e voltar na frente”. É o que acontece, ao menos com Massa.
As atenções se voltam para o ataque de Vettel a Alonso. “Ele não precisa de nada disso, mas na cabeça do piloto ele vê o carro na frente e quer ultrapassar.” Para Lobato, segurar o alemão seria “um milagre, que ele vai tentar!”, enquanto os ingleses lembram que a Ferrari do espanhol era bem mais rápida no speed trap.
A perseguição é interrompida por uma Virgin, que atrapalha Vettel. Britânicos e espanhóis se espantam com o fato do alemão reclamar, dando a entender que está apreensivo pela decisão do campeonato. Já Galvão inicia um discurso contra as equipes novas, que “só ficam na pista para atrapalhar.”
Não demora para Webber, quarto, receber a mensagem de que não deveria forçar, pois o mesmo havia sido dito para Vettel. O áudio provoca risos em todos. “Ou seja, não incomode Vettel por favor”, traduz Galvão. “Por favor! É incrível”, Lobato não gosta quando as ordens são na Red Bull.
Os espanhóis vão à loucura com Alonso tirando a diferença em relação a Button. A cautela em relação à disputa com Vettel virou empolgação. “O Magic vai para cima!” Na Globo, acreditam que o inglês, aquele que “merece o vice”, tem sobras, mas os próprios britânicos reconhecem que, se esse fosse o caso, “não teria deixado chegar tão perto.”
Quando Alonso ficaria dentro da zona de DRS, Button aperta – e depois descobrimos que a demora para isso era relacionada ao combustível. “Temos um botão amarelo que faz uma grande diferença no desempenho”, lembra De la Rosa. “Marc, temos botão amarelo na Ferrari?”, pergunta Lobato. “Com Fernando, o botão fica apertado o tempo todo!”, brinca o piloto de testes ferrarista.
Com a vitória fora de alcance, começam as lamentações de Lobato. “Que pena não ter carro mais competitivo... Como está guiando o Fernando neste ano. Com este carro, tem de arriscar em cada curva.” E o segundo lugar volta a ser um resultado “mágico”, com direito a comparação com o sétimo lugar de Massa. Logo depois, reconhece que Button também “não estava dando a aula de pilotagem no ano em que foi campeão que está dando agora. A nós e a seu companheiro.”
Quem se rasga em elogios ao inglês são os brasileiros. “É um piloto que pensa a corrida. Está numa fase espetacular.” Os britânicos lembram do incidente com Vettel no início da corrida. “Não perdeu a cabeça quando foi para a grama e também temos de respeitar Alonso por nunca desistir. Ele tem o terceiro melhor carro e ainda assim está lutando pela vitória”, Brundle elege seus destaques da prova.
De la Rosa vai mais longe. “Ainda que o campeonato esteja decidido, temos três carros igualados com três pilotos em seu melhor momento na carreira.”
O terceiro, é claro, é o novo bicampeão do mundo. “Não tenho dúvidas de que estamos assistindo a uma era Vettel”, acredita Reginaldo. Mas Lobato ainda tem tempo para uma última observação, depois de divagar sobre o que teria acontecido se Alonso não largasse em quinto ou quanto combustível Button teria sem o Safety Car. “Você voltou a fazer mágica, amigo. São oito pódios para Alonso no ano. O melhor resultado de Massa é quinto.”
GP da Bélgica por britânicos, brasileiros e espanhóis: “Foram os outros que falharam”
Pneus pra que te quero. As transmissões da BBC para os britânicos, da La Sexta para os espanhóis e da Globo para os brasileiros começam pautadas pelo assunto do dia: as bolhas, que afetavam especialmente os carros da Red Bull – e todos com uma pontinha de torcida para que o problema impedisse mais uma vitória de Vettel. “Essa não é uma pista em que você gostaria de ter um problema como esse. Eu estaria nervoso”, admite David Coulthard.
Na largada, Galvão Bueno vê “todos que têm esse problema com o pneu” ficando para trás, enquanto os espanhóis se revoltam com o erro na freada de Bruno Senna, que acaba com o dia de Jaime Alguersuari e quase leva Fernando Alonso. “Por favor, por favor...”, não para de repetir o narrador Antonio Lobato. “Bruno mostrou que está um pouco enferrujado”, observa Martin Brundle. “Deu uma fritadinha e escapou”, para Galvão.
Mas quem impressiona a todos é Rosberg, que pula na ponta. Não o Keke, como Galvão chegou a dizer antes da largada, mas Nico. “Ele está voando. E Webber mais uma vez largou mal”, vê Brundle.
Os espanhóis só sentem falta do australiano na volta 2. Lobato está empolgado com o início de Alonso, que tinha pulado de oitavo para quarto. “Vettel tenta passar Rosberg o mais rápido possível para se livrar do homem que vem atrás.” Suspeito que não se referia ao terceiro colocado, Felipe Massa.
O brasileiro era pressionado por Alonso. “Fernando chegou em Massa e disse: ‘ou vamos, ou sou é quem vou’”. E vai, para delírio dos compatriotas. “Assumiu o risco”, diz Marc Gené, com uma ponta de alívio. “Dia de corrida aberta na Ferrari”, ironizam os britânicos. “Ótima manobra de Fernando e isso é o máximo de agressivo que Felipe pode ser”, afirma Brundle, referindo-se à defesa do brasileiro em relação a Hamilton, que também o ultrapassa.
Galvão Bueno não está feliz com a postura de Massa em relação a Rosberg. Ao não conseguir passar o alemão, abriu a porta para a dupla Alonso-Hamilton. “Faltou ao Felipe paciência para tentar a ultrapassagem no lugar certo. Não adianta ficar mostrando o carro no miolo”, repetia a cada cinco voltas. “As Ferrari tinham acerto para seco e estavam muito animadas”, completava o narrador, ainda que, como todos sabiam que não choveria no domingo, a aposta era geral.
Na BBC, a preocupação/torcida era em relação aos pneus da Red Bull. “Eles estão com problemas!”, exclamava o repórter Ted Kravitz quando Vettel e Webber foram aos boxes nas primeiras voltas. Mas Coulthard duvidava que seria um problema tão grande. “Eles não precisam ganhar a corrida, então resolveram parar cedo para não arriscar muito. É questionável se os pneus novos terão tanto problema.”
O movimento na pista e nos boxes confunde todos. “Não sei para onde olho, mas estou gostando disso!”, diz Brundle. “Petrov foi para o reabastecimento”, afirma Galvão. “O que quero dizer é trocar de pneus. Aquele fogo no carro de Heidfeld me deixou com reabastecimento na cabeça”, justifica. Enquanto isso, Pedro de la Rosa crava que Vettel certamente vai a quatro paradas.
Na pista, Webber passa Alonso em um duelo de tirar o fôlego na Eau Rouge. “Até tirei o olho da tela”, confessa Coulthard. “Alonso salvou os dois de um grande acidente”, completa Brundle. “Parecia ímã, um querendo bater no outro”, diz Galvão. Os espanhóis estavam apressados para ir aos comerciais e perdem duas ultrapassagens do piloto da Ferrari.
Na volta, Lobato vibra: “Alonso está a 6s de Vettel e ele tem problemas de bolhas!” A alegria dura pouco, quando Hamilton bate e parece perder a consciência por alguns segundos. “Cuidado que creio que ele não está se mexendo”, o narrador muda o tom. Galvão também está preocupado: “Absurda a falta de sensibilidade do diretor de imagens”.
Os britânicos não veem nada de anormal e colocam a culpa toda em Kobayashi. “Lewis claramente não sabia que Kobayashi estava lá”, acredita Brundle. “Não tem culpa nenhuma, deixou espaço. O Kobayashi é que começou a fazer a curva onde ele estava e não se pode fazer isso. Não tinha como passar por fora dali”, defende Coulthard. Apenas Kravitz estranha a demora do inglês em sair do carro e procura a McLaren, que esclarece. “Eles acham que foi por frustração.”
Os espanhóis acreditam em acidente de corrida. “Kobayashi tem 70% de culpa, mas Hamilton também se moveu na freada.” Galvão define: “Era Hamilton e Kobayashi. Ninguém ia ceder.”
O narrador brasileiro acredita que a corrida está “caindo no colo de Dom Alonso”. Enquanto isso, os espanhóis temem que não parar durante o Safety Car era um erro e tentam imaginar maneiras do piloto da Ferrari vencer – e desanimam. “O engenheiro disse que não parar não é um desastre. Mais foi”, define Lobato.
Os britânicos consideram Vettel, terceiro atrás do Safety Car, na melhor posição. “Ele é o grande vencedor do SC e Webber será rápido no final da corrida”, define Kravitz, que vai buscar uma explicação da Ferrari. “Eles acreditam que Alonso pode fazer uma parada a menos.” Luciano Burti segue a mesma linha: “A vantagem é de Webber, porque já tirou o médio do caminho, mas Vettel poderá ir para cima com macios novos agora.”
Ainda antes da metade da prova, Coulthard prevê que Button pode ser quarto, enquanto Kravitz quer apostar que o inglês vence. “O dinheiro vai para caridade”. Coutlhard e Brundle se esquivam, com o primeiro apostando em uma briga entre o piloto da McLaren e Webber “porque os dois já usaram o médio.” Na Globo, se surpreendem em ver Jenson em cima de Massa. “Ele vem como quem não quer nada e já vai passar. Tem uma finesse impressionante”, diz Galvão.
Os espanhóis entrevistam Jaime Alguersuari, revoltado com Bruno Senna. “Foi estúpido. Era a melhor chance de pontuar bem. Quero pensar que vamos ter essa chance novamente.” Lobato escolhe as palavras. “Gostamos de Bruno, mas ele acabou com o sonho de Jaime e quase de Fernando, quase tira os dois espanhóis.” Para Burti, “não foi culpa de Bruno, foi falta de experiência. Freou um pouquinho mais tarde do que deveria. Ele está muito tempo sem correr.” “É aprendizado para ele”, completa Galvão.
Na frente, Alonso é ao menos 1s mais lento que os rivais com o pneu médio. “Não vejo como ele vai conseguir se segurar”, Coulthard chega a propor que o espanhol pare de novo e coloque macios. “Não é temperatura, é rendimento”, sentencia De la Rosa, que não se conforma com a dobradinha da Red Bull. “Não tinham domínio tão grande, foram os outros que falharam.”
Quando Button se aproxima para passar Alonso, Lobato diz que nem quer ver. “O que acontece com a Ferrari? É um desastre!” Ao ver seu piloto fora do pódio, logo lembra que “Massa está 50s atrás”, ‘esquecendo-se’ do pneu furado do brasileiro.
Nas voltas finais, a atenção é para a batalha entre Schumacher, que havia largado em último, e Rosberg pela quinta posição. No rádio, o engenheiro de Nico diz que a briga está liberada. “Michael vai pegar você, é isso que ele quis dizer”, ‘traduz’ Brundle. “Se tem uma corrida em que o Schumacher pode descontar tudo o que o Rosberg tem feito com ele é essa. Se vira, Rosberg. Você acha que alguém vai dizer para o Schumacher que é para manter posição?”, afirma Galvão.
Lobato desconfia da mensagem dada para Rosberg de que tem de economizar combustível, ainda que De la Rosa lembre que é normal ter de economizar em Spa. “Pode ser código, porque não é normal um piloto sair com nível de combustível diferente do outro, mas também Rosberg andou num ritmo mais forte no início da corrida”, raciocina Coulthard.
Hora dos balanços finais. Para os espanhóis, os cinco primeiros fizeram corridaças. “Ele soube lidar com os pneus, não sentiu a pressão, soube ultrapassar e teve uma estratégia perfeita”, De la Rosa encheu Vettel de elogios. “Quase todos os 13s que Alonso perdeu foram pelo pneu médio”, observa Gené.
Na BBC, Vettel também ganhou destaque – “o que quer que joguem nele, pneus, Safety Car, ele consegue superar” –, mas Coulthard elegeu Schumacher e Button (“com ultrapassagens brutais”) como os melhores, com direito a menção honrosa para Maldonado, “visto como um hooligan ontem, mas que na corrida foi bem”, segundo Kravitz.
Burti destaca Button e Webber, enquanto Galvão faz um balanço dos brasileiros. “Se esperava mais do Massa e tem a decepção do Bruno Senna, que depois fez uma grande corrida. Ele ficou a três posições de ganhar um pontinho, como o tio dele fez na estreia”, comenta, esquecendo-se de que, naquela época, os pontos eram dados até o sexto colocado. Do lado brasileiro, resta pensar em um desempenho melhor em Monza – da nova estrela, claro. “Tomara que o Bruno classifique e largue bem.”
GP da Hungria por britânicos, espanhóis e brasileiros: “por que sempre chove em mim?”
David Coulthard não quis saber de suspense. Nem mesmo os carros saíam para a volta de apresentação, já cravou na BBC. “Especialmente Jenson Button vai pensar: essa corrida é para mim.” Como frisou Pedro de La Rosa, na La Sexta, “ninguém esperava chuva” naquela que Martin Brundle descreveu como “pistinha complicada, que causa muitos erros”. Para Galvão Bueno “é praga do Bernie Ecclestone, que queria molhar a pista.”
Na Globo, a preocupação é com os pneus macios da Ferrari e a posição de largada de Massa. “Ele preferia que estivesse seco e pudesse usar os supermacios. Também dizia que é a pior pista para quem larga do lado sujo. Ele que sempre é muito agressivo na largada.”
Quem voa na largada são as Mercedes, superando as Ferrari. Na frente, a briga é boa entre as McLaren. “Eles vão se tocar!”, exclama o narrador espanhol Antonio Lobato. “Achei que Button ia passar Hamilton”, Brundle se surpreende. “Parece que já recebeu ordem da McLaren”, suspeita Reginaldo Leme.
Os brasileiros veem Massa como o grande prejudicado. “Alonso passou por ele como Massa costuma fazer”, observou Galvão no replay, enquanto Brundle se impressiona com a dificuldade enfrentada pelos pilotos. “Parece rally! Eles são 38s mais lentos que na classificação”. Coulthard explica, assim como De La Rosa para os espanhóis, que está escorregadio pela “natureza da superfície antiga”.
Mesmo de lado, Hamilton pressiona Vettel. “Uma coisa é clara: a Red Bull não tem vantagem no molhado. É uma questão de tempo para ele passar”, observa Coulthard. Na La Sexta, a torcida é para que isso demore porque “a luta ajuda Fernando”. Na verdade, o melhor seria que os dois se enganchassem, não é, Lobato? “Como é muito impaciente, Hamilton pode cometer um erro”.
Mas quem estava passeando fora da pista com certa frequência era Alonso. “Quando você quer algo mais, nestas condições, tem de arriscar”, justifica o narrador. “Alonso ainda pensa em possibilidade de recuperação, por isso está arriscando. Hoje quem está guiando acima do limite do carro não é o Hamilton, é ele”, define Galvão.
Hamilton, enquanto isso, “força Vettel a um erro”, segundo Brundle, e toma a ponta, em uma jogada ensaiada, para Galvão. “Vettel errou e Hamilton vai embora. Na volta anterior, ele botou por fora para fazer o X, Vettel resolveu se defender e não fez o traçado correto”. “O problema é ele sumir agora”, teme Lobato. “Que incômodo é ter Hamilton atrás. Ele fica mostrando o bico onde nem tem espaço. Na sexta-feira, forçou uma ultrapassagem em cima do Alguersuari e perguntei para ele porque tinha feito aquilo. Ele disse: ‘para mostrar que estava lá’”, ilustra De La Rosa.
Depois de mais uma saída de pista de Alonso, o espanhol rapidamente recupera a posição perdida para Massa. Enquanto na Globo, por um momento, há a confusão de quem estava atrás, Brundle vê ordem de equipe. “Ele (Massa) não fez esforço algum para evitar que seu líder o passasse. Pelo menos é como eu vi.” Coulthard concorda.
Logo depois, o brasileiro roda no mesmo lugar onde Alonso e Vettel tinham escapado. “É uma lição para o Massa”, Coulthard ri. “Vettel e Alonso saíram no mesmo lugar e eles deixaram o carro escapar, mas ele tentou brigar com o carro e rodou.” Os espanhóis veem o mesmo. “Se tivesse jogado para o asfalto, como fizeram Alonso e Vettel, não teria rodado”, diz De La Rosa. Na Globo, a saída de pista só evidencia “o problema da Ferrari em aquecer pneu. Alonso também está com dificuldades.”
Marc Gené ficou preocupado com a possibilidade de troca do aerofólio traseiro danificado, porque “demoraria muito”, enquanto Reginaldo, voltas depois, especula se o pit stop menos de 2s mais demorado de Felipe não seria porque a equipe teria efetuado a troca!
Massa e Webber, os “valentes que têm pouco a perder”, como define Lobato, são os primeiros a arriscar com os slick. “A Ferrari vai usar Massa para ter informação”, aponta Coulthard, algo que Gené já havia previsto algumas voltas antes na La Sexta. Ninguém crê que a pista está seca o bastante. “Webber é mais esperto e vai arriscar tudo. Massa também. Eles vão andar no sabão no ladrilho. É como se fizesse bolha de sabão no banho”, compara Galvão.
Brundle volta a lembrar de seu conterrâneo. “Parece a vitória de Button na Austrália”, referindo-se à corrida de 2010. “Recordemos que Button é especialista nestas condições”, Lobato também não esquece. A decisão de parar antes se prova acertada e Webber e Button passam Alonso e Vettel. “Nós os questionamos, mas eles estavam certos”, recua Brundle. Lobato se desespera. “Ai, essas temperaturas do pneu como atrapalham!” Luciano Burti explica. “Cada carro aquece o pneu de um jeito. Depende da geometria de suspensão e aerodinâmica.”
Galvão frisa que “Massa perdeu parte da asa e ele está com dificuldade em controlar o carro”. Mas os colegas britânicos e espanhóis discordam. “Essa parte é mais por regulamento do que por função aerodinâmica”, explica Coulthard.
Enquanto Galvão discursa sobre a “falta de decência” que incentiva “até atiradores” na Internet, citando o boato gerado por um hacker de que Button teria sofrido um acidente, o repórter inglês Ted Kravitz vai até a Ferrari saber a quantas anda a corrida do time. “Me disseram que prova do Alonso está indo bem e que a do Massa está arruinada porque ele não consegue passar o Schumacher, mesmo estando 2s mais rápido”. Para os espanhóis, a explicação está no fato de que “só há um trilho e não dá para sair dele com slick.” Burti destaca como a “Mercedes é difícil de passar” e Galvão, o “rival duro” que é Schumacher.
Britânicos e espanhóis começam a se preocupar com a estratégia. “O pneu macio está durando o dobro do supermacio e isso permite fazer uma parada a menos”, avisa De La Rosa, enquanto Coulthard questiona se Hamilton não teria forçado demais no início do stint.
As elucubrações são interrompidas pelo fogaréu no carro de Heidfeld. Todos lembram que não é a primeira vez que vemos a cena no ano. Todos acreditam que haverá um Safety Car. Parece que Ferrari e Red Bull também, ao pararem Alonso e Webber. “É esperto porque, se tiver um SC, ganham. Se não, já estavam em sua janela para parar”, observa Coulthard. A continuidade da corrida e a maneira como o carro é recuperado provocam críticas à direção de prova na BBC e na La Sexta, e à organização do GP húngaro na Globo. “Eles simplesmente rebocaram o carro na contramão onde o líder do campeonato estava passando”, se revolta Galvão.
Coulthard observa que, após a chuva, a pista ficou mais abrasiva e quem estava colocando pneus macios se dava bem. Para Burti, é porque a “degradação do supermacio é muito alta.” O escocês ainda vê que, como Alonso se mantém muito colado em Webber, significa que está tão mais rápido que nem o efeito da aerodinâmica o freia. “Era para ele estar com Button e Vettel não fossem os erros do início”, lembra Brundle.
A tentativa da Ferrari é antecipar bastante a parada do espanhol. “Para ultrapassar Webber, vai ter de colocar supermacios. Arriscado”, aponta Gené. “Então ele vai a quatro. A princípio, os outros também, mas agora podem esperar para ver a degradação e decidir o que fazer”, explica De La Rosa.
Alonso volta andando 2s6 mais rápido e “os outros vão ter de responder”, para Brundle. Webber o faz, mas adiciona um tempero diferente: coloca pneus macios. “A Red Bull quer chegar ao final, com 30 voltas no pneu. É difícil. Esperávamos 16 voltas no super macio e ele durou menos”, alerta De La Rosa. “São duas ideias completamente diferentes. Não vamos saber como vai funcionar após 10 a 12 voltas. Precisamos de um pouco de chuva para animar ainda mais”, Brundle parece prever o que está prestes a acontecer.
Hamilton copia Alonso. Button vai na linha de Vettel e Webber. De La Rosa gostou. “Para Jenson, o único jeito de ganhar é fazer três paradas. Faz muito sentido porque cobre as chances de vitória da McLaren.” Na BBC, após as primeiras voltas, começam a questionar a estratégia de Hamilton. “Perguntei ao Jonathan Neale se eles querem que Hamilton vá até o final com os super macios. Ele riu e disse: ‘ele vai ter que forçar o máximo (push like hell)’. Será que foi um erro?”, pergunta Kravitz.
Os espanhóis estavam nos comerciais quando começou a chover e a corrida parece que virou de cabeça para baixo. Na volta, Lobato explica: “Começa a chover! Button passou Hamilton, que rodou. Alonso nos boxes, vai ser o primeiro a colocar intermediários”. É interrompido por Jacobo Vega: “Não, Antonio, são macios”. “Madre mia”.
Todos acreditam que a manobra de Hamilton para se recuperar da rodada foi “arriscada”, palavra mais repetida das transmissões. Brundle e Coulthard não acreditam em punição – “seria duro” – e Galvão tem “certeza” de que “vai haver investigação. Ele não pode sair assim.” Acerta.
Os pilotos da McLaren lutam pela ponta, para a alegria de Galvão. “Hamilton adora este tipo de condição de pista. E eu adoro a McLaren porque libera os pilotos para lutar. Isso vem dos tempos de Senna e Prost. É espetacular como eles são liberados.”
Antes da punição, muita água passaria por baixo da ponte. Nem tanta para colocar intermediários, no entanto. Para De La Rosa, a chuva fraca “ajuda quem quer ir até o final com macios porque não deixa o pneu superaquecer”, enquanto Lobato está mais interessado na “patinação artística” em que se tornou o GP com a dificuldade dos pilotos se manterem na pista.
É demais para Hamilton, que coloca os intermediários e que deveria estar pensando “por que sempre chove em mim?” – expressão inglesa dos azarados que até já virou música – segundo Coulthard. O inglês aposta pela chuva. “É uma decisão difícil”, Brundle fica em cima do muro. Os espanhóis não concordam. “É uma decisão muito arriscada porque era primeiro. Não tem por quê”, critica De La Rosa. “Não esperava isso de Hamilton. Quem colocou intermediários já está lento”, completa Gené.
“A equipe nas trocas do Hamilton só fez besteira”, avalia Galvão. Os britânicos querem saber de quem foi a decisão. “Jonathan Neale diz que foi Hamilton quem decidiu porque ele era o primeiro e tinha a escolha”, intervém Kravitz. De La Rosa também acredita que este é o caso. “Nessa situação, o piloto importa mais que o pitwall porque só ele sabe como está a pista. Foi Hamilton que quis entrar, porque não faz sentido que só tenham chamado ele. Se é para arriscar, escolhe quem está atrás.” Burti concorda. “Por que a McLaren errou com Hamilton e acertou com Button? Quem decide é o piloto.”
Mesmo com a vitória de sua equipe, De La Rosa reconhece que a Ferrari salvou bem uma corrida que poderia ser bem pior. “Tenho que dizer, Marc, que tudo conspirou contra vocês neste final de semana e ainda assim conseguiram um pódio”, afirmou, dirigindo-se ao colega Gené. Uma questão de sorte, para Galvão. “Alonso vai para o pódio só porque a estratégia de Webber e Hamilton não funcionou. A posição normal dele seria logo à frente do Massa.”
Todos destacam como Button “aproveita as oportunidades” e “sente onde está a aderência com a pista com partes secas e molhadas”. Para Galvão, “é tão suave com as pessoas quanto ao conduzir o carro”, ainda que, logo depois, diga que “caiu no colo dele a vitória.” Mas os espanhóis se preocupam mais com outro bom resultado de Vettel. “Foi sorte de campeão colocar macios na volta 42 e chover, o que ajudou a durar até o final, nos moldes do que aconteceu em Mônaco”, acredita De La Rosa. “É nessas condições que se ganha um campeonato. Vettel não podia vencer, mas manteve a calma e pilotou com a cabeça”, concluiu.
GP da Alemanha por britânicos, espanhóis e brasileiros: “derrotada a Red Bull”
Na Globo e na BBC estão preocupados com a chuva. “Corrida de verão com cara de teste de pré-temporada”, define Galvão Bueno, enquanto Martin Brundle acredita que é um dia em que se pode ir “from hero to zero” em relação à escolha de pneus e estratégia.
Os espanhóis estavam mais ‘preocupados’ com Vettel. “Mesmo que deva estar tranquilo com a vantagem que tem, não parece confortável”, observa Antonio Lobato. “Isso não é aceitável, com 80 pontos na frente e largando em terceiro. Não é nenhum desastre”, critica Pedro de la Rosa. “É que a situação ficou tensa na Red Bull depois da Grã-Bretanha e ele sabe que tem dois lobos o espreitando, Hamilton e Alonso”, Lobato chegou onde queria.
Os britânicos destacam o bom retrospecto de Webber em Nurburgring, mas acreditam que “a McLaren espera conseguir mais aderência com essas condições climáticas” e acertam em cheio. Já na largada, Hamilton pula à frente. “Ele conseguiu na segunda fase na largada, enquanto Vettel ficou preso em um sanduíche de Ferrari”, vê Brundle, que chegou a se confundir: achou que Vettel estava em segundo e Webber, em quarto.
Na Globo, decepção com uma ótima largada de Massa, que acabou se tornando uma posição perdida. “Todo muito arriscou muito na largada”, observa Galvão. “Outra vez Massa largou melhor que Alonso e ficou encaixotado”, lembra Reginaldo Leme. “Alonso sabia que Vettel tinha tudo a perder e se jogou no último instante”, lê Marc Gené na La Sexta.
Não adiantou muito, pois logo Alonso escapa e “libera Vettel”, na visão dos britânicos. “Deve ter soltado algumas palavras fortes em espanhol debaixo daquele capacete”, diz Brundle, enquanto Coulthard, De la Rosa e Luciano Burti citam a falta de aquecimento dos pneus como motivo. “Tá pensando que craque não erra? O melhor dessa geração deu uma escapada”, diz Galvão com uma ponta de satisfação.
Ao contrário dos britânicos, De la Rosa não vê Vettel aguentando por muito tempo. “Ontem os Red Bull deram mais uma vez um grande salto do Q2 para o Q3. Achamos que eles, por problemas de superaquecimento, só usam o Kers na parte final. O problema é que na corrida eles também têm de parar de usar em algumas voltas.”
De fato, não demorou muito para Alonso passar o alemão, enquanto Massa ficava preso atrás de Rosberg. “Fernando tem uma determinação impressionante”, justifica Galvão. Burti acha estranha a diferença de velocidade entre os dois carros e se chega à conclusão na Globo, após uma rodada e uma sequência ruim de voltas, que Vettel “tem um problema”. Espanhóis e britânicos têm outras explicações.
“Alonso cozinhou o Vettel em banho-maria. Fez ele usar todo o Kers para se defender da asa e guardou tudo para a outra reta”, acredita De la Rosa. “Não me surpreenderia se Alonso usou todo seu Kers na reta, algo que devia vir tramando há algumas voltas. É o que o Massa devia ter feito com o Rosberg faz tempo”, diz Coulthard.
Logo depois, Vettel sai da pista. “O que aconteceu com o homem que não cometia erros?”, pergunta Brundle. “É a regra número 1 quando chove = não cruze a linha branca”, ensine Coullthard. “Se confirma que Vettel está tenso e essa corrida pode ser um pesadelo para ele”, seca Lobato. “É certeza que ele terá uma vibração enorme nos pneus a partir de agora. Vai ter de aguentar com esse jogo porque não dá para parar agora”, De la Rosa, assim como Coulthard, antecipa a perda de rendimento do alemão.
Também sem entender como Massa não consegue passar Rosberg, Lobato dispara. “Não quero ser mau, mas se ele tivesse passado estaria na frente do Vettel, ajudando o campeonato e seu companheiro.”
Alonso encosta em Hamilton e Webber enquanto os dois lutam por posição. Galvão, em dia de campanha ‘Alonso é o melhor do mundo e, ainda por cima, sortudo’ - “Alonso à parte, nunca tinha visto tanto equilíbrio no nível de pilotagem” - , não tem dúvidas. “Vai cair no colo dele! Do jeito que esses dois guiam...” Isso não acontece. O que vemos é Hamilton se defendendo bem. “Ele é encardido”, define o narrador. “Quando Hamilton é ultrapassado, ele não se sente batido, simplesmente vê outra oportunidade para ultrapassar.”
Logo depois, Webber é o primeiro a parar. Como esperam uma corrida com dois pitstops, os espanhóis estranham a precocidade da troca e acreditam que tenha sido um erro. “Vai jogar ele no tráfego. É uma estratégia muito ruim”, diz De la Rosa, para logo se render quando Hamilton e Alonso param e voltam atrás do australiano. “Parece que há mais degradação do que prevíamos”, se explica, enquanto Galvão comemora o fato de Massa ter feito o melhor pitstop da rodada: “Valeu, Ferrari!”
A expectativa na BBC é que Webber suma na ponta. “Ele finalmente lidera uma corrida e acho que vai ficar aí por muito tempo”, diz Brundle, referindo-se ao fato desta ser a estreia do australiano na ponta de uma corrida neste ano. Já Burti observa diferentes fases durante o stint. “Ele voltou mais rápido, mas a tendência é gastar mais rápido e McLaren e Ferrari ficarem melhores à medida que as voltas vão passando.” Na La Sexta, não acreditam na supremacia da Red Bull. “Webber não vai escapar, ele não tem ritmo”, sentencia Gené.
Os espanhóis comemoram o fato de Massa ter voltado à frente de Vettel porque “é bom para o campeonato” e acreditam que o brasileiro vai conseguir se sustentar. “Ele é bom no corpo a corpo”, observa Gené. “Vai, Felipe, que hoje você tá arrojado”, incentiva Galvão.
Schumacher protagoniza uma reprodução da rodada de Vettel. “Chamam ele de Baby Schumi, mas ele não precisa copiar, ele faz antes”, brinca Brundle, enquanto os espanhóis veem uma diferença marcante. “Ele não freou quando escapou e não estragou o pneu”, observa Gené. “Sem dúvida, é o sinal da idade. Ele pensa, mas o corpo não responde”, diz Galvão.
A Red Bull avisa Vettel de um problema nos freios que “deve explicar porque parece perdido”, para Brundle; “deve ser temperatura”, para Burti e “com certeza é Kers”, para De la Rosa. “Quando seu Kers vai e volta, você tem de ajustar o equilíbrio de freio porque muda completamente”. O espanhol sugere que se trata de uma espécie de código para falar deste ponto débil do RB7.
Na segunda rodada, o undercut de Webber não funciona e, mesmo sendo o primeiro a parar, volta em terceiro. O último a entrar nos boxes, Alonso retorna momentaneamente em primeiro, e não consegue se segurar. Na volta anterior, quando Hamilton saiu do box brigando com Webber, os espanhóis disseram que seria “impossível” passar por fora na curva dois. E é o que o inglês faz com o espanhol. “Pegou Alonso cochilando. Parece que ele pensou que estava tranquilo na liderança e esqueceu que Hamilton tinha os pneus mais aquecidos”, vibra Coullthard. “Ele fez o que não deixou o Webber fazer. Dá muita vergonha ser ultrapassado por fora. Ainda mais quando é Alonso sendo superado por Hamilton.” Para Galvão, “o inglês está impossível hoje, se bem que o pneu estava frio”, enquanto os espanhóis veem um Alonso “muito limpo” e também culpam os pneus. “Ele poderia ter feito o que Hamilton fez. Me dá a impressão de que sabe que essa corrida é sua”, acredita De la Rosa.
Coullthard está curioso para entender porque o undercut não está funcionando. “Se bem que deu certo com Webber no início da corrida, então é algo que temos de analisar com calma. Agora não dá porque tem muita coisa acontecendo!” Lobato concorda. “Parece outro campeonato desde o GP da Grã-Bretanha. Nem parece que vivemos aquele domínio no começo.”
A grande dúvida agora é como a troca para pneus médios vai interferir na corrida. Para Galvão, “quem parar por último vai ganhar”. Já Gené e De la Rosa não têm tanta certeza. “A chave da corrida é saber quem vai arriscar colocar os médios porque pode ser que não seja tão ruim quanto parece”, diz o piloto de testes da McLaren. “Como vimos uma degradação tão maior nos macios, pode ser que não sejam tão lentos”, completa seu colega na Ferrari. A única certeza na La Sexta é de que Alonso é o que vai sofrer mais entre os três primeiros com o composto.
A teoria na BBC é de que a Pirelli está tornando os pneus cada vez mais duráveis, por questões de marketing. “Com isso, ter um carro que cuida bem dos pneus já não é vantagem, porque eles estão com problemas para mantê-los aquecidos”, vê Brundle.
Gené monitora os tempos de Vitaly Petrov, que acabara de colocar os médios e virava bem, mas De la Rosa temia a demora para aquecê-los. Todos acreditam que Hamilton sairia perdendo quando o inglês é o primeiro a parar. “Se ele pudesse escolher, pararia na última volta, mas os pneus estão indo. É muito arriscado”, acredita o espanhol.
Começa o monitoramento dos tempos. Na primeira volta, Alonso e seus pneus macios gastos ganham em relação ao rival, mas na segunda, britânicos e espanhóis percebem que o tráfego acaba com as chances do asturiano. “Imagino se não seria melhor continuar nesses pneus”, afirma Brundle quando o piloto da Ferrari faz sua parada e volta bem atrás do inglês. O narrador, por sinal, acha que Webber, ao permanecer na pista, está fazendo o certo e se surpreende minutos depois. “Ele está muito lento! Não está funcionando.”
Narradores e comentaristas não seriam as únicas vítimas da não tão dramática diferença entre o macio usado e o médio novo, segundo Galvão. “Dessa vez os pneus deram nó nos estrategistas.”
Com a primeira derrota na pista, sem quaisquer contratempos, da Red Bull, Galvão sentencia que “os outros chegaram”, enquanto Coulthard ainda vê outro fator que talvez tenha complicado para anglo-austríacos e ferraristas. “Hamilton usou muito bem o frio para vencer.” Já De la Rosa ficou empolgado. “Não falo em virada porque é uma palavra muito ambiciosa, mas há um campeonato, não é só a Ferrari que pode disputar, tirar pontos deles.”
Restava, no entanto, uma briga a ser decidida. Massa havia segurado Vettel por grande parte da prova e, como ficava claro que a Red Bull não tentaria o undercut, decidindo no mano a mano nos boxes, os espanhóis achavam que o único jeito do alemão passar seria na pista.
Estavam errados. “É muita pressão para a cabeça deles! Massa fez uma corrida no limite extremo. Agradecendo à incompetência da Ferrari, Vettel fica em quarto. Mais uma vez, Felipe vai ter de dar bronca!”, Galvão se revolta. “Massa foi muito lento na entrada e a Ferrari foi muito lenta no pit”, observa Brundle, enquanto Lobato repete: “é uma pena”.
Resta destacar o vencedor. “Acho que a cabeça e o acerto de Hamilton estavam no lugar certo hoje”, define Brundle. “Hamilton é o cara do show”, opina Reginaldo. “Posso dizer que foi uma vitória arriscada por parte da equipe. Introduzimos muitas coisas sem provar. Valeu a pena”, revela De la Rosa. E Lobato, claro, não perde a chance. “Corrida espetacular de Hamilton, assim como desse homem que vem logo atrás. Derrotada a Red Bull. Se Vettel já estava tenso, isso vai continuar acumulando.”
Aliás, a carona de Alonso no final anima os espanhóis. Pela peculariedade da cena e pela dúvida que joga no ar. “A grande questão é quanto ele teve de levantar o pé nas últimas voltas.”
Mas o maior ponto de interrogação que Nurburgring deixou é outro: “vai ter gente coçando a cabeça na Red Bull porque só conseguiram um terceiro e quarto lugares hoje.” Para Reginaldo, “Vettel nem pensou em liderar hoje porque teve problema de freio. É a primeira derrota real do melhor carro do ano.”
GP da Grã-Bretanha por ingleses, brasileiros e espanhóis: “Logo hoje que sua fotinho está no capacete dele!”

Depois de destacar a visita à “casa espiritual” do esporte a motor britânico, Martin Brundle toca no assunto que está na boca de todos antes da largada do GP da Grã-Bretanha: que pneu usar na chuva? “É o pior pesadelo de um piloto. Você quer uma pista totalmente molhada ou seca”, testemunha David Coulthard, na BBC. “Esse pneu intermediário vai virar um slick em três ou quatro voltas”, prevê Marc Gené, na espanhola La Sexta. “A expectativa de três paradas agora muda”, raciocina Luciano Burti, na Globo, enquanto Coulthard aposta em quatro pits na corrida. Claramente, as novas cabines de imprensa, que conferem visão bem limitada da pista, desvirtuaram alguns dos comentários. A verdade é que ninguém tinha noção do quão molhada estava a pista.
No final das contas, havia água o suficiente para que os intermediários funcionassem bem e a estratégia fosse mantida – ainda que alguns comentaristas insistissem na possibilidade de quatro paradas até o final.
Vettel toma a ponta e provoca reações distintas. “Webber contemplou a ultrapassagem”, define o narrador Luiz Roberto. “Deu a sensação de que deixou passar”, concorda o espanhol Antonio Lobato. “Ele está em vias de renovar o contrato e parece que não quis arriscar”, identifica Reginaldo Leme. O comentarista diz que não gostou do comportamento de Massa na largada. “Sem ser atrapalhado por ninguém, perdeu velocidade.”
Brundle custa um pouco para perceber a inversão na primeira fila da Red Bull. Estava mais preocupado com Button. “Parece que tem problema de equilíbrio”, acredita Coulthard. “Foi fácil para Massa e ainda mais para Hamilton passá-lo”, completa o narrador, sobre o que é definida por Burti como “uma briga dura, mas bonita, entre Massa e Button”. A dupla britânica comenta como os carros devem estar dificeis de controlar, devido à falta de tempo de pista na sexta-feira.
Na La Sexta, notam que “todos os pilotos do lado direito largaram melhor”, algo que seria comentado pelo pole Webber ao final da prova. Os espanhóis começam a se preocupar com a fuga de Vettel à frente – desde o início acreditam na vitória de Alonso. “Esses três ou quatro segundos que Vettel tem em relação a Webber e Webber com Alonso são importantes porque, ainda que se equivocaram com os pneus e perdam tempo nos pits, voltam na frente”, diz Gené, para logo dar sua pitada de torcida. “É impossível que Vettel não destrua os pneus nesse ritmo.” Enquanto isso, Pedro de la Rosa torce para que seque rápido. “Aí teremos corrida.”
O repórter Ted Kravitz intervém na BBC para informar que “se eles usarem o pneu intermediário até a volta 10, é boa notícia para a estratégia.” Logo após Burti destacar que os ponteiros estavam esperando “alguém dar a cara a tapa”, Schumacher perde o bico em uma disputa com Kobayashi. “Ele atropelou o Kobayashi”, define Luiz Roberto. Coulthard ri do ex-rival. “Ele não esperava que Kobayashi voltasse à trajetória, mas era perfeitamente normal que o fizesse. Totalmente culpa dele.” Brundle concorda, mas acredita que não haverá punições devido às condições de pista. Para Lobato, contudo, “não tem o que investigar”.
Culpado ou muito culpado, a colisão significa que o alemão calça os slick. “Muito arriscado”, De la Rosa e Gené concordam. Mas o heptacampeão volta como o homem mais rápido da pista e todos seguem. Na Red Bull, Webber para primeiro – “não é que queiram beneficiar Mark, mas querem proteger Vettel de Fernando”, explica Gené – e, na Ferrari, Alonso – “Massa teve de esperar e está sem aderência alguma”, observa Brundle. Pelo menos na Globo ficam felizes com o tempo de parada do brasileiro. “Até que enfim a Ferrari trabalha melhor com o Massa.”
Na BBC, discutem porque Button gastou mais pneu na primeira fase da corrida, sendo que é o piloto mais suave do grid, o quanto que ele gosta deste tipo de condições e como sua ultrapassagem em cima de Massa com suas “habilidades supremas” lembrava Mansell passando Piquet por fora em 1987. É na Globo que surgem os elogios a Hamilton. “É nessas condições que ele aparece, largando de intermediários e indo bem de slick na pista ainda escorregadia”, destaca Reginaldo no momento em que o inglês ultrapassava Alonso.
Os espanhóis não puderam dizer muito sobre a cena. Afinal, estavam nos comerciais. Na volta, Lobato avisa: “tenho uma notícia boa e outra ruim. A ruim é que as Ferrari não têm temperatura no pneu e foram ultrapassadas pelas McLaren. A boa é que Webber está encostando em Vettel, que é o mais lento dos seis primeiros... agora Vettel faz volta mais rápida. Então tenho duas notícias ruins.”
Os ingleses finalmente se empolgam com Lewis. “É o tipo de bravura que esperamos dele”, afirma Coulthard. “Não acredito que ele parou o carro”, responde Brundle. “Eu fiquei pisando no freio aqui.”
Poucas voltas depois, são as Ferrari os carros mais rápidos da pista. “A corrida está virando de cabeça para baixo”, define Brundle. De la Rosa explica. “A McLaren ganhou a corrida do Canadá porque consegue aquecer o pneu com a pista um pouco molhada. A boa notícia é que, secando a pista, os carros com dificuldade de aquecimento vão economizar mais pneu.”
Dito e feito, as Ferrari vão para cima. Ainda que Burti não acredite muito. “Não acho que a diferença da Red Bull para Hamilton e Alonso seja real. Acho que os dois estão atacando enquanto Webber e Vettel economizam pneus.”
Alonso agora era o homem mais rápido da pista e Hamilton logo percebeu que isso era real. “Ele foi para cima de Hamilton porque é o mais rápido hoje. Alonso is on fire!”, exclama Brundle, enquanto os espanhóis, mais uma vez nos comerciais, perdem a manobra. Pelo menos desta vez, era o banco Santander, com o próprio Alonso como protagonista, que preenchia a tela. Na volta, Lobato se empolga. “Tem corrida pela frente e Fernando é o mais rápido!”
O narrador adotou um tom conformista quando a Red Bull fez uma parada um pouco lenta para Webber. “Tudo sempre acontece com ele. Agora que já erraram com Webber, tudo vai ser perfeito... não tão perfeito, não tão perfeito, não tão perfeito! Fernando à frente. Impressionante!” O erro animou a todos. “Desculpe Red Bull, mas isso é ótimo para a corrida!”, se diverte Brundle ao ver os carros da equipe anglo-austríaca em terceiro e quarto lugares. “Logo hoje que sua fotinho está no capacete você vai cometer um erro desse!”, brinca Luiz Roberto.
A briga agora seria entre Vettel e Hamilton, o “protetor inesperado” de Alonso, para os espanhóis. “É crucial para as chances da Red Bull que Vettel passe Hamilton, porque ele está perdendo um segundo para Alonso”, observa Coulthtard. “Mas Vettel também é um segundo mais lento. Está indo para as mãos do espanhol”, comenta Brundle. “Posso ouvir Eddie Jordan dizendo no paddock: 'eu disse que era o dia dele'.”
Para os espanhóis, se Vettel fosse tão mais rápido, teria passado com facilidade. “Mesmo sem Hamilton à frente, o ritmo dele não seria muito melhor. Se tivesse o mesmo ritmo de Alonso, já teria passado”, observa Gené. “Olho para a tela e não acredito em ver Alonso em primeiro, seu ritmo e Hamilton como aliado”, afirma De la Rosa. Para os ingleses, Vettel não consegue passar porque “se aproxima no setor mais lento e fica em posição de ataque onde ainda está molhado.”
Ted Kravitz opina que a ajuda de Hamilton foi um presente para a Ferrari. Coulthard não concorda. “Isso não é um presente. Eles chegaram à liderança por mérito.”
Quando Button abandona, o ex-piloto escocês ri da informação errada dada pelo rádio, de que o pneu dianteiro esquerdo não havia entrado. “É a direita, Jenson. Ele não sabe onde está a direita e a esquerda”, aproveita para brincar com seu amigo.
Quando Vettel faz seu terceiro pit stop, para tentar – e conseguir – o undercut em Hamilton, o trio brasileiro se confundiu algumas vezes. Primeiro, viram Alonso onde estava Massa, logo à frente do alemão. Depois, calcularam que o piloto da Red Bull poderia voltar à ponta quando o espanhol fizesse sua parada – ainda que estivesse cerca de 34s à frente.
Não deram muita atenção para a estranha decisão da Ferrari em deixar Massa se arrastando na pista. “Ele tem que entrar. Está muito lento! Será que é uma estratégia para segurar Webber?”, questiona Coulthard. “Isso não afetaria a corrida de Alonso. É como se eles pensassem: 'a corrida de Alonso está ok? Manda o outro entrar'”, emenda Brundle.
Hamilton recebe “a última mensagem que o piloto quer ouvir”, segundo Coulthard: tem de economizar combustível. “Será que a McLaren foi mais competitiva do que esperava e, por isso, faltou combustível?”, pergunta o escocês.
Logo depois, a Red Bull aparece no rádio alertando Webber de que este poderia ser um blefe. “Parece pôquer! Foi aberta uma nova página no livro de desculpas de pilotos: 'estava blefando'”, se diverte Brundle. Mas De la Rosa não gosta. “A McLaren não faz esse tipo de coisa.”
Realmente, nada de blefe para Hamilton, que perde a posição para Webber. Enquanto isso, os brasileiros enchiam Alonso de elogios. “Ele tem feito corridas excepcionais, mas essa é impressionante”, afirma Reginaldo. “Na opinião de muitos, é o melhor do grid.” Reginaldo lembra que o asturiano chegaria a 27 vitórias. “Me lembro de quando Stewart fez essa marca; ele era considerado imbatível.”
O comentarista reclama que não mostraram a última parada de Barrichello, enquanto Antonio Lobato quer ver Alonso na frente.
Mas a corrida ainda guardaria muita emoção para as voltas finais. Massa perseguindo Hamilton – aquele que é “metade homem, metade peixe” para os ingleses – e Webber colocando pressão em Vettel. “Daqui a pouco vamos ouvir Vettel no rádio perguntando: 'o que está acontecendo? Por que ele está aqui?'”, Brundle aposta. “Não há ordens de equipe na Red Bull”, Coulthard corrige, ecoando os dizeres de Luiz Roberto na Globo, ainda que Burti saliente: “Vocês lembram o que aconteceu da última vez que deixaram esses dois disputarem posição...”
A Red Bull certamente lembra e, na última volta, a transmissão mostra a mensagem para que Webber fique onde está. Lobato, que estava achando graça da briga que acreditava ser “teatral”, afirma que “era para Vettel ser terceiro, mas a Red Bull cuidou a tempo do problema.” Na Globo, se surpreendem com “a primeira ordem de equipe” do time anglo-austríaco.
Na disputa de Hamilton e Massa, enquanto o trio da Globo vê o brasileiro “agressivo”, os ingleses observam “a grande pilotagem defensiva de Lewis.”
Já os espanhóis não dão muita bola. Comemoram “a maior derrota que Vettel sofreu no ano”. Para Lobato, “não é que Alonso tenha guiado melhor nesta corrida, porque tem feito coisa inverossímeis no ano todo, mas estava saindo de mãos abanando, mesmo lutando com toda a sua alma.” Para De la Rosa, não se deve creditar a vitória ao erro da Red Bull. “Ajudou, mas ele tinha ritmo para passar na pista.”









