GP de Mônaco por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Essa chuva virou piada”
Na estreia do novo esquema de transmissão da Globo, priorizando o material sempre diferenciado que o in loco proporciona, entrevistas ao vivo com Webber, Massa, Ecclestone e celebridades no apertado grid de Monte Carlo – ou “busão das 18h”, como bem comparou Luciano Burti. Tudo o que faz de Mônaco um GP diferente. E diferente nesta temporada significa que as alternativas seriam poucas naquela tarde.
Começando a transmissão da corrida para valer depois de cerca de uma hora de programa ao vivo, a Sky Sports destaca a “temporada maluca, com cinco vencedores diferentes, que estarão em um circuito em que tivemos cinco vencedores diferentes nos últimos cinco anos”. Na Globo, Galvão Bueno faz uma breve retrospectiva das corridas cheias de surpresas de 72, 82, 92 e 2002.
Para Reginaldo Leme, contudo, talvez tudo seja mais simples e sequer veremos um sexto vencedor diferente: “Se Nico pegar a ponta, a Mercedes está rendondinha.” Parte da crença que isso pode acontecer se dá, como salienta Antonio Lobato, na espanhola Antena 3, porque o pole “Webber sempre tem problemas com suas largadas.”
Antes mesmo da largada, os espanhóis estão preocupados com o que Vettel pode fazer de diferente com os pneus macios, fato ignorado por Galvão. “A vantagem para os demais é que isso vai nos dar mais informações porque, se os ponteiros pararem depois da volta 30, farão apenas um pit”, explica Marc Gené.
A atenção dos britânicos é mais com a possibilidade de protesto por uma inovação no carro da Red Bull, algo que é citado en passant pelos brasileiros e ignorado pelos espanhóis. “O grid está misturado, há essa questão técnica que pode mudar o resultado”, diz o narrador David Croft. “E ainda nem falamos da possibilidade de chuva”, completa Martin Brundle.
Na largada, os olhos logo se desviam de Webber, que contraria os prognósticos e mantém a ponta. “Grosjean espremeu o Schumacher, que tentava traçado diferente”, observa Reginaldo. “Foi a excelente largada de Michael que o colocou nessa posição. Ficaria surpreso se a suspensão estivesse inteira”, diz Brundle. Lobato, mais preocupado com Alonso – que “ganhou posições em todas as corridas até aqui na largada” – precisa do replay para ver que o toque do francês foi com o alemão. Ao seu lado, Jacobo Vega observa a boa largada de Vettel, motivo pelo qual, voltas depois, o comentarista e seus colegas não consideram que o alemão possa ser punido pelo atalho que pegou para evitar a Lotus.
Britânicos e espanhóis concordam que a primeira metade da prova será uma questão de economia de pneus. “Acho que todos mudaram o chip, não é hora de atacar”, observa Lobato. “Eles não querem forçar os pneus porque estão pesados e precisam alongar ao máximo até a primeira parada. Agora é questão de paciência”, completa Brundle.
Mas Felipe Massa parece que tem outros planos. “Estou gostando do ritmo e da vontade de Felipe”, ressalta Reginaldo. “Ele está com ritmo mais forte que Alonso, mas passar aqui é difícil.” Os britânicos observam o mesmo. “Parece que Alonso está segurando o Massa. Seria corajoso tentar dividir com ele a St. Devote, especialmente sendo seu companheiro, porque nesse caso tem que fazer o que ele quiser. Vai, Felipe, mostre que você está aí”, torce Brundle.
Croft chega a perguntar se chegara “a hora de haver uma ordem de equipe”, mas o comentarista acredita que não. “Ainda é a fase de economizar pneu.”
Poupar pneus não passa pela cabeça de Galvão, que pede uma ordem de
equipe. “Podem falar que o Massa está mais rápido, como já falaram tantas vezes para o Felipe. Mas duvido que alguém tenha moral de dizer isso para o Alonso. A Ferrari não tem comando”, comenta, enquanto Massa diz ao engenheiro Rob Smedley que o companheiro está atrapalhando-o. O inglês diz que vai checar se o espanhol tem algum problema. Momentos depois, reaparece: “ele está poupando pneus e você deveria fazer o mesmo. Fique a um segundo dele, está bom, e se aproxime quando quiser.” A explicação de Gené é de que Alonso está lento para evitar a turbulência de Hamilton. “Porque isso faz o carro sair de frente e desgasta o pneu.”
Burti já havia colocado panos quentes na vontade de Galvão em ver uma inversão de posições, lembrando que “Alonso está na liderança do campeonato”. A discussão inexiste na Espanha que, inclusive, estava nos comerciais quando Massa se aproximava. Voltaram no momento em que o gráfico da FOM mostrada o bicampeão tirando a diferença em relação a Hamilton. “Será que Alonso, sabendo que tinha cobertura, estava guardando pneus mais que os outros? Ele estava segurando o ritmo o tempo todo, não?”, Brundle lança no ar.
A explicação na Globo é outra. “Quando os pneus se desgastam e a aderência cai, Alonso tem capacidade de continuar andando rápido”, diz Galvão. “Por isso queria que ultrapassagem do Massa fosse antes”, emenda Reginaldo. Croft tem uma terceira versão: “a temperatura baixou uns 3 ou 4ºC e as Ferrari ficaram mais rápidas.”
Com a lentidão de Raikkonen, se abre uma brecha para Rosberg ser o primeiro a parar, mesmo com a ameaça de chuva. “Os céus vão decidir se é uma grande manobra ou um erro. Isso vai colocar pressão na Red Bull”, acredita Brundle, referindo-se à necessidade de Webber reagir para evitar ser ultrapassado. “Podem ter jogado a corrida de Rosberg fora”, acredita Galvão.
Voltas depois, é a hora de Lobato se agitar. O trio espanhol acompanha os melhores setores de pista de Alonso, que logo vai para o box. Seus conterrâneos, no entanto, queriam que seguisse na pista. “Com o ritmo que tinha, o manteria na pista. Tinha muito pneu. E agora fica mais complicado fazer uma parada, porque são muitas voltas. Ele fez duas parciais de outra galáxia”, vê Gené, enquanto, para Reginaldo, Alonso passou porque “a parada da Ferrari foi a melhor da prova.”
A bronca de Lobato é outra: acha que vai chover, que todos erraram e que Vettel sairá ganhando. “Ele trocou os pneus antes do tempo e perdeu rendimento agora com os duros. Pode ter sido um erro absurdo e coletivo.”
Mas ninguém entendia muito bem o cenário nesta parte da prova, quando os pilotos que se livraram de seus pneus supermacios de quase 30 voltas e não melhoraram seus tempos logo de cara com os macios. “Estou confuso”, admite Brundle.
Os espanhóis temem Vettel em seu retorno após a parada e, aliviados pela chuva que não cai para beneficiar o alemão, passam a monitorar os tempos para garantir que Alonso não perderá a terceira colocação. O espanhol, inclusive, na visão de Lobato, só não se aproxima mais de Rosberg para “a exemplo da primeira parte, economizar pneu.”
A informação que o rádio da Mercedes passa ao alemão, de que Webber pode estar ajudando Vettel a abrir, só é levada mais a sério pelos britânicos, ainda que Brundle reconheça que é uma “wild guess”.
O alemão faz seu pit e rouba as posições de Massa e Hamilton que, para Croft, “perdeu seis décimos no pit e isso lhe custou duas posições”. Reginaldo e Galvão estão animados para o restante da corrida. “É uma luta direta pela ponta do campeonato, com Alonso com o pneu desgastado e macio e Vettel de supermacio”, diz o comentarista. “Vai dar canseira no Alonso. Conseguiu uma façanha o Vettel”, completa o narrador.
Para os espanhóis, nada vai mudar porque estão todos satisfeitos com o resultado. “À exceção de Hamilton, que perdeu duas posições.”
Mas a ameaça de chuva começava a virar alguns pingos. “Não é forte, mas é constante. Pista deve estar para pára-brisa”, descreve a repórter espanhola Nira Juanco. “Se chover, é pior para Webber, que chega primeiro nas curvas”, observa Gené.
O comentarista espanhol explica que os ponteiros só vão parar quando passarem a rodar 10s mais lentos do que os tempos normais com pista seca, mesma informação dada pelo repórter Ted Kravitz, na Sky. Mas as marcas caem apenas 4s. Para Lobato, tem piloto rezando para St. Devote para a água parar de cair.
Todos lamentam o abandono de Schumacher que, para Brundle, mostrou ritmo para vencer caso tivesse saído da pole. Para Galvão, “Schumacher disse: ‘chuva? Não quero, obrigado. Vou para casa’.”
Todos, também, estranham a decisão de Vergne fazer o pit stop quando estava em sétimo, ainda que Kravitz lembre que o francês teria que parar de qualquer maneira, pois tinha feito seu primeiro pit muito cedo. “Imagina se tomassem uma decisão dessas na ponta?”, questiona Lobato.
Os britânicos destacam o fato de Webber não ter liderado uma volta sequer no campeonato antes do GP de Mônaco, e os espanhóis consideram a Lotus como grande derrotada do final de semana. “Simpático e andando bem”, como resume Reginaldo, Webber se torna o primeiro australiano a vencer no Principado por duas vezes, enquanto Massa aparece reclamando da estratégia e ganha o apoio de Galvão Bueno. “Se ele parasse uma volta antes, voltaria em quarto”, e encerra a transmissão sem a correria habitual ao final do pódio. Tanto para o piloto, quanto para a emissora, demorou, mas que seja só o começo.
Números de Mônaco: mais um GP de resultados sortidos e de “maldição” do líder
Um quarto das oito vitórias da carreira de Mark Webber foram no Principado. Nada mal para um segundo piloto, diria o australiano, que conquistou ainda sua 10ª pole position da carreira. Porém, mesmo com os ínfimos 0s643 de diferença em relação ao segundo colocado Nico Rosberg, a chegada de 2012 não bateu os impressionantes 0s215 que separaram Ayrton Senna e Nigel Mansell no GP monegasco de 1992.
Webber e Rosberg, no entanto, não estavam sozinhos como o brasileiro e o inglês na corrida que completa 20 anos na quinta-feira: foram quatro carros divididos por 1s3, os seis primeiros em 6s1, diferença que chegou a ser menor quando as tímidas gotas de água começaram a cair.
Um final mais que adequado para coroar o sexto vencedor diferente em seis provas, algo inédito na história F-1, ainda que a incrível marca de seis construtores distintos ganhando tenha ficado para depois. A Red Bull, aliás, além de ser a primeira a emplacar dois primeiros lugares na temporada, tornou-se a quarta a conquistar três vitórias seguidas em Mônaco, junto de BRM, Lotus (ambas com o Mr. Mônaco, Graham Hill, a bordo) e McLaren, maior vencedora da história da prova e que possui duas sequências, de 84 a 86 e de 88 a 93.
Porém, mesmo com todo o hype em cima dos seis vencedores, o resultado de Mônaco interrompeu outra sequência importante: contando as duas últimas provas de 2011, vencidas por Hamilton e Webber, eram sete os ganhadores diferentes, dois a menos que o recorde histórico de 1961/1962, igualado em 1982/1983, de nove. De qualquer forma, mais quatro provas com variações na primeira posição e mais uma marca cairá por terra. Será possível?
Seguindo no mesmo tema, Sergio Perez não apenas se tornou o segundo mexicano a marcar uma volta mais rápida em uma prova da F-1 – 44 anos depois de Pedro Rodriguez – como também o sexto diferente a fazê-lo nesta temporada, ao lado de Button, Raikkonen, Kobayashi, Vettel e Grosjean. Os poles diferentes, por sua vez, são cinco, sendo que nas últimas duas provas o dono do melhor tempo na classificação não largou em primeiro.
O último punido foi Michael Schumacher. Não que penalizações em Mônaco sejam algo estranho para o alemão que, nas últimas quatro vezes que visitou o Principado, em três perdeu posições por decisão dos comissários. Em 2006, ficou sem a pole por ‘estacionar’ na Rascasse e causar uma bandeira amarela que lhe garantiria em primeiro e, em 2010, sofreu pena por ultrapassar Alonso sob SC.
Com Massa e Webber liderando voltas pela primeira vez no ano, agora simplesmente metade do grid já teve o gostinho de estar à frente do pelotão. O recorde em uma temporada é de 15 líderes diferentes.
Falando em líder, a maldição de quem tem a ponta do campeonato segue intacta e agora parece também ter um ‘efeito’ no vencedor da prova anterior: nunca a expressão inglesa “from hero to zero” fez tanto sentido quanto para descrever os últimos dois finais de semana de Pastor Maldonado. Da mesma forma, Vettel, líder da tabela antes de Mônaco, sofreu com os supermacios na classificação, conseguiu melhorar na corrida, mas ainda assim foi o quarto. Desde o início do ano, o líder do Mundial, seja quem for, não consegue emplacar um bom resultado.
Isso ajuda a termos uma classificação tão apertada, com seis pilotos podendo sair do Canadá na ponta da tabela. Aliás, com os dois últimos sistemas de pontuação utilizados, teríamos um empate pela primeira posição, com 30 pontos no último (10-8-6-5-4-3-2-1) e 22 no penúltimo (10-6-4-3-2-1).
Hamilton e Alonso continuam a ser os únicos do grid a terem pontuado em todas as corridas até agora – com o espanhol emplacando uma sequência de 18 provas nos pontos, ou 30 dos últimos 31 GPs, sendo a exceção o GP do Canadá de 2011 – mas, após a terceira prova seguida sem um pódio, a McLaren amarga a pior fase da era Hamilton/Button. Outro candidato a Sr. Consistência é Paul Di Resta, classificado pela 21ª prova consecutiva – abandonou também no Canadá ano passado, mas havia completado 90% da corrida.
Por fim, a Lotus curiosamente comemorou sua 500ª corrida em Mônaco. Bom, a Lotus de verdade, de Colin Chapman, passou dessa marca há algum tempo. Porém, mesmo usando o lendário nome, o time de Raikkonen e Grosjean fazia menção à equipe de Enstone, em suas várias nomenclaturas (Toleman, Benetton e Renault). Essa é uma história que começou no GP da Itália de 1981 quando, inclusive, a Lotus de Chapman estava no grid. É justamente por ater-se à identidade como ‘time de Enstone’ que os carros da equipe carregam três estrelas em sua carenagem, em menção aos campeonatos de construtores de 1995, 2005 e 2006. Passou da hora de procurarem outro patrocinador principal.
Personagem do GP: Michael Schumacher
Desde que comecei a escolher os personagens de cada GP, os eleitos acabaram sendo aqueles que ao menos chegaram ao pódio. A eleição, creio que nunca expliquei, não é para o melhor piloto, mas sim para a melhor história do final de semana, alguém cuja trajetória, fazendo as matérias durante determinada etapa, me chame a atenção.
E nesse GP, ele nem precisou aparecer na corrida. Aliás, nem precisava ter dado as caras no domingo. A pole que Michael Schumacher marcou, mas não levou, fez até com que uma corrida que teve os quatro primeiros separados por 1s3 – e isso com 75 voltas ininterruptas – perdesse um pouco a graça.
O heptacampeão recebera uma pesada chuva de críticas principalmente na Alemanha depois de seu acidente com Bruno Senna e a consequente punição que lhe roubaria a pole em Mônaco. Um erro grosseiro acompanhado de uma empáfia que, se já não era popular nas épocas cheias de títulos, agora passa perto do ridículo.
Schumi, contudo, não se deixou abalar: sabe que estava entre os três primeiros nas outras duas vezes em que abandonou, por problemas técnicos, e que os dois pontos até agora no campeonato são circunstanciais. Sabe, também, que vem evoluindo – tão lenta quanto constantemente – desde sua volta em 2010.
“Minha infelicidade é limitada. Sinto-me bem porque sei que tenho um carro com o qual eu posso contar. Sei que meu momento vai chegar. Tivemos azar até agora, mas não dá para ser azarado sempre”
A confiança na quarta-feira antes do GP de Mônaco era tanta que, perguntado sobre o efeito da punição em seu fim de semana, Schumacher cravou a melhor frase desta cobertura:
“A situação é clara para mim. Serei sexto na classificação e ganharei a corrida”
Os jornalistas presentes riram. Ele só podia estar brincando. Primeiro, porque pouquíssimos apostavam em uma Mercedes forte em Mônaco. Segundo, se alguém andaria bem no Principado, seria Rosberg. Afinal, Schumacher está velho e sem reflexos, não é verdade?
Não para ele que, como previra, cravou o melhor tempo em um dos circuitos em que, reconhecidamente, o piloto faz mais diferença. Nas entrevistas, sabendo da nuvem carregada que lhe cerca nos últimos tempos, fez questão de aproveitar o momento.
“Por ser quem eu sou, creio que algumas pessoas me criticam mais. Obviamente, provei várias vezes que podem confiar em mim e hoje confirmei isso novamente. Estou muito feliz por todos nós, porque, ainda que seja apenas o primeiro passo no final de semana, dá para curti-lo”
Ainda bem que Schumi curtiu o momento. O domingo seria daqueles. Espremido por Grosjean, que levara um chega pra lá de Alonso, o alemão perdeu posições na largada. Depois, foi um dos que ficou preso atrás de Raikkonen, o “Trulli” do dia em Mônaco.
“É claro que é decepcionante mais uma corrida com problemas. Larguei de uma boa posição e acreditando na possibilidade de chegar no pódio. Não ter conseguido por tudo que aconteceu, na largada e o problema técnico, é decepcionante. A classificação de ontem pode ter sido um sinal positivo, mas no final é a corrida que conta.”
Ninguém melhor de que um heptacampeão para saber que as corridas é que contam. Sua próxima chance será no Canadá, palco de nada menos que sete vitórias do alemão. Será que agora vai?
Mundial de Pilotos e Construtores em gráficos
Quando ninguém sabe o que esperar na prova seguinte, o jeito é repetir uma única palavra: consistência. E, mesmo sem vencer há 4 provas, é assim que Fernando Alonso retomou a ponta do Mundial, sendo o piloto que, de longe, mais pontuou depois dos testes de Mugello (o espanhol fez 33 pontos, contra 25 de Webber, 24 de Raikkonen e 20 de Vettel).
Duas corridas, sendo uma em um circuito que não diz muito sobre a forma de um carro, como Mônaco, é pouco, é verdade, e por isso o bicampeão quer ver como sua Ferrari reage em circuitos que chama “de verdade”, como Canadá em Valencia. Em outras palavras, traçados em que a velocidade de reta conta bastante.
Enquanto equipe, quem cresceu mais nas últimas provas foi a Red Bull, com Vettel sendo o piloto que mais pontuou nos últimos 3 GPs e Webber, o terceiro. Já que ambos venceram nesse meio tempo, vale dizer que não basta estar sempre nos pontos, o pódio costumeiro é uma forma mais realista de se manter na briga.
Que o diga Hamilton, que passou da liderança do campeonato ao quarto lugar. É um dos dois pilotos que pontuou em todas as provas, mas não chega entre os três primeiros desde a China. A McLaren, aliás, vem em queda acentuada desde Xangai: no mesmo período em que Vettel fez 45 pontos, o time de Woking marcou apenas 20!
Confira o placar e as diferenças entre os companheiros na classificação de Mônaco
Não há diferença entre Kobayashi e Perez pois o mexicano não marcou tempo. Vergne fez apenas uma tentativa antes de danificar o bico de seu carro no Q2 e Petrov disputou a classificação sem Kers.
Apesar de terem superado seus companheiros no cronômetro, Schumacher e Maldonado largarão atrás, respectivamente, de Rosberg e Senna por punições. São computados, no entanto, os melhores tempos nos treinos.
Semana da F-1 via twitter: capacetes especiais, Champions League e até hóquei
Futebol, hóquei, críquete. Esportes bem longe da esfera das corridas e os capacetes especiais para Mônaco foram o assunto da semana da F-1 via twitter. @alo_oficial é um que segue animado com as mídias sociais. Apareceu fazendo graça no kart, no simulador da Ferrari e dando dicas a conta-gotas de seu capacete especial para Mônaco. Em meio a citações ao Cassino do Principado, números que remetem a sua história e à da tradicional prova, há a bandeira das Asturias em uma moeda com a citação em latim HOC SIGNO VINCITVR INIMICVS, ou algo como ‘com este emblema se vence o inimigo’. A explicação completa está no fernandoalonso.com. Quem disse que F-1 não é cultura?
Do Império Romano aos anos 1980, quem também fez uma homenagem cheia de astúcia e leiloará o capacete de Mônaco após a prova é @checoperez. Neste caso, o felizardo é Chapolim. Ex-pilotos, como Jean Alesi e James Hunt, também ganharam menções de Jean-Eric Vergne e Kimi Raikkonen, respectivamente. O finlandês, na minha opinião, levou a primeira vitória da semana ao aparecer assim em Mônaco:
Vitórias e derrotas em outros campos
Muito nacionalismo nos tweets de @pastormaldo depois da vitória na Espanha. E, como não podia faltar, muitas menções ao país no capacete que está sendo usado em Mônaco.
Mas o destaque nesta semana ficou por conta de outras modalidades. @nico_rosberg bem que tentou apoiar seu time na final da Champions, mas não deu. O jeito, então, foi seguir com a vida - na estica, claro - e reencontrar uma figura(ça) do passado.
Mesmo inicialmente empolgado com a presença na final do torneio europeu, torcendo para o Chelsea, parceiro da @OfficialSF1Team, @kamui_kobayashi depois revelou ao TotalRace que a experiência não foi 100% boa. Em terrenos mais conhecidos, ainda que não houvesse atividade da F-1 na pista nesta sexta-feira, o japonês não se aguentou e foi assistir a corrida da GP2.
Já @vitalypetrovrus e @h_kovalainen estavam mais preocupados com o mundial de hóquei no gelo. Melhor para a Rússia, que eliminou a Finlândia, bateu a Eslováquia na final e levou o caneco. Só não deu para entender o que Vitaly quis dizer com isso.
@aussiegrit continua a nos mostrar que é fanático por todo tipo de esporte. O australiano cumprimentou nesta semana o vencedor de uma corrida de aventura em seu país, além de dar uma de comentarista de críquete. @jensonbutton também seguiu na mesma linha, conversando com o amigo @lancearmstrong e curtindo uma de tiete da DTM junto do vencedor e companheiro de McLaren @garypaffett.
Unindo trabalho e diversão, @danielricciardo esteve na Ucrânia, em Kiev, fazendo uma demonstração com a @redbullracing.
E, já que piloto de testes não tem muito a fazer em Mônaco, @Jules_Bianchi atacou de modelo. Ok, os titulares também não têm descanso e o @TheFifthDriver mostrou @lewishamilton filmando em Monte Carlo, enquanto o piloto passava suas dicas musicais via twitter.
A @Lotus_F1Team veio com uma novidade para o GP de Mônaco. Um app em parceria com o Linkin Park, semanas depois de Raikkonen ter declarado que curtia a banda. Outro aplicativo foi disponibilizado pela Red Bull. A equipe promete informações sobre as corridas e os bastidores, com o sarcasmo habitual do @redbullf1spy. Se o tio Bernie não quer saber de novas mídias, não se pode dizer que o mundo da F-1 não está tentando.
UPDATE: Tem sido muito curiosa a maneira como o management de Alonso tem feito com que sua exposição nas mídias sociais lhe faça virar o jogo com a imprensa, ou ao menos parte dela. Com as especulações a respeito da vida pessoal do piloto, recentemente divorciado, crescendo, surgiu a ideia das #amigasALO. Seu empresário @lsgrcbd, após ler sobre um suposto novo caso do piloto - na publicação em questão, chamada de "amiga" - sugeriu que todas as mulheres que tenham fotos com o asturiano as publiquem no twitter com a mesma hashtag. Em poucas horas, já são mais que 500 #amigasALO!
Ranking de seguidores no twitter
| Button | 948.229 |
| Hamilton | 814.114 |
| Alonso | 552.221 |
| Senna | 412.669 |
| Webber | 334.726 |
| Maldonado | 195.000 |
| Perez | 194.887 |
| Rosberg | 154.557 |
| Kovalainen | 147.455 |
| De la Rosa | 131.431 |
| Di Resta | 119.380 |
| Karthikeyan | 104.298 |
| Massa | 88.225 |
| Petrov | 72.286 |
| Glock | 69.279 |
| Hulkenberg | 67.671 |
| Kobayashi | 53.833 |
| Grosjean | 42.078 |
| Ricciardo | 27.726 |
| Vergne | 20.208 |
| Pic | 11.853 |
Segredo em Mônaco é evitar o tráfego
Um circuito em que o desgaste de pneus é baixo pela pouca energia dissipada nas curvas lentas e asfalto pouco abrasivo, um pit stop demorado – a perda é de 25s –, 71% de chance de Safety Car e a dificuldade para ultrapassar são os fatores que prometem complicar a vida dos estrategistas no GP de Mônaco.
A grande dificuldade com toda essa equação é definir o número de pit stops: até que ponto vale a pena deixar um piloto com pneu já sem o rendimento ideal na pista para economizar no tempo de parada + perda pelo tráfego?
Não coincidentemente, ainda que em 2011 as corridas anteriores a Mônaco tivessem se desenhado como neste ano, com três paradas em sua maioria, a melhor estratégia para o Principado foi parar duas vezes. O vencedor Sebastian Vettel trocou pneus na volta 16 e tentaria se segurar, é verdade, mas a bandeira vermelha a 10 voltas do final nos impediu de comprovar se a tática funcionaria. É muito provável que outros tentem o mesmo, pois andar mais lento não significa necessariamente perder posições em Mônaco. Mas fica a dúvida se seria algo rápido o suficiente para se ganhar a corrida. Temos de lembrar que serão usados os supermacios, que aguentaram ano passado menos de 20 voltas. E a corrida tem 78, ou seja, seriam quase 60 voltas no macio!
Outro complicador pode ser quando essas duas estratégias, a de duas paradas, que deve ser a preferida dos ponteiros, e a de uma, a aposta do meio do pelotão, se encontrarem na pista. O quão bem cada um lidar com esse tráfego será fundamental.
Com a expectativa de poucas paradas e a necessidade de classificar-se bem para evitar o tráfego, é difícil imaginar que as equipes queiram economizar mais do que dois jogos de pneus macios – imaginando uma tática com supermacio, macio, macio. O que parece ser lucrativo é, sabendo que vai ficar por volta da 10ª posição, arriscar apenas uma tentativa no Q2 para guardar supermacios para o primeiro stint e tentar estender a primeira parada. Porém, insisto, em Mônaco ser mais lento não é sinônimo de perder posição e a regra é livrar-se do tráfego. Além disso, o vencedor largou na primeira fila em quatro das cinco primeiras etapas. Por isso, se a equipe acreditar que pode lutar pelas primeiras filas, que use todos os pneus para tal.
Quem levará a melhor
É de praxe dizer que o rendimento em Mônaco não é demonstrativo da relação de forças entre os carros. Mas os carros com mais downforce costumam se dar vem. A boa tração em curvas lentas também é bem-vinda e, se há algo que ajuda nisso, além da aderência mecânica, e a dirigibilidade dos motores. Nesse quesito, os Renault são imbatíveis.
Isso, somada à boa performance no terceiro – e mais lento – setor do circuito de Barcelona na última etapa, fazem com que a Lotus apareça bem. O que pode jogar contra Raikkonen e Grosjean são as temperaturas, pois não se espera o calor de que o E20 gosta.
Dona de 8 vitórias nos últimos 20 anos no Principado, a McLaren é certamente o melhor carro em classificação e não pode ser descartada. A Williams foi outra que se mostrou rápida no terceiro setor em Barcelona e tem uma dupla já vencedora – Maldonado, por três vezes – nas categorias de base em Mônaco. E vocês, apostam em quem?
Erro da McLaren na estratégia foi encarar Mônaco como um circuito qualquer
Quem leu o post comparativo das transmissões percebeu que, principalmente ingleses e espanhóis ficaram um tanto confusos quando Button fez sua terceira parada e Vettel e Alonso continuaram na pista. Afinal, ninguém esperava que os pneus macios durassem mais do que 45 voltas – a borracha do alemão já tinha 32 naquele momento e teria que aguentar mais 30.
A decisão de deixar Vettel na pista muito provavelmente foi tomada em função de Alonso. O espanhol havia parado na volta 34 e o próprio exemplo de Vettel mostrava que era possível fazer as 44 voltas restantes com o composto macio. Naquele momento, era claro que a Ferrari não voltaria aos boxes e, respeitando a lei fundamental de Mônaco, de que a posição na pista é mais importante que um carro rápido, a única reação plausível para a Red Bull seria tentar o mesmo.
Não foi esse o pensamento da McLaren, que jogou a corrida de Button fora quando colocou os pneus super macios na segunda parada do inglês. Com a obrigatoriedade de usar ambos os compostos, isso deixou o inglês de mãos atadas no final. Diferentemente das corridas até agora, em Mônaco de pouco vale ter o pneu mais rápido – isso não é garantia de ultrapassagem.
Esse, aliás, foi o erro da McLaren por todo o final de semana, como já discutimos em relação à classificação de Hamilton: enfrentar Mônaco como se fosse outra etapa qualquer do mundial. As ruas estreitas mereciam pensar de maneira diferente, como fizeram Red Bull e Ferrari.
A expectativa do time inglês era de que o pneus de Vettel durasse mais três ou quatro voltas no 69º giro. Como a prova foi interrompida logo depois, ficamos sem saber como seria o final da prova. De qualquer maneira, um fator importante para que os macios do alemão durassem tanto foi a tímida pressão que Button fez quando tinha super macios, ajudando-o a economizar borracha até o final. Naquele ponto da prova, Alonso também adotava ritmo bastante conservador, o que também o auxiliou.
Num dia em que parar menos foi mais lucrativo, ao contrário das últimas corridas, Kobayashi e Sutil marcaram pontos que as 13ª e 15ª posições do grid não permitiriam sonhar. Sutil, como de costume em Mônaco, sofreu com um toque do japonês, que causou uma quebra da asa e, logo depois, um pneu furado no guard rail. Caso contrário, seria o sexto, logo atrás do piloto da Sauber.
Foi, curiosamente, a única ultrapassagem de Kobayashi na prova, e pela qual levou uma reprimenda.
De resto, os pilotos preferiram a estratégia de duas paradas, salvo a Mercedes, que claramente tem problemas de alto consumo de pneus nesta temporada, algo que vem atrapalhando, e muito, um carro que vai bem nas classificações.
No Canadá, embora os mesmos compostos sejam utilizados, a história deve ser bastante diferente. Montreal é um circuito de maior velocidade, com grandes retas e tem um asfalto que castigou até os Bridgestone ano passado. Devemos ver os pneus super macios bem menos tempo em ação por lá.
Pneus utilizados e voltas dos pits em Mônaco
| Vettel | SMU | MN (16) | SMU (72) | 1 | ||
| Alonso | SMU | MN (17) | MN (34) | SMU (72) | 2 | |
| Button | SMU | SMU (15) | SMU (33) | MN (48) | MN (72) | 3 |
| Webber | SMU | MN (16) | MU (55) | SMU (72) | 2 | |
| Kobayashi | MN | SMN (34) | SMU (72) | 1 | ||
| Hamilton | MN | SMU (22) | DT (43) | MN (49) | SMU (72) | 3 |
| Sutil | MN | SMU (34) | SMU (68) | 2 | ||
| Heidfeld | MN | SMN (33) | SMU (69) | SMU (72) | 2 | |
| Barrichello | SMN | MN (32) | SMU (68) | SMU (72) | 2 | |
| Buemi | MN | MN (33) | SMU (62) | SMU (72) | 2 | |
| Rosberg | SMU | MN (15) | MN (33) | SMU (53) | SMU (72) | 3 |
| Di Resta | SMU | SMU (20) | DT (27) | MN (32) | SMU (72) | 3 |
| Trulli | SMN | SMU (24) | MN (46) | SMU (72) | 2 | |
| Kovalainen | SMN | MN (19) | MN (52) | SMU (72) | 2 | |
| D’Ambrosio | MN | SMN (33) | MN (63) | MN (72) | 2 | |
| Liuzzi | MN | SMN (32) | SMN (72) | 1 | ||
| Karthikeyan | SMN | MN (25) | SMN (33) | MN (72) | 2 | |
| Maldonado | SMU | MN (25) | SMU (54) | MN (72) | 2 | |
| Petrov | SMN | MN (28) | 1 NC | |||
| Alguersuari | MN | MN (29) | SMN (56) | 2 NC | ||
| Massa | SMU | MN (26) | 1 NC | |||
| Schumacher | SMU | SMU (12) | 1 NC | |||
| Glock | SMN | MN (22) | 1 NC |
MN: Macio novo
MU: Macio usado
SMN: Super macio novo
SMU: Super macio usado
DT: drive through
NC: não classificado
GP de Mônaco por brasileiros, ingleses e espanhóis: “Isto é muito maluco para mim”
Reginaldo Leme, na Globo, imagina se, depois de quebrada a marca de 10 anos do pole vencendo na Espanha, Mônaco também não pode ver uma corrida diferente, enquanto Martin Brundle, na BBC, adota um tom poético. “Pode ser apenas pouco mais de 3km, mas Mônaco é o Everest dos pilotos. Os grandes sempre reinaram aqui”. E, neste ano, não há ninguém maior que Sebastian Vettel. “Ele é o favorito, mas devemos ter ultrapassagens”, Luciano Burti prevê.
David Coulthard, não acredita que a classificação mostrou toda a verdade de quem é quem. “Mas Vettel está em grande forma.” Refere-se a Hamilton que, como é destacado na La Sexta, “vai largar com macios porque está fora de posição”, fato que passa despercebido na Globo – apenas na quinta volta Burti se dá conta da estratégia diferente. “A Fia liberou Hamilton para começar com o pneu que quisesse e ele escolheu o macio porque não tinha super macio novo”, explica Brundle.
Na largada, o narrador espanhol Antonio Lobato destaca Rosberg e Alonso – que “quase passou Button”, para o comentarista Marc Gené – e, negativamente, Webber e Schumacher. Brundle confunde as Mercedes, acha que é Michael quem largou bem, enquanto Galvão Bueno se anima com ultrapassagem do heptacampeão sobre Hamilton. “Ninguém nunca ultrapassou ali”, afirma quando aparece o replay da manobra na Loews. Ao explicar porque o inglês estava tão abaixo no grid, o narrador diz que ele “não completou volta” na classificação.
A ultrapassagem de Schumacher também anima os ingleses. “Ele passou Lewis no hairpin!”, exclama Brundle. “Isso é algo que nunca vi. Pegou Hamilton cochilando”, completa Coulthard. “Aí precisa da complacência de quem vai à frente porque não tem espaço”, Pedro de La Rosa parece que estava adivinhando. A dupla britânica percebe que ambos haviam se tocado na primeira curva, o que explica a necessidade de Schumacher trocar o bico voltas depois.
Hamilton daria o troco, também num local de ultrapassagem dos menos convencionais, na Saint Devote – Gené acabara de dizer que o único trecho que acreditava ser possível era na saída do túnel. “Aplausos. É uma curva difícil para se passar”, observa Coulthard. “Ele veio ensaiando isso, Tinha o benefício da asa. Michael não facilitou, mas respeitou o espaço de Lewis”, observa Brundle. “A asa ajudou muito. É uma coisa do temperamento do Hamilton. Ele tomou uma ultrapassagem que todo mundo ia falar, então foi pra cima de qualquer jeito”, Galvão ainda teria um prato cheio naquela manhã. “Faz tempo que eu não via uma manobra aí”, afirma Reginaldo. “Michael foi limpo”, define Lobato. “Conhecendo Michael e o que ele fez com Barrichello, foi limpo dessa vez.”
Falando no brasileiro, ele seria o próximo a ter o gostinho de superar o heptacampeão, em dificuldades com os pneus por ser, junto de Webber, um dos pilotos que mais desgasta os pneus, como é destacado pelos espanhóis. “É uma coisa especial. Já ganhou a corrida dele”, diz Galvão. “Assim como têm sido especiais os briefings. Cada hora um interrompe o outro, sempre discutindo”, emenda Reginaldo. Os estrangeiros também captam o momento. “Ele vai sorrir de orelha a orelha”, acredita Brundle. “Barrichello está descontando nesses últimos dois anos tudo por que passou na Ferrari com Michael.”
Agora é Massa quem parte para cima de Rosberg e perde um pedaço da asa dianteira. “Ele foi muito bobo. Não vai passar na subida do cassino. Por que chegar tão perto? Parece que os pilotos da Ferrari não sabem onde termina a asa”, Coulthard lembra do toque de Alonso em Hamilton na Malásia. Sem maiores problemas de performance, Felipe logo faz a manobra. “Aqui se passa muito na decisão”, diz Reginaldo sobre ultrapassagem classificada de “corajosa” pelos ingleses.
Todos se animam com o primeiro erro da Red Bull nos boxes na temporada. Burti e o repórter inglês Ted Kravitz culpam as mudanças de procedimento que a equipe teve que fazer para despistar a Ferrari. Na La Sexta, imaginam que o problema seja parar ambos os pilotos na mesma volta. “Webber está perdendo um minuto”, conta Gené. “Como o tempo passa rápido para você”, brinca De La Rosa. Foram pouco mais de 30s. “Agora virou bagunça”, diverte-se Galvão.
Na Globo, há uma demora para observar diferenças entre os compostos de pneus dos líderes. Ingleses e espanhóis começam a não entender a estratégia. “Não entendo porque deixar o super macio para o último stint. Isso é Mônaco, eles precisam privilegiar a posição na pista”, diz Coulthard, enquanto De La Rosa vê duas lutas: “uma de três paradas pela vitória e outra de duas para o resto.” Lobato não gosta nada. “O problema é se sair um Safery Car na hora errada.”
Falando em duas paradas, na Globo começam as contas para determinar onde Felipe Massa terminaria, já descontando os 20 e poucos segundos da parada a menos que faria. “Voltaria entre Vettel e Button. A posição de Alonso ganha com certeza.”
Algumas voltas depois, De La Rosa raciocina melhor sobre estratégias. “Vettel e Alonso colocaram pneus macios porque querem fazer duas paradas. Se Button soubesse que Vettel colocaria os macios, também o faria”. Os ingleses acham que só quem parou a partir da volta 25 pode tentar fazer só um pit.
Os cálculos são interrompidos por outra manobra na Loews, desta vez sem final feliz, entre Hamilton e Massa, mesmo que Coulthard tivesse acabado de dizer que o brasileiro seria mais fácil de ser ultrapassado do que Schumacher. Todos acham que o inglês será penalizado. “Di Resta acabou de levar um drive through por algo parecido. Eu já passei carros aí, mas você precisa de um parceiro. É menos que 50/50%. Se você se joga, é 75% de chance que vai bater”, opina Brundle. “Foi uma ultrapassagem um tanto atrapalhada.” Gené acredita que o inglês será punido, mas afirma que, para ele, é acidente de corrida.
Galvão e Reginaldo são mais duros que os ex-pilotos. “Ele me dá a impressão de se achar superior e, quando perde, a culpa é do outro”, diz o narrador. “Parece que enganchou no Felipe e ficou tentando levar ele para fora”, completa o comentarista. “Coisa de corrida”, Burti não para de repetir. “A punição tem que sair antes do Hamilton aprontar outra”, diz Galvão que, quando vê o anúncio do drive through, já se defende. “Não falei antes porque iam dizer que sou contra ele. Mas tinha convicção de que seria punido. Ele toma atitudes antidesportivas e usa as entrevistas para botar pressão. Ele adotou uma postura antiética, acha que estão todos contra ele.”
Isso foi depois que Hamilton acusou Massa de ter batido de propósito. Coulthard achou graça. “Só falta falar que ouviu Massa dando a ré”, brinca Brundle.
Burti prefere focar na disputa pela ponta e é o primeiro, das três transmissões, a ver que Alonso quer ir até o final sem parar. “É o único jeito de Vettel perder essa corrida”, crava. “É difícil, mas não impossível.”
Até o momento, ninguém crê que Vettel possa fazer o mesmo. Quando o alemão segue na pista durante o Safety Car, De La Rosa vê um “erro importante”. E, sobre Fernando, assegura que “não termina nem de brincadeira”. Os ingleses acham que corrida está indo para as mãos de Button, mesmo com Kravitz interrompendo algumas vezes para dizer que Alonso não para mais. Enquanto isso, na Globo, Reginaldo vê que “a McLaren jogou fora chance de vitória quando Button colocou segundo jogo de pneus super macios.”
Quando Button faz a terceira parada, só na Globo estão convencidos de que Vettel e Alonso não param mais. “Agora o pneu de Vettel vai estar um caco, o de Alonso um caco um pouco melhor e o Button vai chegar”, resume Galvão.
Na BBC, não entendem porque Vettel não cobriu a parada de Button. “Será que eles estão pensando em Alonso e defendendo a segunda posição? Se ele não parar, corre o risco de ser terceiro”, Brundle não entende a jogada. “O único jeito de ele ganhar a corrida é não parar”, constata Coulthard.
É a mesma conclusão que os espanhóis têm, ainda que De La Rosa insista que é impossível. “O raciocínio da Red Bull é, vamos ficar com o pneu desgastado, mas ele vai ter que passar na pista. Enquanto a McLaren pensou em ter carro mais rápido. Agora está nas mãos de Button. Vettel e Alonso estão entrando em território desconhecido com os pneus”, afirma. “É impossível, é perigoso”, diz Gené. “A pergunta é, se Alonso conseguir fazer os pneus durarem, ganha a corrida. Vettel vai ter que parar”, acredita De La Rosa. “A Red Bull está tentando algo muito maluco para mim”, admite Brundle.
Com o gran finale se moldando, ingleses e brasileiros lembram do duelo entre Senna e Mansell em 1992, quando Ayrton segurou o ‘Leão’. Em ambas as transmissões, observam como Alonso perde para Vettel por falta de tração. “É o escapamento da Red Bull. Isso pode salvar a corrida de Vettel”, percebe Brundle.
Na volta 69, Kravitz avisa que, na McLaren, esperam que em três ou quatro voltas os pneus de Vettel acabem. Não pudemos comprovar a informação, quando a corrida é interrompida após um verdadeiro strike na piscina. “Sutil quase foi nadar”, brinca Brundle. “Isso beneficia Vettel”, se apressam os espanhóis. “Ele participou de quase todas as confusões, ele joga pesado, mas dessa vez não teve culpa”. Sim, Galvão falava de Hamilton.
A bandeira vermelha traz uma série de dúvidas para todos. Lobato e Brundle vão para o regulamento e tiram a conclusão de que o trabalho para reparar a asa traseira do carro do Hamilton é legal, mas que não se pode trocar pneus. Logo vem Ted Kravitz para salvar os ingleses. “Conversei com alguns engenheiros e eles falaram que pode até colocar carinha feliz no bico do carro. Pode fazer de tudo.” Na Globo, o casamento do Príncipe Albert fica de lado quando Galvão e Burti avistam os pneus novinhos – bom, quase – nos carros de Vettel e Alonso. “Eu fiquei olhando para o Burti e ele para mim.” Tratam do assunto como se a regra tivesse mudado. “É uma vantagem. Discordo totalmente”, diz Burti. Na La Sexta, também observam, mas com tom de resignação. “Permitiram que se trocasse. É uma grande vantagem para Vettel”, diz Gené. “Se fosse para recomeçar a corrida para ver isso, era melhor terminar como estava antes.” Para De La Rosa, “Vettel começa a ter a sorte de campeão.”
A corrida recomeça e Hamilton é protagonista novamente. “É outra penalização. A Williams precisava tanto desses pontos!”, diz Brundle. “Advinha quem estava atrás do Maldonado? Ele se envolveu em 110% dos acidentes!”, exclama Galvão. “Acho que a culpa é de Hamilton, não tinha espaço. Acabou com uma ótima corrida de Maldonado”, diz Lobato, entre risos dos comentaristas.
Não há mais tempo para muita coisa. “Todos os problemas dos outros (Safety Car e bandeira vermelha) ajudaram Vettel e Alonso”, define Brundle. “Acho que a Red Bull jogou no escuro.” Já Galvão encontra outra explicação. Burti havia dito minutos antes que, em Mônaco, a polícia não deixa andar sem sapato e camisa. “Vettel estava descalço antes da bandeira vermelha. Vai ver aqui não pode andar descalço.”
“Foi uma corridaça que poderia ser uma super corridaça. Tudo bem parar a corrida pela lesão de um piloto, mas deixar eles trocarem os pneus interferiu no resultado final”, De La Rosa resume o sentimento dos espanhóis.
Na cerimônia do pódio, é a vez dos comentaristas da BBC falarem do casório. Brundle pergunta ao morador de Mônaco Coulthard se ele foi convidado. “Surpreendentemente, dado o tamanho deste lugar, o convite se perdeu pelo correio.”

















