27jul/117

GP da Alemanha por britânicos, espanhóis e brasileiros: “derrotada a Red Bull”

Na Globo e na BBC estão preocupados com a chuva. “Corrida de verão com cara de teste de pré-temporada”, define Galvão Bueno, enquanto Martin Brundle acredita que é um dia em que se pode ir “from hero to zero” em relação à escolha de pneus e estratégia.

Os espanhóis estavam mais ‘preocupados’ com Vettel. “Mesmo que deva estar tranquilo com a vantagem que tem, não parece confortável”, observa Antonio Lobato. “Isso não é aceitável, com 80 pontos na frente e largando em terceiro. Não é nenhum desastre”, critica Pedro de la Rosa. “É que a situação ficou tensa na Red Bull depois da Grã-Bretanha e ele sabe que tem dois lobos o espreitando, Hamilton e Alonso”, Lobato chegou onde queria.

Os britânicos destacam o bom retrospecto de Webber em Nurburgring, mas acreditam que “a McLaren espera conseguir mais aderência com essas condições climáticas” e acertam em cheio. Já na largada, Hamilton pula à frente. “Ele conseguiu na segunda fase na largada, enquanto Vettel ficou preso em um sanduíche de Ferrari”, vê Brundle, que chegou a se confundir: achou que Vettel estava em segundo e Webber, em quarto.

Na Globo, decepção com uma ótima largada de Massa, que acabou se tornando uma posição perdida. “Todo muito arriscou muito na largada”, observa Galvão. “Outra vez Massa largou melhor que Alonso e ficou encaixotado”, lembra Reginaldo Leme. “Alonso sabia que Vettel tinha tudo a perder e se jogou no último instante”, lê Marc Gené na La Sexta.

Não adiantou muito, pois logo Alonso escapa e “libera Vettel”, na visão dos britânicos. “Deve ter soltado algumas palavras fortes em espanhol debaixo daquele capacete”, diz Brundle, enquanto Coulthard, De la Rosa e Luciano Burti citam a falta de aquecimento dos pneus como motivo. “Tá pensando que craque não erra? O melhor dessa geração deu uma escapada”, diz Galvão com uma ponta de satisfação.

Ao contrário dos britânicos, De la Rosa não vê Vettel aguentando por muito tempo. “Ontem os Red Bull deram mais uma vez um grande salto do Q2 para o Q3. Achamos que eles, por problemas de superaquecimento, só usam o Kers na parte final. O problema é que na corrida eles também têm de parar de usar em algumas voltas.”

De fato, não demorou muito para Alonso passar o alemão, enquanto Massa ficava preso atrás de Rosberg. “Fernando tem uma determinação impressionante”, justifica Galvão. Burti acha estranha a diferença de velocidade entre os dois carros e se chega à conclusão na Globo, após uma rodada e uma sequência ruim de voltas, que Vettel “tem um problema”. Espanhóis e britânicos têm outras explicações.

“Alonso cozinhou o Vettel em banho-maria. Fez ele usar todo o Kers para se defender da asa e guardou tudo para a outra reta”, acredita De la Rosa. “Não me surpreenderia se Alonso usou todo seu Kers na reta, algo que devia vir tramando há algumas voltas. É o que o Massa devia ter feito com o Rosberg faz tempo”, diz Coulthard.

Logo depois, Vettel sai da pista. “O que aconteceu com o homem que não cometia erros?”, pergunta Brundle. “É a regra número 1 quando chove = não cruze a linha branca”, ensine Coullthard. “Se confirma que Vettel está tenso e essa corrida pode ser um pesadelo para ele”, seca Lobato. “É certeza que ele terá uma vibração enorme nos pneus a partir de agora. Vai ter de aguentar com esse jogo porque não dá para parar agora”, De la Rosa, assim como Coulthard, antecipa a perda de rendimento do alemão.

Também sem entender como Massa não consegue passar Rosberg, Lobato dispara. “Não quero ser mau, mas se ele tivesse passado estaria na frente do Vettel, ajudando o campeonato e seu companheiro.”

Alonso encosta em Hamilton e Webber enquanto os dois lutam por posição. Galvão, em dia de campanha ‘Alonso é o melhor do mundo e, ainda por cima, sortudo’ - “Alonso à parte, nunca tinha visto tanto equilíbrio no nível de pilotagem” - , não tem dúvidas. “Vai cair no colo dele! Do jeito que esses dois guiam...” Isso não acontece. O que vemos é Hamilton se defendendo bem. “Ele é encardido”, define o narrador. “Quando Hamilton é ultrapassado, ele não se sente batido, simplesmente vê outra oportunidade para ultrapassar.”

Logo depois, Webber é o primeiro a parar. Como esperam uma corrida com dois pitstops, os espanhóis estranham a precocidade da troca e acreditam que tenha sido um erro. “Vai jogar ele no tráfego. É uma estratégia muito ruim”, diz De la Rosa, para logo se render quando Hamilton e Alonso param e voltam atrás do australiano. “Parece que há mais degradação do que prevíamos”, se explica, enquanto Galvão comemora o fato de Massa ter feito o melhor pitstop da rodada: “Valeu, Ferrari!”

A expectativa na BBC é que Webber suma na ponta. “Ele finalmente lidera uma corrida e acho que vai ficar aí por muito tempo”, diz Brundle, referindo-se ao fato desta ser a estreia do australiano na ponta de uma corrida neste ano. Já Burti observa diferentes fases durante o stint. “Ele voltou mais rápido, mas a tendência é gastar mais rápido e McLaren e Ferrari ficarem melhores à medida que as voltas vão passando.” Na La Sexta, não acreditam na supremacia da Red Bull. “Webber não vai escapar, ele não tem ritmo”, sentencia Gené.

Os espanhóis comemoram o fato de Massa ter voltado à frente de Vettel porque “é bom para o campeonato” e acreditam que o brasileiro vai conseguir se sustentar. “Ele é bom no corpo a corpo”, observa Gené. “Vai, Felipe, que hoje você tá arrojado”, incentiva Galvão.

Schumacher protagoniza uma reprodução da rodada de Vettel. “Chamam ele de Baby Schumi, mas ele não precisa copiar, ele faz antes”, brinca Brundle, enquanto os espanhóis veem uma diferença marcante. “Ele não freou quando escapou e não estragou o pneu”, observa Gené. “Sem dúvida, é o sinal da idade. Ele pensa, mas o corpo não responde”, diz Galvão.

A Red Bull avisa Vettel de um problema nos freios que “deve explicar porque parece perdido”, para Brundle; “deve ser temperatura”, para Burti e “com certeza é Kers”, para De la Rosa. “Quando seu Kers vai e volta, você tem de ajustar o equilíbrio de freio porque muda completamente”. O espanhol sugere que se trata de uma espécie de código para falar deste ponto débil do RB7.

Na segunda rodada, o undercut de Webber não funciona e, mesmo sendo o primeiro a parar, volta em terceiro. O último a entrar nos boxes, Alonso retorna momentaneamente em primeiro, e não consegue se segurar. Na volta anterior, quando Hamilton saiu do box brigando com Webber, os espanhóis disseram que seria “impossível” passar por fora na curva dois. E é o que o inglês faz com o espanhol. “Pegou Alonso cochilando. Parece que ele pensou que estava tranquilo na liderança e esqueceu que Hamilton tinha os pneus mais aquecidos”, vibra Coullthard. “Ele fez o que não deixou o Webber fazer. Dá muita vergonha ser ultrapassado por fora. Ainda mais quando é Alonso sendo superado por Hamilton.” Para Galvão, “o inglês está impossível hoje, se bem que o pneu estava frio”, enquanto os espanhóis veem um Alonso “muito limpo” e também culpam os pneus. “Ele poderia ter feito o que Hamilton fez. Me dá a impressão de que sabe que essa corrida é sua”, acredita De la Rosa.

Coullthard está curioso para entender porque o undercut não está funcionando. “Se bem que deu certo com Webber no início da corrida, então é algo que temos de analisar com calma. Agora não dá porque tem muita coisa acontecendo!” Lobato concorda. “Parece outro campeonato desde o GP da Grã-Bretanha. Nem parece que vivemos aquele domínio no começo.”

A grande dúvida agora é como a troca para pneus médios vai interferir na corrida. Para Galvão, “quem parar por último vai ganhar”. Já Gené e De la Rosa não têm tanta certeza. “A chave da corrida é saber quem vai arriscar colocar os médios porque pode ser que não seja tão ruim quanto parece”, diz o piloto de testes da McLaren. “Como vimos uma degradação tão maior nos macios, pode ser que não sejam tão lentos”, completa seu colega na Ferrari. A única certeza na La Sexta é de que Alonso é o que vai sofrer mais entre os três primeiros com o composto.

A teoria na BBC é de que a Pirelli está tornando os pneus cada vez mais duráveis, por questões de marketing. “Com isso, ter um carro que cuida bem dos pneus já não é vantagem, porque eles estão com problemas para mantê-los aquecidos”, vê Brundle.

Gené monitora os tempos de Vitaly Petrov, que acabara de colocar os médios e virava bem, mas De la Rosa temia a demora para aquecê-los. Todos acreditam que Hamilton sairia perdendo quando o inglês é o primeiro a parar. “Se ele pudesse escolher, pararia na última volta, mas os pneus estão indo. É muito arriscado”, acredita o espanhol.

Começa o monitoramento dos tempos. Na primeira volta, Alonso e seus pneus macios gastos ganham em relação ao rival, mas na segunda, britânicos e espanhóis percebem que o tráfego acaba com as chances do asturiano. “Imagino se não seria melhor continuar nesses pneus”, afirma Brundle quando o piloto da Ferrari faz sua parada e volta bem atrás do inglês. O narrador, por sinal, acha que Webber, ao permanecer na pista, está fazendo o certo e se surpreende minutos depois. “Ele está muito lento! Não está funcionando.”

Narradores e comentaristas não seriam as únicas vítimas da não tão dramática diferença entre o macio usado e o médio novo, segundo Galvão. “Dessa vez os pneus deram nó nos estrategistas.”

Com a primeira derrota na pista, sem quaisquer contratempos, da Red Bull, Galvão sentencia que “os outros chegaram”, enquanto Coulthard ainda vê outro fator que talvez tenha complicado para anglo-austríacos e ferraristas. “Hamilton usou muito bem o frio para vencer.” Já De la Rosa ficou empolgado. “Não falo em virada porque é uma palavra muito ambiciosa, mas há um campeonato, não é só a Ferrari que pode disputar, tirar pontos deles.”

Restava, no entanto, uma briga a ser decidida. Massa havia segurado Vettel por grande parte da prova e, como ficava claro que a Red Bull não tentaria o undercut, decidindo no mano a mano nos boxes, os espanhóis achavam que o único jeito do alemão passar seria na pista.

Estavam errados. “É muita pressão para a cabeça deles! Massa fez uma corrida no limite extremo. Agradecendo à incompetência da Ferrari, Vettel fica em quarto. Mais uma vez, Felipe vai ter de dar bronca!”, Galvão se revolta. “Massa foi muito lento na entrada e a Ferrari foi muito lenta no pit”, observa Brundle, enquanto Lobato repete: “é uma pena”.

Resta destacar o vencedor. “Acho que a cabeça e o acerto de Hamilton estavam no lugar certo hoje”, define Brundle. “Hamilton é o cara do show”, opina Reginaldo. “Posso dizer que foi uma vitória arriscada por parte da equipe. Introduzimos muitas coisas sem provar. Valeu a pena”, revela De la Rosa. E Lobato, claro, não perde a chance. “Corrida espetacular de Hamilton, assim como desse homem que vem logo atrás. Derrotada a Red Bull. Se Vettel já estava tenso, isso vai continuar acumulando.”

Aliás, a carona de Alonso no final anima os espanhóis. Pela peculariedade da cena e pela dúvida que joga no ar. “A grande questão é quanto ele teve de levantar o pé nas últimas voltas.”

Mas o maior ponto de interrogação que Nurburgring deixou é outro: “vai ter gente coçando a cabeça na Red Bull porque só conseguiram um terceiro e quarto lugares hoje.” Para Reginaldo, “Vettel nem pensou em liderar hoje porque teve problema de freio. É a primeira derrota real do melhor carro do ano.”

26jul/117

Marcas são interrompidas, mas Vettel já fez história

Olhando a vantagem astronômica que tem no campeonato. Sebastian Vettel não deve ter ficado muito preocupado com o quarto lugar no GP da Alemanha. Mas o alemão, conhecido por dar atenção especial às estatísticas, ao menos teve motivos para ficar desapontado com o fim de algumas sequências impressionantes que iniciara ainda no ano passado.

Agora, Vettel terá de começar do zero seus números de pódios, corridas na liderança e largadas da primeira fila consecutivas. De qualquer maneira, com as marcas atingidas até este GP da Alemanha, já colocou seu nome na história da categoria.

Largadas consecutivas na primeira fila

Piloto Corridas Sequência
Ayrton Senna 24 1988 Alemanha – 1989 Austrália
Damon Hill 17 1995 Austrália – 1996 Japão
Alain Prost 16 1993 África do Sul – 1993 Austrália
Nigel Mansell 15 1986 Austrália – 1987 México
Sebastian Vettel 14 2010 Cingapura – 2011 Grã-Bretanha

Pódios em sequência

Piloto Corridas Sequência
Michael Schumacher 19 2001 EUA – 2002 Japão
Fernando Alonso 15 2005 Turquia – 2006 Canadá
Sebastian Vettel 11 2010 Brasil – 2011 Grã-Bretanha

Provas consecutivas em que liderou a corrida

Piloto Corridas Sequência
Jackie Stewart 17 1968 EUA – 1970 Bélgica
Michael Schumacher 15 2004 Austrália – Itália
Sebastian Vettel 13 2010 Japão – Grã-Bretanha

Ao menos Vettel continua firme na tentativa de quebrar o recorde de Schumacher de maior número de corridas em sequência nos pontos: tem 12, assim como Webber. Ambos estão exatamente no meio do caminho.

O alemão também faz parte de outro dado legal de ser acompanhado: as últimas 33 corridas foram vencidas pelos mesmos cinco pilotos: Hamilton, Vettel, Webber, Alonso e Button. É a terceira maior sequência do tipo na história, definindo uma era na F-1. A última vitória de um piloto “diferente” foi de Rubens Barrichello, na Itália, em 2009.

Pilotos Corridas Sequência
Piquet, Senna, Prost, Mansell e Berger 53 Brasil 1986 – EUA 1989
Clark, Gurney, Graham Hill, Surtees e Bandini 34 Bélgica 1962 – Alemanha 1965
Schumacher, Montoya, Fisichella, Alonso e Raikkonen 33 Japão 2004 – Alemanha 2006
Hamilton, Vettel, Webber, Alonso e Button 33 Cingapura 2009 –

Curiosamente, a primeira prova em que vimos Vettel fora do pódio foi sua corrida caseira, assim como aconteceu com o último piloto que teve um início de temporada arrasador, Jenson Button, que terminou fora dos três primeiros pela primeira vez em 2009 no GP da Grã-Bretanha.

Já a McLaren continua sua sequência impressionante: desde que a equipe uniu os campeões britânicos, nunca deixou de marcar pontos em uma prova sequer. E já são 29.

Falando em Button, o inglês abandonou pela segunda vez seguida, algo que não acontecia desde os sofridos tempos de Honda, quando não se classificou nos GPs da França e – adivinhe! – da Grã-Bretanha de 2008.

Já seu companheiro Lewis Hamilton voltou a igualar Sebastian Vettel em número de vitórias, 16, e agora pode dizer que tem ao menos um troféu de cada um dos circuitos em que correu de F-1 – e 40 pódios no total. Só faltava o de Nurburging, pista na qual teve um final de semana para esquecer em 2007, com um forte acidente na classificação e decisões estratégicas equivocadas na corrida, e sofreu com um furo no pneu logo na largada em 2009.

Hamilton também conquistou sua décima volta mais rápida da carreira, igualando, entre outros, Mark Webber. O pole da Alemanha pode não ter conseguido manter a posição sequer até a primeira curva, mas ao menos liderou uma volta pela primeira vez no ano, tornando-se o sétimo a fazê-lo (os outros são, na ordem de número de voltas lideradas, Vettel, Hamilton, Alonso, Button, Rosberg e Massa).

Com o terceiro posto alcançado na terceira prova seguida por Webber e o quarto lugar de Vettel, a dupla da Red Bull, após um 2010 atormentado pela falta de confiabilidade, se mantém como a única que completou todas as voltas disputadas até aqui.

O mesmo não se pode dizer de Pastor Maldonado que, junto dos pilotos das equipes nanicas, não fez nenhuma corrida completa – na volta do líder – até esta décima etapa.

Na Ferrari, Fernando Alonso se classificou na frente de Felipe Massa pela décima vez no ano, somando 16 “vitórias” aos sábados desde o GP da Itália de 2010. O espanhol conquistou seu 68º pódio na carreira, igualando Rubens Barrichello em uma lista na qual só são superados por Ayrton Senna (80), Alain Prost (106) e Michael Schumacher (154).

Massa tem melhorado suas marcas nas corridas. Depois de passar três provas fora dos pontos, o piloto está em uma sequência de três quintos lugares, seu melhor resultado do ano. Não é nenhuma maravilha mas ao menos ajuda a Ferrari na luta do mundial de construtores contra a McLaren.

Sua posição, contudo, não foi suficiente para continuar a grande sequência em solo alemão. Correndo de Ferrari, o brasileiro nunca tinha ficado fora do pódio no país, tanto em Hockenheim, quanto em Nurburging. Mesmo sem nunca ter vencido na Alemanha, Massa soma três terceiros lugares e três segundos.

Uma curiosidade é que desde que o piloto da Ferrari venceu o GP do Brasil em 2008, nenhum outro conseguiu ganhar sua corrida caseira. E lá se vão 46 provas, lembrando que o recorde são 64.

25jul/110

GP da Alemanha: voltas mais rápidas vs pneus

 

Piloto Tempo Diferença Volta Pneu
Hamilton 1:34.302 59 Médio novo (8)
Webber 1:34.468 0.166 60 Médio novo (4)
Vettel 1:34.587 0.285 47 Macio usado (7)
Massa 1:34.609 0.307 51 Macio usado (10)
Alonso 1:34.626 0.324 60 Médio novo (7)
Schumacher 1:35.628 1.326 49 Macio usado (12)
Rosberg 1:36.181 1.879 51 Macio usado (15)
Petrov 1:36.186 1.884 50 Médio novo (4)
Button 1:36.258 1.956 33 Macio usado (9)
Sutil 1:36.653 2.351 57 Médio novo (9)
Kobayashi 1:36.659 2.357 50 Médio novo (2)
Di Resta 1:36.715 2.413 54 Médio novo (3)
Perez 1:37.033 2.731 53 Médio novo (12)
Alguersuari 1:37.415 3.113 59 Médio novo (16)
Maldonado 1:37.568 3.266 50 Médio novo (15)
Buemi 1:37.863 3.561 48 Médio novo (12)
Kovalainen 1:39.050 4.748 54 Médio novo (4)
Heidfeld 1:39.452 5.150 7 Macio usado (7)
Barrichello 1:39.679 5.377 9 Macio usado (9)
D'Ambrosio 1:39.787 5.485 57 Médio novo (8)
Glock 1:39.982 5.680 57 Médio novo (7)
Chandhok 1:40.435 6.133 56 Médio novo (5)
Ricciardo 1:40.489 6.187 57 Médio novo (8)
Liuzzi 1:40.683 6.381 28 Macio usado (8)

*entre parênteses, quantas voltas o pneu tinha quando o piloto fez o melhor tempo

O fato das voltas mais rápidas dos pilotos do meio do pelotão terem sido feitas já com muitas voltas no pneu médio mostra claramente as diferentes abordagens em termos de estratégia: enquanto maximizar o resultado para os times grandes significa extrair o máximo de performance de cada jogo de pneus, para os médios, o mais eficiente é tirar o máximo de durabilidade.

Isso acontece porque a diferença de rendimento de Red Bull, McLaren e Ferrari – unida à já pré-disposição de tirar tudo do carro desde o início justamente para este fim – faz com que seus pilotos consigam, em condições normais, fazer sua primeira parada já voltando fora do tráfego. No máximo, voltam com um, dois carros mais lentos à frente.

É um luxo do qual o meio do pelotão não goza. Assim, o melhor é tentar esticar ao máximo todos os stints e “rezar” para que os pneus aguentem no último stint. Uma primeira parada antecipada fatalmente tirará o piloto dos pontos, como perceberam Maldonado e Perez na Alemanha. Nessa situação, não dá para tirar tudo do carro, porque isso significa tirar tudo do pneu. E todo esse cuidado tem de andar lado a lado com as lutas de foice que sempre marcam a zona de quem tem pouco a perder.

25jul/110

Ferrari tinha paradas mais rápidas – até a volta final

 

Piloto Equipe Pits Perda total Média por parada
Alonso Ferrari 3 1'00s440 20s146
Vettel Red Bull 3 1'00s778 20s259
Schumacher Mercedes 3 1'00s997 20s332
Rosberg Mercedes 3 1'01s370 20s354
Hamilton McLaren 3 1'01s881 20s627
Webber Red Bull 3 1'02s063 20s687
Massa Ferrari 3 1'02s432 20s810
Sutil Force India 2 41s718 20s859
Button McLaren 1 20s952 20s952
Petrov Renault 2 42s021 21s010
Kobayashi Sauber 2 42s149 21s074
Maldonado Williams 2 42s658 21s329
Alguersuari Toro Rosso 2 42s751 21s375
Kovalainen Lotus 2 43s263 21s631
Glock Virgin 2 43s504 21s752
Liuzzi Hispania 1 22s048 22s048
D'Ambrosio Virgin 2 44s350 22s175
Di Resta Force India 2 46s211 23s105
Ricciardo Hispania 2 46s372 23s186
Buemi Toro Rosso 2 48s255 24s127
Perez Sauber 2 48s892 24s446
Chandhok Lotus 3 1'16s668 25s556
Barrichello Williams - -  
Heidfeld Renault - -  

Duas tendências observadas em Silverstone se mantiveram: a clara melhora da performance da Ferrari nos pit stops – de acordo com a equipe, devido à substituição de equipamentos – e a consistência impressionante da Mercedes, que fez seis paradas basicamente no mesmo tempo.

É claro que o que fica é a posição perdida por Massa nos boxes – até ali, sua média era de 20s2, sendo que o 1s7 jogados fora na última parada foi suficiente para Vettel ultrapassá-lo – mas não deixa de ser um cenário mais animador em relação à primeira parte da temporada, quando a Scuderia era consistentemente a mais lenta das quatro.

É interessante notar também uma evolução das nanicas. Lotus, Virgin e Hispania costumavam brigar para ver quem tinha as paradas mais lentas e agora, ao menos neste quesito, se misturam às médias.

 

25jul/110

Placar de posição de chegada entre companheiros

 

Vettel 9 x 1 Webber
Hamilton 7 x 3 Button
Alonso 7 x 3 Massa
Schumacher 4 x 6 Rosberg
Heidfeld 5 x 5 Petrov
Barrichello 8 x 2 Maldonado
Sutil 6 x 4 Di Resta
Kobayashi 5 x 4 Perez
Buemi 6 x 4 Alguersuari
Kovalainen 1 x 0 Chandhok
Ricciardo 1 x 1 Liuzzi
Glock 5 x 5 d’Ambrosio

Na décima prova do ano, finalmente Mark Webber tira o zero do placar contra Sebastian Vettel – mas temos de nos perguntar se isso aconteceria se fosse o alemão quem estivesse a seu lado na primeira linha, após mais uma largada abaixo da crítica.

Porém, é inegável que é um resultado que vem amadurecendo. Webber já não é mais o piloto que levava um banho do companheiro nas classificações, se livrou dos problemas mecânicos que marcaram sua primeira parte de temporada e vinha chegando cada vez mais próximo do alemão, curiosamente à medida que o carro da Red Bull perdia performance em relação aos rivais.

Outro que vem melhorando claramente nas últimas provas é Adrian Sutil que, embora ainda, volta e meia, leve tempo do companheiro novato, tem sido correto nas corridas e – o mais importante para uma equipe média como a Force India – trazido os pontos para casa, enquanto Di Resta se transformou, a partir de Mônaco, em um íma de confusão durante as provas.

24jul/111

Pontuação no sistema antigo e atual

Pos Piloto antiga atual
Vettel 89 216
Webber 57 139
Hamilton 55 134
Alonso 54 130
Button 44 109
Massa 24 62
Rosberg 17 46
Heidfeld 11 34
Petrov 11 32
10º Schumacher 10 32
11º Kobayashi 8 27
12º Sutil 5 18
13º Alguersuari 2 9
14º Perez 2 8
15º Buemi 1 8
16º Barrichello 4
17º Di Resta 2

 

23jul/114

Placar entre companheiros na classificação

 

Vettel 7 x 3 Webber
Hamilton 7 x 3 Button
Alonso 10 x 0 Massa
Schumacher 1 x 9 Rosberg
Heidfeld 3 x 7 Petrov
Barrichello 4 x 6 Maldonado
Sutil 3 x 7 Di Resta
Kobayashi 4 x 5 Perez
Buemi 8 x 2 Alguersuari
Kovalainen 1 x 0 Chandhok
Ricciardo 0 x 2 Liuzzi
Glock 7 x 3 d’Ambrosio

Diferenças hoje

Webber x Vettel: 0s137
Hamilton x Button: 1s154
Alonso x Massa: 0s468
Rosberg x Schumacher: 1s219
Petrov x Heidfeld: 0s230
Maldonado x Barrichello: 0s592
Di Resta x Sutil: 0s751
Perez x Kobayashi: 0s491
Buemi x Alguersuari: 0s152
Kovalainen x Chandhok: 0s823
Glock x D’Ambrosio: 0s241
Liuzzi x Ricciardo: 0s025

22jul/110

Red Bull parece manter a ponta em Nurburgring

A tabela final de tempos mostra uma história, mas o fato é que as equipes se preocupam mais na sexta-feira em avaliar a durabilidade dos dois compostos e, consequentemente, é o ritmo de corrida que é observado – e é impossível de ver em uma volta lançada.

Os times usaram os pneus macios mais do que o normal porque a expectativa é de que teremos uma corrida similar à de Silverstone ou mais molhada. Ou seja, não se espera que o pneu médio dure muito. Ainda assim, a Ferrari mais rápida (Alonso) conseguiu igualar as marcas da Red Bull mais veloz (Webber) nos long runs com pneus médios, andando entre 1min33 alto e 1min34 baixo, o que é particularmente um bom sinal para os italianos, tendo em vista que a temperatura da pista não passou dos 25ºC por todo o dia.

Com Alonso fazendo constantes entradas nos boxes para treinar largadas, ficou difícil comparar seus tempos aos de Webber com pneus macios e tanque cheio. No embate com Vettel (cujo stint mais longo foi de oito voltas, como do espanhol), as marcas ficaram bem próximas, sugerindo equilíbrio. Ambos andaram em 1min37.

O destaque do trieno foi o stint de 13 voltas de Webber, que impressiona pela regularidade, ainda que a sequência de Massa, embora mais curta, não deixe muito a desejar. Como sabemos que não há 1s de diferença entre os carros, principalmente em situação de corrida, os tempos sugerem que a Red Bull fez sua simulação com menos gasolina. Agora, qual a diferença real de ritmo, não dá para saber.

Voltando à classificação da tabela, é bom lembrar que Alonso teve uma saída com pouco combustível bastante acidentada, com escapadas de pista e tráfego. Tanto, que na volta combinada, ficou a apenas 31 milésimos de Webber. Contudo, o espanhol disse que, pela pista e condições climáticas, espera ficar mais longe da Red Bull em classificação - não mais de três décimos. De fato, o carro de Webber e Vettel parece mais ‘no chão’ em Nurburgring.

Mesmo que Hamilton tenha ficado atrás das Mercedes nos treinos, os long runs do inglês mostram a McLaren bem mais próxima de Red Bull e Ferrari. Aliás, a aposta no paddock hoje era de que os prateados não estariam tão atrás quanto parecem. Especialmente se chover, por motivos que já discutimos aqui, entram de vez na briga.

Volta combinada

(leva em consideração os três melhores setores de cada piloto)

Piloto Carrro Volta combinada Dif. Dif. p/ melhor
1 Mark Webber Red Bull-Renault 1’31.646 0.065
2 Fernando Alonso Ferrari 1’31.677 0.031 0.202
3 Sebastian Vettel Red Bull-Renault 1’32.084 0.438 0.000
4 Felipe Massa Ferrari 1’32.164 0.518 0.190
5 Michael Schumacher Mercedes 1’32.311 0.665 0.100
6 Nico Rosberg Mercedes 1’32.547 0.901 0.010
7 Lewis Hamilton McLaren-Mercedes 1’32.724 1.078 0.000
8 Nick Heidfeld Renault 1’32.954 1.308 0.144
9 Vitaly Petrov Renault 1’32.978 1.332 0.160
10 Adrian Sutil Force India-Mercedes 1’33.036 1.390 0.175
11 Jenson Button McLaren-Mercedes 1’33.225 1.579 0.000
12 Paul di Resta Force India-Mercedes 1’33.268 1.622 0.031
13 Sergio Perez Sauber-Ferrari 1’34.079 2.433 0.034
14 Kamui Kobayashi Sauber-Ferrari 1’34.291 2.645 0.200
15 Rubens Barrichello Williams-Cosworth 1’34.344 2.698 0.000
16 Jaime Alguersuari Toro Rosso-Ferrari 1’34.365 2.719 0.122
17 Pastor Maldonado Williams-Cosworth 1’34.940 3.294 0.056
18 Heikki Kovalainen Lotus-Renault 1’35.753 4.107 0.000
19 Timo Glock Virgin-Cosworth 1’36.680 5.034 0.260
20 Karun Chandhok Lotus-Renault 1’37.145 5.499 0.103
21 Jerome d’Ambrosio Virgin-Cosworth 1’37.259 5.613 0.054
22 Vitantonio Liuzzi HRT-Cosworth 1’38.112 6.466 0.033
23 Daniel Ricciardo HRT-Cosworth 1’39.657 8.011 1.080
21jul/113

Expectativas, acerto e retrospecto em Nurburgring

A F-1 retorna a Nurburgring depois de dois anos, resultado do revezamento que a Alemanha tem feito em suas pistas. Relativamente parecida com Silverstone, em que a aerodinâmica novamente é importante nas curvas de raio longo – ainda que de velocidade menor que no traçado britânico – trata-se de um bom indicativo do quanto as mudanças na relação de forças entre as equipes observadas na última etapa são resultado direto da bangunça nas regras.

Agora, com mais estabilidade, veremos se a McLaren realmente ficou para trás, o quanto a Ferrari evoluiu de verdade e onde a Red Bull se coloca nisso tudo. No meio do pelotão, a Williams e a Renault são duas que ficaram devendo em Silverstone e terão outra oportunidade de mostrar serviço.

Outra questão que deve preocupar os engenheiros neste final de semana é o clima imprevisível de Nurburgring. Cravada em uma área florestal, a região tem clima no melhor estilo Spa e não é incomum que caia um temporal e, voltas depois, os pilotos já começarem a apostar nos slicks. Quem não se lembra da loucura de 2007?

Falando naquele ano, os protagonistas de brigas na pista e fora dela são dois dos que possuem melhor retrospecto em Nurburgring: Alonso tem duas vitórias e só chegou atrás dos seis primeiros quando teve carros abaixo da média (2001 e 2009), enquanto Massa não saiu do pódio desde que chegou à Ferrari. Ninguém supera, é claro, o dono da casa, Schumacher, com cinco vitórias e oito pódios.

Vettel só correu uma vez em Nurburgring – e foi logo segundo, atrás de Webber, na primeira vitória do australiano na categoria. Outro que também subiu ao lugar mais alto do pódio no circuito foi Barrichello (veja o retrospecto de todos os pilotos abaixo).

Acerto do carro

A predominância no circuito é de curvas de baixa a média velocidade. Mesmo assim, o nível de pressão aerodinâmica é similar ao de Silverstone. Ainda que os carros com maior downforce se destaquem no circuito, o primeiro setor é bastante técnico e recheado de curvas de baixa, o que faz com que a aderência mecânica prevaleça.

Outro fator é que a descarga de energia nos freios (que regarrega o Kers) é média, no nível de Barcelona. As curvas 1 e 13 são relativamente onduladas. O ajuste dos freios é fundamental para a chicane antes da última curva, enquanto a maior preocupação na hora de acertar as suspensões é com as mudanças de direção.

Em relação aos pneus, serão usados os macios e os médios, assim como em Valência. No entanto, como Nurburgring tende a gastar mais borracha, os mais duros devem funcionar melhor e os mais macios, durar menos que na prova espanhola.

Mas o grande desafio para as equipes será lidar com o clima. Nestas situações, o normal é que se trabalhe com um acerto básico para o seco e fazer as adaptações necessárias se – ou quando, o que é o mais provável –chover.

Nº de voltas 60
Ativação da DRS Detecção na freada da curva 10 e ativação após a curva 11
Pé em baixo 58%
Consumo de câmbio médio
Consumo de freios médio
Consumo de motor médio
Nível de downforce alto
Uso de combustível 2.43kg por 5km
Tempo de perda no pit 20s6
2009
Pole position Mark Webber, 1:32.230
Resultado da corrida 1º Mark Webber

2º Sebastian Vettel

3º Felipe Massa

Volta mais rápida 1:29.468 (Michael Schumacher, Ferrari, 2004)

Retrospecto em Nurburgring (GPs da Europa e da Alemanha)

Piloto 4º-6º 7º-10º 11º+ DNF
Sebastian Vettel 1
Mark Webber 1 1 1 1 1
Lewis Hamilton 1 1
Jenson Button 1 2 3 1 2
Fernando Alonso 2 1 2 1 1
Felipe Massa 1 3 1 1 1
Michael Schumacher 5 3 2 1
Nico Rosberg 1 1 1
Nick Heidfeld 1 1 5
Vitaly Petrov
Rubens Barrichello 1 3 6 2 1
Pastor Maldonado
Adrian Sutil 1 1
Paul di Resta
Kamui Kobayashi
Sergio Perez
Sebastien Buemi 1
Jaime Alguersuari
Heikki Kovalainen 2
Jarno Trulli 1 1 3 2 4
Narain Karthikeyan 1
Vitantonio Liuzzi 1 2
Timo Glock 1
Jerome D'Ambrosio