GP da Alemanha por britânicos, espanhóis e brasileiros: “derrotada a Red Bull”
Na Globo e na BBC estão preocupados com a chuva. “Corrida de verão com cara de teste de pré-temporada”, define Galvão Bueno, enquanto Martin Brundle acredita que é um dia em que se pode ir “from hero to zero” em relação à escolha de pneus e estratégia.
Os espanhóis estavam mais ‘preocupados’ com Vettel. “Mesmo que deva estar tranquilo com a vantagem que tem, não parece confortável”, observa Antonio Lobato. “Isso não é aceitável, com 80 pontos na frente e largando em terceiro. Não é nenhum desastre”, critica Pedro de la Rosa. “É que a situação ficou tensa na Red Bull depois da Grã-Bretanha e ele sabe que tem dois lobos o espreitando, Hamilton e Alonso”, Lobato chegou onde queria.
Os britânicos destacam o bom retrospecto de Webber em Nurburgring, mas acreditam que “a McLaren espera conseguir mais aderência com essas condições climáticas” e acertam em cheio. Já na largada, Hamilton pula à frente. “Ele conseguiu na segunda fase na largada, enquanto Vettel ficou preso em um sanduíche de Ferrari”, vê Brundle, que chegou a se confundir: achou que Vettel estava em segundo e Webber, em quarto.
Na Globo, decepção com uma ótima largada de Massa, que acabou se tornando uma posição perdida. “Todo muito arriscou muito na largada”, observa Galvão. “Outra vez Massa largou melhor que Alonso e ficou encaixotado”, lembra Reginaldo Leme. “Alonso sabia que Vettel tinha tudo a perder e se jogou no último instante”, lê Marc Gené na La Sexta.
Não adiantou muito, pois logo Alonso escapa e “libera Vettel”, na visão dos britânicos. “Deve ter soltado algumas palavras fortes em espanhol debaixo daquele capacete”, diz Brundle, enquanto Coulthard, De la Rosa e Luciano Burti citam a falta de aquecimento dos pneus como motivo. “Tá pensando que craque não erra? O melhor dessa geração deu uma escapada”, diz Galvão com uma ponta de satisfação.
Ao contrário dos britânicos, De la Rosa não vê Vettel aguentando por muito tempo. “Ontem os Red Bull deram mais uma vez um grande salto do Q2 para o Q3. Achamos que eles, por problemas de superaquecimento, só usam o Kers na parte final. O problema é que na corrida eles também têm de parar de usar em algumas voltas.”
De fato, não demorou muito para Alonso passar o alemão, enquanto Massa ficava preso atrás de Rosberg. “Fernando tem uma determinação impressionante”, justifica Galvão. Burti acha estranha a diferença de velocidade entre os dois carros e se chega à conclusão na Globo, após uma rodada e uma sequência ruim de voltas, que Vettel “tem um problema”. Espanhóis e britânicos têm outras explicações.
“Alonso cozinhou o Vettel em banho-maria. Fez ele usar todo o Kers para se defender da asa e guardou tudo para a outra reta”, acredita De la Rosa. “Não me surpreenderia se Alonso usou todo seu Kers na reta, algo que devia vir tramando há algumas voltas. É o que o Massa devia ter feito com o Rosberg faz tempo”, diz Coulthard.
Logo depois, Vettel sai da pista. “O que aconteceu com o homem que não cometia erros?”, pergunta Brundle. “É a regra número 1 quando chove = não cruze a linha branca”, ensine Coullthard. “Se confirma que Vettel está tenso e essa corrida pode ser um pesadelo para ele”, seca Lobato. “É certeza que ele terá uma vibração enorme nos pneus a partir de agora. Vai ter de aguentar com esse jogo porque não dá para parar agora”, De la Rosa, assim como Coulthard, antecipa a perda de rendimento do alemão.
Também sem entender como Massa não consegue passar Rosberg, Lobato dispara. “Não quero ser mau, mas se ele tivesse passado estaria na frente do Vettel, ajudando o campeonato e seu companheiro.”
Alonso encosta em Hamilton e Webber enquanto os dois lutam por posição. Galvão, em dia de campanha ‘Alonso é o melhor do mundo e, ainda por cima, sortudo’ - “Alonso à parte, nunca tinha visto tanto equilíbrio no nível de pilotagem” - , não tem dúvidas. “Vai cair no colo dele! Do jeito que esses dois guiam...” Isso não acontece. O que vemos é Hamilton se defendendo bem. “Ele é encardido”, define o narrador. “Quando Hamilton é ultrapassado, ele não se sente batido, simplesmente vê outra oportunidade para ultrapassar.”
Logo depois, Webber é o primeiro a parar. Como esperam uma corrida com dois pitstops, os espanhóis estranham a precocidade da troca e acreditam que tenha sido um erro. “Vai jogar ele no tráfego. É uma estratégia muito ruim”, diz De la Rosa, para logo se render quando Hamilton e Alonso param e voltam atrás do australiano. “Parece que há mais degradação do que prevíamos”, se explica, enquanto Galvão comemora o fato de Massa ter feito o melhor pitstop da rodada: “Valeu, Ferrari!”
A expectativa na BBC é que Webber suma na ponta. “Ele finalmente lidera uma corrida e acho que vai ficar aí por muito tempo”, diz Brundle, referindo-se ao fato desta ser a estreia do australiano na ponta de uma corrida neste ano. Já Burti observa diferentes fases durante o stint. “Ele voltou mais rápido, mas a tendência é gastar mais rápido e McLaren e Ferrari ficarem melhores à medida que as voltas vão passando.” Na La Sexta, não acreditam na supremacia da Red Bull. “Webber não vai escapar, ele não tem ritmo”, sentencia Gené.
Os espanhóis comemoram o fato de Massa ter voltado à frente de Vettel porque “é bom para o campeonato” e acreditam que o brasileiro vai conseguir se sustentar. “Ele é bom no corpo a corpo”, observa Gené. “Vai, Felipe, que hoje você tá arrojado”, incentiva Galvão.
Schumacher protagoniza uma reprodução da rodada de Vettel. “Chamam ele de Baby Schumi, mas ele não precisa copiar, ele faz antes”, brinca Brundle, enquanto os espanhóis veem uma diferença marcante. “Ele não freou quando escapou e não estragou o pneu”, observa Gené. “Sem dúvida, é o sinal da idade. Ele pensa, mas o corpo não responde”, diz Galvão.
A Red Bull avisa Vettel de um problema nos freios que “deve explicar porque parece perdido”, para Brundle; “deve ser temperatura”, para Burti e “com certeza é Kers”, para De la Rosa. “Quando seu Kers vai e volta, você tem de ajustar o equilíbrio de freio porque muda completamente”. O espanhol sugere que se trata de uma espécie de código para falar deste ponto débil do RB7.
Na segunda rodada, o undercut de Webber não funciona e, mesmo sendo o primeiro a parar, volta em terceiro. O último a entrar nos boxes, Alonso retorna momentaneamente em primeiro, e não consegue se segurar. Na volta anterior, quando Hamilton saiu do box brigando com Webber, os espanhóis disseram que seria “impossível” passar por fora na curva dois. E é o que o inglês faz com o espanhol. “Pegou Alonso cochilando. Parece que ele pensou que estava tranquilo na liderança e esqueceu que Hamilton tinha os pneus mais aquecidos”, vibra Coullthard. “Ele fez o que não deixou o Webber fazer. Dá muita vergonha ser ultrapassado por fora. Ainda mais quando é Alonso sendo superado por Hamilton.” Para Galvão, “o inglês está impossível hoje, se bem que o pneu estava frio”, enquanto os espanhóis veem um Alonso “muito limpo” e também culpam os pneus. “Ele poderia ter feito o que Hamilton fez. Me dá a impressão de que sabe que essa corrida é sua”, acredita De la Rosa.
Coullthard está curioso para entender porque o undercut não está funcionando. “Se bem que deu certo com Webber no início da corrida, então é algo que temos de analisar com calma. Agora não dá porque tem muita coisa acontecendo!” Lobato concorda. “Parece outro campeonato desde o GP da Grã-Bretanha. Nem parece que vivemos aquele domínio no começo.”
A grande dúvida agora é como a troca para pneus médios vai interferir na corrida. Para Galvão, “quem parar por último vai ganhar”. Já Gené e De la Rosa não têm tanta certeza. “A chave da corrida é saber quem vai arriscar colocar os médios porque pode ser que não seja tão ruim quanto parece”, diz o piloto de testes da McLaren. “Como vimos uma degradação tão maior nos macios, pode ser que não sejam tão lentos”, completa seu colega na Ferrari. A única certeza na La Sexta é de que Alonso é o que vai sofrer mais entre os três primeiros com o composto.
A teoria na BBC é de que a Pirelli está tornando os pneus cada vez mais duráveis, por questões de marketing. “Com isso, ter um carro que cuida bem dos pneus já não é vantagem, porque eles estão com problemas para mantê-los aquecidos”, vê Brundle.
Gené monitora os tempos de Vitaly Petrov, que acabara de colocar os médios e virava bem, mas De la Rosa temia a demora para aquecê-los. Todos acreditam que Hamilton sairia perdendo quando o inglês é o primeiro a parar. “Se ele pudesse escolher, pararia na última volta, mas os pneus estão indo. É muito arriscado”, acredita o espanhol.
Começa o monitoramento dos tempos. Na primeira volta, Alonso e seus pneus macios gastos ganham em relação ao rival, mas na segunda, britânicos e espanhóis percebem que o tráfego acaba com as chances do asturiano. “Imagino se não seria melhor continuar nesses pneus”, afirma Brundle quando o piloto da Ferrari faz sua parada e volta bem atrás do inglês. O narrador, por sinal, acha que Webber, ao permanecer na pista, está fazendo o certo e se surpreende minutos depois. “Ele está muito lento! Não está funcionando.”
Narradores e comentaristas não seriam as únicas vítimas da não tão dramática diferença entre o macio usado e o médio novo, segundo Galvão. “Dessa vez os pneus deram nó nos estrategistas.”
Com a primeira derrota na pista, sem quaisquer contratempos, da Red Bull, Galvão sentencia que “os outros chegaram”, enquanto Coulthard ainda vê outro fator que talvez tenha complicado para anglo-austríacos e ferraristas. “Hamilton usou muito bem o frio para vencer.” Já De la Rosa ficou empolgado. “Não falo em virada porque é uma palavra muito ambiciosa, mas há um campeonato, não é só a Ferrari que pode disputar, tirar pontos deles.”
Restava, no entanto, uma briga a ser decidida. Massa havia segurado Vettel por grande parte da prova e, como ficava claro que a Red Bull não tentaria o undercut, decidindo no mano a mano nos boxes, os espanhóis achavam que o único jeito do alemão passar seria na pista.
Estavam errados. “É muita pressão para a cabeça deles! Massa fez uma corrida no limite extremo. Agradecendo à incompetência da Ferrari, Vettel fica em quarto. Mais uma vez, Felipe vai ter de dar bronca!”, Galvão se revolta. “Massa foi muito lento na entrada e a Ferrari foi muito lenta no pit”, observa Brundle, enquanto Lobato repete: “é uma pena”.
Resta destacar o vencedor. “Acho que a cabeça e o acerto de Hamilton estavam no lugar certo hoje”, define Brundle. “Hamilton é o cara do show”, opina Reginaldo. “Posso dizer que foi uma vitória arriscada por parte da equipe. Introduzimos muitas coisas sem provar. Valeu a pena”, revela De la Rosa. E Lobato, claro, não perde a chance. “Corrida espetacular de Hamilton, assim como desse homem que vem logo atrás. Derrotada a Red Bull. Se Vettel já estava tenso, isso vai continuar acumulando.”
Aliás, a carona de Alonso no final anima os espanhóis. Pela peculariedade da cena e pela dúvida que joga no ar. “A grande questão é quanto ele teve de levantar o pé nas últimas voltas.”
Mas o maior ponto de interrogação que Nurburgring deixou é outro: “vai ter gente coçando a cabeça na Red Bull porque só conseguiram um terceiro e quarto lugares hoje.” Para Reginaldo, “Vettel nem pensou em liderar hoje porque teve problema de freio. É a primeira derrota real do melhor carro do ano.”
GP da Alemanha: voltas mais rápidas vs pneus
| Piloto | Tempo | Diferença | Volta | Pneu |
| Hamilton | 1:34.302 | 59 | Médio novo (8) | |
| Webber | 1:34.468 | 0.166 | 60 | Médio novo (4) |
| Vettel | 1:34.587 | 0.285 | 47 | Macio usado (7) |
| Massa | 1:34.609 | 0.307 | 51 | Macio usado (10) |
| Alonso | 1:34.626 | 0.324 | 60 | Médio novo (7) |
| Schumacher | 1:35.628 | 1.326 | 49 | Macio usado (12) |
| Rosberg | 1:36.181 | 1.879 | 51 | Macio usado (15) |
| Petrov | 1:36.186 | 1.884 | 50 | Médio novo (4) |
| Button | 1:36.258 | 1.956 | 33 | Macio usado (9) |
| Sutil | 1:36.653 | 2.351 | 57 | Médio novo (9) |
| Kobayashi | 1:36.659 | 2.357 | 50 | Médio novo (2) |
| Di Resta | 1:36.715 | 2.413 | 54 | Médio novo (3) |
| Perez | 1:37.033 | 2.731 | 53 | Médio novo (12) |
| Alguersuari | 1:37.415 | 3.113 | 59 | Médio novo (16) |
| Maldonado | 1:37.568 | 3.266 | 50 | Médio novo (15) |
| Buemi | 1:37.863 | 3.561 | 48 | Médio novo (12) |
| Kovalainen | 1:39.050 | 4.748 | 54 | Médio novo (4) |
| Heidfeld | 1:39.452 | 5.150 | 7 | Macio usado (7) |
| Barrichello | 1:39.679 | 5.377 | 9 | Macio usado (9) |
| D'Ambrosio | 1:39.787 | 5.485 | 57 | Médio novo (8) |
| Glock | 1:39.982 | 5.680 | 57 | Médio novo (7) |
| Chandhok | 1:40.435 | 6.133 | 56 | Médio novo (5) |
| Ricciardo | 1:40.489 | 6.187 | 57 | Médio novo (8) |
| Liuzzi | 1:40.683 | 6.381 | 28 | Macio usado (8) |
*entre parênteses, quantas voltas o pneu tinha quando o piloto fez o melhor tempo
O fato das voltas mais rápidas dos pilotos do meio do pelotão terem sido feitas já com muitas voltas no pneu médio mostra claramente as diferentes abordagens em termos de estratégia: enquanto maximizar o resultado para os times grandes significa extrair o máximo de performance de cada jogo de pneus, para os médios, o mais eficiente é tirar o máximo de durabilidade.
Isso acontece porque a diferença de rendimento de Red Bull, McLaren e Ferrari – unida à já pré-disposição de tirar tudo do carro desde o início justamente para este fim – faz com que seus pilotos consigam, em condições normais, fazer sua primeira parada já voltando fora do tráfego. No máximo, voltam com um, dois carros mais lentos à frente.
É um luxo do qual o meio do pelotão não goza. Assim, o melhor é tentar esticar ao máximo todos os stints e “rezar” para que os pneus aguentem no último stint. Uma primeira parada antecipada fatalmente tirará o piloto dos pontos, como perceberam Maldonado e Perez na Alemanha. Nessa situação, não dá para tirar tudo do carro, porque isso significa tirar tudo do pneu. E todo esse cuidado tem de andar lado a lado com as lutas de foice que sempre marcam a zona de quem tem pouco a perder.
Ferrari tinha paradas mais rápidas – até a volta final
| Piloto | Equipe | Pits | Perda total | Média por parada |
| Alonso | Ferrari | 3 | 1'00s440 | 20s146 |
| Vettel | Red Bull | 3 | 1'00s778 | 20s259 |
| Schumacher | Mercedes | 3 | 1'00s997 | 20s332 |
| Rosberg | Mercedes | 3 | 1'01s370 | 20s354 |
| Hamilton | McLaren | 3 | 1'01s881 | 20s627 |
| Webber | Red Bull | 3 | 1'02s063 | 20s687 |
| Massa | Ferrari | 3 | 1'02s432 | 20s810 |
| Sutil | Force India | 2 | 41s718 | 20s859 |
| Button | McLaren | 1 | 20s952 | 20s952 |
| Petrov | Renault | 2 | 42s021 | 21s010 |
| Kobayashi | Sauber | 2 | 42s149 | 21s074 |
| Maldonado | Williams | 2 | 42s658 | 21s329 |
| Alguersuari | Toro Rosso | 2 | 42s751 | 21s375 |
| Kovalainen | Lotus | 2 | 43s263 | 21s631 |
| Glock | Virgin | 2 | 43s504 | 21s752 |
| Liuzzi | Hispania | 1 | 22s048 | 22s048 |
| D'Ambrosio | Virgin | 2 | 44s350 | 22s175 |
| Di Resta | Force India | 2 | 46s211 | 23s105 |
| Ricciardo | Hispania | 2 | 46s372 | 23s186 |
| Buemi | Toro Rosso | 2 | 48s255 | 24s127 |
| Perez | Sauber | 2 | 48s892 | 24s446 |
| Chandhok | Lotus | 3 | 1'16s668 | 25s556 |
| Barrichello | Williams | - | - | |
| Heidfeld | Renault | - | - |
Duas tendências observadas em Silverstone se mantiveram: a clara melhora da performance da Ferrari nos pit stops – de acordo com a equipe, devido à substituição de equipamentos – e a consistência impressionante da Mercedes, que fez seis paradas basicamente no mesmo tempo.
É claro que o que fica é a posição perdida por Massa nos boxes – até ali, sua média era de 20s2, sendo que o 1s7 jogados fora na última parada foi suficiente para Vettel ultrapassá-lo – mas não deixa de ser um cenário mais animador em relação à primeira parte da temporada, quando a Scuderia era consistentemente a mais lenta das quatro.
É interessante notar também uma evolução das nanicas. Lotus, Virgin e Hispania costumavam brigar para ver quem tinha as paradas mais lentas e agora, ao menos neste quesito, se misturam às médias.
Placar de posição de chegada entre companheiros
| Vettel | 9 x 1 | Webber |
| Hamilton | 7 x 3 | Button |
| Alonso | 7 x 3 | Massa |
| Schumacher | 4 x 6 | Rosberg |
| Heidfeld | 5 x 5 | Petrov |
| Barrichello | 8 x 2 | Maldonado |
| Sutil | 6 x 4 | Di Resta |
| Kobayashi | 5 x 4 | Perez |
| Buemi | 6 x 4 | Alguersuari |
| Kovalainen | 1 x 0 | Chandhok |
| Ricciardo | 1 x 1 | Liuzzi |
| Glock | 5 x 5 | d’Ambrosio |
Na décima prova do ano, finalmente Mark Webber tira o zero do placar contra Sebastian Vettel – mas temos de nos perguntar se isso aconteceria se fosse o alemão quem estivesse a seu lado na primeira linha, após mais uma largada abaixo da crítica.
Porém, é inegável que é um resultado que vem amadurecendo. Webber já não é mais o piloto que levava um banho do companheiro nas classificações, se livrou dos problemas mecânicos que marcaram sua primeira parte de temporada e vinha chegando cada vez mais próximo do alemão, curiosamente à medida que o carro da Red Bull perdia performance em relação aos rivais.
Outro que vem melhorando claramente nas últimas provas é Adrian Sutil que, embora ainda, volta e meia, leve tempo do companheiro novato, tem sido correto nas corridas e – o mais importante para uma equipe média como a Force India – trazido os pontos para casa, enquanto Di Resta se transformou, a partir de Mônaco, em um íma de confusão durante as provas.
Pontuação no sistema antigo e atual
| Pos | Piloto | antiga | atual |
| 1º | Vettel | 89 | 216 |
| 2º | Webber | 57 | 139 |
| 3º | Hamilton | 55 | 134 |
| 4º | Alonso | 54 | 130 |
| 5º | Button | 44 | 109 |
| 6º | Massa | 24 | 62 |
| 7º | Rosberg | 17 | 46 |
| 8º | Heidfeld | 11 | 34 |
| 9º | Petrov | 11 | 32 |
| 10º | Schumacher | 10 | 32 |
| 11º | Kobayashi | 8 | 27 |
| 12º | Sutil | 5 | 18 |
| 13º | Alguersuari | 2 | 9 |
| 14º | Perez | 2 | 8 |
| 15º | Buemi | 1 | 8 |
| 16º | Barrichello | 4 | |
| 17º | Di Resta | 2 |
Placar entre companheiros na classificação
| Vettel | 7 x 3 | Webber |
| Hamilton | 7 x 3 | Button |
| Alonso | 10 x 0 | Massa |
| Schumacher | 1 x 9 | Rosberg |
| Heidfeld | 3 x 7 | Petrov |
| Barrichello | 4 x 6 | Maldonado |
| Sutil | 3 x 7 | Di Resta |
| Kobayashi | 4 x 5 | Perez |
| Buemi | 8 x 2 | Alguersuari |
| Kovalainen | 1 x 0 | Chandhok |
| Ricciardo | 0 x 2 | Liuzzi |
| Glock | 7 x 3 | d’Ambrosio |
Diferenças hoje
Webber x Vettel: 0s137
Hamilton x Button: 1s154
Alonso x Massa: 0s468
Rosberg x Schumacher: 1s219
Petrov x Heidfeld: 0s230
Maldonado x Barrichello: 0s592
Di Resta x Sutil: 0s751
Perez x Kobayashi: 0s491
Buemi x Alguersuari: 0s152
Kovalainen x Chandhok: 0s823
Glock x D’Ambrosio: 0s241
Liuzzi x Ricciardo: 0s025
Red Bull parece manter a ponta em Nurburgring
A tabela final de tempos mostra uma história, mas o fato é que as equipes se preocupam mais na sexta-feira em avaliar a durabilidade dos dois compostos e, consequentemente, é o ritmo de corrida que é observado – e é impossível de ver em uma volta lançada.
Os times usaram os pneus macios mais do que o normal porque a expectativa é de que teremos uma corrida similar à de Silverstone ou mais molhada. Ou seja, não se espera que o pneu médio dure muito. Ainda assim, a Ferrari mais rápida (Alonso) conseguiu igualar as marcas da Red Bull mais veloz (Webber) nos long runs com pneus médios, andando entre 1min33 alto e 1min34 baixo, o que é particularmente um bom sinal para os italianos, tendo em vista que a temperatura da pista não passou dos 25ºC por todo o dia.
Com Alonso fazendo constantes entradas nos boxes para treinar largadas, ficou difícil comparar seus tempos aos de Webber com pneus macios e tanque cheio. No embate com Vettel (cujo stint mais longo foi de oito voltas, como do espanhol), as marcas ficaram bem próximas, sugerindo equilíbrio. Ambos andaram em 1min37.
O destaque do trieno foi o stint de 13 voltas de Webber, que impressiona pela regularidade, ainda que a sequência de Massa, embora mais curta, não deixe muito a desejar. Como sabemos que não há 1s de diferença entre os carros, principalmente em situação de corrida, os tempos sugerem que a Red Bull fez sua simulação com menos gasolina. Agora, qual a diferença real de ritmo, não dá para saber.
Voltando à classificação da tabela, é bom lembrar que Alonso teve uma saída com pouco combustível bastante acidentada, com escapadas de pista e tráfego. Tanto, que na volta combinada, ficou a apenas 31 milésimos de Webber. Contudo, o espanhol disse que, pela pista e condições climáticas, espera ficar mais longe da Red Bull em classificação - não mais de três décimos. De fato, o carro de Webber e Vettel parece mais ‘no chão’ em Nurburgring.
Mesmo que Hamilton tenha ficado atrás das Mercedes nos treinos, os long runs do inglês mostram a McLaren bem mais próxima de Red Bull e Ferrari. Aliás, a aposta no paddock hoje era de que os prateados não estariam tão atrás quanto parecem. Especialmente se chover, por motivos que já discutimos aqui, entram de vez na briga.
Volta combinada
(leva em consideração os três melhores setores de cada piloto)
| Piloto | Carrro | Volta combinada | Dif. | Dif. p/ melhor | |
| 1 | Mark Webber | Red Bull-Renault | 1’31.646 | 0.065 | |
| 2 | Fernando Alonso | Ferrari | 1’31.677 | 0.031 | 0.202 |
| 3 | Sebastian Vettel | Red Bull-Renault | 1’32.084 | 0.438 | 0.000 |
| 4 | Felipe Massa | Ferrari | 1’32.164 | 0.518 | 0.190 |
| 5 | Michael Schumacher | Mercedes | 1’32.311 | 0.665 | 0.100 |
| 6 | Nico Rosberg | Mercedes | 1’32.547 | 0.901 | 0.010 |
| 7 | Lewis Hamilton | McLaren-Mercedes | 1’32.724 | 1.078 | 0.000 |
| 8 | Nick Heidfeld | Renault | 1’32.954 | 1.308 | 0.144 |
| 9 | Vitaly Petrov | Renault | 1’32.978 | 1.332 | 0.160 |
| 10 | Adrian Sutil | Force India-Mercedes | 1’33.036 | 1.390 | 0.175 |
| 11 | Jenson Button | McLaren-Mercedes | 1’33.225 | 1.579 | 0.000 |
| 12 | Paul di Resta | Force India-Mercedes | 1’33.268 | 1.622 | 0.031 |
| 13 | Sergio Perez | Sauber-Ferrari | 1’34.079 | 2.433 | 0.034 |
| 14 | Kamui Kobayashi | Sauber-Ferrari | 1’34.291 | 2.645 | 0.200 |
| 15 | Rubens Barrichello | Williams-Cosworth | 1’34.344 | 2.698 | 0.000 |
| 16 | Jaime Alguersuari | Toro Rosso-Ferrari | 1’34.365 | 2.719 | 0.122 |
| 17 | Pastor Maldonado | Williams-Cosworth | 1’34.940 | 3.294 | 0.056 |
| 18 | Heikki Kovalainen | Lotus-Renault | 1’35.753 | 4.107 | 0.000 |
| 19 | Timo Glock | Virgin-Cosworth | 1’36.680 | 5.034 | 0.260 |
| 20 | Karun Chandhok | Lotus-Renault | 1’37.145 | 5.499 | 0.103 |
| 21 | Jerome d’Ambrosio | Virgin-Cosworth | 1’37.259 | 5.613 | 0.054 |
| 22 | Vitantonio Liuzzi | HRT-Cosworth | 1’38.112 | 6.466 | 0.033 |
| 23 | Daniel Ricciardo | HRT-Cosworth | 1’39.657 | 8.011 | 1.080 |
Expectativas, acerto e retrospecto em Nurburgring
A F-1 retorna a Nurburgring depois de dois anos, resultado do revezamento que a Alemanha tem feito em suas pistas. Relativamente parecida com Silverstone, em que a aerodinâmica novamente é importante nas curvas de raio longo – ainda que de velocidade menor que no traçado britânico – trata-se de um bom indicativo do quanto as mudanças na relação de forças entre as equipes observadas na última etapa são resultado direto da bangunça nas regras.
Agora, com mais estabilidade, veremos se a McLaren realmente ficou para trás, o quanto a Ferrari evoluiu de verdade e onde a Red Bull se coloca nisso tudo. No meio do pelotão, a Williams e a Renault são duas que ficaram devendo em Silverstone e terão outra oportunidade de mostrar serviço.
Outra questão que deve preocupar os engenheiros neste final de semana é o clima imprevisível de Nurburgring. Cravada em uma área florestal, a região tem clima no melhor estilo Spa e não é incomum que caia um temporal e, voltas depois, os pilotos já começarem a apostar nos slicks. Quem não se lembra da loucura de 2007?
Falando naquele ano, os protagonistas de brigas na pista e fora dela são dois dos que possuem melhor retrospecto em Nurburgring: Alonso tem duas vitórias e só chegou atrás dos seis primeiros quando teve carros abaixo da média (2001 e 2009), enquanto Massa não saiu do pódio desde que chegou à Ferrari. Ninguém supera, é claro, o dono da casa, Schumacher, com cinco vitórias e oito pódios.
Vettel só correu uma vez em Nurburgring – e foi logo segundo, atrás de Webber, na primeira vitória do australiano na categoria. Outro que também subiu ao lugar mais alto do pódio no circuito foi Barrichello (veja o retrospecto de todos os pilotos abaixo).
Acerto do carro
A predominância no circuito é de curvas de baixa a média velocidade. Mesmo assim, o nível de pressão aerodinâmica é similar ao de Silverstone. Ainda que os carros com maior downforce se destaquem no circuito, o primeiro setor é bastante técnico e recheado de curvas de baixa, o que faz com que a aderência mecânica prevaleça.
Outro fator é que a descarga de energia nos freios (que regarrega o Kers) é média, no nível de Barcelona. As curvas 1 e 13 são relativamente onduladas. O ajuste dos freios é fundamental para a chicane antes da última curva, enquanto a maior preocupação na hora de acertar as suspensões é com as mudanças de direção.
Em relação aos pneus, serão usados os macios e os médios, assim como em Valência. No entanto, como Nurburgring tende a gastar mais borracha, os mais duros devem funcionar melhor e os mais macios, durar menos que na prova espanhola.
Mas o grande desafio para as equipes será lidar com o clima. Nestas situações, o normal é que se trabalhe com um acerto básico para o seco e fazer as adaptações necessárias se – ou quando, o que é o mais provável –chover.
| Nº de voltas | 60 |
| Ativação da DRS | Detecção na freada da curva 10 e ativação após a curva 11 |
| Pé em baixo | 58% |
| Consumo de câmbio | médio |
| Consumo de freios | médio |
| Consumo de motor | médio |
| Nível de downforce | alto |
| Uso de combustível | 2.43kg por 5km |
| Tempo de perda no pit | 20s6 |
| 2009 | |
| Pole position | Mark Webber, 1:32.230 |
| Resultado da corrida | 1º Mark Webber
2º Sebastian Vettel 3º Felipe Massa |
| Volta mais rápida | 1:29.468 (Michael Schumacher, Ferrari, 2004) |
Retrospecto em Nurburgring (GPs da Europa e da Alemanha)
| Piloto | 1º | 2º | 3º | 4º-6º | 7º-10º | 11º+ | DNF |
| Sebastian Vettel | 1 | ||||||
| Mark Webber | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | ||
| Lewis Hamilton | 1 | 1 | |||||
| Jenson Button | 1 | 2 | 3 | 1 | 2 | ||
| Fernando Alonso | 2 | 1 | 2 | 1 | 1 | ||
| Felipe Massa | 1 | 3 | 1 | 1 | 1 | ||
| Michael Schumacher | 5 | 3 | 2 | 1 | |||
| Nico Rosberg | 1 | 1 | 1 | ||||
| Nick Heidfeld | 1 | 1 | 5 | ||||
| Vitaly Petrov | |||||||
| Rubens Barrichello | 1 | 3 | 6 | 2 | 1 | ||
| Pastor Maldonado | |||||||
| Adrian Sutil | 1 | 1 | |||||
| Paul di Resta | |||||||
| Kamui Kobayashi | |||||||
| Sergio Perez | |||||||
| Sebastien Buemi | 1 | ||||||
| Jaime Alguersuari | |||||||
| Heikki Kovalainen | 2 | ||||||
| Jarno Trulli | 1 | 1 | 3 | 2 | 4 | ||
| Narain Karthikeyan | 1 | ||||||
| Vitantonio Liuzzi | 1 | 2 | |||||
| Timo Glock | 1 | ||||||
| Jerome D'Ambrosio |







