1mar/1313

Brincadeira de gente grande

Sem balada dessa vez?

A movimentação de peças no mercado de pilotos da Fórmula 1 mostra o nível de complexidade que as relações técnicas e comerciais atingiram na categoria, algo que é espelhado pelo que acontece na pista e a cada mudança de regulamento. Não é uma questão de teoria da conspiração, mas de um poucas vezes claro jogo de interesses.

Na Force India, chegou-se a cogitar a contratação de Narain Karthikeyan, interessante pela grana e pela nacionalidade, e só. O fato do indiano ter sido preterido dá uma boa amostra de que a Force India não precisa tanto assim de dinheiro: Vijay Mallya certamente vem deixando a dívida rolar enquanto procura um comprador para a falida Kingfisher, pois dinheiro ele tem após vender parte da United Spirits por US$2,2 bi.

Adrian Sutil acabou ficando com a vaga, em decisão à primeira vista conservadora. Afinal, o alemão traz dinheiro, tem experiência e certa velocidade, tornando-se um pacote atraente para um time médio. Contudo, Jules Bianchi poderia ser comparado a Valtteri Bottas em termos de experiência e abriria as portas para um acordo com a Ferrari, que provavelmente perderá a Toro Rosso e quer fornecer seu motor para mais equipes ano que vem.

Quem também vai precisar de motores novos é a Marussia, uma vez que a Cosworth não está desenvolvendo os V6 turbo que serão usados em 2014. Ponto para Bianchi, membro da academia de jovens pilotos da Scuderia? Pode ser, mas há quem duvide que a McLaren gostaria de ter um piloto Ferrari usando seu simulador – e a equipe tem um acordo técnico com a Marussia.

Sim, a possibilidade de uma vaga abrir na Marussia também não tem nenhum motivo técnico. Já está claro que Razia não vem treinando porque o sinal acordado por contrato não chegou, algo que pode tirá-lo do grid e que abre uma série de possibilidades.

É bom lembrar Timo Glock foi dispensado justamente porque tinha um dos maiores salários da equipe, ou seja, a Marussia precisa de dois pilotos pagantes. Por isso, os rumores de que a vaga poderia ficar com Heikki Kovalainen não fazem muito sentido, a não ser que o finlandês mude a condição de “assalariado” que também lhe custou uma vaga, na Caterham. Outras possibilidades seriam o próprio Karthikeyan e outro endinheirado cujo país interessa muito ao crescimento da F-1, Vitaly Petrov.

Certa vez ouvi de um amigo médico que, se todos os profissionais da área fossem como os médicos do seriado House, os hospitais e sistemas de saúde públicos faliriam. Afinal, Dr. House não mede exames e procedimentos para descobrir qual a doença de cada um de seus pacientes. Na vida real, nenhuma vida vale tanto assim para quem administra as contas de um hospital.

Se até na hora de salvar vidas é preciso fazer as contas, imagine para manter uma equipe? Ao invés de criticar, vale mais a pena tentar entender as decisões, que acompanham a complexidade do que vemos nos carros e nas corridas. E a graça da F-1 está justamente nisso.

13dez/115

O 10 melhores de 2011 – parte 2

5. Adrian Sutil

Posição no mundial 9º, 42 pontos
Comparação com companheiro (classificação) 10 x 9 (+0.058 em média)
Comparação com companheiro (corrida) 10 x 6
Melhor resultado 6º, Alemanha e Brasil

Em sua quinta temporada por um time de meio de pelotão, levando tempo do companheiro cuja experiência recente em monopostos era nula e envolvido em um escândalo por uma briga de bar. Em maio de 2011 era difícil imaginar que Adrian Sutil poderia estar entre os 5 melhores da temporada. O alemão foi um dos grandes nomes da segunda metade do ano e pode dizer que levou sua equipe ao melhor resultado da história no mundial de construtores.

Isso, porque conseguiu se colocar como o primeiro colocado fora os pilotos das poderosas Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes, fazendo mais de 60% dos pontos da equipe. Para se ter uma ideia, mesmo com o sexto carro do grid, pontuou em nove ocasiões, entrando por quatro vezes no top 7.

Ainda que a batalha com Di Resta tenha sido equilibrada em classificação – curiosamente, mesmo tendo ficado mais vezes à frente, o alemão perde na média – foi nas corridas que Sutil mostrou a maturidade que lhe faltou nos anos anteriores, aproveitando as oportunidades de pontuar e lutando diretamente com as Mercedes nas últimas provas.

Talvez sua grande prova do ano tenha sido na Bélgica, quando se recuperou de um 15º lugar na classificação para ser sétimo, mas o ritmo consistente do sexto lugar da Alemanha e a bela batalha com Rosberg no Brasil não ficam atrás.

4. Heikki Kovalainen

Posição no mundial 0 pontos
Comparação com companheiro (classificação) 16 x 2 (-0.465 em média)
Comparação com companheiro (corrida) 8 x 3
Melhor resultado 13º, Itália

Esqueça a tabela. Esqueça aquele Kovalainen apagado da McLaren. Quem prestou atenção na disputa do final do pelotão observou que o finlandês se destacou tanto neste ano que mal parecia pertencer à turma das nanicas. Kovalainen, na verdade, foi o Vettel deles. Assim como os três que estão a sua frente na lista, fez tudo o que podia – e mais um pouco – com o carro que tinha em mãos.

Tanto, que por três vezes conseguiu passar para o Q2 na classificação, ficou à frente das Williams em algumas oportunidades em corrida e, de forma mais marcante, superou Vitaly Petrov na “outra” Lotus em Cingapura, resultado vindo com ritmo puro.

Após um 2010 apertado em relação ao companheiro, foi o piloto que mais vantagem obteve em média nas classificações, perto de meio segundo sobre Jarno Trulli. Nas corridas, teve quatro falhas mecânicas, mas ainda assim também foi de forma consistente melhor que o italiano, superando-o em várias ocasiões por mais de meio minuto.

3. Jenson Button

Posição no mundial 2º, 270 pontos
Comparação com companheiro (classificação) 6 x 13 (+0.204 em média)
Comparação com companheiro (corrida) 7 x 7
Melhor resultado 1º, Canadá, Hungria e Japão

A decisão entre Button e Alonso pelas terceira e segunda posições é difícil e os lugares poderiam muito bem estar trocados, mas a performance em classificação de Button, sendo o único dos seis primeiros no campeonato a não ter passado em todas as oportunidades para o Q3 no ano continua sendo seu calcanhar-de-Aquiles. Além disso, escolhas equivocadas de estratégia no início do ano acabaram com algumas corridas.

Quando finalmente percebeu que seu estilo suave de condução faria mais diferença no mano a mano, ou seja, se adotasse o mesmo número de paradas de seus adversários e fizesse os pneus durarem mais no final dos stints, Button se tornou imbatível – em Suzuka, até para Vettel.

O inglês uniu inteligência ao arrojo em algumas das melhores ultrapassagens do ano, como em Rosberg na Turquia, e em Schumacher em Monza, para ser o primeiro companheiro a superar Lewis Hamilton ao longo de uma temporada. Ganhou na consistência, em um ano cujas regras premiaram mais o jeito que a força – e os três primeiros da lista compreenderam isso melhor e mais rápido que seus pares.

E, por fim, como esquecer a vitória do Canadá, quando pulou de último para primeiro com um misto de ritmo puro, estratégia perfeita e uma boa pitada de sorte? Além da performance memorável em Montreal, a vitória de Suzuka demonstrou que Button não é só piloto de chuva. Por essas e outras, 2011 foi o ano em que deixou as dúvidas que ainda sobravam a seu respeito para trás e no qual se consolidou dentro da McLaren, que agora também se tornou um pouco sua.

2. Fernando Alonso

Posição no mundial 4º, 257 pontos
Comparação com companheiro (classificação) 15 x 4 (-0.294 em média)
Comparação com companheiro (corrida) 13 x 2
Melhor resultado 1º, Grã-Bretanha

Os 14 pontos que separam Fernando Alonso do vice-campeonato mundial mesmo com um carro que foi decididamente a terceira força no ano já contam a história. Se somarmos isso aos pontos que o espanhol perdeu quando foi facilmente superado nas partes finais das provas, como consequência do péssimo rendimento de sua Ferrari com pneus duros – sendo Espanha o exemplo mais gritante, mas incluindo também Turquia, Alemanha, Bélgica e Brasil – temos a certeza de que o bicampeão levou o 150 Italia a posições que não merecia, e de forma consistente.

Conseguiu isso com largadas brilhantes a partir do GP da Espanha, nas quais raramente deixou de ganhar ao menos uma posição, além de administrar de forma inteligente os pneus Pirelli. Fatores que, somados à ampla vantagem sobre o companheiro nas classificações e os raros erros, fizeram de 2011 sua melhor temporada da carreira.

Sua única corrida apagada foi na China, que também marcou o pior final de semana do ano para a Ferrari em termos de ritmo, perdendo até para as Mercedes. Em compensação, na única oportunidade em que teve carro para ganhar, foi imbatível em Silverstone, além de ter chegado perto na Alemanha, em Mônaco e no Japão.

As largadas “jogando pra galera” na Espanha e em Monza, utilizando todo o Kers logo de cara, assim como a agressividade da largada e da ultrapassagem em Button no Brasil mais pareceram um grito: “me deem um carro!”.

1. Sebastian Vettel

Posição no mundial 1º, 392 pontos
Comparação com companheiro (classificação) 16 x 3 (-0.414 em média)
Comparação com companheiro (corrida) 15 x 2
Melhor resultado 1º, Austrália, Malásia, Turquia, Espanha, Mônaco, Europa, Bélgica, Itália, Cingapura, Coreia e Índia

A vantagem de Sebastian Vettel para o concorrente mais próximo é maior do que a pontuação de Felipe Massa no ano. O número de vitórias, maior que a soma das conquistas de todos os rivais. As 15 poles, então, foram uma covardia. É claro que o RB7 foi o carro do ano, mas o alemão tem grande responsabilidade sobre o tamanho dessa vantagem.

A Red Bull é um carro bastante superior do ponto de vista aerodinâmico, mas sua velocidade máxima comprometida justamente por isso fazia com que este fosse um pacote difícil de administrar. Era preciso se classificar na pole, além de fazer uma largada e primeiras voltas perfeitas para fugir de qualquer custo da DRS. Uma vez no meio do tráfego, muitas vezes o RB7 “virava abóbora” como o próprio bicampeão descobriu na Alemanha e no Japão.

Além disso, o pacote de mudanças de 2011 trazia o Pirelli, desafio que Vettel tirou de letra antes de qualquer outro, algo decisivo em sua campanha. Com uma boa vantagem logo de cara, conseguiu fugir das pressões e pensar em apenas maximizar os resultados a cada final de semana. Cometeu erros quando podia, em treinos livres, e se recuperou a tempo. Nas corridas, falhou apenas naquela última volta do Canadá.

Foi um ano em que Vettel aparou as arestas deixadas mesmo com o título em 2010, como os erros não forçados e as ultrapassagens – sendo a manobra sobre Alonso em Monza uma das melhores do ano –, e ganhou, além das corridas que lhe cabiam devido à superioridade da Red Bull, várias provas em que a McLaren esteve próxima, como Espanha, Bélgica e Mônaco.

25jul/110

Placar de posição de chegada entre companheiros

 

Vettel 9 x 1 Webber
Hamilton 7 x 3 Button
Alonso 7 x 3 Massa
Schumacher 4 x 6 Rosberg
Heidfeld 5 x 5 Petrov
Barrichello 8 x 2 Maldonado
Sutil 6 x 4 Di Resta
Kobayashi 5 x 4 Perez
Buemi 6 x 4 Alguersuari
Kovalainen 1 x 0 Chandhok
Ricciardo 1 x 1 Liuzzi
Glock 5 x 5 d’Ambrosio

Na décima prova do ano, finalmente Mark Webber tira o zero do placar contra Sebastian Vettel – mas temos de nos perguntar se isso aconteceria se fosse o alemão quem estivesse a seu lado na primeira linha, após mais uma largada abaixo da crítica.

Porém, é inegável que é um resultado que vem amadurecendo. Webber já não é mais o piloto que levava um banho do companheiro nas classificações, se livrou dos problemas mecânicos que marcaram sua primeira parte de temporada e vinha chegando cada vez mais próximo do alemão, curiosamente à medida que o carro da Red Bull perdia performance em relação aos rivais.

Outro que vem melhorando claramente nas últimas provas é Adrian Sutil que, embora ainda, volta e meia, leve tempo do companheiro novato, tem sido correto nas corridas e – o mais importante para uma equipe média como a Force India – trazido os pontos para casa, enquanto Di Resta se transformou, a partir de Mônaco, em um íma de confusão durante as provas.

27jun/110

Placar de posições de chegada entre companheiros

Vettel 8 x 0 Webber
Hamilton 5 x 3 Button
Alonso 5 x 3 Massa
Schumacher 4 x 4 Rosberg
Heidfeld 4 x 4 Petrov
Barrichello 7 x 1 Maldonado
Sutil 4 x 4 Di Resta
Kobayashi 4 x 3 Perez
Buemi 6 x 2 Alguersuari
Kovalainen 2 x 6 Trulli
Karthikeyan 4 x 3 Liuzzi
Glock 3 x 5 d’Ambrosio

Hoje o assunto são os duelos entre companheiros que mostram uma tendência em classificação e outra na corrida. São dois os pilotos zerados nos sábado (Massa e Karthikeyan) e outros dois, cujo placar desfavorável é de 7 a 1 (Schumacher e Trulli), que conseguem equilibrar mais as forças no domingo – no caso do indiano e do italiano, até viram o jogo.

Mas, como de costume, cada caso é singular. As três vezes que Massa ficou à frente de Alonso foram em provas nas quais o espanhol errou – em duas oportunidades na largada – e no abandono do Canadá.  Schumacher teve dias em que foi bem melhor que Rosberg (Canadá), dias em que os dois correm juntos o tempo todo e o duelo é decidido nos detalhes (Espanha) e dias em que problemas no carro determinam o resultado (sobretudo nas primeiras provas). Ainda assim, dá para dizer que se trata de uma prova de que o desempenho de ambos é melhor aos domingos.

Já nos casos de Karthikeyan e Trulli, pode até ser uma questão de “devagar e sempre”, mas geralmente é a confiabilidade dos carros que determina quem vence o duelo interno.

Há, ainda, duas outras dinâmicas interessantes com estreantes, que historicamente têm tido mais dificuldades nos últimos anos com o sistema de classificação de “mata-mata”.

Na Williams, a briga nas classificações está apertada, tanto pelo melhor rendimento de Maldonado aos sábados, quanto pelos problemas enfrentados por Barrichello, que só admitiu ter sido batido “fair and square” em Mônaco. Nas corridas, o venezuelano ainda não completou todas as voltas de nenhum GP – quando foi classificado, estava ao menos uma volta atrás – e parece se perder durante as provas.

Na Force India, Paul Di Resta vem dando um banho em Adrian Sutil nas classificações. Nas corridas, no entanto, a maior experiência do alemão se faz valer, o que, somada a certo excesso de agressividade do escocês em alguns momentos, faz com que o placar esteja equilibrado em corridas.

 

30mai/114

Placar de posição de chegada entre companheiros

Vettel 6 x 0 Webber
Hamilton 4 x 2 Button
Alonso 4 x 2 Massa
Schumacher 3 x 3 Rosberg
Heidfeld 3 x 3 Petrov
Barrichello 5 x 1 Maldonado
Sutil 3 x 3 Di Resta
Kobayashi 4 x 2 Perez
Buemi 6 x 0 Alguersuari
Kovalainen 1 x 5 Trulli
Karthikeyan 4 x 1 Liuzzi
Glock 2 x 4 d’Ambrosio

Na última corrida, destacamos os duelos que tinham zero no placar. Hoje, vamos falar dos empates. Schumacher pode estar levando um 5 a 1 em classificação, mas em corrida consegue equilibrar o jogo. Contando apenas as provas em que ambos completaram, o placar também está empatado, em 2 a 2, com Schumi levando a melhor na Espanha e na Malásia.

Na Renault, Petrov vinha novamente superando Heidfeld, algo que também tem sido recorrente em classificações – é outro 5 a 1. Heidfeld superou o companheiro na pista, de fato, na Malásia e na Turquia.

A Force India é mais uma equipe em que as classificações têm sido mais desequilibradas que as corridas, com Paul Di Resta constantemente levando a melhor em cima de Adrian Sutil – 5 a 1, novamente. Porém, a experiência do alemão, principalmente em relação aos pneus, tem feito com que as coisas mudem um pouco aos domingos. Neste GP de Mônaco, Di Resta fez a opção errada – 3 paradas – e ainda levou um drive through por forçar para cima de Jaime Alguersuari.

 

20mar/113

Como domar os pneus Pirelli?

O assunto principal desse início de temporada é a degradação dos novos pneus Pirelli. A empresa italiana seguiu à risca o que lhe foi pedido e produziu uma borracha que obrigará os pilotos a fazerem ao menos o dobro de pitstops em relação ao ano passado.

E não demorou para que os famosos conservadores de pneus, como Button e Heidfeld, aparecessem contando vantagem. Todavia, a julgar pelas descrições que os pilotos vêm dando sobre o comportamento dos novos compostos, há mais probabilidade de errar e detonar o pneu já nas primeiras voltas que de tirar vantagem com um estilo mais suave.

A sensação geral é de que, mesmo se adotar uma tocada mais suave, o pneu dura apenas 1 ou 2 voltas a mais. Como esta tocada seria mais lenta, não haveria grande vantagem. “Tentei guiar de forma diferente, digamos, 20% mais devagar, e isso lhe dá uma volta a mais”, garantiu Adrian Sutil. “O problema é que, depois de um certo número de voltas, o pneu acaba, não importa o que o piloto faça”, completou Sebastian Vettel.

Formula One Testing, Day 1, Barcelona, Spain, Tuesday 8 March 2011.

Identificar a hora de fazer a parada será a chave

Entender essa característica dos Pirelli citada pelo atual campeão mundial, de que o rendimento cai bruscamente de uma hora para a outra, promete ser a grande chave para o ano. “O piloto vai sentir a degradação antes que a equipe possa ver isso nos tempos. Então, creio que o piloto terá um papel fundamental em saber quando os pneus estão prestes a acabar. Se você tomar a decisão de parar uma ou duas voltas depois do que deveria, pode perder 5 ou 6s”, acredita Pedro De la Rosa, que atuou como piloto de testes da Pirelli. “O feeling de quando o pneu acabar será extremamente importante. Os pneus têm uma degradação linear até sofrer uma queda abrupta”.

É essa perda de rendimento que o piloto tem que pressentir e evitar a qualquer custo. “Você terá que perceber isso e já avisar a equipe que está entrando (para fazer o pitstop). Será interessante – não é só uma questão de ter os engenheiros olhando uma tela e decidindo quando você vai parar.”

Outro ponto imporante relacionado aos novos pneus é que eles obrigam a adaptar na maneira de pilotar. E quem o fizer primeiro – e melhor – leva vantagem, independente do estilo. “Com os Pirelli, não podemos frear tão forte. Antes, chegava ao final da reta e pisava com todas as minhas forças. Se faço isso agora, o mais normal é que os frite, principalmente os traseiros, como se tivesse puxado o freio de mão”, descreve Fernando Alonso. “A tração também piorou bastante. Quando antes saía de uma curva e pisava com o acelerador, era agressivo, mas este ano tenho que medir a pressão. Só piso fundo quando estiver na 3ª ou 4ª marchas. Tem que ser muito mais sensível.”

8fev/115

Turma de 2011: Force India

Em 2010
Colocação/pontos: 7º, 68 pontos
Melhor resultado: 5º (2 vezes, com Sutil)
O que levar para 2011: o rendimento da 1ª metade do campeonato
O que esquecer: perda de peças importantes do corpo técnico

Montanha russa

Adrian Sutil
Stamberg, Alemanha, 11.01.1983
71 GPs
Por que Sutil: precisa mostrar serviço depois de um final de 2010 difícil
Em 2010: 11º, 47 pontos
O que levar para 2011: a evolução que mostrou de 2007 a 2009
O que esquecer: tentativas desastradas de guiar mais que o carro

 

Com moral

Paul di Resta
Livingston, Inglaterra, 16.04.1986
Estreia em 2011
Por que Di Resta: bateu Vettel quando foram companheiros na F3 Euroseries e é considerado um piloto de ótimo feedback pelos engenheiros
Em 2010: campeão da DTM

A Force India tem que decidir de que lado está. Se continuará o linha ascendente que teve em seus primeiros 3 anos e meio de vida, saindo do fundão do grid para o pódio solitário com Fisichella na Bélgica em 2009. Ou se entra na briga com a Toro Rosso por uma vaga no Q1. A ex-Jordan e Spyker trilhava um bom caminho, tendo à disposição o motor Mercedes e a colaboração técnica da McLaren, mas perdeu muito com a debandada de engenheiros no meio da temporada passada. Com a saída, especialmente de James Key, que acabou arrumando a casa da Sauber, o desenvolvimento do carro ficou comprometido e a equipe acabou perdendo, por 1 ponto, o 6º lugar entre os construtores para a Williams.

É de se imaginar que o projeto deste ano também tenha sido comprometido, feito em meio a profundas mudanças estruturais. Mas o ótimo motor e a parceria com a McLaren continuam de pé, além do time contar com uma competente dupla de pilotos.

Adrian Sutil mostrou em suas 4 temporadas na F1 que tem a competência para aproveitar oportunidades de levar pontos importantes para casa. É claro que fez suas trapalhadas e tem o péssimo hábito de tentar guiar mais que o carro, mas é um bom parâmetro para seu novo companheiro, Paul di Resta. O escocês de 24 anos chega gabaritado pelo bom retorno que deu aos engenheiros da Force India quando testou o carro às sextas-feiras em 2010, pela vitória no mano a mano com Vettel na F3 Euroseries e o recente título da concorrida DTM. Porém, são justamente os 4 anos que passou disputando apenas o campeonato de turismo que podem atrapalhar um pouco seu “ritmo de jogo” em monopostos no início. Se um dos dois ficarem aquém do esperado, Nico Hulkenberg estará mais que pronto para assumir o cockpit. É certamente a line-up mais forte do meio do grid.

Até por isso, a equipe fala em lutar pelo 5º lugar no grid neste ano, ou seja, se embolar com Renault e Mercedes. Pelo menos à primeira vista, o carro lançado hoje não parece correr muitos riscos. O único detalhe que chama a atenção é a entrada de ar acima da cabeça do piloto dividida ao meio, solução trazida pela Mercedes em 2010 - e abandonada neste ano. Nos testes de Jerez, veremos se o novo Force India é confiável; em Barcelona e no Bahrein, se almejar o 5º lugar é sonhar alto demais.

27nov/1020

Quais foram as melhores ultrapassagens do ano

Umas são fruto de puro oportunismo, outras são meticulosamente calculadas, mas todas têm sua beleza. Aí está minha lista das melhores ultrapassagens do ano, organizadas por data. Lembram de mais alguma?

Hamilton x Rosberg, GP da Austrália

Hamilton foi muito corajoso aqui, numa rara ultrapassagem – e por fora – na curva 11 de Melbourne.

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Alguersuari x Hulkenberg, GP da Malásia

Essa foi daquelas estudadas, em que parece que o piloto sabe o desfecho antes da primeira tentativa.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=AB99PY2sr3U]

Alonso x Massa, GP da China

Alonso dá seu cartão de visitas a Massa numa manobra pra lá de oportunista na entrada dos pits. Hamilton fez o mesmo com Vettel, em outra que poderia estar na lista.

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Hamilton x Vettel x Sutil, GP da China

Falando em oportunismo, aos 2min de vídeo, Hamilton aproveita que Sutil escorrega e bloqueia Vettel para passar logo os dois.

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Hamilton x Vettel, GP da Turquia

É Hamilton com sua presa favorita novamente, agora por fora, aos 44s de vídeo, logo após ter perdido a posição na largada.

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Button e Kubica x Webber, GP da Europa

Briga de foice no travadíssimo circuito de Valência. E Webber deve estar se perguntando até agora o que aconteceu.

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Rosberg x Alguersuari, GP da Inglaterra

A Brookslands, e ainda por fora, não costuma ser lugar de ultrapassagem, mas Rosberg não quis nem saber e colocou o carro pra lá da linha branca, a 1min21 do vídeo, para passar Alguersuari.

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Barrichello x Schumacher, GP da Hungria

Barrichello tinha pneus bem mais novos, mas essa entra na lista pela coragem: quem não tiraria o pé ao ver o muro tão perto?

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Kobayashi x Alguersuari, GP do Japão

O japonês freia pra lá do “deus nos acuda”, faz a curva de lado e ainda toca em Alguersuari para parar o carro. Isso é que é passar na marra.

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Alonso x Hulkenberg, GP do Brasil

Outra daquelas calculistas: Alonso faz Hulkenberg contornar o S de uma maneira longe da ideal para sair para o abraço lá na frente.

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Hamilton x Safety Car, GP da Europa

Essa perde em plasticidade, mas ganha em eficiência. Foi a ultrapassagem que mais posições garantiu a um piloto. Tivesse ficado atrás do Safety Car, muito provavelmente terminaria a corrida fora dos pontos, lembrando que voltaria à pista após o pit atrás de Massa, pois trocou o bico do carro. Cruzou a linha de chegada em 2º.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xEo5eqjjfXc]

26out/1020

Dessa vez, os estrategistas estavam nos cockpits

Mesmo sendo uma corrida caótica debaixo de chuva, o GP de Coréia foi mais uma prova de resistência que de estratégia. Pelo menos em relação às trocas de pneu, porque os verdadeiros estrategistas, no domingo, estavam sentados nos cockpits.

Isso porque a questão central foi o manejo das condições ruins do início da prova e da durabilidade dos pneus intermediários na parte final. Quem soube lidar melhor com isso se deu bem.

Logo que o Safety Car saiu de cena, apareceram as primeiras vítimas: Hamilton guardou a agressividade para o rádio e perdeu a posição para Rosberg, que logo depois foi acertado por Webber. O australiano abusou da zebra num terreno molhado e foi parar na lama. Estava pedido: já saíra no lucro na batida com Hamilton em Cingapura.

O mínimo erro e... é isso o que esperava os pilotos

O momento era de cautela. E foi o que os demais postulantes ao título tiveram. À exceção de Button, que sofria bastante com o desgaste dos pneus de chuva extrema e andava em ritmo 1s pior que o companheiro. A exemplo do que fez na Austrália, optou pelos intermediários – naquela ocasião, trocou os inters pelos de seco antes de todo mundo e venceu a corrida. A McLaren observou o rendimento dos demais carros que haviam feito a troca: Di Grassi, as Sauber, Buemi, Petrov, Senna e Truli e viu o claro salto nos tempos a partir da volta 24. De uma hora para a outra, começaram a virar 3, 4s mais rápido: a pista já não estava encharcada.

O problema do inglês foi o timing da parada. Ele voltou atrás de um pelotão compacto que tinha, inclusive, rivais com o mesmo pneu que o seu. Pior, a troca não resolveu por completo sua dificuldade em segurar o carro. Com seus concorrentes diretos parando 3 a 4 voltas depois, sob regime de Safety Car, sua chance de passar alguém caiu por terra.

Esse momento também poderia ser decisivo para a corrida de Alonso. Sua perda total no pitstop foi 3.9s maior que Hamilton devido, à primeira vista, a uma falha da equipe. Mas o espanhol depois assumiu a culpa, dizendo que deixou o carro escorregar na entrada. No entanto, na relargada, Hamilton foi otimista demais com seus pneus intermediários recém trocados e escapou na 1ª freada, “devolvendo” a posição.

 

Quem não tratou os intermediários com cuidado acabou como Petrov ou apanhando no final da corrida

 

Começava aí a fase de 20 voltas com os intermediários, famosos pela pouca durabilidade. Nas voltas finais, deu para perceber quem fez a lição de casa direito. Os pilotos da Williams caíram bruscamente de rendimento – Hulkenberg até fez um pitstop extra –, jogando fora a chance de marcar 18 pontos e praticamente garantir a 6ª colocação no Mundial de Construtores e Sutil manchou bastante sua boa reputação no molhado com várias trapalhadas. Enquanto isso, Alonso manteve um ritmo impressionante. No final, Massa, com o mesmo carro, era de 3 a 4s por volta mais lento que o companheiro.

Caminhos diferentes

Desde o treino de sexta-feira ficou claro que havia duas maneiras de se andar rápido na Coréia. Red Bull e Ferrari apostaram num acerto com maior carga aerodinâmica, priorizando os setores 2 a 3, enquanto McLaren e Mercedes confiaram em sua força nas retas no 1º setor.

Na classificação, Alonso compensou a diferença de velocidade final – perdia 6km/h para as McLaren – com uma atuação perfeita nas freadas e, curiosamente, foi o melhor no setor das retas.

Na corrida, no entanto, não conseguiu o mesmo feito e era constantemente 0.5s mais lento que Hamilton na 1ª parte da pista. Caso estivesse na alça de mira do inglês, provavelmente seria ultrapassado. Mas a Ferrari compensava toda essa diferença no 3º setor e, pouco a pouco, Alonso foi abrindo na ponta. Só havia dois carros mais rápidos nas curvas, mas eles acabaram pelo caminho.

26jul/100

Estatísticas e curiosidades do GP da Alemanha

Numa corrida um tanto melancólica depois de más largadas, a Williams atingiu a marca de 100 provas sem vencer. A última vitória foi de Montoya, em 2004, no GP do Brasil.

A 23ª vitória da carreira de Alonso o coloca no top 10 dos maiores vencedores da categoria. Ele igualou Nelson Piquet e está a um triunfo de Fangio.

A Ferrari comemorou com alguns sorrisos forçados, outros amarelos, sua 81ª dobradinha da história.

Foi a 11ª pole de Vettel ou a 11ª vez que vemos essa cena

Com a volta mais rápida da prova, a 5ª da carreira, Vettel igualou 8 pilotos, entre eles José Carlos Pace, Lewis Hamilton e seu algoz Webber.

Quando a pole foi decidida por 2 milésimos, logo lembrei da decisão do título de 1997. Outra classificação apertada ocorreu em 2006, em Monza, quando Kimi Raikkonen superou Michael Schumacher pelos mesmos 2 milésimos.

Adrian Sutil não pontuou pela 1ª vez em 6 provas.

Voltas na liderança em 2010

Piloto Voltas na liderança
Mark Webber 259
Sebastian Vettel 174
Jenson Button 82
Lewis Hamilton 56
Felipe Massa 40
Fernando Alonso 39
Nico Rosberg 16
Sebastien Buemi 1

Massa liderou pela 1ª vez neste ano e, curiosamente, já ultrapassou seu companheiro. Já a Red Bull não esteve na frente em nenhum momento na Alemanha, fato raro.

Abandonos em 2010

É difícil completar provas com o carro se desfazendo...

Piloto Mecânico Acidente Total
Pedro de la Rosa 5 2 7
Bruno Senna 5 1 6
Timo Glock 5 1 6
Lucas di Grassi 5 1 6
Kamui Kobayashi 3 3 6
Jarno Trulli 5 0 5
Heikki Kovalainen 3 2 5
Sebastien Buemi 1 3 4
Vitaly Petrov 2 1 3
Nico Hülkenberg 1 2 3
Sebastian Vettel 1 1 2
Vitantonio Liuzzi 1 1 2
Karun Chandhok 0 2 2
Jenson Button 1 0 1
Michael Schumacher 1 0 1
Rubens Barrichello 1 0 1
Robert Kubica 1 0 1
Adrian Sutil 1 0 1
Jaime Alguersuari 1 0 1
Sakon Yamamoto 1 0 1
Mark Webber 0 1 1
Lewis Hamilton 0 0 0
Nico Rosberg 0 0 0
Felipe Massa 0 0 0
Fernando Alonso 0 0 0

A lista não inclui os abandonos na última volta de Lewis Hamilton na Espanha e de Fernando Alonso na Malásia, já que eles foram classificados oficialmente.