Meta: escrever meu nome na história
Olá, pessoal. Minha carreira tomou outros rumos este ano e queria utilizar este espaço aqui no TotalRace para detalhar para vocês esse novo caminho que tomei.
O Mundial de Endurance, WEC, não tem a tradição que tem a Fórmula 1. Na Europa, as 24 Horas de Le Mans é igualmente conhecida em comparação com o GP de Mônaco, o GP de Monza. É uma prova que reúne 200 mil pessoas in loco. Aqui, no entanto, o povo brasileiro nunca teve uma afinidade com este tipo de prova.
Até tivemos competições assim, como as 1000 Milhas de Interlagos, que tinha 100 carros na pista, uma festa. Ou seja, o Brasil até conhece provas de longa duração, mas não conhece o Mundial de Endurance ainda, que é muito novo, com apenas um ano.
Agora, com o Emerson (Fittipaldi) trazendo esse Mundial para o Brasil ano passado, tendo dois brasileiros no grid esse ano, eu e o Bruno (Senna) fazendo essas provas, temos tudo para, aos poucos, com a ajuda da mídia, trazer outro enfoque de automobilismo para o público brasileiro, não só a Fórmula 1 ou Stock Car.
Existem categorias tão importantes quanto mundo a fora, e com brasileiros lutando por vitórias, que podem levar a bandeira do nosso país ao lugar mais alto. Acho importante ressaltar isso, especialmente neste momento do WEC.
Minha principal motivação nem é ficar conhecido, mas sim escrever o nome na história. Não importa em que profissão, mas todos querem ter notoriedade, querem poder descobrir alguma coisa, ser o melhor no que fazem. E ser o primeiro brasileiro nos últimos anos com chances reais de poder vencer as 24 Horas de Le Mans, e quem sabe, em um futuro, poder ser campeão mundial, me motivam muito para eu trabalhar muito pesado para tentar escrever meu nome na história.
Fernando Alonso: a média fazendo a diferença
Olá pessoal do TotalRace, tudo bem?
Retornando ao espaço que estava um pouco parado, venho falar de Fernando Alonso, que está em primeiro do campeonato de modo muito merecido.
Ele não teve um carro melhor, na média, durante a temporada, mas soube jogar bem esse "jogo". Os desempenhos dos carros estão variando muito de pista para pista. Podemos pegar o exemplo de Valência, local onde a Red Bull dominou. Lá disseram que ela iria disparar no campeonato, mas isso não aconteceu. Teve também teve a vitória da Williams na Espanha, onde comentaram que ela viria forte. Depende muito, mas acho que manter a constância faz um campeonato, e Alonso está fazendo a diferença em relação aos outros pilotos.
Ele entendeu como o pneu funciona, está conseguindo extrair o máximo deles e a Pirelli não tem pretensão nenhuma de mudar seus compostos até o fim do ano. Agora com as entradas de corridas complicadas, como Spa, que tem um clima bem instável, como Monza, que também é adversa em termos de downforce, nível de aderência, além da difícil prova de Cingapura, do circuito novo dos Estados Unidos, do GP da Coreia, e do GP Brasil, que sempre tem a possibilidade de chuva, será uma incógnita.
Mas, na média, Fernando Alonso está fazendo a diferença.
Bahrein: tração e poeira
A pista do Bahrein ela é muito desafiadora na parte de consumo de pneus e acerto dos carros. Existem longas retas, então você precisa de um bom equilíbrio do carro, mas a melhor tração possível é a chave para um bom tempo de volta.
Se o piloto souber combinar o DRS com os pneus, ele conseguirá obter um bom resultado na classificação. Ter uma boa saída de curvas na entrada das grandes retas é, certamente, uma maneira de ganhar tempo. Se você girar muito em falso, os pneus se degradam e você perde velocidade.
Além disso, o circuito é imprevisível em termos de evolução do asfalto, pois a poeira é um grande ingrediente, pelo circuito ficar no meio do deserto. Quando o vento leva essa poeira para a pista, a aderência cai e isso acaba fazendo o carro escorregar mais, aumentando, assim, o consumo de pneus.
A bandeira azul, o retardatário e o carro mais rápido
Não vi em detalhes o que aconteceu entre Sebastian Vettel e Narain Karthikeyan, que se chocaram durante a corrida, mas este é um assunto interessante para comentar.
A batida acontece na corrida, não é uma coisa anormal numa prova. Claro, entre retardatario e piloto que está disputando posição é uma coisa a se olhar. No caso de colisão, como aconteceu entre os dois é um incidente de corrida.
Não dá para culpar nem julgar. Claro, quem tem mais a perder é o que está no caminho do pódio, então essa pessoa tem que ser a mais cuidadosa. Claro, cabe ao retardatário ter um bom senso razoável para nãoo perder tempo e liberar o ponteiro.
Lembro no ano de 2010 em Barcelona, na corrida com a Virgin, tomei uma bandeira azul e quem estava atrás de mim era o Hamilton em disputa com o Alonso, ou outra pessoa. Os dois estavam disputando e iam me dar uma volta. Eu podia não ter me mexido, mas não estava disputando com ninguém, tava me arrastando, eu simplesmente cedi passagem a ponto de quase ir pra grama.
Não houve problema. Tem que ter bom senso. É complexo ter uma tabela sobre o que é válido ou não. É uma conjuntura de fatores que os pilotos precisam levar em consideração. É uma questão de comum acordo entre os dois. Você sabe como o piloto está se movimentando, quando vai frear, você consegue saber mais ou menos o que ele vai fazer.
A regra da F-1 é bem clara. Existe a disputa normal e a bandeira azul, quando você é obrigado a facilitar a ultrapassagem do carro de trás. O retardatário é obrigado a ter bom senso para facilitar a ultrapassagem em um lugar adequado.
Você não é obrigado a deixar o cara passar em qualquer lugar da pista, principalmente se você, retardatário, estiver em disputa de posição. Quem está dando a volta também tem de ter bom senso nessas horas. Existe uma combinação dos fatores pista e posição para determinar a melhor hora para a ultrapassagem.
Falta incentivo para o esporte nacional
O Brasil é o país número 1 de marcado de telespectadores da F-1, em termos de telespectadores únicos. O GP do Brasil é o mais assistido, então temos essa paixão, esse legado de automobilismo.
Mas falta organização das federações, autódromos, falta iniciativa de patrocinadores para a formação de base e até para a Fórmula 1. Até o Bruno Senna ganhar bons apoios neste ano, isso era muito difícil.
Me lembro em 2010, quando tínhamos quatro pilotos e ninguém patrocinando. Agora, temos empresas mas só dois pilotos que, por causa dos carros, não estão em posição boa.
Precisamos ter principalmente base, o que acho importante, pois o mais difícil é criar o nome; depois é mais fácil criar patrocinio. A base do Brasil, comparada com os Estados Unidos e a Europa, é meio complicada e, às vezes, quando aparece um patrocinio, muitas vezes tem uma coisa não legal envolvida, o que não é interessante pro esporte.
Mas não é só no automobilismo: falta incentivo para todos os esportes, falando no macro, para a base e a formação de profissionais. Por exemplo: você vai numa corrida de rua em São Paulo, que são inúmeras, mas falta incentivo para formação de campeões olímpicos e iniciativa para o esporte. Falta muito incentivo para o lado profissional.
Por isso eu destaco a Eurobike, que foi meu primeiro patrocínio na F-1, é meu pessoal há quatro anos e devo muito a eles, pois passei nesses últimos quatro anos com reuniões com umas 200 empresas e a Eurobike é fiel no apoio a mim e ao automobilismo (GT3, Porsche Cup, kart) e isso ajuda a fomentar o esporte no Brasil.
O que esperar dos pneus em 2012
Foram vários dias exaustivos de testes no ano passado em pistas como Monza, Barcelona, Turquia, Jerez, que começamos a entender melhor o caminho a seguir com os pneus e como cada um se comportava.
É difícil, pois o pneu da F-1 trabalha em uma temperatura mais específica e qualquer variação pequena muda seu comportamento. Não é tão simples assim achar um pneu que é o mesmo cinco voltas, dez voltas, é mais rápido. Ele varia muito com acerto de carro, pista, ar, downforce, uma série de fatores.
Foi um trabalho de confirmação e reconfirmação, escolhendo compostos, tipos de construções e durabilidade. Escolhemos três compostos, do macio ao duro, que, sem dúvida, dará para a Pirelli a possibilidade de escolher uma gama melhor de pneus para cada corrida e ser mais agressiva.
Dentro do que eu espero, existirão várias estratégias em um fim de semana de corrida. Os pneus agora estão bem mais próximos entre si e podendo trabalhar em uma janela, como dizemos. Mais equipes conseguirão fazer o pneu funcionar.
A gente não sabe como está o desenvolvimento dos carros para o ano que vem. A diferença existe entre os pneus e eles vão continuar escolhendo tipos intercalados, que exista diferença entre uma pista e outra. Junto com os testes e as corridas do ano passado, poderemos escolher pneus mais agressivos. As equipes também entenderam melhor como os pneus funcionam e estão aplicando isso no carro deste ano.
Em termos puros de quantidade de ultrapassagens, acredito que será parecido ao do ano passado.
Carro sofrerá na altitude de Interlagos
A corrida de Interlagos não é só um desafio para os pilotos. É, principalmente, para o carro.
Para começar, está é uma das únicas pistas localizada acima do nível do mar, o que tira cerca de 70 cavalos de potência do motor. E a alta densidade do ar faz com que o carro perca carga aerodinâmica.
O principal acerto do carro é um compromisso entre o downforce (para o setor dois, principalmente) e o arrasto aerodinâmico (para termos velocidade na reta), uma vez que andamos com o pé embaixo desde a junção até o fim da reta. Ou seja, precisamos de alta velocidade.
Os motivos da superioridade de Button
Neste ano, muito se fala sobre Jenson Button ser superior a Lewis Hamilton na temporada atual. Acho que, como esportista, todos têm altos e baixos, dependendo de fatores até aleatórios.
Button é um excelente piloto. Testei na Honda em 2008 contra ele, e desde lá tive a oportunidade de comparar gráficos e ele se apresentou como um profissional de técnica muito boa. E vem evoluíndo.
Do ponto de vista mental, o título de 2009 o deixou com a cabeça muito mais forte. Ele tem demonstrado uma técnica de pilotagem diferente e consegue ser mais eficiente, mas isso não quer dizer que em todo ano vai ser assim.
Com esse estilo de pilotagem diferente, ele vem mostrando um ótimo resultado. Quem falou mal dele agora vê sua capacidade em um estilo mais estratégico, compenetrado, menos agressivo e com resultados bons.
Claro que o pneu Pirelli ajudou muito. Você consegue usar a estratégia a seu favor. Como o outro pneu era mais duro, você tinha de andar 100 por tento o tempo todo. Neste ano dá para adaptar, e foi o que Button fez.
Um pouco mais sobre Yeongam
Yeongam é uma pista construída bem longe de tudo, no meio do nada na verdade, a 400 km de Seul.
Quando a gente chegou lá no ano passado, a pista ainda estava em construção. Esta corrida não foi das melhores. Pouco público, tempo ruim, a prova teve de ser atrasada e a visibilidade foi muito ruim.
A pista em si é muito legal, desenhada pelo Hermann Tilke "on demand", com a reta mais longa da temporada, além de freadas bruscas e várias curvas de alta "off camber", na sequência. A parte final é parecida com uma pista de rua, interessante. No geral, é uma pista interessante de pilotar.
A aerodinâmica é fundamental. Como a reta é grande e a freada é brusca, não compensa diminuir a carga aerodinâmica. O importante, também, é ter uma boa tração, pois na saída dos hairpins a carga aerodinâmica tem pouca influência e a traseira sempre mexe nas saídas das curvas.
Em Cingapura, estratégia é difícil de prever
Cingapura é a corrida mais longa no quesito de tempo de prova. A temperatura é quente, mas não a do asfalto, por conta da noite.
O que mais influencia no desgaste dos pneus é a combinação da temperatura do asfalto com a temperatura ambiente; no caso de Cingapura, a temperatura deve ser mais baixa que Monza, por ser uma corrida sem sol.
Apesar de a pista não ter um desgaste elevado, os dois pneus que serão levados desgastam bastante. Cingapura é uma corrida que requer muito grip mecânico e tem o maior nível por ganho, pois, se você ganha grip, você ganha muito tempo de volta.
A aerodinâmica faz menos diferença e tem mais grip mecânico que Mônaco por volta e por quilômetro, por ser uma pista tão longa, por isso acredito que o pneu fará muita diferença.
Será uma estratégia interessante e difícil de prever. Acredito que a escolha feita pela Pirelli deixará o GP interessante nesse ponto de vista.


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