Lewis Hamilton e a McLaren
Depois da corrida de Cingapura, muitos comentários e análises foram feitas a respeito de Lewis Hamilton. "Muito agressivo", "não usa a cabeça", "joga oportunidades fora", entre outras, foram algumas das acusações que apareceram no mundo jornalístico.
Não vou fazer analise alguma sobre a situação de Hamilton, ou o que esta passando por sua mente ou que esteja o atrapalhando nesta fase, até pelo fato de existir já muita coisa para vocês lerem por ai. Porém, vou passar minha posição, refletindo sobre a atitude de Martin Withmarsh, o representante da equipe Mclaren.
Sabe-se lá que Fernando Alonso deixou o time após um ano de muita briga e discussão sobre o favorecimento de Hamilton na equipe. Sabemos que Alonso é um piloto que parece uma criança querendo um brinquedo de qualquer jeito, incomodando qualquer um para conseguir o que quer; uma enorme qualidade, coisa que depois ele recompensa na pista também. Quando ele saiu da McLaren, pensei comigo que ele talvez tinha exagerado, pois naquele ano ele também tinha cometido alguns errinhos, mas, como todos sabemos, quem está de fora sempre está errado.
Quando Jenson Button chegou na equipe em 2010, pensei que ele seria mais um segundo, porém a atuação dele desde do começo foi muito boa. Gostei muito da atitude dele, inclusive da performance. Neste ano, seguindo de perto, vi ele sempre motivado e com falta de sorte em duas corridas que estava nos pontos e o carro simplesmente o abandonou. Depois dessas últimas corridas, pensei comigo, o cara conquistou a equipe. Ele agora tem uma pequena preferencia ali e isto é muito bom para ele. Porém, ao conversar com muitas pessoas ligadas à McLaren, e também ao ver uma entrevista de quase 15 minutos com o Martin Withmarsh, me convenci que a coisa não mudou foi é nada.
A equipe esta muito contente com os resultados de Jenson Button e estão muito felizes em contrata-lo para 2012, porém ela continua sendo Hamilton. Jake Humphrey, pela "BBC", depois da corrida, perguntou a Martin o que estava passando com Hamilton e ele o cobriu de elogios, dizendo que o conhecia desde dos 11 anos e que é só uma fase, e que ele vai voltar para essas ultimas cinco corridas para ganhar, pois ele é um piloto para ganhar corridas. Então perguntaram os motivos pelos quais ele tem reagido dessa maneira; Martin, mais uma vez, o defendeu alegando a agressividade e o piloto show que é Lewis. Disse estar suficientemente satisfeito com esse modo dele ser. Depois de quase 10 minutos de puro elogio a Hamilton, Jake se sentiu um pouco culpado em não mencionar Jenson sobre a corrida do outro inglês, assim estimulando Martin a falar um pouco de Jenson. O dirigente acrescentou somente que ele tinha feito uma ótima corrida e que estava de parabéns.
Deu pra ver de longe que, apesar de inúmeras coisas que Hamilton fez de errado esse ano e Jenson estar sempre perto ou na frente, muito constante e com bons resultados, Martin e a McLaren estarão sempre no bom ou no ruim torcendo e dando o melhor para somente uma pessoa naquela equipe, Lewis Hamilton. Infelizmente, é errado pensar que eles agora darão alguma coisa a mais para Jenson.
Um pouco mais sobre Cingapura
Estive em Cingapura em 2010 e encontrei pessoas asiáticas diferentes e um pais ainda novo, com ganância em crescer e estabelecer sua economia.
Sendo claro, eles têm alcançado a grande meta. Para começar, o maior aeroporto do mundo em tráfego na parte asiática: todos os voos que passam pela oceano indico tem uma referência ou escala em Cingapura. Já existe uma corrida de Fórmula 1 no país também, o que traz a atenção do publico e, ainda mais, todos os fãs mundiais.
Culturalmente, eles estão se mesclando, pois imigrantes como os europeus, brasileiros, americanos e malaios estão por toda parte, o que dificulta a grande cidade de ter uma cultura definida. O custo para viver é alto, mas é um local0 muito procurado também, principalmente empresários que tem escritório no centro do pais/cidade.
A atmosfera é ótima, a maioria das pessoas falam em inglês, o que facilita muito; inclusive têm muitos países no mundo que sabem o quão importante é a população saber inglês, coisa que o Brasil ainda esta deixando a desejar. Fico contente por um pais pequeno que quase não produz nada estar se destacando economicamente no mundo por inteligência, trabalho e, logico, ajuda governamental.
Análise técnica de Monza
Chegou a hora da minha análise técnica antes de cada corrida. Leia e assista:
Aerodinâmica
"A pista tem a velocidade média mais rápida do calendário. As equipes chegam com configurações novas das asas dianteiras e traseiras. O mais importante nessa pista é maximizar o maior tempo em retas sem se preocupar muito com as curvas. Os carros que têm uma aderência mecânica boa nesse circuito podem levar vantagem pelo fato da aerodinâmica não ajudar muito."
Freios
"Monza é um local de provas bastante intenso para os freios. Porém, as quatro longas retas ajudam a refrigerar o equipamento muito rapido e as equipes usam os dutos maiores para melhorar esse processo. O importante nas freadas em Monza é o equilibrio dos carros, já que eles usam um acerto aerodinâmico de baixa pressão, o que deixa os carros sensíveis e muito leves na traseira."
Motor
"Devemos ter motores novos para a maioria das equipes que ainda têm umas cartas na manga. Aqui, o motor pode custar uma pole e provavelmente a Ferrari vai estar com propulsores novos, o que eles sempre costumam fazer"
Estrategia
"Monza é uma pista onde pit stop custa muito. Por ser uma pista com a velocidade media mais rápida, uma parada de box pode custar muito tempo. É pura matemática, por isso acredito que as equipes vão tentar fazer somente duas paradas"
DRS/KERS
"O DRS em monza serão em duas zonas, o que pode dar um show maior na corrida. A colocação dos pontos de acionamento precisam ser bem estudados, já que as retas em Monza são longas e poderia tornar as ultrapassagens as mais fáceis da temporada. Porem ao chegar mais rápido nas curvas, é preciso estar atento para não passar das freadas, já que é muito facil errar por conta da baixa pressão aerodinâmica. O Kers, por sua vez, ajudará muito na largada, já que a reta é longa para a primeira curva, principalmente nas saidas das curvas 1,2,4 e 5".
Os últimos moicanos
Quando recebi o calendário de 2012 da Formula 1, até que gostei. Têm muitad corridas durante o ano e bem espalhadas. Lógico que, ao longo do ano, é muito trabalho para as equipes e pilotos, não é fácil manter 100% do foco o ano inteiro, mas quem se esforça mais para mantê-lo leva sua vantagem.
Apesar de ter gostado do calendário, senti falta da pista da Turquia. Ainda esses dias, vinha conversando com meu pai sobre esse assunto: depois da corrida de Spa, ficamos com a impressão de que toda pista deveria ter algo parecido com ela. Nesta leitura, a Turquia tinha: a curva numero 8 e a primeira curva, que lembra o "S" do Senna em São Paulo. Hoje em dia, é difícil encontrar pistas realmente animadoras feitas por HermannTilke; não tem nenhum problema com as pistas que ele faz, mas falta algo que não podemos medir ou colocar o dedo... Falta caráter nas pistas.
Spa é uma pista lendária. A primeira vez que andei nesta pista foi em 2006 e naquela época não existia nenhuma área de escape que existe hoje. Inclusive neste ano de 2011, eles acrescentaram uma área de escape na curva numero 8, um fracasso... Eu nunca achei a caixa de brita uma coisa perigosa para as curvas que não fazemos com muita velocidade, ou que não chegamos com muita velocidade. Porém, com o controle de muita segurança hoje em dia, as pistas ficam cada vez mais monótonas, e é o caso das novas pistas de Tilke. Uso como exemplo Abu Dhabi: pista maravilhosa em estrutura, mas deficiente em caráter; linda em palavras, mas fraca em ação.
Poucas pistas que foram construídas nos dias de hoje podemos considerar uma pista de caráter. A Turquia, no meu ponto de vista, era uma delas. Uma pista realmente que você precisa segurar o folego antes de entrar na curva numero 8, e que proporcionou boas corridas mesmo sem DRS. Mas, como pilotos e equipes hoje em dia estão perdendo, uma vez que os negócios falam mais alto, as pistas também entraram na lista. Nesta questão, talvez o futebol seja um esporte de sorte, que, mesmo sendo um negocio gigantesco, não foi dramaticamente alterado pelos novos parâmetros de dinheiro. A Fórmula 1 tem um calendário legal para 2012 mas perdeu a única pista das novas que tinha caráter.



luizrazia@totalrace.com.br
