Montanha-russa e Carrossel
Na coletiva de imprensa de quinta-feira em Suzuka, um jornalista perguntou: "Pilotar em Istambul com bastante áreas de escape é a mesma coisa que pilotar em Suzuka onde não tem nenhuma?" Jenson foi o primeiro a responder, alegando que os pilotos não olham por esse ponto, que tudo é uma questão de segurança, pois, ao pilotar, você não esta olhando necessariamente para as áreas de escape, mas, sim, se concentrando na pista, e que pilotos menos experientes tendem a ter mais dificuldades nos circuitos como Suzuka, pois o pequeno erro pode custar caro, acrescentando que é um circuito histórico e que adora guiar nessa pista, uma de suas preferidas.
O jornalista talvez não pegou exatamente no ponto que queria, porém entendo o que ele quis tirar dos pilotos. É uma das coisas que já comentei nas minhas colunas passadas: hoje em dia, todo circuito que é produzido é cheio de áreas de escapes enormes com asfalto. Eu, particularmente, não gosto. A segurança hoje no automobilismo esta muito grande, é um fator que conta muito, mas as pistas precisam ser como a de Suzuka. Uma pista que não é perigosa, porém desafiadora, e, como o próprio Jenson disse, o circuito preferido. A FIA, ao provar que tudo isso foi feito para a maior segurança dos pilotos, com a própria ajuda deles, faz com que eles não possam reclamar. Por isso, Jenson desviou a resposta. A verdade é que as pistas de hoje, algumas, estão ficando um pouco monótonas. Tiro, por exemplo, Abu Dhabi. Não tem emoção na pista, é tudo muito artificial, não dá graça, e é por isso que Suzuka é uma das preferidas de todos, e continua sendo segura.
Outra coisa que não foi mencionada, mas é relevante, inclusive para mim, são as referencias de freadas. Hoje em dia existe placas de 200, 100 e 50 metros para todas as curvas. Não é necessário. Isso é somente um vicio da nova geração de pilotos. Experimente deixar de colocar as placas na quinta feira e você verá a nova geração de pilotos reclamando que as placas não estão posicionadas logo no briefing. Os pilotos são pilotos pela habilidade de constância e calculo em altíssimas velocidades para julgar onde frear, onde passar, onde acelerar. Não precisamos de placas para dizer onde precisamos frear. Basta sentir e calcular exatamente onde é o ponto.
Se é assim, porque a FIA também não coloca um cone na trajetória da curva, e uma faixa na pista que indica a linha para pegar a melhor tomada? As corridas de Fórmula 3 na Inglaterra, no Brasil, e em outras partes do mundo onde não se correm em pistas oficiais, os pilotos precisam calcular tudo no olho antes de chegar na F-1/GP2/GP3, quando olham placas para frear. Pergunte pro Ayrton Senna ou Nelson Piquet se eles olhavam as placas pra frear? Naquela época nem existia isso na pista.
Hoje em dia, a FIA sabe calcular o quanto alguma coisa pode ser perigosa ou não, mas não podemos controlar todos os possíveis e imagináveis acidentes que podem acontecer, por isso, minha crença é de que tudo o que é um pouco mais perigoso que o normal é melhor de experimentar. Por isso as pistas antigas ainda são as preferidas dos pilotos, pois você se sente vivo quando esta guiando nelas, e não um deserto cheio e linhas azuis, cones para a tangência e placas para referência.


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