10 anos da chegada mais apertada da história
No calendário, já completou 10 anos. Para ser preciso, dia 16 de março.
Mas com a chegada da Nascar em Darlington, impossível não lembrar da chegada mais apertada da história da Nascar.
Ricky Craven e Kurt Busch duelaram pela vitória e apenas 2 milésimos de segundo separaram os dois pilotos.
Praticamente um empate.
Re(a)gan e Talladega, uma união feliz
"Não mandem mensagens para mim. Quem venceu a corrida foi o Regan Smith" era a frase postada no Twitter de David Regan na noite no último sábado.
Mal sabia a grande surpresa que o esperava para o domingo.
O fim de semana em Talladega foi chuvoso e longo, com as corridas superando a marca de 6 horas. Uma verdadeira maratona para todos.
Na Nationwide Series no sábado, Regan Smith teve um duplo motivo para comemorar. Além da vitória conquistada por milésimos de segundo, assumiu a ponta da tabela de pontos.
Nelsinho Piquet fazia uma boa corrida, talvez sua melhor em termos de desempenho em um Super Speedway, mas foi vítima do temido Big One e ficou apenas na P29. Na classificação, manteve-se em P14.
Já na Sprint Cup, toda atenção em Matt Kenseth e Jimmie Johnson. Os pilotos mais quotados para vencer nas bolsas de apostas foram os que ficaram por mais tempo na frente. Kenseth foi o que mais liderou e JJ o que mais voltas ficou na segunda posição.
Um Big One praticamente varreu da corrida muitos pilotos favoritos, como Kyle Busch, Tony Stewart, Kasey Kahne e Jeff Gordon. Denny Hamlin, em seu retorno, ficou pelo caminho, apesar de não ter ele próprio se envolvido no acidente, mas seu substituto Brian Vickers.
Cabe uma explicação. Hamlin largou e no primeiro pit stop, saiu do carro e deu espaço para Vickers. Na Nascar, esse procedimento é válido e os pontos vão para quem iniciou a corrida.
Após uma longa interrupção de mais de 3 horas, a corrida recomeçou para as últimas 58 voltas.
Um novo Big One levou a corrida para a prorrogação, e ai a zebra apareceu.
A dupla de pilotos da Front Row, uma das nanicas da Nascar, apareceu e tirou a vitória dos favoritos. David Gilliland empurrou seu companheiro David Regan para sua segunda vitória na Sprint Cup.
Sem dúvida, a maior zebra até agora da temporada.
Mais fofocas
Está rolando um verdadeiro "bafafá" nos bastidores da Nascar.
No último fim de semana, os carros da Penske dividiram garagem com os carros da Hendrick. O de Brad Keselowski ao lado do de Jimmie Johnson e o de Joey Logano junto ao de Jeff Gordon.
Pois durante a convivência, segundo relatos da "rádio garagem", um pessoa da Hendrick comentou com os inspetores da Nascar para ficarem mais atentos nos carros da Penske.
Na inspeção pré corrida, os carros 2 e 22 tiveram peças confiscadas e Logano teve que largar no final do pelotão pois seu carro foi aprovado tão em cima da hora que ele perdeu a volta de apresentação.
De acordo com o diretor de competições da Nascar, Robin Pemberton, os carros não estavam ilegais, mas as partes confiscadas estavam "fora do espírito da regra".
Após a corrida, Brad Keselowski fez duras criticas a Nascar, falando que sua equipe é a mais integra da categoria.
Curioso essa história, ainda mais com essa "acusação" vindo da equipe que é a mais investigada e punida exatamente por irregularidades nos carros.
Vamos aguardar os desdobramentos dessa história.
Em tempo, na mesma corrida, o carro de Martin Truex Jr, o segundo colocado, também não foi aprovado na inspeção pós corrida.
Armas, Nascar e um triste episódio no Texas
Após vários trágicos episódios envolvendo armas de fogo, os Estados Unidos iniciaram um debate sobre o desarmamento da população civil. O presidente Barack Obama encabeçou essa discussão que mexe diretamente com o próprio estilo de vida dos americanos.
No último fim de semana, mais um episódio teve final trágico e dessa vez, envolveu a Nascar.
A NRA, que vem a ser a "Associação Nacional de Rifles"- uma organização que tem como seus objetivos, assegurar o direito a propriedade de armas e auto defesa do cidadão americano, patrocinou a corrida do Texas da Sprint Cup. A prova foi denominada "NRA 500".
Essa denominação gerou uma enorme repercussão. O senador Chris Murphy chegou a enviar uma carta ao presidente do grupo FOX, Rupert Murdoch, para que não houvesse a transmissão da corrida na noite do último sábado.
Contudo a corrida foi transmitida normalmente e o nome da corrida, NRA 500, foi citado uma vez a cada hora, como prevê o contrato padrão para transmissão de corridas da Nascar (O patrocinador pode comprar mais inserções durante cada retorno de intervalo, caso queira).
Mas o trágico episódio aconteceu. Um rapaz se matou usando uma arma de fogo durante a corrida, dentro das dependências do Texas Motor Speedway. Seu corpo foi encontrado na parte interna da pista, por outros torcedores.
Segundo relatos, Kirk Franklin, de 42 anos, se envolveu em uma discussão com outras pessoas antes e estava embriagado antes de se suicidar.
Uma péssima maneira de fazer a chamada ativação de marketing para a entidade, já que todos os jornais dos Estados Unidos estão utilizando o nome da corrida em suas manchetes, como por exemplo, "NRA 500 Suicide", ou "NRA 500 Death".
Que esse debate possa ser acelerado rapidamente.
Definindo em uma palavra o fim de semana
O fim de semana da Nascar pode ser definido em uma palavra: Kyle
Kyle Busch varreu o Texas, com vitórias na Nationwide Series e Sprint Cup.
Já o novato sensação Kyle Larson conquistou sua primeira vitória em divisões nacionais da Nascar, ao triunfar em Rockingham pela Truck Series.
Os brasileiros tiveram um final de semana com sentimentos distintos.
Nelsinho Piquet novamente teve dificuldades com o acerto do seu carro e foi apenas o P18 no Texas. Apesar disso, subiu uma posição no campeonato, sendo o décimo terceiro agora.
"A corrida foi muito difícil, com o carro o tempo todo instável" resumiu o piloto que agora volta sua atenção para os X Games e sua participação no "rallycross".
Já Miguel Paludo voltou ao Top 10 com uma boa corrida de recuperação e uma excelente relargada na prorrogação da prova em "The Rock". Miguel foi o décimo e agora é o sexto no campeonato.
"Como a gente previa, nossa picape melhorou bastante em ritmo de prova. No ano passado, eu conseguia bons resultados na classificação, mas não ia bem na corrida. Agora, estamos conseguindo subir sempre de produção, o que é ótimo sinal. Consegui me manter o tempo inteiro dentro dos dez primeiros em uma pista em que sabia que seria a pior do ano para mim em termos de dificuldade para um bom ajuste. Subimos três posições no campeonato e agora a sequência de provas é em pistas onde tenho bom retrospecto, como Kansas, Charlotte etc, o que me deixa motivado em conseguir lutar pela vitória", falou o gaúcho, que volta as pistas já no próximo sábado, no oval de 1,5 milha do Kansas.
Típico fim de semana em Martinsville
Um típico fim de semana de corridas em Martisville. Corridas disputadas, várias bandeiras amarelas, toques, ultrapassagens e no caso da Sprint Cup, vitória de Jimmie Johnson.
Pela Truck Series, Johnny Sauter venceu pela segunda vez no ano e disparou na liderança.
Os brasileiros fizeram boas corridas, mas com resultado final ruim. Nelsinho Piquet largou do final do grid, foi ganhando posições e liderou a corrida, aproveitando de uma tática bem sucedida.
Porém, acabou ficando sem combustível e perdeu duas voltas em relação aos lideres e terminou em P19.
"O motor falhou dois boxes antes do nosso e depois que o tanque foi abastecido demorou para voltar a funcionar direito. Pode ter sido uma bolha no sistema do carburador ou alguma outra pane na alimentação do motor", disse o piloto.
Já Miguel Paludo também andou por boa parte da corrida entre os cinco primeiros, mas teve um problema e uma relargada e entrou na chamada "zona do tapa", em uma intensa briga da décima posição para baixo. O gaúcho terminou em P17 e agora é o décimo no campeonato.
Na Sprint Cup, Jimmie Johnson venceu pela oitava vez na pista mais curta do calendário e de quebra, voltou a liderança do campeonato.
Clint Bowyer foi o segundo colocado e Jeff Gordon, o terceiro. Gordon avançou seis posições na classificação e aproxima-se da zona de classificação para o Chase.
Quem merece destaque também é Danica Patrick. A "Dama de verde" fez uma excelente corrida de recuperação, após ficar duas voltas atrás dos líderes e terminou na P12, sendo o melhor carro de sua equipe.
A Nascar volta a ter uma rodada completa nesse fim de semana.
Sexta feira tem Nationwide Series no Texas, sábado Sprint Cup também no Texas e domingo a Truck Series corre em Rockingham.
Não é de hoje
Nas últimas duas semanas, o mundo da Nascar "ganhou" um novo bad boy. Trata-se de Joey Logano.
Um piloto que chegou muito jovem, com excelentes credenciais e em um carro que fora campeão, o 20 laranja de Joe Gibbs.
Venceu uma corrida em seu ano de estréia, mas tinha apenas 18 anos e não convenceu.
Os anos passaram e Logano não vingava. Tinha seu emprego ameaçado em 2012, com a anunciada ida de Matt Kenseth para seu carro.
Ganhou oito corridas na Nationwide Series mas só uma na Sprint Cup e ficou fora do Chase.
Entretanto, ganhou uma sobrevida ao assinar com a Penske para essa temporada.
Um começo bom, boas atuações, mas dois incidentes com Denny Hamlin tiraram a áurea de bom moço. Saiu na porrada com Tony Stewart no fim da corrida e seu "troco" em Hamlin custou uma fratura em uma vértebra de seu ex-companheiro de time.
Espantado com esse comportamento de Logano? Confesso que eu não estou. Desde o ano passado que ele está bem nervoso e agressivo, como pode -se ver nos dois vídeos abaixo.
2013 é apenas a sequência dessa versão enfurecida de Joey Logano.
Na minha modesta opinião, ele lutou muito forte pela vitória e não foi sujo em nenhum dos lances polêmicos do fim de semana. E na sua ? Temos um novo bad boy ?
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Candidato ao título ?
O grande personagem nas últimas duas corridas da Sprint Cup foi Kasey Kahne.
O piloto, em sua segunda temporada pela Hendrick Motorsports, dominou em Las Vegas mas ficou na segunda posição. Já em Bristol, novamente teve o melhor carro e conseguiu sua primeira vitória em pistas curtas.
Kahne fez em 2012 sua melhor temporada na Nascar. Apesar de começar com problemas e ser cobrado por isso, venceu duas corridas, foi ao Chase e terminou na quarta posição. Foi o segundo melhor colocado na sua equipe, a mais forte da categoria. Está em sua décima temporada completa na principal divisão da Nascar, com 15 vitórias
O piloto do carro 5 também é carismático, especialmente com o público feminino, que o elegeu o piloto mais bonito da Nascar.
Ainda é muito cedo, mas enquanto todos olham para Jimmie Johnson, Brad Keselowski e até para Dale Earnhardt Jr., Kaseu Kahne corre por fora para lutar pelo seu primeiro título.
Ganhos, perdas e festa em Vegas
A tradicional cidade dos cassinos foi o palco do fim de semana da Nascar.
Las Vegas recebeu a terceira etapa da Nationwide Series e da Sprint Cup. Assim como nos jogos, alguns se deram bem, outros nem tanto.
Pela segunda principal divisão, Sam Hornish Jr. foi o azarão da vez. No começo da temporada não apostei em Hornish entre os cinco primeiros. Mas o piloto da Penske fez três excelentes corridas e foi o dominante no primeiro circuito de 1,5 milha da temporada.
Liderou 114 das 200 voltas para vencer pela segunda vez na categoria e agora segue líder no campeonato.
Nelsinho Piquet fez apostas menores. Com poucas voltas em treinos, teve dificuldade em achar um bom setup e foi evoluindo a cada parada nos boxes. Chegou a andar em quinto, mas o Top 10 era a realidade. No final, com pneus mais novos, arriscou uma ultrapassagem em cima de Ty Dillon, mas raspou o muro e ficou na décima terceira posição. No campeonato, está na nona posição .
"O final de semana todo foi muito difícil. Nosso carro estava muito inferior aos dos outros. É verdade que os treinos livres foram cancelados por causa da chuva e isso atrapalhou todo mundo. Mas realmente temos que trabalhar mais na parte de engenharia e no desenvolvimento do carro para de fato brigar dentro do top-10 e não simplesmente sobreviver nas corridas. Com o equipamento que tinha hoje, fiz o máximo que era possível", avaliou o brasileiro
Pela Sprint Cup, Jimmie Johnson e Kyle Busch lideravam os quadro de apostas. Mas quem tratou de acelerar muito e liderar o maior número de voltas foi Kasey Kahne. O piloto do carro 5 tinha o melhor carro da corrida, que praticamente virou uma briga particular entre as equipes Hendrick e Joe Gibbs.
Contudo, nem sempre quem tem a melhor mão vence e o aniversariante do dia, Matt Kenseth, deu um "all in" no último pit, colocando apenas combustível e relargou na primeira posição.
Ai começou uma perseguição implacável, mas Kenseth utilizou um com perfeição um traçado defensivo, negociou bem o trafego e venceu pela primeira vez na nova casa, tornando-se o terceiro piloto da história da Sprint Cup a vencer no dia do seu aniversário. Cale Yarborough e Kyle Busch foram os outros.
Festa merecida para o vencedor e aniversariante.
Já vi esse filme
2006. Um piloto muito promissor e já com vitórias na Sprint Cup, venceu a principal prova da categoria, a Daytona 500.
Na prova seguinte, chegou na segunda colocação.
No fim do ano, conquistou seu primeiro título na principal divisão da Nascar.
2013 começa e o mesmo piloto vence a Daytona 500 e chega na segunda posição na corrida seguinte.
Tanto em 2006 como em 2013, o protagonista é o mesmo.
Será que o final também será o mesmo ?






thiago@totalrace.com.br
