Mateschitz pode usar episódio da Malásia para mudar a Red Bull
Os eventos do GP da Malásia chamaram muito a atenção do público austríaco, com discussões no twitter, Facebook e nos fóruns. E as pessoas estão muito divididas.
Sebastian Vettel tem um lugar muito especial na Áustria, porque, normalmente, austríacos não gostam de alemães. Porém, as pessoas sentem que, como ele é muito carismático e se comporta bem, ele é mais austríaco do que alemão – e, além disso, quando ele ganha, o hino da Áustria também é tocado [devido à origem da empresa Red Bull]. É por isso que as pessoas se dividiram, pois viram nele uma atitude no estilo de Schumacher, e isso vai contra esta imagem.
Por outro lado, há quem o defenda, dizendo que foi uma atitude de campeão. Algo que Senna e até o maior austríaco de todos os tempos, Niki Lauda, também fariam. Este também parece ser o lado de Hulmut Marko, que afirmou que Vettel “é um corredor e não é possível pará-lo”. Porém, acho que o alemão terá problemas com Mateschitz, que não deve aprovar esse tipo de atitude.
A política interna da Red Bull mudou muito entre 2007 e 2008. Quando Mateschitz chegou, ele queria uma equipe completamente diferente. Eles traziam modelos para o paddock, tinham seu próprio jornal, eram um time mais de espetáculo. Em 2007, Mateschitz decidiu se livrar de tudo isso e passou a apostar em uma equipe vencedora, não necessariamente diferente. A partir daí, grande parte do dinheiro do marketing foi para a equipe em si. Isso mudou o perfil do time, permitiu o crescimento do poder de Marko. Dali em diante, o importante era vencer, vencer, vencer.
É fato que houve ordens de equipe no passado, lembrando que Webber as quebrou em duas oportunidades – em Silverstone em 2011, quando foi para cima de Vettel contra as pedidos via rádio e na decisão do título do ano passado, em São Paulo, quando não foi muito útil.
Além disso, houve o acidente na Turquia em 2010. Vettel estava muito mais rápido e a ordem era que passasse. Porém, o engenheiro de Webber, Ciaron Pilbeam, instruiu seu piloto para que lutasse pela posição. Aquele acidente seria o início do fim do relacionamento entre os dois pilotos.
Talvez fosse uma boa ideia para Mateschitz dizer agora que eles não vão mais dar ordens de equipe, que eles não precisam ser como os outros, que não precisam vender carros e que não se importam em perder um quarto campeonato por conta disso. Até porque, se fizesse isso, Vettel continuaria chegando na frente de Webber na grande maioria das corridas. Seria uma boa estratégia para Mateschitz.
Gerald Enzinger é editor-chefe do semanário esportivo austríaco SportWoche.
A Fórmula 1 é popular na Índia, mas não será grande até termos um campeão
Na corrida do ano passado, a Fórmula 1 chegou envolvida em uma sensação de novidade. Todo mundo queria saber o que era a categoria, mesmo quem não era fã. Por isso tivemos um público enorme de 100 mil pessoas no dia da corrida. Desta vez haviam menos pessoas, mas eram torcedores de verdade que assistiram à prova. O esporte tem uma boa base de fãs por aqui, mas os “excedentes” sumiram e apenas fãs de verdade ficaram para assistir.
Para um crescimento estelar aqui, precisaria haver um campeão indiano. Ter apenas uma equipe como a Force Índia que apenas faz número ou um piloto que termina em 22º como Narain Karthikeyan não vai espalhar a popularidade da F-1 no país. O críquete só é extremamente popular por aqui porque somos muito bons nele. Em esportes em que não vamos bem, a popularidade cai. É assim em outros países também. Até surgir um campeão, tanto faz se há ou não um piloto do país no grid. O importante nesse estágio é que o esporte seja emocionante por si só.
Mas as raízes para o sucesso existem. Se olharmos para trás, a Fórmula 1 está na televisão desde a metade dos anos 90. As pessoas possuem um conhecimento do esporte grande o suficiente para entendê-lo. A visibilidade da categoria por aqui existia antes mesmo de surgirem Force Índia ou Karthikeyan.
Isto significa que já existe um espaço para a F-1 no país. Mesmo quem gosta também de críquete, vai mudar de canal e assistir a uma corrida quando ela acontecer. Com a corrida na Índia, este espaço tende a crescer aos poucos.
Do outro lado, vejo a comunidade da Fórmula 1 também está gostando da Índia, pelo menos no nível do evento em si. Os pilotos dizem gostar muito da pista, que ela é veloz e desafiadora. Mas não sei se eles estão tendo a chance de ver um pouco do país, já que passam a maior tempo do circuito. Então não sei o que pensam realmente da Índia como um todo. Mas, da pista, já está claro que eles gostam.

Aditya Iyer é repórter do “Indian Express” e participou da cobertura das duas edições do GP da Índia já realizadas. É também um grande fã do filme “Cidade de Deus” e sonha em ir ao Brasil para a Copa do Mundo de 2014. Como torcedor.
Razia evoluiu como piloto e merece chance na F-1
Luiz Razia é um piloto diferente neste ano. Conheço-o há muito tempo. Ele sempre foi um cara muito engraçado e sempre foi rápido, mas agora algo mudou dentro dele. Dá para ver seu foco, ele parece bem mais em forma – tanto mentalmente, quanto fisicamente – e está demonstrando muita consistência e inteligência para lidar com os pneus Pirelli.
Na corrida de Valência, por exemplo, a maneira como ele cuidou dos pneus para que, no final, pudesse atacar. Em Silverstone, nas primeiras voltas da corrida, quando todos os outros estavam quase sonolentos, ele foi agressivo – nunca perigoso, nunca exagerando – para ultrapassar Valsecchi, ao mesmo tempo em que cuidava dos pneus e não os fritava. Depois, se manteve à frente de Nasr de maneira que Felipe acabou com seus pneus. Fez isso para que, quando Valsecchi chegasse nele, pudesse andar rápido. Estamos vendo a criação de um piloto mais completo, mais do que eu já o vi. Tem sido ótimo vê-lo correr.
Espero que ele vença o estigma de ter feito quatro anos de GP2 e consiga ir para a F-1 – tem sorte de ser brasileiro, pois parece que apenas os italianos não conseguem pular esse degrau – mas o que temos visto é que não dá para chegar na F-1 apenas com talento. Não acho que deveria importar o tempo que fica na GP2. Ele está na Arden, equipe que não ganha um título com um piloto desde a F-3000, e na GP2 só foram vice-campeões com Heikki Kovalainen em 2005, o que mostra há quanto tempo não estão no topo. Isso deveria colocar o que Luiz tem feito em perspectiva.
Além disso, ele não tem o retorno de um companheiro experiente, pois pilota com um estreante. É a mesma situação de Valsecchi, mas ele está na equipe que venceu o campeonato com Grosjean ano passado. As equipes são muito diferentes.
Se ele pode chegar à F-1? Realmente não sei, pois depende do dinheiro. Ele deveria chegar à F-1? Absolutamente. O Brasil já perdeu Rubens Barrichello para a Indy, pode perder Bruno Senna na Williams se o que ouvimos a respeito dos investidores finlandeses se confirmar e Bottas entrar em sua vaga. Todos sempre dizem que Felipe Massa vai sair da Ferrari. Os patrocinadores brasileiros precisam apoiar alguém novo, alguém que pode tirar o máximo. Por que não Luiz Razia?
Will Buxton é repórter de Fórmula 1 do "Speed Channel" e é o narrador das corridas de GP2 e GP3 na transmissão oficial para os países de língua inglesa.
Nasr é o estreante que mais impressiona na GP2
A GP2 neste ano está muito difícil para os estreantes. Até para aqueles que vêm da GP3 e já correram nos mesmos circuitos e com o mesmo pneu Pirelli está complicado, imagine para quem veio direto da F-3 Inglesa. Mesmo vindo como campeão, é um salto gigantesco, e Felipe Nasr tem feito um grande trabalho.
Estou muito impressionado com ele, muito mais do que com qualquer outro estreante que temos neste ano. James Calado, quarto no campeonato, obviamente também está bem, mas ele veio da GP3, ele conhece a maioria das pistas e os pneus e está na mesma equipe desde o ano passado.
Nasr tem sido incrível. A maneira como ele preserva os pneus é fantástica, sua compreensão de como atacar uma corrida é impressionante. É um ótimo piloto de se ver e um talento de verdade.

Will Buxton é repórter de Fórmula 1 do "Speed Channel" e é o narrador das corridas de GP2 e GP3 na transmissão oficial para os países de língua inglesa.
Sabíamos que o carro da Mercedes era rápido
Sabíamos faz tempo que o carro da Mercedes era veloz. A pergunta que ficava era se os pneus aguentariam uma corrida inteira. Nas últimas a coisa funcionou e pudemos viver um pouco de história na China: a primeira vitória da Mercedes na Fórmula 1 desde 1955. É preciso saudar a Nico Rosberg que conquistou esse primeiro lugar de maneira impressionante e pilotando de maneira controlada.
Em nenhum momento deu a sensação de que eles poderiam ter problemas de desgaste excessivo nos pneus e vai ser interessante observar se vai continuar assim nas próximas etapas. Mas ainda é cedo para dizer se a Mercedes está com carro para ganhar o título. Na China eles tiveram sim uma performance digna de campeão. Mas um Mundial tem vinte corridas, não apenas uma. Eles precisariam manter essa forma em todas as outras corridas.
É uma temporada muito legal. Tivemos diferentes vencedores e todos podem ter uma influência na briga pelo título. Você vê o caso da Red Bull, que começou o ano atrás mas vem melhorando de maneira constante. Dá para imaginar um ano com diferentes pilotos de diferentes equipes lutando por vitórias e pelo campeonato.

Kai Ebel é repórter da emissora de TV alemã RTL.
É como se Kimi nunca tivesse deixado a F-1
O retorno de Raikkonen foi uma grande notícia, e não apenas no noticiário esportivo. Ficou bastante tempo sendo a principal novidade no noticiário geral na Finlândia. Foi uma loucura. As coisas estiveram um pouco calmas por uns tempos porque nosso único piloto, o Heikki, estava terminando as coisas em 19º, algo assim.
Acho que até isso fez bem para o esporte em geral na Finlândia, porque não é normal um país como o nosso ter um piloto na Ferrari e outro na McLaren, como tínhamos em 2008 e 2009. E as pessoas começaram a achar isso normal. Se nenhum deles ganhava uma corrida, ela não prestava. Essa época fez muito bem em relação à atitude que se tem, porque quando o Heikki conseguia ir para o Q2, isso era um grande feito. E, quando Kimi voltou, todos ficaram muito felizes. Então acho que essa época ruim colocou as coisas em perspectiva.
Talvez algumas pessoas esperassem que Kimi tivesse dificuldades. Mas se você tivesse seguido ele de perto, não foi uma grande surpresa porque há algumas diferenças entre Kimi e Michael Schumacher, por exemplo. Primeiramente, acho que Raikkonen tem um carro melhor do que Michael em seu retorno e isso é um favor importante.
Em segundo lugar, Kimi continuou pilotando um carro o tempo todo [que esteve fora da F-1]. Pilotando um carro, e não uma moto. O rally foi uma boa forma de treinar para ele. É claro que a pilotagem foi completamente diferente, mas ele mesmo acredita que essa experiência o tornou um piloto melhor. O fato de ter continuado competindo ajuda imensamente.
O terceiro fator é que acredito que ele tenha um talento excepcional, assim como Michael. Mas, combinando esses fatores, é como se ele nunca tivesse estado fora da categoria. Tenho certeza de que há pequenas coisas que ele pode melhorar, mas ele sabe. Algumas pessoas podem ter se surpreendido, mas eu sabia que os testes de inverno seriam suficientes e ele logo voltaria a ser como antes.
Sobre a personalidade dele, acho que para os finlandeses é mais fácil entender seu jeito. Muitas pessoas na Finlândia são parecidas com ele. É claro que você não pode colocar as pessoas em caixas e definir que os finlandeses são de um jeito, os brasileiros são de outro, é impossível fazer isso. Mas, na Finlândia, se você senta do lado de uma pessoa em um ônibus e não fala com ela, isso é considerado educado, porque você não quer atrapalhar a vida dela. Você a deixa sozinha e em paz.
Isso está mais ou menos em nosso sangue, então acho que é mais fácil para os finlandeses compreendê-lo. Eles respeitam isso. Ele não é de se explicar, ele não fala mal dos outros, apenas faz seu trabalho e os comentários que são absolutamente necessários e vive sua vida. Pelo menos ele é honesto, pois há tanto exagero nesse paddock.
É claro que eu, como repórter, gostaria que ele falasse mais e fosse mais aberto, mas isso não vai acontecer e pelo menos ele não vai falar besteira, como outros que são mais abertos. Há duas maneiras de ver isso. Quando ele está irritado, dá para ver de longe e você sabe que não será uma boa entrevista. Mas, contando que ele vá bem dentro da pista, não acho que ninguém na Finlândia vai reclamar. Ele é um herói nacional e uma das pessoas mais famosas de todos os tempos lá.
Oskari Saari é repórter da MTV3, a emissora filandesa detentora dos direitos de transmissão da Fórmula 1 no país
Ano é importante para Ferrari e Massa
Este ano é importantíssimo para a Ferrari. O time deve demostrar na pista que o sucesso de 2011, ano com recorde econômico em plena crise mundial, corresponde a um triunfo também em competições. Já são alguns anos desde 2008 que a Ferrari não tem sucesso, não vence.
Ela dispõe do melhor piloto do mundo, que é Fernando Alonso, e um grande piloto, Felipe Massa, que podia ter vencido em 2008. Por isso, a Ferrari deve dar um carro vencedor a eles. Se não lograr êxito, ela deverá mudar a estrutura, porque os investimentos são importantes, os adversários também o são, mas a Ferrari é a Ferrari.
Ano passado, a Ferrari teve um ano incrível como empresa. Em plena crise ela foi capaz de crescer. Jamais ela teve um ano bom assim.
Sobre Felipe, posso dizer que ele é um piloto vencedor. Demonstrou isso antes. É um piloto extremamente forte, mas com algumas características que exigem que o carro se adapte ao seu estilo de pilotar. Se a Ferrari lhe der um carro que aqueça os pneus, Felipe ainda pode demonstrar que é um piloto da Ferrari. Os resultados serão decisivos para sua permanência na Itália. Espero que consiga fazê-lo, porque é um grande piloto e um grande personagem.
O jornalista italiano Jean Piero cobre a F-1 pela agência de notícias italiana Ansa.
Pic não pode ser julgado como piloto pagante
Charles Pic é um bom piloto. O problema é que ele vem de uma família muito rica, que tem muito dinheiro porque trabalham com caminhões que transportam produtos perigosos, como gasolina e gases. É uma família que patrocinou pilotos como Olivier Panis e Eric Bernard, que inclusive é seu padrinho.
Por isso, todo mundo diz que ele chegou na Fórmula 1 porque injetou dinheiro. Porém, ele nunca quis ser esse tipo de cara, sempre ficou muito na dele. Então essa não é a maneira de julgar Charles. Ele venceu na GP2 com a Arden, que hoje é um time bem menor em relação ao passado, então não pode ser ruim.
Ele é um cara muito normal, muito bem educado, conversa com todos e quer aprender todo o possível com os engenheiros. Ele sempre faz questão de dizer que quer chegar à Fórmula 1 para aprender, e creio que chegar na categoria correndo por uma equipe pequena seja uma boa forma de chegar, sem muita pressão, pois ninguém espera muito dele ou do carro.
Frederic Ferret é francês e cobre F-1 pelo L'Equipe.
Sem fama de metido, Grosjean volta mais forte
Na França, esperamos muito de Romain Grosjean, pois ele já tem sete Grandes Prêmios de experiência e precisa mostrar serviço muito rapidamente. Ter Kimi Raikkonen como companheiro de equipe será difícil, no entanto ele mudou muito nos últimos anos.
As pessoas na França diziam que ele era muito metido. Esse não é meu ponto de vista, pois o conhecia mais de perto e sei que esse não era o caso. A maneira como ele se comportava era do tipo “sou piloto de Fórmula 1 e não me importo com mais ninguém” mas ele já trabalhava duro.
Fernando Alonso nos disse quando eles dois estavam na Renault que ele era muito bom no lado técnico e em preparar o carro, mesmo naquela época. Mas ele acabou sendo demitido, foi parar na FIA GT antes de voltar por meio da GP2. Porém, em todos os lugares por que ele passou, tornou seus times mais fortes.
Quando ele foi para a GP2, com a Dams, que é uma equipe pequena, Eric Boullier lhe disse que ele voltaria por um ano para a categoria e teria de ganhar, mas com um time mais modesto. Ele mudou aquela equipe, todos o ouviam e ele impressionou a todos. Engenheiros, mecânicos, até Boullier se surpreendeu com ele.
Frederic Ferret é francês e cobre F-1 pelo L'Equipe.
Ser francês quase atrapalhou Vergne na Red Bull
Vergne vem de uma família que tem uma pista de kart nos subúrbios de Paris, que se tornou muito grande agora e é uma fábrica de karts também, então ele cresceu neste meio. Ele sempre foi apoiado pela federação francesa, que lhe deu dinheiro para correr na F-Renault.
Com esse apoio, ele conseguiu um teste na Red Bull em 2007, que impressionou Helmut Marko. Porém, o austríaco disse na época “ele é francês e eu odeio franceses”. Mas acabou aceitando e o instruiu que ele fosse para uma equipe britânica e aprendesse lá.
Ele mudou muito neste período, quando morou na Grã-Bretanha e pilotou na Carlin. Foi quando ele cresceu como piloto e em termos de autoconfiança, além de ser rápido e bem preparado.
Ele trabalhou muito em Milton Keynes para a Red Bull no ano passado. Todas as sextas-feiras de GP, ele entrava no simulador ao mesmo tempo em que Vettel e Webber estavam no cockpit. Quando eles estavam na China, por exemplo, ele acordou às duas horas da manhã para estar no simulador às três horas para se comparar com os titulares.
Frederic Ferret é francês e cobre F-1 pelo L'Equipe.





