Avaliação dos alemães – Parte 2
Na segunda parte de sua avaliação dos pilotos alemães, Karin Sturm fala da má fase de Michael Schumacher, das boas perspectivas para Nico Rosberg e da ótima forma de Sebastian Vettel:
Michael Schumacher
Uma boa parte dos torcedores alemães já percebe que as coisas estão indo mal, mas sempre existem os fãs mais fanáticos de Michael Schumacher que preferem não enxergar a realidade - até porque, por parte da Mercedes, ele está sendo cada vez mais defendido. Parte da mídia já começa a rir quando vem a explicação deles sobre o que não funcionou no carro do Michael depois de um resultado ruim.
Mas é fácil de enxergar. Nico é mais veloz, é melhor e comete menos erros. Aparentemente, Michael percebe isso, se coloca sob pressão e tende a buscar ir além do que o carro permite, erra e isso não o ajuda em nada. Difícil dizer se ele vai cumprir seu contrato até o final do ano que vem. Ele entrou no bonde e já quis sentar na janelinha. Um passo atrás agora seria complicado para ele.
Mas o que fazer se o ano todo continuar nessa toada? Será que ele vai entrar numa curva ascendente? Será que voltará a sentir a dor no pescoço? Acho que o que vai determinar é quando ele perceber que não consegue mais ser tão competitivo quanto os pilotos de ponta. No momento em que ele perde contra Rosberg, ele precisa ver que também não está no nível de um Vettel, um Hamilton ou um Alonso. Falta algo.
E dá para perceber também que os jovens pilotos já não o respeitam mais e mantêm distância na pista. Na última corrida deu para ver pilotos como Perez, Kobayashi ou Alguersuari o atacando. Ele não tem mais nenhum bônus por ser heptacampeão como tinha antes.
Nico Rosberg
Ele pode ser o futuro da Mercedes. E a equipe começa a se mexer para isso. Mas eles precisam tomar cuidado para que Nico não fique com a impressão de ser menosprezado em relação a Schumacher, pelo menos perante a opinião pública. Mas o desempenho do Nico neste ano é muito convincente. Ele está tirando o máximo do carro. Em Xangai ele tinha tudo para ir ao pódio não fosse o problema no cálculo do combustível que o obrigou a pilotar economizando. O carro da Mercedes não consegue manter na corrida o mesmo ritmo da classificação e isso é algo que eles precisam melhorar. Mas desde o início da temporada, eles deram um grande salto simplesmente fazendo o carro funcionar direito, mesmo sem trazer grandes novidades.
Esse rumor ligando-o à Ferrari não é para se levar a sério. Se Felipe não der nenhum motivo, a vaga ali não se abrirá. Mesmo que haja algum interesse, não seria para o ano que vem, por tudo o que eu escuto de dentro da Ferrari. Da maneira com que Nico fala da Mercedes também, tudo aponta que ele já trabalha para permanecer no time também no ano que vem.
Sebastian Vettel
Não parece que há alguém capaz de pará-lo neste momento. Ele está numa fase excelente. Além de todas as qualidades que ele tinha, ele ganhou agora uma grande dose de auto-confiança e de tranquilidade. Não há o que o deixe nervoso, vide a maneira como o acidente que ele sofreu na sexta-feira na Turquia não afetou o seu final de semana. Em relação a Webber, chegamos a um ponto em que ele o destruiu mentalmente. Parece que o Webber já entendeu que não tem mais chances. Vettel é claramente a figura central do time.
Como disse, parar Vettel em condições normais é impossível. Se não acontecer nada de errado com ele fisicamente, não vai mudar nada. Porque o carro da Red Bull também vai continuar sendo o melhor. Não vai acontecer como na Brawn, quando era uma peça que fazia a diferença e, a partir do momento em que o conceito foi copiado, estavam todos no mesmo nível ou até melhor. A Red Bull não é só um componente que dá para fazer igual.
Pode ser o início de uma nova era na Fórmula 1 sim. Quando um piloto dessa idade é tão bom e tão dominante, especialmente numa fase em que ainda está aprendendo coisas, é bem possível.
Karin Sturm cobre a Fórmula 1 há 29 anos. Já escreveu livros sobre Ayrton Senna e Michael Schumacher. Atualmente, tem seus artigos publicados nos veículos motorsport-magazin.com, Tagesspiegel. Main-Post, Aachener Zeitung, Weser-Kurier e SID, entre outros.
Avaliação dos alemães – Parte 1
A jornalista alemã Karin Sturm fez uma avaliação da participação dos pilotos de seu país neste início de temporada com exclusividade ao TotalRace. Dividimos o material em duas partes, cada uma com três pilotos. Aqui vai a primeira:
Timo Glock
Muita gente se pergunta o que está acontecendo com Timo Glock. E é uma boa pergunta. Em parte, ele está tendo os mesmos problemas com os pneus no ano passado, de levar o composto mais mole à temperatura ideal de funcionamento. Na classificação do GP da Turquia ele admitiu que cometeu um erro. Vejo que é muito difícil para ele se motivar, por mais que diga o contrário. Mas Timo já viu que este será mais um ano em vão. Ele esperava que a equipe avançasse mais neste ano e vejo que é muito complicado para ele se motivar totalmente. E não conseguir largar por um problema no câmbio é algo que não ajuda em nada. As perspectivas para seu futuro não são boas. Correndo atrás, numa equipe que não lhe permite mostrar um trabalho que possa chamar a atenção de um time melhor e com tanta concorrência alemã, é complicado.
Adrian Sutil
A disputa com Paul di Resta foi sempre acirrada. Adrian teve azar duas vezes na classificação com coisas como uma pressão dos pneus errada. Mas os dois estão num nível muito parecido e um exige muito do outro. De forma geral, o carro é muito lento - pelo menos nesse momento - e não está onde os pilotos queriam. Um lugar no Top 10 pelas próprias forças não é algo possível neste momento. A temporada de Adrian não está sendo exatamente feliz. Mas, por exemplo, na última corrida ele não poderia ter feito mais do que fez. A presença de um piloto com o nível do Di Resta na equipe é algo positivo e ele vê isso. Nos últimos anos não foi o caso dele ter um companheiro que exigisse muito dele. Internamente, isso vai ser um avanço. Mas se será possível se promover para uma equipe melhor é uma questão difícil.
Nick Heidfeld
Está tendo um ano de muitos altos e baixos. A classificação nunca foi o forte do Nick. Ele sempre deixou claro que, no seu ponto de vista, o que conta é a corrida. Mesmo assim, é claro que problemas na classificação influenciam no resultado da prova. Ainda mais na F-1 desse ano. Se ele largasse mais à frente poderia conseguir melhores posições no final. Duas vezes ele teve problemas na classificação por questões estratégicas influenciadas pelo time e mudaram algumas coisas nisso.
Seu ritmo de corrida é razoável: na Malásia ele foi muito bem; na China, os dois pilotos da equipe não puderam fazer muito e o Kers no carro do Nick não funcionou e isso é uma desvantagem; na Turquia foi razoável também, não fosse umas batidas de rodas desnecessárias com Petrov dava para ter um resultado melhor, seu ritmo no final era bom quando teve pista livre. Se Petrov fizer o mesmo mais uma ou duas vezes, pode ser que a relação deteriore porque a equipe já avisou para ele antes que não faz muito sentido disputar dessa maneira com o próprio companheiro de equipe.
Muita gente questiona seu trabalho de desenvolvimento do carro, mas o desenvolvimento de base foi bom. No início da pré-temporada, o Petrov tinha dificuldades com o carro que desapareceram. Sobre o estágio atual do time, com as novidades trazidas na Turquia, fica difícil avaliar porque não deu para mostrar um ritmo de corrida claro no meio de tantas disputas. Mas pode ser também que outras equipes com mais recursos desenvolveram melhor seus carros.
Karin Sturm cobre a Fórmula 1 há 29 anos. Já escreveu livros sobre Ayrton Senna e Michael Schumacher. Atualmente, tem seus artigos publicados nos veículos motorsport-magazin.com, Tagesspiegel. Main-Post, Aachener Zeitung, Weser-Kurier e SID, entre outros.


